segunda-feira, setembro 08, 2008

Jeito bocó de ser

Uma vez eu entrei na comunidade "Somos blasé". Era moderada, e adivinha o que aconteceu? Não fui aceita.

De fato. De onde diabos eu tirei a idéia de que sou blasé, minha gente??? Uma pessoa que quando ri, sempre aparece alguém pra dizer com espanto "mas o que foi isso??? que risada é essa, menina???"; um ser que vive fazendo piadinhas sem graça; alguém que passa a vida mangando de si mesma e dos outros...

Eu até queria ser misteriosa, uma mulher fatal, mas não consigo :(

domingo, setembro 07, 2008

Estive na última semana em Natal para apresentar um artigo no Intercom (e farrear um pouquinho, porque ninguém é de ferro hehehe). Daí, como pessoa observadora que sou, fiquei reparando na postura, nos hábitos desses seres estranhos que são os pesquisadores.

Algo que me chamou a atenção foi a diferença gritante entre as discussões realizadas no congresso de iniciação científica, o Intercom Júnior, e os debates nos núcleos de pesquisa, que abarcam de mestrandos pra cima.

Primeiramente, é incômoda a maneira como o núcleo de semiótica discute. Explico: a elite intelectual da PUC e da USP se reúne numa sala e fica falando um lero lero para só eles entenderem. Houve uma apresentação em que eu não entendia absolutamente nada do que a congressista falava, mas compreendia o texto dela, que estava em grande parte nos slides. Uma fala que seria para simplificar e sintetizar, só complicava. Depois de duas palestras seguidas em que eu entendia muito pouco do que os especialistas falavam, eu comecei a entender o porquê de a moça da organização, que pedia para assinar a lista de inscritos na porta da sala, ter olhado para mim bastante surpresa com o meu interesse em ver as discussões sobre semiótica.

- Olha, aqui é o núcleo de semiótica - disse como quem pergunta "mas você, assim tão novinha, realmente quer participar?".

Fui embora do núcleo. Eles, que são semioticistas, que se entendam. Talvez não por pedantismo ou coisa do tipo, mas porque realmente é muito difícil falar de conceitos tão complexos em apenas 20 minutos no máximo.

Em outros NPs as discussões foram bem compreensíveis, ao contrário do NP de Semiótica. Os NPs de Audiovisual e de Teoria da Comunicação trouxeram discussões bem interessantes. Agora, uma coisa os diversos NPs têm em comum: o fato de os pesquisadores se digladiarem no congresso.

Diferente do que ocorre no Intercom Júnior, onde os estudantes só intervêm para demonstrar interesse pelo trabalho do outro, os NPs são verdadeiros campos de luta. Não sei até que ponto certos debates são embates teóricos ou de egos. Sei que você chega lá e vê um doutor apresentar a sua tese em 15 minutos, e depois aparece não sei quem para dizer que o conceito que ele utilizou é "vago", ou Fulana falar sobre sua dissertação em andamento e Cicrano dizer que, ao contrário do que ela afirma, o cineasta X é realista e recomenda um livro tal. Aí depois a Fulana diz que se ele ler a edição tal de uma determinada revista de crítica de cinema, ele vai ver que o tal cineasta declarou em entrevista que está muito equivocado quem diz que ele é realista. E etc etc etc.

Apesar do embate de teorias (ou egos, quem sabe) ser meio hostil às vezes, é até divertido ver o povo debatendo. É que no Intercom Júnior muito pouca gente se interessa por discutir o que um estudante fala. Fica aquele olhar compreensivo, aquela coisa "mas que bonitinho o Fulaninho ali apresentando". Já no NP, se por um lado há muita vaidade intelectual, por outro há mais questionamento, mais crítica, e crítica, quando feita de maneira saudável, é uma coisa essencial em pesquisa. Mas, ao que parece, nos próximos anos o Intercom vai misturar os pesquisadores dos mais diversos níveis. Não sei se é uma boa. Vamos ver se os estudantes terão de exercitar mais o lado crítico e os especialistas sairão da torre de marfim, ou se os estudantes serão escrachados, ou as duas coisas.

segunda-feira, setembro 01, 2008


UFRN, se prepare, que eu tô chegando!!!

ieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!

sábado, agosto 30, 2008

Então eu vejo no MSN hoje: Michael Jackson jovem aos 50 anos.

JOVEM????

