segunda-feira, novembro 10, 2008

Injeção na testa

Eu costumava dizer que "de graça, topo até injeção na testa". Acho que foi por isso que aceitei o convite da minha tia para viajar à praia do Conde, na Bahia, com tudo pago por ela. Está certo que as intenções dela foram boas (eu não pagaria 180 reais por más intenções), mas há um conflito gritante entre o que eu penso sobre diversão e o que ela imagina que isso seja.

Tudo começou quando, ainda no ônibus, o líder da excursão se mostrou quando falou ao microfone e, em seguida, percebi que aquele era um grupo da igreja do Grageru ao ver o microfone ser entregue nas mãos do padre Raimundo. Lembro muito bem daquele padre, ele foi responsável por um trauma de infância.

Todo santo ano novo, minha avó me obrigava a passar a virada numa missa dele, e recordo que o tal padre (espero sinceramente que ele não leia esse blog) além de cantar MUITO mal, GOSTAVA de cantar, e demorava HORAS discursando. A frase da minha avó, que fingia amar o discurso dele enquanto dava capengadas na cabeça como quem quer dormir, cai como uma luva neste momento: no discurso de um padre, nos primeiros 10 minutos quem fala é Deus. Após meia hora, quem fala é o homem. Depois de uma hora, quem tagarela é o diabo, que afasta o fiel da igreja. -Amém-

Quando o padre começou a discursar no ônibus, eu fiquei ansiosíssima torcendo para que ele não ficasse rezando uma missa ali mesmo. Sorte a nossa que ele só proferiu algumas poucas palavras desejando boa viagem a todos, e rezou um pai nosso e uma ave maria.

Está bem. Ajeito a cadeira para me deitar, na esperança de dormir durante toda a viagem, afinal, havia acordado muito cedo e dormido apenas três horas. Daí que ligam o bendito DVD. Quem inventou o uso de DVDs em ônibus? Quem disse que isso é legal? Num ônibus existem diversas pessoas com diversos gostos - digo, ou será que eu era a única ali que não estava nem um pouco a fim de ouvir o Belo numa telona cantando com o Padre Marcelo para uma multidão?

Isso mesmo: o BELO. Mal pude acreditar. Ao ver o padre Marcelo num show olhando com cara de santidade para o telão com a imagem do cantor Belo, eu fiz instantaneamente a seguinte observação: O BELO NÃO É TRAFICANTE? Ok. Pára o mundo que eu quero descer! Quase solto esse comentário aos ouvidos de uma católica que estava ao meu lado, até ver que ela estava adorando o showzinho do Belo. Aí o padre Marcelo disse para não sei quantas milhares de pessoas do espetáculo: Meus queridos, quem gosta do Belo? Então batam palmas para o Belo!

Como se não bastasse o Belo, depois vieram os cantores sertanejos Daniel e Leonardo. E ainda teve Paulo Ricardo cantando Deus é dez num ritmo que só me fazia crer que ele havia feito uma versão religiosa para Olhar 43.

Chegando ao hotel, os companheiros de excursão viraram pessoas normais - ou seja, pediram cerveja e mandaram o garçon aumentar o som. E, claro, reclamaram que a cerveja estava quente. Só que existe um limite na minha cabecinha com relação a aceitar a normalidade da minha tia. Explico. Havia um brinquedo lá chamado tirolesa, que consiste num banquinho em que a pessoa se senta para então colocar as mãos numa barra fixada a uma corda, e em seguida a pessoa desce a toda velocidade a alguns metros de altura sobre um rio. Pois então. Meu primo (de uns 13 anos), filho da tia em questão, decidiu brincar na tirolesa, mas não estava acertando subir no banquinho de madeira. Toquem os tambores para o comentário da minha tia.

- Filho, senta nesse pau direito! - e depois solta uma gaitada.

Atenção para o meu semblante de "q!". Para completar, a católica fervorosa que estava ao meu lado diz "É pra aprender desde pequeno né?", e dá boas risadas em uníssono com minha tia, o que comprovava aos meus olhos pasmos que minha tia não havia dito "senta nesse pau direito!" por inocência.

Na volta, alguns passageiros proferiram um "woo-hoo" ao ouvir soar no ônibus uma cantora que cantava algo como Quem for mulher bate no litro, quem for mulher levante o litro e dá uma golada. Essa cena era pura contradição para mim, que a montava na minha mente junto ao piti que minha tia deu por eu ter tomado caipirinha.

- Caipirinha? Quem foi que tomou isso? Isso faz mal!

- Faz é bem, minha senhora - interveio o recepcionista.

E olha que nem dei bafón, ao contrário de certos senhores que estavam lá, mas enfim... Não demorou muito para a oposição (da mesma religião) tirar o DVD da banda que falava do tal litro e substitui-lo por um video de uma missa do Padre Zezinho - que era até melhor do que aquela música horrível de banda de forró eletrônico.

Agora que já estou em casa só penso que nunca mais tomarei um gole de álcool na frente de familiares, nem nunca mais quero ouvir piadas da minha tia. Talvez sejamos todos conservadores, cada um a seu modo. Ela não quer me ver tomando caipirinha, e eu não quero ouvir suas piadinhas. Saldo positivo: pelo menos estive numa praia linda e deserta, e me banhei numa lagoa de águas gostosas e azuladas.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Falei agora a pouco a uma amiga que gosto de fingir que tenho determinada coisa - não vou dizer o que é aqui no blog. Daí quando eu abri a janela do msn foi um tapa na cara virtual a frase dela. Algo como "você poderia ter essa coisa, ao invés de fingir que tem", o que associei instantaneamente ao que ela tinha falado antes, tipo "o que você ainda está fazendo nessa situação?".

terça-feira, novembro 04, 2008

Quem quiser que me critique

Certa vez, numa aula nos primeiros períodos da universidade, as pessoas discutiam sobre crítica de cinema. A maioria absoluta defendia que a crítica é uma prática completamente inútil. O crítico, como manda o senso comum, não passa de um criador frustrado. O próprio Truffaut chegou a afirmar isso em 1955, na revista Arts. Só que não demorou muito para o crítico Truffaut realizar filmes memoráveis, como Fahrenheit 459, Quem atirou no pianista?, Jules e Jim, Os incompreendidos, entre outros.

Além de criador frustrado, o crítico pode ser acusado de cabeçudo demais, teórico que vive no mundo das nuvens refletindo sobre coisas que não levam a lugar algum. Daí que a gente tem aqueles bons e velhos exemplos de críticos como André Bazin, fundador da revista Cahiers du Cinéma, a maior revista de crítica de cinema do mundo, e aqui no Brasil temos o Paulo Emílio Salles Gomes, que contribui e muito para a formação de uma cultura cinematográfica brasileira. Eles não realizaram filmes, entretanto, não foram poucos os cineastas que se inspiraram neles - dá-lhe Nouvelle Vague na França e Cinema Novo no Brasil.

Mas por que o crítico tem uma imagem tão negativa? Arrisco uma resposta: há pouquíssimos críticos que valham a nomenclatura que lhes é auferida. A maioria dos "críticos" é formada por pseudo-críticos. Vamos a alguns dos procedimentos desse tipo de crítica.

Antes de tudo, a fama que o crítico tem de ser uma pessoa ranzinza advém dos pseudo-críticos. Eles acham O MÁXIMO sair desferindo os mais duros impropérios contra os filmes alheios. Por isso que certa vez o crítico Jairo Ferreira fez questão de esclarecer em um texto seu - "não estou sendo irônico nem maldoso, estou sendo crítico". Para Jairo, sarcasmo barato é uma coisa e a crítica é outra, o que não funciona tendo em vista a maioria dos críticos. O sarcasmo é uma forma de argumentação bastante atraente às vezes, entretanto, os idiotas se utilizam dele a esmo. Não gostou do filme? Então lá vem uma enxurrada de piadinhas que não se baseiam em nada além do pretenso humor "inteligente" do pseudo-crítico, e que têm como critério apenas o "gosto" ou "não gosto".

Na hora de elogiar, os pseudo-críticos são mais imbecis ainda. Eles não se sentem seguros o suficiente para exaltar um filme - afinal, pega mal pra caramba dizer que tal obra é um dos melhores filmes do ano, e depois conferir a opinião da galera da crítica e ver que está todo mundo metendo o sarrafo - então o pseudo-crítico dá um saque nos textos do pessoal primeiro, e seguindo a levada dos críticos renomados reproduz a opinião deles, ou até mesmo algumas palavras. Como se não bastasse, na hora de elogiar o filme não faltam análises vagas, repletas de adjetivos - já disse que adjetivo é a principal arma dos estúpidos? Então o cara não sabe porríssima nenhuma do que está falando e entope o texto de observações brilhantes como "a fotografia é belíssima", "a atuação é bastante convincente" ou "a trilha sonora é tocante". Tais opiniões só evidenciam uma coisa: o quanto o pseudo-crítico não sabe sobre estética do cinema e fica rodopiando em adjetivos que não falam coisa com coisa.

Agora, se "os críticos" têm essa má fama, a gente sabe muito bem de onde ela vem. Então muita gente fala que a crítica é inútil e que prefere ver o filme sem influência de ninguém. Só acho que a função da crítica não é dizer a verdade, mas tão somente prolongar o debate, e assim o filme dura mais do que aquele tempo que passamos na sala de projeção. Acredito que a crítica não serve para "ensinar" a interpretação mais aprofundada do filme, todavia nos chama atenção para certos aspectos, e nós até podemos ir além das palavras do crítico a partir do incentivo da discussão e, destarte, indentificarmos outros tantos aspectos numa obra cheia de possibilidades.

Vou contar até sete...

Depois de contar a um amigo o fato de ter me decepcionado com determinada pessoa, assim que ele se pôs, como sempre faz, a defender a tal pessoa, sua namorada fez uma intervenção inusitada.

- Cuidado com o que você defende.

Essa frase sintetizava em poucas palavras a indignação que ela tinha por ele costumar ser tão complacente com aqueles que se encontram no banco dos réus. Não faz muito tempo desde que uma amiga dele desabafou sobre algumas atitudes impensadas do seu noivo, e ele ressaltou, entre outros pontos, quantas coisas eles viveram juntos, coisas que não são para jogar fora assim do nada. Não deu outra: logo depois o noivo dela aprontou de novo.

Destarte, diferente de outras ocasiões, dessa vez meu caro amigo proferiu uma frase que me pareceu deveras sensata.

- Se uma pessoa lhe faz mal uma vez, a culpa é dela. Se duas, a culpada é você.

Ora ora, veja só! Mas é claro! Essa frase um tanto quanto anti-cristã ensina algo que tem todo sentido seja em relacionamentos amorosos ou com amizades também. Acredito que não se trata de se tornar uma pessoa rancorosa, não obstante significa entender que quando uma pessoa comete uma falha grave com você é hora de você deixá-la se foder. As pessoas cometem erros na vida, é fato. Entretanto, se essa pessoa errou comigo, eu não tenho a obrigação de aceitá-la ainda. Ela pode seguir em frente e ver a merda que fez. Parece que quando perdoamos certas atitudes, as pessoas perdem o respeito e se sentem no direito de fazerem o que bem entendem. Há relações que ficam completamente esvaziadas, sem confiança e repletas de mágoas que só fazem atravancar a nossa vida.

Por isso que, se quando eu era uma boa cristã eu defendia que devemos perdoar "setenta vezes sete", e, depois de um tapa, "oferecer a outra face", hoje acredito que devo contar até sete para a pessoa sumir da minha frente e, após "baterem na minha face", devo fazer a egípcia.

sábado, outubro 25, 2008

Somos tão jooovens, tão joooveeeens...

Bem, tomei café demais hoje à noite, tá foda conseguir dormir, então resolvi escrever pro blog, numa espécie de monólogo besta pra me distrair.

Hoje vi um filme que tinha uma adolescente em crise. De cara, o filme mostrava umas cenas de um povo de preto, fazendo cara de "muito doido", enquanto rolava aquele rock paulêra. Minha antipatia foi inevitável. Sabe por quê? Porque eu odeio adolescentes. Isso é um fato.

