terça-feira, novembro 22, 2005

O mundo faz cinema e o cinema faz mundo


Adorno afirma que o cinema tenta se aproximar ao máximo na sua dimensão imagética do universo empírico para o espectador perceber o mundo como uma espécie de continuação da tela. Além disso, segundo ele, a seqüência célere de imagens impede a reflexão se o espectador quiser continuar acompanhando o filme. À primeira vista, isso pode parecer um exagero tremendo do apocalíptico Adorno. Mas tomadas às devidas proporções, até que faz sentido.

Assistir a um filme pode ser uma espécie de transe. Se ele for violento e mexer com as pulsões de tanatus, a agressividade reprimida pode encontrar sua expressão. Igual a quando as crianças saem dando chutes para todos os lados depois de assistir a um filme como Missão Impossível. Entretanto, existe uma diferença entre pessoas saudáveis e psicopatas, e foi essa a distinção que o Adorno não estabeleceu.

Os indivíduos “normais” são influenciáveis pela obra fílmica, mas estabelecem uma distinção entre fantasia e realidade, justamente o que não está ao alcance dos psicopatas, como foi o caso dos jovens assassinos de Columbine. Eles saíram atirando em colegas e professores de sala vestindo sobretudos semelhantes aos de Neo e Trinity em Matrix. Entretanto, os “normais” não deixam de se vestir como os atores famosos, imitar personagens, como se a vida fosse uma continuação do filme.

Quando o Adorno fala que o cinema paralisa a reflexão e impede o caos cognitivo, ele está certo na maioria das vezes em se tratando do que é produzido na indústria cultural. As produções da grande indústria cinematográfica não consideram o espectador como produtor de significado, e sim como mero decodificador de historinhas a serem contadas ou/e efeitos especiais caprichados sem nenhuma proposta mais ousada esteticamente.

O transe do cinema pode ser muito mais rico quando a contemplação provoca a reflexão, faz o indivíduo ser autônomo e criar junto com o diretor-autor. Essa é a arte autêntica, revolucionária, porque a arte busca antes de tudo libertar o indivíduo, para dessa forma pensar a mudança social. E o sertão vai virar mar, e o mar vai virar sertão...

7 comentários:

Anônimo disse...

Como criar uma censura para os psicopatas?

tatiana hora disse...

bem, ercik, o mérito da questão não seria esse... mas enfim, eu sou contra qualquer forma de censura.

Anônimo disse...

Desculpa... é que eu não compreendi direito. No final falou sobre a diferença entre os filmes que são uma coisa jogada pronta nas mãos do público e aqueles dos quais o público é uma extensão... Mas não consegui associar isso à parte dos psicopatas e das emoções... etc. Me explica?

tatiana hora disse...

é pq o Adorno só falava do cinema no sentido da alienação, e que tentava se aproximar ao máximo da realidade para o espectador se identificar com o que estava sendo visto na tela e ser facilmente manipulado. Bem, eu desenvolvi o tema dos psicopatas e das pessoas "normais" a partir da influência que o cinema exerce, que seria diferente nos dois casos. E no final, eu falo de um cinema no qual o Adorno não acreditava, até por causa do contexto histórico, onde havia produções nazistas como as de Gobbels, eu falo do cinema produtor da consciência crítica, o cinema de Pasolini(foto), Godard, Glauber Rocha, enfim.

tatiana hora disse...

ah sim, e valeu os comentários, erick. beijão

Anônimo disse...

Ah, agora eu entendi... Bem, não acho que cinema seja só alienação. Realmente não... Bem, obrigado ^^

Nelson L. Rodrigues disse...

Adorno não fez uma reflexão tão profunda.

falo tb de cinema e filosofia dê uma olhada!
http://filocinetica.blogspot.com/