Para mim o cara é um doente, porque só uma pessoa muito doente mesmo para mudar de cor, só sendo bizarramente racista e imbecil. Eu vejo é um cara feio para caralho, cheio de plásticas, um boneco tosco. Um cara que era bonito que só faz uma merda dessa...

quinta-feira, agosto 28, 2008

Tenho coisa pra caramba explodindo na cabeça e mal consigo escrever. Às vezes escrevo aleatoriamente um monte de coisa, mas mesmo para isso preciso de um tanto de "linha de raciocínio", o que não consigo estabelecer agora. Sinto um impulso de falar, mas em seguida uma inquietação que me toma de forma abrupta, até finalmente estancar com certa violência na pausa. Como um silência suspenso em pleno carnaval. Como uma incompreensão tremenda, tão cheia de sensações. Idéias avulsas, obscuridade, falsa lucidez que se impõe sobre o que é inexplicável. Sou eu tentando domar os meus pensamentos - não os explicando - todavia tão somente os evitando.
O que poderia ser não é. Ponto final.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Aceite esta humilde porção de farofa...


Ontem eu me levantei indignada com o meu irmão que havia deixado a TV ligada quando, ao chegar diante da televisão com meu indicador pronto para desligá-la, eu me deparo com uma coisa linda de deus na TV. Ai meu deus, não bota uma homem lindo desse na minha frente que assusta!!!

Era Rodrigo Santoro. Fiquei besta com a maneira como o cara conversava. Ele era muito inteligente, de maneira aparentemente modesta. O cara falava sobre ioga, sobre os filmes em que atuou... tudo para ele parecia ser apaixonante. E quando recebia um elogio, logo tratava de fazer alguma brincadeira. "Olha só o peitoral dele"... comentou o apresentador..."Ah, mas como você pode ver tem até uns pêlos brancos aqui", replicou.

Sei que quando o Jô Soares (odiado e amado por muitos, como todo apresentador da Rede Globo, a la Faustão e Galvão Bueno), perguntou a ele sobre o que ele gostava de comer, ele deu uma resposta ton fofinha.

- Ah, eu como arroz integral, uma saladinha, um peixe, soja, gosto de ter uma alimentação saudável...

- Então você não come COMIDA né?

- Ah não, eu como muito doce, adoro um chocolate...

- E do que você sente falta quando tá longe?

- Farofa.

- Você gosta de que tipo de farofa?

- Todas. Eu amo farofa.

Daí o Jô Soares comentou sobre o quanto os olhos deles brilharam de forma tão intensa falando da farofa. Percebi.
Não seja por isso, que eu aprendo no Google a preparar TODOS os tipos de farofa.

Segura na mãe de Deus e vai!

Ontem foi o Dia D. E vovó me deu um amuleto da sorte. Era um terço. Entregou na minha mão, e apertou meus dedos com muita fé: segura na mão de Deus!

Tá certo que não acredito em deus, mas né que eu gosto dessa história de amuleto? Toda a energia que minha avó depositou naquele terço tinha uma poesia, algo que atribuía uma alma a uma coisa. Guardei no bolso e segui em frente.

domingo, agosto 24, 2008

Eu quero uma casa no campo...

Olha como meu querido "Fulano" é hippie... kkkk

Tati says:
às vezes dá vontade de morar no fim do mundo
Fulano says:
meu sonho é ter minha casa longe de tudo. Mesmo que isso custe mais gasolina
Fulano says:
prefiro pagar o preço pra ouvir os grilos, o barulho do mar, os pássaros pela manhã, poder enxergar o céu à noite
Tati says:
hum
Tati says:
não falo de me isolar das pessoas
Tati says:
mas do ambiente urbano
Fulano says:
ah sim
Fulano says:
isso eu nao sinto falta nenhuma mesmo
Fulano says:
tem um questinamento que eu faço desde criança
Fulano says:
e foi antes de escutar legião urbana, que hoje eu não gosto muito
Fulano says:
"por que não viver como índios?"
Fulano says:
hoje eu penso muito nisso
Fulano says:
será que o homem precisa de tudo que ele busca?
Fulano says:
tenho certeza que não precisa
Tati says:
pois é
Tati says:
mas que é difícil se afastar, isso é
Fulano says:
é.... somos criados nesses valores.
Fulano says:
infelizmente não é tão simples ignorar as regras do sistema
Fulano says:
a gente termina tendo que jogar o jogo.E quase sempre a gente acredita nele
Fulano says:
não vou negar que eu gostaria de um carrao, uma tv 42 polegadas no meu quarto com um ar condicionado split e colchão de mola, alguns ternos e vários tênis adidas de 600 reais, um de cada cor e modelo
Fulano says:
kkk
Fulano says:
mas é dispensável
Fulano says:
e eu seria feliz com muito menos, apenas sendo independente
Tati says:
kkkkkkkkkk
Tati says:
haja desapego viu
Fulano says:
:P