O pior é que a pirralha em questão fugiu de casa e foi se juntar a um grupinho de maloqueiros que se achavam os alternativos, mas não passavam de imbecis alienados. Irritação profunda. Sabe, eu tenho nojinho daqueles pirralhos que andam com trocentos piercings na cara pra "chocar a sociedade". Aqueles guris punks que batem ponto no shopping. Sabe aquele tipo de gente que adora Rage Against e acha que é mendigo em plena praça de alimentação do shopping? Pois é!

Enfim, mas pior do que os adolescentes é tudo aquilo dedicado a eles. Seja campanha anti-drogas (não tô dizendo pra todo mundo virar Amy Winehouse, mas é que não suporto aqueles professores de Redação que só pedem pros guris escreverem sobre o POLÊMICO tema das drogas), seja papinho de que mainha tem que explicar o que é sexo e como se coloca camisinha (alguém descobriu o que é sexo ou como se coloca a camisinha pela mãe? ou já sabia bem antes hãm?), seja filmes com garotas de torcida, jogadores de baseball e meninos feios de óculos... É por aí, toda essa coisa Malhação, Capricho e MTV. Mas será que o problema são os adolescentes de hoje em dia? Essa coisa toda "pós-moderna" ou sei lá o quê?! Sei não...

Adolescentes são tão insuportáveis que Jesus Cristo abafou essa parte da história pra não se queimar. Não tá na bíblia, pode conferir.

*Sobre a minha adolescência, prefiro não comentar...*

sexta-feira, outubro 24, 2008

Ah, eu posso até estar pensando com uns drinks a mais, mas... Isso pode parecer clichê! Mas que seja! Sabe, isso em outros momentos poderia me soar como um clichê, uma cantada barata, mas agora... Sei lá... É como se todas as cantadas vagabundas fossem de verdade. Eu penso: nunca senti isso por ninguém. O que é isso: Está certo que me apaixonei por algumas pessoas, amei outras... Só que eu nunca olhei pra alguém e tive a porra da certeza de que sempre admiriaria essa pessoa. Não sei se você vai entender, é meio complicado. Olho pra várias pessoas e vejos pessoas normais. Daí olho pra você e vejo alguém por quem eu seria capaz de passar a minha vida toda, mas ouça bem, eu disse A VIDA TODA apaixonada. Eu NUNCA senti isso por seu ninguém. Para mim é plenamente lógico e possível eu para sempre te amar, cara. É que você é a porra do meu tipo cagado e cuspido. O seu olhar... eu nunca vi coisa me deixar mais inquieta, mexer mais com minha alma, do que seu olhar... Você vira de lado, você se esbarra em alguma coisa- todo desastrado do jeito que você é- você mexe sua boca, tudo é muito bonito e atraente pra mim, exatamente do jeito que você é, eu te quero. E não adianta. Todos os caras parecem caras ordinários perto de você. Isso é amor platônico, mas eu casaria você... putz, essa sua energia muito boa...Esse seu sotaque tão gostoso... Esse seu jeito... Sabe o que é admirar alguém por essas coisas? Pois então: eu te admiro não por você ser o mais alguma coisa, mas porque você se preocupa, você balança o pezinho e é um charme, você usa sempre o mesmo tênis, o seu "porra", "meu" são as coisas mais lindas, a forma como você segura o queixo e olha de soslaio pra pensar "será, cara?"... você, sei lá. você é muito lindo, porra!

quarta-feira, outubro 22, 2008

Então ele posiciona as mãos de modo a formar um quadro através do qual ele me observa por trás de uma câmera imaginária. Situa-me no centro desse quadro. Dirige o olhar fixamente para os meus olhos, como uma espécie de voyeur contemplativo. É alguém que me espia, que está à espreita. O jogo entre o olhar do voyeur e aquele que está sendo observado, o objeto que se torna consciente da sua condição. Todo o lirismo da sedução e do desejo tendo como foco o olhar... Ao fim, tudo se torna pura imagem, e o olhar se confunde num ponto sem extensão entre o observador e o observado. O personagem que olha diretamente para a câmera. O espectador através da câmera. Cópula visual entre o que é visto e o sujeito do olhar, invertendo seus papéis ao infinito. Meus olhos resistem, eles perdem o foco, mesmo mantendo-se na mesma direção. Percebo que ele havia deslocado brevemente o olhar, para depois regressar a mim, mas seus olhos, assim como os meus, haviam perdido o foco. Nossos olhos, então, se separam, e eu sinto a quebra de um encanto; parecia que um filme havia terminado, e tinham acendido as luzes do cinema - cinema de nós dois. Os outros teriam notado aquele jogo de olhares? O jogo havia realmente acontecido?
Quando pequena, assisti a algumas novelas. Certamente, entre as cenas que mais me atraíam, estavam aquelas clássicas de mulheres a beira de um ataque de nervos jogando vasos na parede ou pratos no chão. Eu sempre sonhei em ter pratos disponíveis aqui em casa com o objetivo de atirá-los no chão, um a um, só para aliviar as tensões. Deve ser uma puta de uma terapia.

sábado, outubro 18, 2008

Ontem, quando estava na cozinha procurando alguma gororoba para jantar, encontrei um pacote de pães de forma contendo apenas algumas poucas unidades, então percebi que alguém havia rejeitado o primeiro pão e colocado depois de outro pão, e aí outra pessoa veio e fez a mesma coisa, e assim sucessivamente. O primeiro, igual ao último pão de forma, como vocês devem saber, é aquele menorzinho, chochinho, sem graça. Por isso tanta gente deixa pra lá.

O mesmo acontece com o primeiro biscoito. Quando as pessoas abrem o pacote com aquela fitinha vermelha que facilita o trabalho (ou não), geralmente a primeira bolacha fica lá na pequena parte acima da fitinha, esquecida, até um tanto quebrada. Pois quando eu abro o pacote, vou direto até o primeiro biscoito, repartido, vilipendiado, incompreendido e descartado, e o como enfim!

Daí que ontem comentei que todo mundo despreza o primeiro e o último pão de forma, assim como a primeira bolacha do pacote, mas eu não, eu gosto deles! Então meu irmão soltou essa pérola, enquanto eu passava margarina no primeiro pão de forma:

- É que você gosta de coisas rejeitadas.

Será?

PS: Preciso enfatizar aqui que a falta do acento circunflexo no pão de forma me incomoda profundamente, posto que me parece pão de forma, como boa forma, e não pão de fÔrma!

sexta-feira, outubro 17, 2008

I feel my luck could change

Uma coincidência muito estranha aconteceu. Um ano depois, dez anos depois. O que está por trás dessa magia dos números 1 e 10? Outubro, o mês. O passado parece entrar num eterno retorno... mas as narrativas são sempre distintas... e isso tudo, aonde é que vai dar?
Antigamente, quando alguém vinha jogar na minha cara os meus defeitos, eu me retraía toda e ficava triste e surpresa diante daquelas características que, na maioria das vezes, eu nem tinha reparado em mim. Hoje sinto que estou bem mais feliz com meus defeitos. Eles não me fazem sentir culpada, nem pior do que os outros. Sabe por quê? Porque agora estou mais segura das minhas virtudes. O dedo na cara não desmonta o que eu sou, mas tão somente apontam para o que eu já conheço e aprendi a lidar. Passei também a me divertir com minhas próprias mancadas, a mangar do tombo, com a classe e irreverência de quem aprende com os erros e não faz questão nenhuma de ser perfeita.
Descobri uma atividade muito legal: cozinhar. Isso mesmo. A vida toda eu sempre deixei queimar, coloquei sal demais, essas coisas. Hoje em dia encaro cozinhar como uma atividade catártica, e fico muito feliz quando faço uma comidinha de que as pessoas gostam.

Cozinhar exige cuidado, você tem que cortar os vegetais assim assado; requer atenção, pois você deve reparar direitinho para ver se está no ponto; cozinhar exige método também, pois os ingredientes precisam ser refogados numa ordem X; tudo também tem que ser feito com a maior delicadeza... é necessário ser preciso, sim, tudo na medida certa e com dedicação aos mínimos detalhes, porque são os mínimos detalhes que fazem a diferença entre duas tortas realizadas a partir da mesma receita. E tem que ter amor também. Aquela comida feita às pressas, com má vontade, de qualquer jeito, com certeza não terá o sabor daquela feita com carinho, atenção, cuidado, precisão e método.

Cozinhar é uma arte, meus caros.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Para Luiza

Oi...

Então, acho que houve um grande mal entendido entre a gente. Não sabia que o que eu disse ia te deixar tão magoada. Você falou como se eu quisesse lhe fazer algum mal, e disse que eu estava usando o que sabia sobre sua pessoa contra você. Quero que saiba que não foi essa minha intenção.

A verdade, Luiza, é que eu venho tentado me reaproximar de você, mas você sempre me afasta com tanta hostilidade. Não importa o que você vai achar do que estou dizendo, quais intenções vai atribuir a mim, todavia eu quero mesmo é falar que não sou seu inimigo e nem quero ser. Eu só não entendo muito bem essa sua mania de se auto-destruir, de se denegrir, você precisa se proteger de si mesma.

Não sei que demônios te afligem. Não sou nenhum deus pairando acima dos homens para te julgar. Só enfatizo aqui que não te vejo como uma estúpida, tola ou coisa parecida. Apenas, repito, não compreendo essa sua insegurança - ela é para mim um deslocamento. É uma coisa descabida em você, ela não era para estar aí. Você tem qualidades que ainda não descobriu, qualidades essas que me fazem te admirar pelo que você é.

Só acho que você precisa de mais coragem e força para lutar, pois reconheço em você um grande potencial, uma grande mulher. Não tente se esconder de mim, por favor. Digo, quem sou eu para lhe dizer o que deve fazer?

Fica bem, Luiza.

PS: desculpe por qualquer palavra insensata. Nem revisei o texto.
Ah, essa saudade que eu sinto
me afoga o peito sem razão
Se eu voltar pra você
vai ser porque eu não consegui te esquecer
mas juro que também não terei conseguido esquecer
meus motivos, e então
eu lhe digo
que de novo partirei
sem ter arrumado as malas
como quem vai embora, mas não tem casa - fugitiva
e para não voltar ao falso começo - onde não há saída
começo com ares de meio e incômodo de fim
resta assim a cada um de nós, a parte
ser nada além de apenas uma parte.

segunda-feira, outubro 13, 2008


O Brasil é o único país do mundo onde puta goza , cafetão sente ciúme , traficante é viciado e pobre é de direita.


Grande Tim Maia. Grande mesmo!

domingo, outubro 12, 2008

Filosofia de boteco

Em certos contextos, pensar demais faz mal à inteligência.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Vamos ver quem tem a vida mais fácil!

Canso de ouvir por aí dizerem que vida de mulher é muito fácil - afirmam categoricamente que é só chegar. Frisam que para a mulher bonita então, nossa, todo fim de semana haverá não sei quantos homens querendo sair com ela. Já os homens, coitados... Eles têm TANTO trabalho para conseguir qualquer coisa. Pobrezinhos. Agora vamos aos fatos.

Corrijam-me se eu estiver enganada, ou avisem-me caso eu seja lésbica, mas definitivamente existem MUITO mais mulheres bonitas do que homens bonitos. Não sei se isso ocorre devido ao efeito dos tratamentos de beleza... Mas o fato é que quando eu chego a uma festa, vejo trocentas mulheres bonitas e emperequetadas, e só uns pouquíssimos caras bonitos.

Começa daí né. Depois vem aquela lenga lenga segundo a qual homem é quem pega mulher, e mulher pega quem quiser, e só faz aguardar. RÁ-RÁ-RÁ! Até parece! Meus caros, é a mulher quem pega o homem, na grande maioria das vezes, e o faz acreditar que foi ele o grande conquistador da história. Homem é tão maria mole que não dá tiro no escuro nem a pau - a auto-estima dele vai até o fundo do poço depois de um fora, e mulher nenhuma vale isso tudo.