Gente maluca no orkut - parte III

Estou eu fuçando a comunidade do Itercom 2008, quando vejo um tópico: Telefone, MSN, etc... Pensei: eu non a-cre-di-to! C'est n'est pas possible!!!!

Era uma louca varrida informando a todo mundo que estaria marcando presença no congresso, que ia ficar no hotel X, e que o telefone dela era 95788452942, e o MSN era creuzamariadascruzes@hotmail.com. Gente! Quéquéissoooooooooooooooo!!!

*Medo* Daí eu pensei: a-RÁ! Se fudeu! Aposto que um monte de gente vai cair matando tirando sarro da guria. Tsc! Quem disse? O mundo tá cheio de retardado! Sei que outras pessoas apareceram dizendo que queriam BOMBAR na noite de Natal junto com a doida varrida, e ainda apresentaram seus números de telefone e e-mail do MSN. Só faltou o número de CPF.

Aí eu me pergunto: quanta gente carente no orkut néam? Ok, eu sou carente, acho que todo mundo é, mas tudo tem limite, pessoal!!! Beleza. A curiosidade bate e eu vou lá visitar o perfil da creuza. Né que no perfil dela constava, em caixa alta mesmo, PRIMEIRO LUGAR NO CONGRESSO TAL, e depois "vou para o Nordeste. Férias? Não!! Vou apresentar o trabalho sobre o não sei o quê do não sei o quê sei lá, e tal e coisa, e coisa e tal". kkkkk!!!

Apois. Eu tenho é medo de quem tem perfis tipo "Eu sou o máximo! Me add. Quero fazer novos amigos!!!!!".

sábado, agosto 23, 2008

Pouco a pouco, ele sentia que tudo o que eles tinham já não era mais nada. Muitos anos haviam se passado desde que ele olhara para ela pela primeira vez com paixão. O tempo consumia o que eles tinham, o tempo era susbtância maldita. Não havia como colocar as coisas todas de novo no seu devido lugar. Existiam mágoas demais, e há certos acontecimentos que tomam grandes proporções com as lembranças, pois o rancor perdura e maximiza as dores. Agora restava a grande dúvida: o que os levara até àquele estado não seria então uma maldita sociedade cheia de regras desprezíveis e sufocantes?

Resolveram ficar livres. Entretanto, nunca chegaram a uma conclusão certa sobre o significado da palavra liberdade. Apenas entendiam que havia muitas vontades reprimidadas em todo esse tempo e era preciso provar... fazia-se necessário quebrar todas as barreiras, questionar os próprios valores. Não há nada tão angustiante quanto questionar os próprios valores.

Estavam saindo com outras pessoas. Prometeram contar tudo um ao outro. Aos poucos foram percebendo que o desejo de saber sobre as aventuras do outro, essa espécie de voyeurismo masoquista, consistia num ciúme doentio. O pior ciúme é aquele em que a gente quer tomar conta da mente do outro, e em tantos casais monogâmicos havia algumas mentiras ou repressões, mas entre eles havia o elogio ao desejo e, principalmente, a invasão da privacidade espiritual do outro. Com quem você esteve ontem à noite?

De onde tiraram essa idéia de liberdade? Talvez porque ao observarem os seus pais viam pessoas enclausuradas em relacionamentos falidos. Não queriam de forma alguma chegar àquele ponto: jamais ir a um restaurante e pedir a comida como quem ignora a sentença para o inferno. Entretanto, a suposta liberdade não os impediu de ficarem cada vez mais distantes e frios.

Aos poucos foram percebendo que, não adianta, quando duas pessoas juntas não dão mais certo, não é o fato de essas duas pessoas se expandirem e conhecerem novas experiências, isso não significa de maneira alguma que elas ficarão bem. E na negação do ciúme, na liberdade concedida ao outro, quantas vezes entre eles não houve um estupro, um estupro emocional? Quantas vezes também não competiram entre si para ver quem era o grande conquistador ou conquistadora, ou quem estava mais seguro ou segura de si diante de uma situação tão instável e ameaçadora?