Aí já viu: a mulher tem que ir ao ataque, digo, demonstrar interesse para o garanhão se aproximar. Junte a isso o fato de ela estar no meio de não sei quantas mulheres bonitas. Nesse contexto, homem não precisa ser tão bonito, legal e inteligente para fazer o MAIOR sucesso. Basta ele ser "ajeitadinho", conversador e enrolar um pouco sobre diversos assuntos, para o cara ser desejado por muitas. Eu digo muitas MESMO. E se ele tiver carro então... as feministas que me desculpem (odeio machismo, mas me declarar feminista seria meio "cansativo", explico em outro post), não obstante, a observação empírica me fez concluir que a grande maioria das mulheres se interessa mais quando o cara tem carro.

Outra coisa: homem raramente baba ovo de mulher, faz isso quando está apaixonado ou quando quer comer alguma menina com juízo de 15 anos (ou que ele supõe que tenha juízo de 15 anos), já mulher... É uma rasgação de seda só. Mimimi pra cá, mimimi pra lá, mensagem, scrap, blá blá blá.

Por fim, recordo do comentário de uma amiga que diz que seu namorado bonitón, porém que nunca foi pegador, não tem noção da quantidade de mulheres com quem ele poderia ficar. Lembro também de uma prima que namorava um bonitón, e foram inúmeras as vezes em que ele veio me cumprimentar e, logo depois, alguma colega minha soltava um "quem é esse? bonitinho ele viu! e parece ser tão gente fina!", e daí eu tinha que cortar com um repetitivo "é namorado da minha prima, hehe". Então a gente percebe que mulher é um bicho besta, e que não é preciso fazer muito esforço para ser um cara desejado por muitas.

Homem não precisa ser muita coisa pra fazer sucesso: basta ser ajeitadinho. Possa crer que um cara bonitinho já arranca não sei quantos comentários entre miguxas quando passa. Quando um cara - não precisa ser muita coisa não, basta ser razoável - chega a um show, ele tem muitas, mas muitas possibilidades de ação, sendo apenas educadinho e um pouco esperto.

Em se tratando de feios, dizem as más línguas que a natureza não oferece refúgio. Pois eu vos digo que bastam algumas horinhas de academia para o feio virar "o fortinho", "gostosinho", mimimi. E tenho dito!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Back to black


Não consigo parar de ouvir a Amy Winehouse. Ao procurar informações sobre a cantora, só encontrei notícias referentes aos seus vícios e bafóns homéricos, claro. A celebridade mais escandalosa de toda a história da indústria cultural, a menina dos olhos dos paparazzi, a favorita do tablóide The Sun.
O mais extraordinário nisso tudo é a forma como Amy Winehouse é a própria encarnação do espetáculo: ela fala sobre seus vícios nas suas canções, e diz que não vai para uma clínica de reabilitação (They tried to make me go to rehab, but I said no, no, no!), conta que dormiu com ex (há boatos de que ela recorreu ao ex enquanto o marido estava na prisão), e ainda avisa: I told you, I was trouble, you know that I'm no good... Ela entoa que espera seu grande amor sair da cadeia no cover de Valerie, feito em dueto com Mark Ronson. Ela se deita no chão da cozinha, em um clipe, segurando um copo de whisky, sua bebida favorita, representando um porre de dor de cotovelo.

Amy Winehouse canta sobre sua própria vida para todo mundo ouvir... Ela não é só uma cantora: é um personagem de carne e osso. E parece que a sua grande glória será morrer jovem, o que ela demonstra pelo seu instinto irrefreável de auto-destruição. Tal paixão pela morte levou mulheres depressivas e de vozes poderosas, a exemplo de Billie Holiday e Janis Joplin, ídolos de Amy Winehouse, ao falecimento por overdose. Só que ela está tão entregue ao vício, em uma sociedade em que as imagens se multiplicam cada vez mais, quando a rapidez das informações permite uma cobertura detalhada de escândalo a escândalo, que sua partida não teria nenhum glamour: as imagens não são de uma cantora eternizada pela sacralidade da morte na juventude, mas sim fotografias de uma mulher decadente e desesperada. Seria isso tudo um grande show?

quarta-feira, outubro 08, 2008

- Eu gosto de Cinema.

- Sim, e você vai ser o quê, uma estrela????!!

- Não, meu sonho não é ser atriz de novela da Globo :)

- Então você quer fazer o quê?

- Filmes.

- HAHAHAHA. Mas aqui no Brasil?????

- =/
Como sonhadora incorrigível, tudo que não é amor sempre me pareceu muito pouco!
Aplica-se em mim
Como dor sutil de injeção de sangue
Um tédio agudo
Que me suga
Como sanguessugas
dispersas sobre minha carne
O gosto de viver a vida
E torna-me vampiro dos dias

Não sei se quero mais
Não vejo nenhuma saída
O desespero
Como um assomo do começo
Da partida

Não tenho dinheiro
Não há como ir a lugar algum
Preciso de emprego
Onde não haverá ideais
Só o senso pragmático
E o salário para as coisas banais

O que eu quero não cabe nesse lugar
Talvez nem seja do ofício dos homens
O que eu quero me consome
Como se eu não quisesse nada além de sonhar
Como se todas as minhas forças
E todos os meus pensamentos
Convergissem na intersecção
da realidade de todos os amores vãos

domingo, outubro 05, 2008

Orkut nas eleições

vc ainda não tem vereador. Aracaju precisa de um vereador com uma trajetória de vida marcada pela luta a favor das diferenças,um parlarmentar que viva a discrimenção e tenha coragem de combatê-la sem ódio; um legitimo defensor do respeito às diferenças. FULANO XXXXX

Boca de urna pelo orkut pode?

Café filosófico no MSN

Tati diz: as pessoas raramente sacaneiam as outras na cara de pau
[kLeBeR] diz: aham
Tati diz: geralmente elas botam um monte de explicações, ou desculpas, ou coisas veladas
[kLeBeR] diz: Isso se chama sociedade
[kLeBeR] diz: kkkkkkkk
Tati diz: éeeeeeeeeeeeeee
Tati diz: que é pra depois dizerem que não tinham más intenções
[kLeBeR] diz: issoooooooooo

sexta-feira, outubro 03, 2008

Estava conversando sobre as tais das pessoas "difíceis". Ouvi um pedido de conselho sobre telefonar ou não. Disse que devia.

- Ah, mulher, mas ele vai achar que eu tô na dele.

Respondo: e daí? Sim, e daí? Desde quando o fato de uma mulher não ligar para o cara, não demonstrar interesse, indica que ela é a bam bam bam? O mesmo para os homens.

Por trás dessa "gostosura" toda, desse cu doce, lenga lenga, existe muitas vezes uma BAITA de uma insegurança. É assim: eu não quero me dar mal nessa história, portanto, sou a pessoa difícil. E quantas vezes os mais seguros acreditam no próprio taco e investem sem medo de ser feliz?

Não foram poucas as pessoas "fáceis" que eu vi se dando bem, não mesmo. Homens que, num primeiro momento, diziam "eu não vou gostar de você, cuidado, eu sou maaaaaau", de repente apareciam babando pela guria "fácil", que corre atrás sem orgulho nenhum - só bastante auto-estima. Mulheres que faziam o cara de gato e sapato, depois se encantaram pelo bonzinho que dá atenção, amor e dengo dengo.

Gente que faz cu doce é que nem pudim da Casa Alemã: por mais que a gente queira comer, acaba enjoando e jogando o resto no lixo.

Aula da saudade

Segunda-feira eu fui à aula da saudade de uma grande amiga minha. Nunca tinha visto uma, e dessa vez houve certa insistência por parte dela em me fazer ir. Era também para eu ter uma aula da saudade, mas o fato é que esse semestre eu fui a única pessoa a se formar em Jornalismo, e seria impensável um evento desse só para mim, como também não quis colocar nome em placa, nem irei à colação de grau no Emes, aderindo àquela boa e velha colação no DAA. Dispenso todos esses rituais de passagem sem nenhum problema, enquanto algumas pessoas estranham bastante as minhas escolhas, como se eu não fosse uma pessoa “normal”. Muitos podem até imaginar que eu não gostei da universidade, mas a verdade é que eu gosto tanto que pretendo passar a vida inteira vinculada à academia.

Bom, mas voltemos à aula da saudade. Eu achei muito bacana meeesmo. Principalmente porque a turma em questão era muito unida, com alunos que eu acompanhei de perto e vi que eram companheiros de guerra em festas de arromba, congressos e movimento estudantil. No mais, adoro nostalgia, e essa aula tinha um clima propriamente nostálgico, claro, e as pessoas pareciam ter saudade de tudo: desde as crises com relação ao curso até as piadas de alunos e professores em plena sala de aula, como se tudo aquilo fizesse parte de um processo de amadurecimento. Algumas falas me pareceram melosas e forçadas como discurso de padre em casamento, enquanto outros eram sinceros agradecimentos a tudo o que a vida pode oferecer, e terminavam às vezes com uma lágrima tentando se esconder no cantinho do olho.

Lá na aula, os ex-alunos responderam a algumas perguntas sobre a universidade feitas pelas duas professoras mais queridas da Biologia. Agora vou responder a essas questões aqui, numa espécie aula da saudade particular kkk.

Qual foi a pior refeição feita no Resun?

Nossa, pergunta difícil essa, porque foram muitas. Eu detestava a comida daquele lugar, e chegou um momento em que realmente não dava para comer mais lá, quando parei de comer carne. Enfim, havia várias refeições que, assim que eu via no cardápio do dia, eu simplesmente dava as costas e ia comer em outro lugar, do tipo fígado, rabada e carne de porco, alimentos que eu não consumia nem na minha casa, imagina no Resun! Mas a pior refeição mesmo para mim foi uma que eu sequer fiz. Quando eu peguei o prato e vi que o salpicão de frango (uma das poucas refeições do Resun que eu gostava) tinha acabado, e o cara botou no meu prato uma porra de uma dobradinha...

Gente do céu, o que era aquilo?! Era muito, mas muito feio mesmo! Eu estava morrendo de fome, mas não consegui comer um pedacinho sequer de tanto nojo que eu tive. E eu nunca tinha comido dobradinha na vida. Lembrei também, assim que ergui o garfo para comer aquela porcaria de dobradinha do Resun, que um colega meu teve uma diarréia fuderosíssima num congresso em Salvador por causa de uma dobradinha que ele comeu na casa da sua avó. Fiquei imaginando então o que aconteceria comigo se eu comesse uma dobradinha do RESUN! Baixei o garfo, é óbvio! Jesus, apague a luz!

Qual foi o melhor congresso?

O melhor congresso em termos científicos para mim foi o Intercom em Natal, mas digamos que os eventos em que curti a “vibe” mesmo nem eram de Comunicação Social, mas foram uns encontros de História e Biologia que ocorreram aqui na UFS em 2005.

Qual foi a melhor festa?

As melhores, eu diria, aconteceram na república onde mora um pessoal da Biologia e uns agregados. Mas essas festas eram mais bacanas em outros tempos, ultimamente o povo só faz jogar truco! O pessoal tá ficando velho :~~

Quem foi sua grande companheira de UFS?

Ah, sem dúvida foi Ieda, minha amiga com quem divido assuntos nerds, noias, confidências, e um pouquinho de veneno também.

É isso... agora sabe qual é a coisa mais apaixonante daquela universidade? O ambiente decadente de universidade pública! O mato! Deitar nos banquinhos pra pegar o vento gostoso de junto das árvores logo depois do almoço! Ah, delícia! Bom, agora é só esperar a minha EMOCIONANTE colação de grau no DAA.

terça-feira, setembro 30, 2008

Se tem uma coisa que gosto num homem é um sorriso bonito. Gosto de dois tipos de sorriso num homem: os que têm o sorriso mais malicioso e fazem uma cara de sapeca, como também dos que parecem meninos bobos, que riem timidamente. Mas ô coisa marlinda é um homem com sorriso bonito!

domingo, setembro 28, 2008

You know I'm no good

I cheated myself
Like I knew I would
I told you I was troubled
You know that I'm no good

sexta-feira, setembro 26, 2008

Tédio com um T bem grande pra você

Voltei a ouvir Legião por esses dias. Lembrei de mim pequenina na casa de algum amigo da minha tia, quando ela ainda era adolescente, era fanática por Renato Russo, e andava com uns caras cabeludos e tatuados. Recordo que gostava muito das capas dos álbuns da Legião. Só que eu não gostava da Legião. Achei muito estranho o chororô da minha prima no dia do falecimento de Renato Russo, e até comentei que lamentava muito mais a morte dos Mamonas, para indignação da minha prima. Hoje em dia gosto de Legião, e ainda curto Mamonas sim! Comecei a ouvir a banda tarde, quando Legião tinha virado ou artigo de colecionador ou música nostálgica cantada por bandinhas pop em boites de patricinhas. Essa semana bateu a saudade.

And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going
*
E hoje em dia
Como é que se diz "eu te amo"?
*
Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui
*
Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...

E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance

Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos...

Vamos sair!Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos
Estão procurando emprego...
Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Vamos lá, tudo bem!
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia

Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas
Possam se encontrar...
*
Moramos na cidade, também o presidente
E todos vão fingindo viver decentemente
Só que eu não pretendo ser tão decadente não

Tédio com um T bem grande pra você

Andar a pé na chuva, às vezes eu me amarro
Não tenho gasolina, também não tenho carro
Também não tenho nada de interessante pra fazer

Tédio com um T bem grande pra você

Se eu não faço nada, não fico satisfeito
Eu durmo o dia inteiro e aí não é direito
Porque quando escurece, só estou a fim de aprontar
Tédio com um T bem grande pra você

quinta-feira, setembro 25, 2008

Malditas eleições

Como é que permitem essas porcarias de carros de som de políticos espalhando idiotices pelas ruas? Ô negócio insuportável!!! Minha melhor amiga disse que a gatinha dela corre quando passa o carro de som... e por falar nessa minha amiga, várias são as vezes em que a gente tem que interromper a conversa graças a esses carros malditos. E é um tal de Deixa o homem trabalhar, e depois Não trabalha porque não quer, óooi, vige! Pelo amor de deus, proíbam isso!!!

Peçam voto baixo, cidadão não é surdo!

segunda-feira, setembro 22, 2008

A palavra (1955), Carl Theodor Dreyer


A palavra, do diretor dinamarquês Carl Theodor Dreyer, é, antes de tudo, um filme sobre a linguagem, como o próprio nome indica. Essa palavra que é o que nos torna humanos, pela nossa capacidade de criar símbolos, essa palavra que parece querer tomar conta do mundo e desvendá-lo, essa palavra que pode trazer diversos desentendimentos.

O filme apresenta um homem, Johannes Borgen, que passa a acreditar que é Jesus de Nazaré depois de se debruçar sobre a obra do filósofo e teólogo dinamarquês Soren Kierkegaard, para angústia do seu pai, Merton Borgen, que desejava que o filho se dedicasse à vida religiosa, e via nele o talento para tal devido às suas feições que lembravam Jesus, como também a sua voz de profeta.
Algo que se cristaliza no filme é a rigidez dos valores religiosos das duas famílias presentes no filme, e ainda a violência provocada através das aspirações que uns familiares infligem sobre outros do mesmo sangue. Essa violência é produzida por Merton, o chefe da família, em dois momentos: quando ele impõe que Johannes seja pastor, e o filho termina por perder a razão, e quando Merton pede para sua nora Inger lhe dar um neto homem, e, por fim, o filho dela nasce homem, porém morto.

Entretanto, o que se revela muito forte no filme, mais do que relação entre diversas gerações, é a contradição entre razão e misticismo. Logo na primeira seqüência, Johannes sobe no monte junto à sua casa e esbraveja contra todos aqueles que não crêem que ele é o Filho de Deus. Durante o filme, em diversos momentos ele surge perambulando pelos cômodos da casa, proferindo palavras em tom bíblico: “Vocês crêem no Cristo morto, mas não crêem em mim”, brada. Assim como Jesus, que foi renegado por muitos daqueles que aguardavam a vinda do Salvador, Johannes também enfrenta a incredulidade dos crentes. A morte santifica – e Johannes vivo, de carne e osso, não convence os cristãos, que o chamam de louco.

Johannes perde a razão através da própria razão – ele assume a postura de um esquizofrênico pelo caminho da filosofia – irracionalidade e racionalidade se mostram aí como duas faces de uma mesma moeda. E o misticismo, o irracional, o religioso, e a razão e a ciência são apresentados como faces de uma mesma moeda no filme de Dreyer: tanto a ciência quanto a religião são vontades irrefreáveis de compreender a totalidade do universo, de encontrar finalmente a Verdade.

Destarte, com a mesma maestria de Umberto Eco no livro O nome da rosa, Dreyer tece uma reflexão sobre o eterno dilema dos homens diante da linguagem, a procura pela verdade, pela intersecção entre linguagem e realidade. Se na obra de Umberto Eco uma biblioteca medieval guarda às sete chaves os livros sagrados, a verdade escrita por Deus, e nela acontecem diversos assassinatos em virtude de um livro proibido, no filme de Dreyer a luta a respeito da Verdade acontece quando a fé de Merton vai de encontro à fé de Peter. Tanto Merton quanto Peter são cristãos, mas, mesmo guiados pela palavra do mesmo Deus, eles divergem, e Peter não permite que sua filha Anne se case com o filho de Merton, Anders, por eles serem de religiões diferentes.

O conflito entre Merton e Peter assume maiores proporções quando o primeiro vai à casa do segundo com o objetivo de pedir permissão para que seu filho Anders se case com Anne. Depois de eles se digladiarem ao tratar sobre a legitimidade de sua fé, Merton recebe um telefonema informando que sua nora Inger está adoentada em pleno trabalho de parto. Peter, tomado pelo ardor das discussões com Merton, afirma que tal fato era um castigo para guiar Merton no caminho do verdadeiro Deus.

A Morte, assim, aparece como um elemento que perturba os personagens na sua relação com o mundo. A Morte põe em cheque a fé e a existência. Para Wittgenstein, em seu Tratactus Logico-Philosophicus, caso compreendamos a eternidade como duração atemporal, “vive eternamente quem vive no presente”. Essa fala desloca o sentido de uma vida após a morte para negligenciar a continuidade do tempo e a própria morte. No filme, a Morte surge como representação do Místico, daquilo sobre o qual não podemos falar, e o que nos causa estupefação. Na noite em que Inger agoniza com as dores do parto, Johannes anuncia que ela morrerá, mas que ele se encarregará de ressuscitá-la.

Da mesma maneira que Jesus Cristo fez ao ressuscitar o falecido Lázaro, Johannes pretende provar que é Deus superando a Morte. Não obstante, ninguém acredita que ele fará tal milagre, exceto a pequena Mareen, uma das filhas de Inger, e Johannes, assim como Jesus, afirma que as criancinhas são maiores no reino dos céus.

Na cena em que ele fala à Mareen que sua mãe morrerá, como em outros diálogos do filme, Dreyer coloca a câmera de forma a auscultar os personagens rondando em torno deles. Nesta obra, o diretor opta pelos movimentos de câmera em lugar do jogo de campo/contracampo, como presente em outro filme seu, A paixão de Joana D’arc (1928), em que ele havia explorado o plongée e contre-plongée para contrapor o sentimento de superioridade dos inquisidores e a humilhação de Joana D’arc. Em A palavra, Dreyer pouco se utiliza do campo/contracampo e, em lugar desse recurso, usa travellings para apresentar diálogos entre os personagens. Através dos travellings, a câmera se movimenta como se estivesse à espreita – ela investiga a cena e se move junto com ela.

O filme faz ver o invisível, quando enfatiza o movimento das roupas no varal provocado pelo vento, e ressalta a passagem do tempo através do tic-tac do relógio da sala dos Borgen, barulho que fica ainda mais evidente nas seqüências em que os personagens se afligem na sala da casa da família diante da iminência da morte de Inger.
Após minutos de muita angústia dos familiares, o médico sai do quarto com ar de missão cumprida. O pastor chega à casa dos Borgen e há um momento em que ficam lado a lado o pastor e o médico, a religião e a ciência. O médico questiona sobre o que havia salvado Inger, se sua competência ou as orações de Merton, e este último elogia o poder da fé. O pastor, crédulo e incrédulo, parabeniza a atuação do médico e, sobre a existência de milagres, afirma: as leis naturais são leis de Deus, e Deus não contrariaria as suas próprias leis. O médico questiona:

– Mas e os milagres de Cristo?

– Os milagres de Jesus aconteceram em contextos particulares.

Não havia mais milagres. Não havia mais milagres por quê o homem agora tinha um novo deus, a ciência? A ciência assegura que há leis naturais. A filosofia chega a questionar essas leis aparentemente inquestionáveis. Segundo Wittgenstein em seu Tratactus, “que o sol nascerá amanhã não é uma certeza concreta, mas uma necessidade lógica”. O fato de o sol nascer todos os dias não infere que ele não possa simplesmente deixar de aparecer amanhã. Wittgenstein, dessa forma, aponta os limites da linguagem. Para o filósofo, o que está além da linguagem é o Místico. E a Morte é o elemento místico do filme. Johannes desafia as leis naturais.

Logo após a saída do médico, Johannes afirma que Inger está morta. Ele aponta para uma luz que adentra a sala. Anders explica que se tratava da luz do farol do carro do médico que estava partindo. Johannes se espanta e afirma que um determinado barulho era a morte chegando para Inger. Anders informa que, em verdade, era o carro do médico dando partida. Destarte, o encanto diante do mistério e o desencanto através de explicações racionais se contrapõem na cena. Por fim, Mikkel, o marido ateu de Inger, sai do quarto e dá a notícia da morte dela.

Após o falecimento de Inger, Johannes foge de casa. A sua morte traz a união entre Anne e Anders, pois Peter se arrepende de ter desejado o falecimento de Inger como forma de provar a Merton a verdade do seu Deus. Mais tarde, Johannes retorna para casa, justamente no velório de Inger.

Admirados com sua volta, seus familiares se mostram esperançosos de que ele esteja curado. No entanto, ele afirma que irá ressuscitar Inger. Johannes chegara logo após Merton dizer que o corpo de Inger será enterrado, para revolta de Mikkel, que grita “eu também amava o corpo dela!”. O corpo, esse lugar profano, impregnado de vida, ele é prova da existência.

Johannes, então, ressuscita Inger. Como o Deus que se fez corpo, que trouxe Lázaro de volta à vida, e que ressuscitou no terceiro dia após sua morte, Johannes também desafia a Morte e a transcende. Não seria a Morte o grande mistério da vida? Johannes ressuscita Inger através da palavra. É quando o filme aponta a palavra e a vontade de objetivação, o tornar-se realidade a partir da linguagem. Assim como o Deus que criou o mundo a partir das palavras - faça-se a luz- Johannes traz Inger de volta à vida através da palavra. Após levantar-se, Inger abraça seu marido e o beija ardentemente. O corpo em contato com outro corpo, o corpo como certeza da vida, a vida havia superado a morte.

O filme de Dreyer não termina por defender a fé contra a razão. O diretor antes faz um elogio ao Místico, àquilo sobre o que não podemos falar. Dreyer coloca em cheque o poder da linguagem, a pretensão do homem de conhecer e domar o mundo. Um "louco" prova a sua verdade aos incrédulos contra os quais havia bradado na cena inicial do filme. A história desafia as leis naturais – uma morta é ressuscitada! - e o espectador cai na estupefação diante daquilo que não consegue explicar.
Por Tatiana Hora

domingo, setembro 21, 2008

I can't live... if living is without you...


Por mais que um cara pareça muito apaixonado fazendo uma declaração de amor, eu não acreditaria se ele mostrasse o quanto me ama cantando uma música da Mariah Carey.

Oi, ele não é hetero.

Duas qualidades invejáveis numa pessoa

- Não falar quase nada da vida pessoal. Sabe aquela pessoa com quem você anda há séculos, e você de repente descobre por acaso que o pai dela morreu há dez anos? Pois é. Conversas sobre dominó, animais de estimação, cidades bonitas, essas coisas, tudo menos falar sobre o relacionamento com o namorado.