No fim de tudo, não haviam conhecido a liberdade. Talvez ela pudesse existir em toda forma de amar, seja em casais que têm outros amantes, seja naqueles em que os dois buscam a estabilidade de estarem apenas um para o outro. A liberdade não consistia em "poder fazer o que se quer". Até porque nem sempre o que queremos é o que realmente queremos. Talvez a liberdade estivesse no fato de amar o que se tinha, em ter estabilidade e alegria com uma determinada condição. E isso não haviam conhecido.
Posso estar equivocadamente exagerada, mas às vezes tenho a impressão de que a maioria dos jornalistas só sabe fazer LEADS (o primeiro parágrafo da notícia em que são respondidas as seis perguntinhas mágicas: quem, fez o quê, quando, onde, como e por quê) e PASSAGENS (aquele momento em que o repórter aparece na matéria de TV).
A coisa mais estranha que já vi no mundo dos relacionamentos amorosos é o tal do "descompasso no tempo". Está certo que em boa parte das relações uma hora uma das partes gosta mais, depois é a outra parte que está mais encantada. E assim a gente vai vivendo. Só que o que me assusta mesmo é o fato de alguém aparecer do nada dizendo que quer estar com você, e única e exclusivamente com você, e fala sobre o quanto foi estupidez não ter percebido o amor que tinha tempos antes.

Eu me pergunto: como é possível alguém amar uma pessoa e não se dar conta disso? E só perceber mais tarde? Tenho lá minhas dúvidas. Quem sabe esse alguém apenas não admite a dor da perda, ou quem sabe amava mesmo, mas não havia percebido que guardava esse sentimento simplesmente porque não tinha medo de perder seu objeto de desejo.

Talvez a raiz do amor se encontre no medo. O medo pode ser aquilo que leva o amor ao fim, posto que traz muitos desentendimentos, como também o medo pode ser um entrave para que o amor não chegue à superfície, nem jamais se manifeste. Não obstante, parece que sem medo de perder não há amor. O medo de que o outro vá embora é o que lhe atribui valor, é o que faz com que a gente tenha mais cuidado no que faz e diz, é o que nos torna menos egoístas.

E o tempo, o tempo é uma coisa muito louca. Os relógios não parecem ser os mesmos. Uma história que insiste no seu eterno retorno, outra que está para ser enterrada. Os fantasmas não cumpriram algo na vida, e ficam perambulando por aí, sem ter nenhum lugar.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Dois shows não aconteceram semana passada por causa da chuva.

Que cidade é essa? Que cidade é essa? Buracaju.

Gays, saiam do armário!

Minha gente, os gays ficam tão felizes, tão de bem com a vida, tão bem resolvidos quando resolvem assumir. Vi um dia desses um cara que conheço se tornando um "assumidíssimo", e o cara chega ficou com o semblante mais alegre, como quem tinha tirado um peso das costas.

Por isso que eu digo e repito: gays, saiam do armário!!! Não tenham medo, que os mais homofóbicos são os gays frustrados. Hoje é o dia, é dia de sair do armário!
Quando digo que não acredito em Deus, muitos afirmam: "ah, quero ver na hora da necessidade você não chamar por Deus". Chamo sim, questão de costume. Aliás, tenho enorme apreço por gírias religiosas, do tipo "minha nossa senhora!", "Jéeeeesus!", etc etc. Não há nada tão expressivo numa situação de risco como um "me fudi" ou "ai meu Deus!". Herege!!!

Dicionário - parte 1

Se há uma coisa que aprecio na vida é a tal da clareza conceitual. O mal uso das palavras, afinal, é o grande problema da ciência e dos relacionamentos humanos, meus caros. E há um conceito sobre o qual tenho uma visão particular: puta.

Puta: não se trata de uma mulher que gosta de sexo assim "como um homem", também não é a profissional do sexo. Em minha opinião, puta é aquela mulher que se insinua para o namorado da amiga, que dá em cima de um cara na frente da namorada dele, que fica pensando em qual roupa lhe cai melhor para ficar seminua (aquela mulher que vive em função de ser sexual e chamar a atenção dos homens), puta é aquela que fica enchendo o peito pra eles pularem do decote, que se insinua pro chefe, que "é legal, não tá dando mole", que fala gemendo, que não consegue se abaixar para pegar um lápis sem colocar a bunda para cima. Enfim, puta é uma mulher que tem como único objetivo na vida SER GOSTOSA.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Mesmo quando não gosto de uma pessoa, eu tento ser educada, minha gente. Dou boa noite, cumprimento na rua, faço até um pequeno favor, se pedir. Só que não tem jeito: ninguém tira de mim a "energia" que eu deixo no ar quando não vou com a cara de uma pessoa.