- Ser indiferente. Explico: existem pessoas que não opinam muito sobre os outros, simplesmente contam uma piada, dão bom dia, e seguem em frente. Elas têm umas poquíssimas pessoas guardadas no coração, e sobre as outras não têm muito a dizer além de um "para mim, nem fede, nem cheira". Acho ótimo.

sábado, setembro 20, 2008

Beleza. Então eu leio no jornal que vai rolar Beto Barbosa na Colosseo, e aquele velho esquema de boite de patricinha pá, oeee 200 primeiras mulheres entrada free oeee. Aproveito e chamo uma colega minha que estava aflita para torrar a fortuna que havia conquistado depois de dar aula a um pirralho (50 contos), e ela fica toda animadinha para ir comigo ao show brega no meio da high society.

Ok. Eu me empolgo toda, passo o dia inteiro ouvindo as músicas do meu ídolo de infância, aguento um monte de piadas do povo do msn (que viu o que eu estava ouvindo, e veio comentar "hahaha você tá ouvindo Beto Barbosa, Tati!!!"), enfim, eu me requebro na frente do espelho, ouço minha mãe dizer não-sei-quantas-mil-vezes "Ô Tatiana, eu não sabia que você era tão brega", canto "dance e balance e vem!" no banheiro, me arrumo toda e pá, e lá vamos nós, eu e minha amiguinha. Enfim, saí do meu universo de parque da Sementeira, all star, bandas de rock, shows da Plástico ou Coverama. Não por muito tempo.

Minha amiga e eu, duas fudidas, compramos um vinho Dom Bosco numa loja de conveniência, porque, afinal, o consumo dentro daquela boite devia ser caro pra caralho, e a gente não tem carro, e ainda ia ter que pagar uma porra de um taxi, etc e tal. Em suma, somos quebradas.

Depois de pegar muita pilha tomando vinho, enfim nos dirigimos à boite Colosseo. Não havia tanta gente assim na porta, era para haver muito mais, afinal, era O REI DA LAMBADA que ia dar um show naquela noite. Daí minha amiga teve uma brilhante constatação.

- Ô Tati, será que esse show é de graça mesmo?

- É sim po.

- Mas tem tão pouca gente...

- Ah velho, tá bom, vou perguntar ao carinha na porta.

Lá vou eu né...

- Ô moço, hoje o show é de graça né?

- De graça? Bem, eu não sei não. Deixa eu chamar o rapaz ali.

E eis que surge o rapaz, um cara bem grande e com cara de muito atarefado na noite.

- Moço, hoje o show é de graça né?

- Q! Não, hoje não tem isso não.

:S - E quanto é?

- 20.

COMO ASSIM? VINTE REAIS???? O pior é que o cara foi bem grosseiro, e respondeu como se minha colega e eu quiséssemos enganar o segurança dizendo que o show era de graça. Eu nem argumentei que tinha visto no jornal, e blá blá blá, mas fiquei muito puta da vida. Daí minha colega...

- Po Tati, não vamos embora agora, velho! Vai ficar muito na cara que a gente não vai entrar porque não quer pagar os vinte contos!

- O quê? E eu não tenho orgulho, não, minha filha. Não pago mesmo vinte contos por essa porra, e digo mais: nada de enrolar aqui pra disfarçar, e vamos embora logo porque já são onze e meia e o buzu só roda até meia-noite!

E assim termina a triste história de uma menina que esperava dançar lambada a noite inteira, e volta para casa antes da meia-noite, e aguenta gozação da mãe quando chega em casa. Como podem brincar desse jeito com o sonho de uma ex-criança de cinco anos?
Vou tentar não pensar nisso, mas, assim que te vi, eu sabia desde muito antes que você seria perfeito pra mim.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Balance no A, no B, no C, balance com BB


Ve-lho, hoje vai rolar Beto Barbosa, um dos maiores ícones da lambada, meu ídolo de infância, lá na boite de paty, a Colosseo.

Nada como realizar um sonho de infância, eu, que no AUGE dos meus cinco anos adorava o ritmo "adocica, meu amor, adocica... adocica, meu amor, a minha vidaaaa". Mas eu vou é BEM LINDA, foi mal aê galera cult. Eu não preciso que Caetano diga que Beto Barbosa é bom pra achar digno ir ao show dele (será que ele já disse isso? o.O). Enfim, BEIJOS.

Lições do dia a dia

Umas das melhores qualidades que um homem pode ter é não ter ex-namorada. Além de ficar deslumbrado com você, ele não tem conversinha de trauma nem qualquer antipática querendo aparecer às suas custas. 100 pontos.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Marcos

Um dia a cidade lhe pareceu muito desinteressante. As mesmas caras, as mesmas ruas, a cidade tomava a forma de um não-lugar. Cada baforada dos carros, cada horizonte que se estreitava à sua vista, cada dia em que preferia deitar-se a ver algo de novo... tudo isso era um sintoma de que deveria partir. Só se sentia bem perto do mar, pois o mar era a parte mais bela da cidade, e onde se sentia perdido dentro da própria casa.

O que mais o inquietava era a impressão de que já havia conhecido todas as mulheres que poderiam interessá-lo, que não eram muitas. Gostava da experiência, da aventura de encontrar uma nova pessoa na sua vida. O que para muitas mulheres significava a sua falta de comprometimento, para ele era a busca por saber um pouco mais sobre aquela alma e aquele corpo. Uma mulher caminhando na rua não era apenas uma mulher caminhando na rua - ela guardava muitos segredos e desventuras.

Agora andava pelos lugares e pensava, com um leve assomo de tédio, que as mulheres daquela cidade eram muito desinteressantes. Imaginava que seu grande amor não estaria ali, mas deveria se encontrar em alguma esquina desse mundo imenso. Porque, por mais que adorasse a efemeridade de alguns encontros, todas as mulheres com quem havia estado lhe suscitavam a vontade de que fosse ela a mulher com quem ele dividisse tudo o que ele era. Compartilharia uma rede, uma viagem para a Tailândia, compartilharia até a dor de um câncer, se fosse preciso. Ah! Mas não era Ela! Pois por mais que pudesse beijar todas as mulheres de uma festa, sabia que nenhuma delas diria o quanto gosta do pequeno sinal que ele tinha na maçã esquerda do rosto.

Então, se não havia mais ninguém interessante, estava na hora de viver uma aventura em outro lugar. E uma exigência sua era que esse outro lugar tivesse mar ou montanha. Pois o mar e a montanha lhe provocavam uma ascese.

Não acreditava no destino, e por isso tinha vontade de atravessar todos os espaços para lutar contra o acaso e construir um destino com as próprias mãos. Refletia sobre as contingências do mundo, e, a partir do que havia observado na sua mãe, que sempre se conteve diante da grandeza do mundo na pequenez da sua casa, ele desejava ampliar o seu universo e maximizar as possibilidades.

A vida era um jogo, ele tinha que ser um bom jogador. E o bom jogador é, acima de tudo, aquele que é ambicioso e arrisca. O mundo nunca tinha o mesmo tamanho de uma pessoa para outra. O mundo de cada um, pensava, tinha o tamanho inversamente proporcional ao do seu medo.

Cada palmeira na estrada
Tem uma moça recostada
Uma é minha namorada
E essa estrada vai dar no mar
Cada palma enluarada
Tem que estar quieta, parada
Qualquer canção, quase nada
Vai fazer o sol levantar
Vai fazer o dia nascer
Namorando a madrugada
Eu e minha namora - da
Vamos andando na estrada
Que vai dar no avarandado do amanhecer
No avarandado do amanhecer
No avarandado do amanhecer
Caetano Veloso

terça-feira, setembro 16, 2008

Andreza

Um belo dia, Andreza, de repente, foi embora. Eu sempre soube dos seus ímpetos de partir, tinha plena consciência de que ela estava distante. O que mais me angustiava nisso tudo era o fato de, sempre que ela fazia as malas, eu descobrir uma paixão irrefreável por ela. Cheirava o seu cheiro e beijava a sua boca em plena fronha no meu travesseiro, ao passo que, assim que ela retornava, o seu sabor me era amargo e o seu semblante era recoberto por uma névoa de tédio. Eu só queria Andreza quando ela não podia ser minha. Era um fato.

Mas o que me atraía em Andreza? Talvez a intensidade, a intuição em lugar de inteligência, a genialidade presente em sua falta de método. Às vezes me sentia pequeno perto dela. Pequeno não no sentido de inferior, mas como se ela fosse me abocanhar a qualquer momento, tamanha era a sua vivacidade.

O que falta em Andreza é o rigor de uma boa mãe e a segurança do conforto de um lar. Pois com ela, eu nunca me sentia em casa, mas num trailer ou pedindo carona na estrada. E aquilo me fazia querer viver com ela aventuras e mais aventuras, sem nunca embarcar de vez na sua viagem louca.

Ah, mas eu não quero perder Andreza de jeito nenhum! E todos os seus retornos, ao mesmo tempo em que me fazem desvalorizá-la por acabar me dando conta de que suas idas sempre terão voltas, eles enchem-me de tesão pela euforia compulsiva da briga e da reconciliação. Como um amante das aventuras, mas falso aventureiro contido pela rotina, eu me embriagava com Andreza e me extasiava com nossa novela mexicana. Acendo um charuto.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Eu sei que postar letra de música é coisa de guria, mas me identifiquei muito com essa música do Coldplay #)

Look at earth from outer space
Everyone must find a place
Give me time and give me space
Give me real, don't give me fake

Give me strength, reserve control
Give me heart and give me soul
Give time give us a kiss
Tell me your own politic

And open up your eyes
Open up your eyes

Give me one, 'cause one is best
In confusion, confidence
Give me peace of mind and trust
Don't forget the rest of us

Give me strength, reserve control
Give me heart and give me soul
Wounds that heal and cracks that fix
Tell me your own politic

And open up your eyes
Just open up your eyes

But give me love over, love over, love over this, I ...
And give me love over, love over, love over this, I ...

Laura

De uma forma ou de outra, eu sentia que poderia possuir Laura por inteiro. Tinha plena consciência que faltava-me apenas uma aproximação. Laura não tomaria o primeiro passo, não se arriscaria a tanto. Para ela tudo estava como estava e nada mais. Não havia incômodo algum em sua situação.

Suas palavras costumavam ser muito obtusas. Ela não queria deixar claro o que sentia ou pensava. Também escondia qualquer ciúme ou sinal de afeto. A verdade estava nas ações, então se não dissesse ou demonstrasse afeto, ele simplesmente não existiria.

Laura fazia-se de aventureira incorrigível. Todas as suas experiências mais sólidas com outras pessoas se mostravam vazias em seus relatos. Como se tudo não fosse nada além de um equívoco. Nas suas histórias havia, muito mais do que desabafos, uma maneira sutil de me afastar. Era como se me avisasse do meu futuro, caso quisesse um contato mais próximo. A dureza como observava a falha de outras pessoas era a mesma dureza como me prevenia de que jamais me amaria.

Eu não queria Laura. Nela eu via o projeto não realizado, tudo que poderia ser, mas não é. Até porque alguma coisa faltava em Laura. Meu sentimento por ela se mantinha suspenso, havia até alguma vontade de concretizá-lo. Entretanto, logo percebia que não era Laura quem eu queria, era o que Laura não almejava ser. Eu desejava o que Laura seria sem tanta hostilidade nas palavras, sem tanta frieza na postura, sem tanto fingir que não se importava.

Sentia-a se afastando de mim cada vez mais. Perdia-a aos poucos, e era uma pequena dor sempre que percebia um pouco dela dando adeus. Sabia que, muito provavelmente, poderia detê-la, mas faltava-me ânimo e coragem para impedi-la de ir embora. Lamentava a partida dela num impulso de ausência, num suspiro. Apenas a deixava partir, e não queria e nem me atreveria a conquistá-la. Ela era para mim uma ameaça.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Não dá mais pra ficar em Aracaju. Sei que essa cidade é muito pequena para o que eu quero.

Quero ir embora daqui o quanto antes.

quinta-feira, setembro 11, 2008

11 de setembro


Quando olhei a data de hoje, tomei um susto: né que é 11 de setembro? Então veio aquela velha pergunta: será que alguém vai realizar um ataque terrorista para celebrar a derrubada do World Trade Center?