Devo soltar algum raiozinho maligno pelas pupilas. Sei que às vezes eu me concentro com o objetivo de sorrir DE VERDADE para alguém que não gosto, só por educação, mas, mesmo não vendo o meu próprio riso, eu sinto que ele está saindo muito falso. Penso: droga, não acredito!!! Tentei ser simpática...

Refleti sobre o assunto depois que um amigo contou que uma amiga sua comentou que achava que eu não ia com a cara dela. Ora, isso é um fato. Não trato mal a guria, mas não tem quem faça eu abrir um sorrisão ao vê-la, não tem esse que desperte em mim alguma empolgação ao encontrá-la na rua. Pois é, eu tentei, mas fazer o quê né?
Pior do que ser estúpido é se achar muito inteligente e engraçado sendo estúpido. Digo isso para todas as pessoas que nunca defendem nada e só fazem zombar de quem dá a cara a tapa. Elas ficam numa posição muito confortável, limitando-se aos sarcasmos "muito bem bolados", às tiradas "geniais". Repito: pior do que ser estúpido é se achar muito inteligente e engraçado sendo estúpido.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Eu e o ciberespaço

Muitos falam de uma tal de inclusão digital, de as pessoas terem livre acesso ao conhecimento e pá. Tá certo que eu uso a internet para muitas coisas legais, do tipo baixar filmes, músicas, artigos e tal. Mas minha gente, eu não faço nada que preste enquanto estou ON LINE. Navegar pelo New York Times? Ler livros do Domínio Público? Não, eu quero mais é saber se alguém me deixou um scrap ou ver vídeos engraçados no Youtube.

Cultura pra mim só IMPRESSA, em algum livro de corpo e traça bem longe do MSN.
Ninguém deveria ficar responsável pela felicidade de ninguém.
Algumas coisas não perdem a graça, mas ficam muito mais lúcidas.

domingo, agosto 17, 2008

Aprendendo a fazer certas coisas sozinha.

Muito orgulhosa de mim :D

sexta-feira, agosto 15, 2008

Quando eu era da sétima série, aos meus 13 anos, uma professora me chamou a atenção para uma profecia. Estava eu apresentando um trabalho de Física, utilizando a minha boa e velha técnica de concentrar minha atenção na parede ao fundo da sala para não sentir a presença de todas aquelas pessoas, quando, logo depois da apresentação do nosso grupo, ela falou:

- Essa menina vai ser professora! - disse apontando o indicador e os olhos azuis para mim. Lembro de já ter temido muito aqueles olhos azuis cheios de rigidez, cobranças e certezas.

Ela sabia, mais do que eu mesma, o que eu realmente queria. Desde pequena, divertia-me dando aulas para alunos invisíveis, escrevia n0 quadro, falava em voz alta como se houvesse pessoas a me ouvir sentadas nas cadeiras vazias ao meu redor.

Achava linda essa profissão. Contudo, outras pessoas não compreendiam o porquê de eu querer tanto ser professora. Afinal, professor ganha pouco e tem de aguentar alunos descompromissados. Quando, ainda no segundo ano, eu refletia sobre qual curso deveria escolher, minha mãe sempre sugeria que eu fizesse Direito, mesmo dizendo que eu escolhesse a profissão com a qual eu me sentisse feliz.

Certa vez, tive uma conversa com uma professora de Redação que morava no mesmo condomínio que eu. Contei a ela sobre minha intenção de cursar Letras Português. Ela tão logo se pôs a contestar minha decisão, disse que se tratava de uma carreira muito dura e que não trazia muito retorno. Ela, assim com minha mãe, me aconselhou a estudar Direito, pois era uma carreira muito compen$adora.