Deve haver muita gente fazendo planos infalíveis para essa data. Ou não. Afinal, nessa época os EUA ficam armados até os dentes (ainda mais malucos do que de costume). Incrível como o espetáculo em volta da guerra mexe com a nossa cabeça. Quando penso em ataque terrorista, logo imagino algum mulçumano fantasiado de homem-bomba.

Do lado de cá, eu não comemoro o fato de o Brasil não viver em guerra, como faz minha avó. Seria redundante dizer que o Brasil vive suas guerras. Voltando ao assunto, lembro-me como hoje do meu 11 de setembro.

Não foi um dia que me trouxe comemorações ou lágrimas, apenas o olhar de "putz, para onde esse mundo vai ein?". Recordo o instante em que assisti pela televisão a visão espetacular do avião indo de encontro ao World Trade Center. Parecia coisa de filme, daqueles filmes que os americanos fazem porque vivem se cagando de medo de verem seu império ser demolido.

No dia seguinte, tive aula de história na escola. Meu professor, que vivia esbravejando sobre o quanto os EUA eram malditos na corrida para o Oeste e nas guerras no Oriente Médio, apareceu vestindo uma camisa com a imagem de uma das torres gêmeas sendo aniquilada por um avião, tendo logo abaixo da foto o seguinte dizer: "Isso é só o começo..."

Para mim, como disse antes, tal acontecimento não representa nem tristeza nem alegria. Só desapontamento. O ataque às torres gêmeas significa para mim, principalmente, uma grande bofetada nessa bobagem toda de pós-modernidade, de fim da geografia e fim da história, de soterramento das fronteiras espaço-temporais e blá blá blá.

Como se agora, porque pessoas de diferentes países podem conversar pelo ciberespaço, todo mundo fala a mesma língua, como se, porque tem coca-cola em qualquer lugar, as culturas serão unificadas. Daí, quando a gente vê um evento como esse do World Trade Center, percebemos que, se por um lado a globalização une, ela também desune, na medida em que provoca resistências ainda mais violentas de determinadas culturas que são dominadas por outras.

No mais, a globalização através dos meios de comunicação de massa nos proporciona essa experiência de assistir à guerra, de compartilhar o medo com o mundo todo, de ver imagens semelhantes, num universo em que a gente às vezes não sabe ao certo se está vendo o noticiário ou um filme.
Sobre a busca pela captura de Osama Bin Laden, a porta-voz da Casa Branca, Dona Perino, afirmou ontem:

- Há limitações humanas. Isso não é como nos filmes. Não temos super-poderes.




Big bang?


Fiquei sabendo de uma experiência que pretende comprovar a veracidade da teoria do Big Bang. Alguns estão apavorados com a possibilidade de se formar um buraco negro que dará fim ao planeta Terra devido à brincadeira dos cientistas com as tais partículas.

Engraçado o sensacionalismo que a imprensa adora fazer com os experimentos e as descobertas da ciência. Jornalistas praticamente fazem ficção científica em suas reportagens. Mas é claro: os homens se assustam com o poder da ciência e fazem questionamentos éticos que consistem basicamente em perguntar se, afinal, devemos ou não nos transformar em deuses.

De um lado os que acreditam na ciência, do outro os que têm fé em Deus. Duas crenças, e eu não defendo nenhuma. Para mim é uma grande bobagem essa história de que o homem é super poderoso, assim como não entendo porque deveria haver Deus se as coisas são o que são, e o mundo apenas está.

De uma forma ou de outra, não vejo nessa experiência uma grande ameaça. Afinal, dizem que se fôssemos sugados por um buraco negro não iríamos nem perceber, pois o mundo acabaria num piscar de olhos. Não vejo razão em temer algo que não traz sofrimento. Seria o fim e ponto final.

terça-feira, setembro 09, 2008

A mesma correspondência em dois tempos, presente e passado, de dentro e de fora, são duas correspondências.

Antes de ontem li e-mails de um antigo caso. Tantas coisas que passaram despercebidas por mim, agora se revelavam, para meu espanto. Não sei qual das duas perspectivas, a de dentro das emoções do prensente, ou a de fora, que contempla o passado distante através de um olhar racional, é a verdadeira.

Sei que uma coisa parece-me certa: lendo aquelas palavras no atual momento pude perceber fraquezas e inseguranças em quem antes sempre me pareceu tão impávido diante dos acontecimentos.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Durante a viagem de buzu eu pensava bastante sobre o quanto eu irei viajar bastanto arrumar um emprego com um mísero salário de jornalista que seja.

Com um mundo tão grande desse, eu vou ficar parada num lugar só? nAonde!

Jeito bocó de ser

Uma vez eu entrei na comunidade "Somos blasé". Era moderada, e adivinha o que aconteceu? Não fui aceita.

De fato. De onde diabos eu tirei a idéia de que sou blasé, minha gente??? Uma pessoa que quando ri, sempre aparece alguém pra dizer com espanto "mas o que foi isso??? que risada é essa, menina???"; um ser que vive fazendo piadinhas sem graça; alguém que passa a vida mangando de si mesma e dos outros...

Eu até queria ser misteriosa, uma mulher fatal, mas não consigo :(

domingo, setembro 07, 2008

Estive na última semana em Natal para apresentar um artigo no Intercom (e farrear um pouquinho, porque ninguém é de ferro hehehe). Daí, como pessoa observadora que sou, fiquei reparando na postura, nos hábitos desses seres estranhos que são os pesquisadores.

Algo que me chamou a atenção foi a diferença gritante entre as discussões realizadas no congresso de iniciação científica, o Intercom Júnior, e os debates nos núcleos de pesquisa, que abarcam de mestrandos pra cima.

Primeiramente, é incômoda a maneira como o núcleo de semiótica discute. Explico: a elite intelectual da PUC e da USP se reúne numa sala e fica falando um lero lero para só eles entenderem. Houve uma apresentação em que eu não entendia absolutamente nada do que a congressista falava, mas compreendia o texto dela, que estava em grande parte nos slides. Uma fala que seria para simplificar e sintetizar, só complicava. Depois de duas palestras seguidas em que eu entendia muito pouco do que os especialistas falavam, eu comecei a entender o porquê de a moça da organização, que pedia para assinar a lista de inscritos na porta da sala, ter olhado para mim bastante surpresa com o meu interesse em ver as discussões sobre semiótica.

- Olha, aqui é o núcleo de semiótica - disse como quem pergunta "mas você, assim tão novinha, realmente quer participar?".

Fui embora do núcleo. Eles, que são semioticistas, que se entendam. Talvez não por pedantismo ou coisa do tipo, mas porque realmente é muito difícil falar de conceitos tão complexos em apenas 20 minutos no máximo.

Em outros NPs as discussões foram bem compreensíveis, ao contrário do NP de Semiótica. Os NPs de Audiovisual e de Teoria da Comunicação trouxeram discussões bem interessantes. Agora, uma coisa os diversos NPs têm em comum: o fato de os pesquisadores se digladiarem no congresso.

Diferente do que ocorre no Intercom Júnior, onde os estudantes só intervêm para demonstrar interesse pelo trabalho do outro, os NPs são verdadeiros campos de luta. Não sei até que ponto certos debates são embates teóricos ou de egos. Sei que você chega lá e vê um doutor apresentar a sua tese em 15 minutos, e depois aparece não sei quem para dizer que o conceito que ele utilizou é "vago", ou Fulana falar sobre sua dissertação em andamento e Cicrano dizer que, ao contrário do que ela afirma, o cineasta X é realista e recomenda um livro tal. Aí depois a Fulana diz que se ele ler a edição tal de uma determinada revista de crítica de cinema, ele vai ver que o tal cineasta declarou em entrevista que está muito equivocado quem diz que ele é realista. E etc etc etc.

Apesar do embate de teorias (ou egos, quem sabe) ser meio hostil às vezes, é até divertido ver o povo debatendo. É que no Intercom Júnior muito pouca gente se interessa por discutir o que um estudante fala. Fica aquele olhar compreensivo, aquela coisa "mas que bonitinho o Fulaninho ali apresentando". Já no NP, se por um lado há muita vaidade intelectual, por outro há mais questionamento, mais crítica, e crítica, quando feita de maneira saudável, é uma coisa essencial em pesquisa. Mas, ao que parece, nos próximos anos o Intercom vai misturar os pesquisadores dos mais diversos níveis. Não sei se é uma boa. Vamos ver se os estudantes terão de exercitar mais o lado crítico e os especialistas sairão da torre de marfim, ou se os estudantes serão escrachados, ou as duas coisas.

segunda-feira, setembro 01, 2008


UFRN, se prepare, que eu tô chegando!!!

ieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!

sábado, agosto 30, 2008

Então eu vejo no MSN hoje: Michael Jackson jovem aos 50 anos.

JOVEM????

Para mim o cara é um doente, porque só uma pessoa muito doente mesmo para mudar de cor, só sendo bizarramente racista e imbecil. Eu vejo é um cara feio para caralho, cheio de plásticas, um boneco tosco. Um cara que era bonito que só faz uma merda dessa...

quinta-feira, agosto 28, 2008

Tenho coisa pra caramba explodindo na cabeça e mal consigo escrever. Às vezes escrevo aleatoriamente um monte de coisa, mas mesmo para isso preciso de um tanto de "linha de raciocínio", o que não consigo estabelecer agora. Sinto um impulso de falar, mas em seguida uma inquietação que me toma de forma abrupta, até finalmente estancar com certa violência na pausa. Como um silência suspenso em pleno carnaval. Como uma incompreensão tremenda, tão cheia de sensações. Idéias avulsas, obscuridade, falsa lucidez que se impõe sobre o que é inexplicável. Sou eu tentando domar os meus pensamentos - não os explicando - todavia tão somente os evitando.
O que poderia ser não é. Ponto final.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Aceite esta humilde porção de farofa...


Ontem eu me levantei indignada com o meu irmão que havia deixado a TV ligada quando, ao chegar diante da televisão com meu indicador pronto para desligá-la, eu me deparo com uma coisa linda de deus na TV. Ai meu deus, não bota uma homem lindo desse na minha frente que assusta!!!

Era Rodrigo Santoro. Fiquei besta com a maneira como o cara conversava. Ele era muito inteligente, de maneira aparentemente modesta. O cara falava sobre ioga, sobre os filmes em que atuou... tudo para ele parecia ser apaixonante. E quando recebia um elogio, logo tratava de fazer alguma brincadeira. "Olha só o peitoral dele"... comentou o apresentador..."Ah, mas como você pode ver tem até uns pêlos brancos aqui", replicou.

Sei que quando o Jô Soares (odiado e amado por muitos, como todo apresentador da Rede Globo, a la Faustão e Galvão Bueno), perguntou a ele sobre o que ele gostava de comer, ele deu uma resposta ton fofinha.

- Ah, eu como arroz integral, uma saladinha, um peixe, soja, gosto de ter uma alimentação saudável...

- Então você não come COMIDA né?

- Ah não, eu como muito doce, adoro um chocolate...

- E do que você sente falta quando tá longe?

- Farofa.

- Você gosta de que tipo de farofa?

- Todas. Eu amo farofa.

Daí o Jô Soares comentou sobre o quanto os olhos deles brilharam de forma tão intensa falando da farofa. Percebi.
Não seja por isso, que eu aprendo no Google a preparar TODOS os tipos de farofa.

Segura na mãe de Deus e vai!

Ontem foi o Dia D. E vovó me deu um amuleto da sorte. Era um terço. Entregou na minha mão, e apertou meus dedos com muita fé: segura na mão de Deus!

Tá certo que não acredito em deus, mas né que eu gosto dessa história de amuleto? Toda a energia que minha avó depositou naquele terço tinha uma poesia, algo que atribuía uma alma a uma coisa. Guardei no bolso e segui em frente.

domingo, agosto 24, 2008

Eu quero uma casa no campo...