No meio de tanta gente que me dizia para eu não ser professora, comecei a formular outras possibilidades. Entretanto, tudo me conduzia a ser professora: pensava em fazer Física, História, Ciências Sociais... No fim das contas, terminei por escolher Jornalismo, sem saber ao certo o motivo. Talvez porque Jornalismo parecia ser um curso muito abrangente, e eu queria estudar uma variedade de assuntos. Ah! Lembro de uma revista que uma colega minha me emprestou com informações sobre os mais diversos cursos, a exemplo de mercado de trabalho, universidades, matérias, e o Jornalismo me chamou a atenção por ser bastante diversificado, pois apresentava estudos que tocavam a Filosofia, a Sociologia, a Economia, a História, etc. Enfim, em Jornalismo a gente aprendia um pouco de tudo (em alguns casos, tudo de nada, como disse um professor certa vez).

Hoje em dia, às vésperas de concluir meu curso, sei que meu negócio mesmo é ser professora. Para tanto, pretendo seguir carreira acadêmica. Não que eu não goste da aventura da reportagem, de conversar com pessoas tão diferentes, de sair para a rua para tentar descobrir um pedaço do mundo. Isso tudo me atrai bastante. Entretanto, sei muito bem qual é o meu lugar. Posso vir a trabalhar como jornalista, mas minha paixão mesmo é a pesquisa e a sala de aula.

Um dia quero ser professorinha. Lembro com carinho do prenúncio da professora de Física, que, ao que parece, irá se cumprir. Estudar coisas incríveis, de que eu realmente goste, dar aula por pura paixão... mesmo às vezes lidando com algumas dificuldades estruturais e com a má vontade de alguns alunos, ou ainda tendo de superar minhas próprias limitações. O mais importante é fazer aquilo que eu gosto, porque, para mim, a vida sem paixão não faz sentido.

terça-feira, agosto 12, 2008

Sabe, tenho um lado bem superticioso. Apesar de não acreditar em Deus, nem na vida após a morte, nem em nada (kkkkk), eu observo os sinais ao meu redor. Esse sábado estava muito a fim de ir ao Coverama, mas, depois de tantas dificuldades, amigos desistindo, e etc, comecei a pensar se realmente valia a pena ir sozinha pra lá. Sabia que ia encontrar muita gente conhecida, contudo, todos aqueles acontecimentos me fizeram crer que se eu fosse ao show, algo de ruim aconteceria a mim naquela noite. Resolvi ficar em casa em pleno sábado batendo papo no msn, e depois vendo filme.

domingo, agosto 10, 2008

Mimimi eu sou sensível

Não sei, mas minha gente, eu não acredito em homem que tem comunidades no orkut do tipo "Sou sensível", "Os últimos românticos", "Românticos assumidos", "Homem que trai o pipi cai", etc etc etc. Não acho que um cara que seja REALMENTE fiel, romântico e sensível vai ficar entrando nessas comunidades idiotas. Na minha humilde opinião, isso é armada de cafajeste que quer mostrar pras gurias no orkut "meninas, vejam como sou fofinho". Pelo amor de todos os deuses! Não, os piores são aqueles que entram em comunidades do tipo "Não fico por ficar"(q!), "Eu pego e me apego". Alguém cai nessa conversa fiada? Eu já vi cada pecinha com comus dessa espécie... Prefiro não comentar.... Ai, traz meu chá Maratá bem quentinho!!!

sábado, agosto 09, 2008

A verdade é que...

quarta-feira, agosto 06, 2008

The thing

Então você pensa: eu quero uma "coisa" que seja assim-assim-assado. Daí você comenta com sua amiga, e, para sua surpresa, ela aponta para uma coisa assim-assim-assado situada bem embaixo do seu nariz. O espanto não é pouco: como não havia notado a existência dessa "coisa" logo ali? Eu estava cega? De repente "a coisa" se manifesta, dá um alô, e até uma cutucadinha no braço. E agora, minha gente, o que fazer com "a coisa"?

terça-feira, agosto 05, 2008

Oi?

OLa . tudo bem ? O meu nome e Ricardo e ja morei em Sergipe qdo criança . E gostaria de manter contato com pessoas dai . Se vc quiser manter contato comigo . me adiciona . Me descupe por entrar assim nasua pagina mas e que eu morro de saudades dai . Tchau .

Minha gente, o que é isso nesse orkut que só tem gente maluca?????

segunda-feira, agosto 04, 2008

Novamente, hoje fui abordada por fake no orkut. Um fake cujo nome era uma sigla muito esquisita, enviou um convite de "amizade virtual" com os seguintes dizeres: "oi, vc parece ser muito especial, add aí bjs".