Olha como meu querido "Fulano" é hippie... kkkk

Tati says:
às vezes dá vontade de morar no fim do mundo
Fulano says:
meu sonho é ter minha casa longe de tudo. Mesmo que isso custe mais gasolina
Fulano says:
prefiro pagar o preço pra ouvir os grilos, o barulho do mar, os pássaros pela manhã, poder enxergar o céu à noite
Tati says:
hum
Tati says:
não falo de me isolar das pessoas
Tati says:
mas do ambiente urbano
Fulano says:
ah sim
Fulano says:
isso eu nao sinto falta nenhuma mesmo
Fulano says:
tem um questinamento que eu faço desde criança
Fulano says:
e foi antes de escutar legião urbana, que hoje eu não gosto muito
Fulano says:
"por que não viver como índios?"
Fulano says:
hoje eu penso muito nisso
Fulano says:
será que o homem precisa de tudo que ele busca?
Fulano says:
tenho certeza que não precisa
Tati says:
pois é
Tati says:
mas que é difícil se afastar, isso é
Fulano says:
é.... somos criados nesses valores.
Fulano says:
infelizmente não é tão simples ignorar as regras do sistema
Fulano says:
a gente termina tendo que jogar o jogo.E quase sempre a gente acredita nele
Fulano says:
não vou negar que eu gostaria de um carrao, uma tv 42 polegadas no meu quarto com um ar condicionado split e colchão de mola, alguns ternos e vários tênis adidas de 600 reais, um de cada cor e modelo
Fulano says:
kkk
Fulano says:
mas é dispensável
Fulano says:
e eu seria feliz com muito menos, apenas sendo independente
Tati says:
kkkkkkkkkk
Tati says:
haja desapego viu
Fulano says:
:P

Gente maluca no orkut - parte III

Estou eu fuçando a comunidade do Itercom 2008, quando vejo um tópico: Telefone, MSN, etc... Pensei: eu non a-cre-di-to! C'est n'est pas possible!!!!

Era uma louca varrida informando a todo mundo que estaria marcando presença no congresso, que ia ficar no hotel X, e que o telefone dela era 95788452942, e o MSN era creuzamariadascruzes@hotmail.com. Gente! Quéquéissoooooooooooooooo!!!

*Medo* Daí eu pensei: a-RÁ! Se fudeu! Aposto que um monte de gente vai cair matando tirando sarro da guria. Tsc! Quem disse? O mundo tá cheio de retardado! Sei que outras pessoas apareceram dizendo que queriam BOMBAR na noite de Natal junto com a doida varrida, e ainda apresentaram seus números de telefone e e-mail do MSN. Só faltou o número de CPF.

Aí eu me pergunto: quanta gente carente no orkut néam? Ok, eu sou carente, acho que todo mundo é, mas tudo tem limite, pessoal!!! Beleza. A curiosidade bate e eu vou lá visitar o perfil da creuza. Né que no perfil dela constava, em caixa alta mesmo, PRIMEIRO LUGAR NO CONGRESSO TAL, e depois "vou para o Nordeste. Férias? Não!! Vou apresentar o trabalho sobre o não sei o quê do não sei o quê sei lá, e tal e coisa, e coisa e tal". kkkkk!!!

Apois. Eu tenho é medo de quem tem perfis tipo "Eu sou o máximo! Me add. Quero fazer novos amigos!!!!!".

sábado, agosto 23, 2008

Pouco a pouco, ele sentia que tudo o que eles tinham já não era mais nada. Muitos anos haviam se passado desde que ele olhara para ela pela primeira vez com paixão. O tempo consumia o que eles tinham, o tempo era susbtância maldita. Não havia como colocar as coisas todas de novo no seu devido lugar. Existiam mágoas demais, e há certos acontecimentos que tomam grandes proporções com as lembranças, pois o rancor perdura e maximiza as dores. Agora restava a grande dúvida: o que os levara até àquele estado não seria então uma maldita sociedade cheia de regras desprezíveis e sufocantes?

Resolveram ficar livres. Entretanto, nunca chegaram a uma conclusão certa sobre o significado da palavra liberdade. Apenas entendiam que havia muitas vontades reprimidadas em todo esse tempo e era preciso provar... fazia-se necessário quebrar todas as barreiras, questionar os próprios valores. Não há nada tão angustiante quanto questionar os próprios valores.

Estavam saindo com outras pessoas. Prometeram contar tudo um ao outro. Aos poucos foram percebendo que o desejo de saber sobre as aventuras do outro, essa espécie de voyeurismo masoquista, consistia num ciúme doentio. O pior ciúme é aquele em que a gente quer tomar conta da mente do outro, e em tantos casais monogâmicos havia algumas mentiras ou repressões, mas entre eles havia o elogio ao desejo e, principalmente, a invasão da privacidade espiritual do outro. Com quem você esteve ontem à noite?

De onde tiraram essa idéia de liberdade? Talvez porque ao observarem os seus pais viam pessoas enclausuradas em relacionamentos falidos. Não queriam de forma alguma chegar àquele ponto: jamais ir a um restaurante e pedir a comida como quem ignora a sentença para o inferno. Entretanto, a suposta liberdade não os impediu de ficarem cada vez mais distantes e frios.

Aos poucos foram percebendo que, não adianta, quando duas pessoas juntas não dão mais certo, não é o fato de essas duas pessoas se expandirem e conhecerem novas experiências, isso não significa de maneira alguma que elas ficarão bem. E na negação do ciúme, na liberdade concedida ao outro, quantas vezes entre eles não houve um estupro, um estupro emocional? Quantas vezes também não competiram entre si para ver quem era o grande conquistador ou conquistadora, ou quem estava mais seguro ou segura de si diante de uma situação tão instável e ameaçadora?

No fim de tudo, não haviam conhecido a liberdade. Talvez ela pudesse existir em toda forma de amar, seja em casais que têm outros amantes, seja naqueles em que os dois buscam a estabilidade de estarem apenas um para o outro. A liberdade não consistia em "poder fazer o que se quer". Até porque nem sempre o que queremos é o que realmente queremos. Talvez a liberdade estivesse no fato de amar o que se tinha, em ter estabilidade e alegria com uma determinada condição. E isso não haviam conhecido.
Posso estar equivocadamente exagerada, mas às vezes tenho a impressão de que a maioria dos jornalistas só sabe fazer LEADS (o primeiro parágrafo da notícia em que são respondidas as seis perguntinhas mágicas: quem, fez o quê, quando, onde, como e por quê) e PASSAGENS (aquele momento em que o repórter aparece na matéria de TV).
A coisa mais estranha que já vi no mundo dos relacionamentos amorosos é o tal do "descompasso no tempo". Está certo que em boa parte das relações uma hora uma das partes gosta mais, depois é a outra parte que está mais encantada. E assim a gente vai vivendo. Só que o que me assusta mesmo é o fato de alguém aparecer do nada dizendo que quer estar com você, e única e exclusivamente com você, e fala sobre o quanto foi estupidez não ter percebido o amor que tinha tempos antes.

Eu me pergunto: como é possível alguém amar uma pessoa e não se dar conta disso? E só perceber mais tarde? Tenho lá minhas dúvidas. Quem sabe esse alguém apenas não admite a dor da perda, ou quem sabe amava mesmo, mas não havia percebido que guardava esse sentimento simplesmente porque não tinha medo de perder seu objeto de desejo.

Talvez a raiz do amor se encontre no medo. O medo pode ser aquilo que leva o amor ao fim, posto que traz muitos desentendimentos, como também o medo pode ser um entrave para que o amor não chegue à superfície, nem jamais se manifeste. Não obstante, parece que sem medo de perder não há amor. O medo de que o outro vá embora é o que lhe atribui valor, é o que faz com que a gente tenha mais cuidado no que faz e diz, é o que nos torna menos egoístas.

E o tempo, o tempo é uma coisa muito louca. Os relógios não parecem ser os mesmos. Uma história que insiste no seu eterno retorno, outra que está para ser enterrada. Os fantasmas não cumpriram algo na vida, e ficam perambulando por aí, sem ter nenhum lugar.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Dois shows não aconteceram semana passada por causa da chuva.

Que cidade é essa? Que cidade é essa? Buracaju.

Gays, saiam do armário!

Minha gente, os gays ficam tão felizes, tão de bem com a vida, tão bem resolvidos quando resolvem assumir. Vi um dia desses um cara que conheço se tornando um "assumidíssimo", e o cara chega ficou com o semblante mais alegre, como quem tinha tirado um peso das costas.

Por isso que eu digo e repito: gays, saiam do armário!!! Não tenham medo, que os mais homofóbicos são os gays frustrados. Hoje é o dia, é dia de sair do armário!
Quando digo que não acredito em Deus, muitos afirmam: "ah, quero ver na hora da necessidade você não chamar por Deus". Chamo sim, questão de costume. Aliás, tenho enorme apreço por gírias religiosas, do tipo "minha nossa senhora!", "Jéeeeesus!", etc etc. Não há nada tão expressivo numa situação de risco como um "me fudi" ou "ai meu Deus!". Herege!!!

Dicionário - parte 1

Se há uma coisa que aprecio na vida é a tal da clareza conceitual. O mal uso das palavras, afinal, é o grande problema da ciência e dos relacionamentos humanos, meus caros. E há um conceito sobre o qual tenho uma visão particular: puta.

Puta: não se trata de uma mulher que gosta de sexo assim "como um homem", também não é a profissional do sexo. Em minha opinião, puta é aquela mulher que se insinua para o namorado da amiga, que dá em cima de um cara na frente da namorada dele, que fica pensando em qual roupa lhe cai melhor para ficar seminua (aquela mulher que vive em função de ser sexual e chamar a atenção dos homens), puta é aquela que fica enchendo o peito pra eles pularem do decote, que se insinua pro chefe, que "é legal, não tá dando mole", que fala gemendo, que não consegue se abaixar para pegar um lápis sem colocar a bunda para cima. Enfim, puta é uma mulher que tem como único objetivo na vida SER GOSTOSA.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Mesmo quando não gosto de uma pessoa, eu tento ser educada, minha gente. Dou boa noite, cumprimento na rua, faço até um pequeno favor, se pedir. Só que não tem jeito: ninguém tira de mim a "energia" que eu deixo no ar quando não vou com a cara de uma pessoa.

Devo soltar algum raiozinho maligno pelas pupilas. Sei que às vezes eu me concentro com o objetivo de sorrir DE VERDADE para alguém que não gosto, só por educação, mas, mesmo não vendo o meu próprio riso, eu sinto que ele está saindo muito falso. Penso: droga, não acredito!!! Tentei ser simpática...

Refleti sobre o assunto depois que um amigo contou que uma amiga sua comentou que achava que eu não ia com a cara dela. Ora, isso é um fato. Não trato mal a guria, mas não tem quem faça eu abrir um sorrisão ao vê-la, não tem esse que desperte em mim alguma empolgação ao encontrá-la na rua. Pois é, eu tentei, mas fazer o quê né?
Pior do que ser estúpido é se achar muito inteligente e engraçado sendo estúpido. Digo isso para todas as pessoas que nunca defendem nada e só fazem zombar de quem dá a cara a tapa. Elas ficam numa posição muito confortável, limitando-se aos sarcasmos "muito bem bolados", às tiradas "geniais". Repito: pior do que ser estúpido é se achar muito inteligente e engraçado sendo estúpido.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Eu e o ciberespaço

Muitos falam de uma tal de inclusão digital, de as pessoas terem livre acesso ao conhecimento e pá. Tá certo que eu uso a internet para muitas coisas legais, do tipo baixar filmes, músicas, artigos e tal. Mas minha gente, eu não faço nada que preste enquanto estou ON LINE. Navegar pelo New York Times? Ler livros do Domínio Público? Não, eu quero mais é saber se alguém me deixou um scrap ou ver vídeos engraçados no Youtube.

Cultura pra mim só IMPRESSA, em algum livro de corpo e traça bem longe do MSN.
Ninguém deveria ficar responsável pela felicidade de ninguém.
Algumas coisas não perdem a graça, mas ficam muito mais lúcidas.

domingo, agosto 17, 2008

Aprendendo a fazer certas coisas sozinha.

Muito orgulhosa de mim :D

sexta-feira, agosto 15, 2008

Quando eu era da sétima série, aos meus 13 anos, uma professora me chamou a atenção para uma profecia. Estava eu apresentando um trabalho de Física, utilizando a minha boa e velha técnica de concentrar minha atenção na parede ao fundo da sala para não sentir a presença de todas aquelas pessoas, quando, logo depois da apresentação do nosso grupo, ela falou:

- Essa menina vai ser professora! - disse apontando o indicador e os olhos azuis para mim. Lembro de já ter temido muito aqueles olhos azuis cheios de rigidez, cobranças e certezas.

Ela sabia, mais do que eu mesma, o que eu realmente queria. Desde pequena, divertia-me dando aulas para alunos invisíveis, escrevia n0 quadro, falava em voz alta como se houvesse pessoas a me ouvir sentadas nas cadeiras vazias ao meu redor.

Achava linda essa profissão. Contudo, outras pessoas não compreendiam o porquê de eu querer tanto ser professora. Afinal, professor ganha pouco e tem de aguentar alunos descompromissados. Quando, ainda no segundo ano, eu refletia sobre qual curso deveria escolher, minha mãe sempre sugeria que eu fizesse Direito, mesmo dizendo que eu escolhesse a profissão com a qual eu me sentisse feliz.

Certa vez, tive uma conversa com uma professora de Redação que morava no mesmo condomínio que eu. Contei a ela sobre minha intenção de cursar Letras Português. Ela tão logo se pôs a contestar minha decisão, disse que se tratava de uma carreira muito dura e que não trazia muito retorno. Ela, assim com minha mãe, me aconselhou a estudar Direito, pois era uma carreira muito compen$adora.

No meio de tanta gente que me dizia para eu não ser professora, comecei a formular outras possibilidades. Entretanto, tudo me conduzia a ser professora: pensava em fazer Física, História, Ciências Sociais... No fim das contas, terminei por escolher Jornalismo, sem saber ao certo o motivo. Talvez porque Jornalismo parecia ser um curso muito abrangente, e eu queria estudar uma variedade de assuntos. Ah! Lembro de uma revista que uma colega minha me emprestou com informações sobre os mais diversos cursos, a exemplo de mercado de trabalho, universidades, matérias, e o Jornalismo me chamou a atenção por ser bastante diversificado, pois apresentava estudos que tocavam a Filosofia, a Sociologia, a Economia, a História, etc. Enfim, em Jornalismo a gente aprendia um pouco de tudo (em alguns casos, tudo de nada, como disse um professor certa vez).

Hoje em dia, às vésperas de concluir meu curso, sei que meu negócio mesmo é ser professora. Para tanto, pretendo seguir carreira acadêmica. Não que eu não goste da aventura da reportagem, de conversar com pessoas tão diferentes, de sair para a rua para tentar descobrir um pedaço do mundo. Isso tudo me atrai bastante. Entretanto, sei muito bem qual é o meu lugar. Posso vir a trabalhar como jornalista, mas minha paixão mesmo é a pesquisa e a sala de aula.

Um dia quero ser professorinha. Lembro com carinho do prenúncio da professora de Física, que, ao que parece, irá se cumprir. Estudar coisas incríveis, de que eu realmente goste, dar aula por pura paixão... mesmo às vezes lidando com algumas dificuldades estruturais e com a má vontade de alguns alunos, ou ainda tendo de superar minhas próprias limitações. O mais importante é fazer aquilo que eu gosto, porque, para mim, a vida sem paixão não faz sentido.

terça-feira, agosto 12, 2008

Sabe, tenho um lado bem superticioso. Apesar de não acreditar em Deus, nem na vida após a morte, nem em nada (kkkkk), eu observo os sinais ao meu redor. Esse sábado estava muito a fim de ir ao Coverama, mas, depois de tantas dificuldades, amigos desistindo, e etc, comecei a pensar se realmente valia a pena ir sozinha pra lá. Sabia que ia encontrar muita gente conhecida, contudo, todos aqueles acontecimentos me fizeram crer que se eu fosse ao show, algo de ruim aconteceria a mim naquela noite. Resolvi ficar em casa em pleno sábado batendo papo no msn, e depois vendo filme.

domingo, agosto 10, 2008

Mimimi eu sou sensível

Não sei, mas minha gente, eu não acredito em homem que tem comunidades no orkut do tipo "Sou sensível", "Os últimos românticos", "Românticos assumidos", "Homem que trai o pipi cai", etc etc etc. Não acho que um cara que seja REALMENTE fiel, romântico e sensível vai ficar entrando nessas comunidades idiotas. Na minha humilde opinião, isso é armada de cafajeste que quer mostrar pras gurias no orkut "meninas, vejam como sou fofinho". Pelo amor de todos os deuses! Não, os piores são aqueles que entram em comunidades do tipo "Não fico por ficar"(q!), "Eu pego e me apego". Alguém cai nessa conversa fiada? Eu já vi cada pecinha com comus dessa espécie... Prefiro não comentar.... Ai, traz meu chá Maratá bem quentinho!!!

sábado, agosto 09, 2008

A verdade é que...

quarta-feira, agosto 06, 2008

The thing

Então você pensa: eu quero uma "coisa" que seja assim-assim-assado. Daí você comenta com sua amiga, e, para sua surpresa, ela aponta para uma coisa assim-assim-assado situada bem embaixo do seu nariz. O espanto não é pouco: como não havia notado a existência dessa "coisa" logo ali? Eu estava cega? De repente "a coisa" se manifesta, dá um alô, e até uma cutucadinha no braço. E agora, minha gente, o que fazer com "a coisa"?

terça-feira, agosto 05, 2008

Oi?

OLa . tudo bem ? O meu nome e Ricardo e ja morei em Sergipe qdo criança . E gostaria de manter contato com pessoas dai . Se vc quiser manter contato comigo . me adiciona . Me descupe por entrar assim nasua pagina mas e que eu morro de saudades dai . Tchau .

Minha gente, o que é isso nesse orkut que só tem gente maluca?????

segunda-feira, agosto 04, 2008

Novamente, hoje fui abordada por fake no orkut. Um fake cujo nome era uma sigla muito esquisita, enviou um convite de "amizade virtual" com os seguintes dizeres: "oi, vc parece ser muito especial, add aí bjs".

É tanta gente doida nessa internet! o.O
É o seguinte: estou aflita atrás de uns filmes que vi há mil anos atrás. Quero fazer o download, mas não lembro dos nomes. Só sei que marcaram a minha infância. Será que alguém aí da rede mundial de computadores poderia me ajudar? Vamos aos filmes!

a) Tipo, é um filme que se passa em outro planeta, aí os habitantes de lá perpetuam a espécie de um jeito bem diferente do daqui. Recordo-me que um E.T. tem o filho no momento exato de sua morte. Isso mesmo! Eles têm um parto enquanto estão morrendo. Lembro que gostei muito desse filme. Eu era guria ainda.

b) Esse outro eu vi na TV a cabo há não tantos anos quanto o primeiro. Tipo, havia uma guria que adorava Elvis Presley, aliás, como toda boa fã, era perdidamente apaixonada pelo Elvis!!! E ela morava num lugar que ficava perto de um rio. E rola um clima com um guri quando ela tá tomando banho de rio. Não lembro se ela perde a virgindade ou não kkkk. De qualquer forma, houve um momento em que ela entrou em crise por conta disso, da virgindade. Essas coisas de mocinha e tals. Tá muito impreciso né? Sei que essa guria adorava tomar banho de rio e era louca pelo Elvis. Vai saber!
Precisava fazer uma homenagem a mim mesma no meu blog. É que hoje acordei às 7h da manhã. ÊeÊeÊ. Vidinha merda ficar com insônia e dormindo até tarde ¬¬. Tive a mesmíssima insônia de todos os dias, mas dessa vez não admiti esse negócio de dormir litros não. Vamos lá, garota, tomando as rédeas da sua vida! Amanhã vou andar de bicicleta. Hoje não dá, os livros em cima da mesa me chamam.

*

Sabe que música eu ouvi no táxi ontem? My heart will go on!!! Céus!! Isso me lembrou o tempo em que eu ficava ouvindo rádio no domingo à noite, aquele programa do Joooooooooooe Feitosa!!

*

Minha paciência com gente idiota tá muito limitada. Tolerância zero!

*

Tomei uma decisão: além de querer agora frequentar lugares estranhos, tipo a Live (q!), eu vou passear por cultos religiosos. Tipo ir ao centro espírita e tals. Já fui uma vez, interessante. Sou uma atéia que se sente bem com a energia da fé dos outros. Sério. Fico encantada quando as pessoas estão realmente concentradas naquilo que acreditam. Mas também morro de tédio quando vejo as pessoas dormindo em cultos.

*

Morro de curiosidade de visitar um manicômio. Lugarzinho tosco que inventaram né. Mas eu queria ver como é, se os loucos ficam andando no jardim vestido de branco e tals, falando "eu sou Napoleão!". E sou a pessoa sã, correto?

*

Do nada me deu vontade de cair no mar. Saudade da praia.

*

Saudade louca dos livros da infância. Tipo A ilha perdida, Descanse em paz, meu amor, Éramos seis (sim, o livro que deu origem à novela), O casebre do fantasma, putz!!!!

*

Bem, vou tomar café.

domingo, agosto 03, 2008

Admirador secreto

Enquete: "O que você acharia se um fake deixasse dois scraps dizendo que você é linda(o)?"...

Ieda: Eu teria medo. Deve ser um psicopata.

Ruan: Nem responderia. Deve ser feio.

Mariana: Eu me acharia.

Tiago: Ficaria lisonjeado.

Saulinho: Eu ia ficar feliz. Mas fake é coisa de gente feia :D

kkkkkkkkkkk

Responda você também! kkkkkkkk
Você já sonhou que sua avó tava fumando maconha?

q

Paixão per si

Devo dizer que estou apaixonada
Você me pergunta: mas por quem?

É uma paixão por alguém
Alguém sem substância
Essa paixão
Nem sei mesmo se existe
Ou se foi antes inventada
Provoca-me ânsia, deixa-me extasiada.

O que é criação
Não deixa de ser verdadeiro
Mas minha paixão não tem eixo
Trata-se de um sentimento sem centro
Um afeto sem objeto
Palavra perdida no verbo.

Apaixonar-se
Apaixonar-se... como pura parte integrante do verbo
Apaixonada per si

Ao fim,
Apercebo-me da minha inusitada condição
Meu amor, é que estou apaixonada pela própria paixão.

sábado, agosto 02, 2008

Eu tenho mania de acreditar naquilo que me contam. Isso é um fato. Você pode narrar a história mais absurda que eu fico de olhos esbugalhados admirada com a coisa incrível que aconteceu a você. Muitas vezes as pessoas testam minha ingenuidade contando casos absurdos. Depois riem diante de meu semblante crédulo.

Ao mesmo tempo em que eu acredito, eu duvido. Duvido na mesma proporção em que acredito. Posso crer no que você me diz, mas não confio em você. Espero qualquer atitude sua, até a mais mal caráter. Isso é muito estranho.

Acho que é uma forma de me defender da minha própria ingenuidade. No fim das contas, acho que acredito no que as pessoas me dizem porque minto pouco, então suponho que me dirão a verdade. Corrijo, a verdade não (de quem é a verdade?), penso que serão honestos comigo. O valor que mais prezo com certeza é a honestidade. Talvez porque a coisa que mais odeio no mundo é ser enganada, ser feita de trouxa. É algo que realmente me tira do sério. Por detestar ser tratada como uma tola, é que procuro não fazer os outros de bobos.

Às vezes as pessoas podem se assustar. Nem todo mundo quer saber de sinceridade. Não que eu imponha a minha sinceridade aos outros como se fosse a dona da verdade, como se dissesse "você precisa ouvir o que eu tenho a dizer!", mas é que a minha espontaneidade causa constrangimento. Repito: nem todo mundo quer saber de sinceridade. Tem gente que prefere ignorar o que se passa. Cada um com sua loucura. Há pessoas que preferem o segredo, o não dito. Eu gosto das coisas às claras. Mesmo que muitas vezes me falte clareza quando falo.

Sabe, penso que quem gosta de ser honesto teme ser enganado, e fantasia conhecer tudo, algo como o desejo de ser deus e estar à espreita. Quem prefere guardar segredo e também não saber sobre tudo, sente prazer pelas lacunas, pelas reticências, por aquilo que não é visto. O primeiro é um voyeur atrás da fechadura. O segundo está na cena e de olhos bem fechados.