É tanta gente doida nessa internet! o.O
É o seguinte: estou aflita atrás de uns filmes que vi há mil anos atrás. Quero fazer o download, mas não lembro dos nomes. Só sei que marcaram a minha infância. Será que alguém aí da rede mundial de computadores poderia me ajudar? Vamos aos filmes!

a) Tipo, é um filme que se passa em outro planeta, aí os habitantes de lá perpetuam a espécie de um jeito bem diferente do daqui. Recordo-me que um E.T. tem o filho no momento exato de sua morte. Isso mesmo! Eles têm um parto enquanto estão morrendo. Lembro que gostei muito desse filme. Eu era guria ainda.

b) Esse outro eu vi na TV a cabo há não tantos anos quanto o primeiro. Tipo, havia uma guria que adorava Elvis Presley, aliás, como toda boa fã, era perdidamente apaixonada pelo Elvis!!! E ela morava num lugar que ficava perto de um rio. E rola um clima com um guri quando ela tá tomando banho de rio. Não lembro se ela perde a virgindade ou não kkkk. De qualquer forma, houve um momento em que ela entrou em crise por conta disso, da virgindade. Essas coisas de mocinha e tals. Tá muito impreciso né? Sei que essa guria adorava tomar banho de rio e era louca pelo Elvis. Vai saber!
Precisava fazer uma homenagem a mim mesma no meu blog. É que hoje acordei às 7h da manhã. ÊeÊeÊ. Vidinha merda ficar com insônia e dormindo até tarde ¬¬. Tive a mesmíssima insônia de todos os dias, mas dessa vez não admiti esse negócio de dormir litros não. Vamos lá, garota, tomando as rédeas da sua vida! Amanhã vou andar de bicicleta. Hoje não dá, os livros em cima da mesa me chamam.

*

Sabe que música eu ouvi no táxi ontem? My heart will go on!!! Céus!! Isso me lembrou o tempo em que eu ficava ouvindo rádio no domingo à noite, aquele programa do Joooooooooooe Feitosa!!

*

Minha paciência com gente idiota tá muito limitada. Tolerância zero!

*

Tomei uma decisão: além de querer agora frequentar lugares estranhos, tipo a Live (q!), eu vou passear por cultos religiosos. Tipo ir ao centro espírita e tals. Já fui uma vez, interessante. Sou uma atéia que se sente bem com a energia da fé dos outros. Sério. Fico encantada quando as pessoas estão realmente concentradas naquilo que acreditam. Mas também morro de tédio quando vejo as pessoas dormindo em cultos.

*

Morro de curiosidade de visitar um manicômio. Lugarzinho tosco que inventaram né. Mas eu queria ver como é, se os loucos ficam andando no jardim vestido de branco e tals, falando "eu sou Napoleão!". E sou a pessoa sã, correto?

*

Do nada me deu vontade de cair no mar. Saudade da praia.

*

Saudade louca dos livros da infância. Tipo A ilha perdida, Descanse em paz, meu amor, Éramos seis (sim, o livro que deu origem à novela), O casebre do fantasma, putz!!!!

*

Bem, vou tomar café.

domingo, agosto 03, 2008

Admirador secreto

Enquete: "O que você acharia se um fake deixasse dois scraps dizendo que você é linda(o)?"...

Ieda: Eu teria medo. Deve ser um psicopata.

Ruan: Nem responderia. Deve ser feio.

Mariana: Eu me acharia.

Tiago: Ficaria lisonjeado.

Saulinho: Eu ia ficar feliz. Mas fake é coisa de gente feia :D

kkkkkkkkkkk

Responda você também! kkkkkkkk
Você já sonhou que sua avó tava fumando maconha?

q

Paixão per si

Devo dizer que estou apaixonada
Você me pergunta: mas por quem?

É uma paixão por alguém
Alguém sem substância
Essa paixão
Nem sei mesmo se existe
Ou se foi antes inventada
Provoca-me ânsia, deixa-me extasiada.

O que é criação
Não deixa de ser verdadeiro
Mas minha paixão não tem eixo
Trata-se de um sentimento sem centro
Um afeto sem objeto
Palavra perdida no verbo.

Apaixonar-se
Apaixonar-se... como pura parte integrante do verbo
Apaixonada per si

Ao fim,
Apercebo-me da minha inusitada condição
Meu amor, é que estou apaixonada pela própria paixão.

sábado, agosto 02, 2008

Eu tenho mania de acreditar naquilo que me contam. Isso é um fato. Você pode narrar a história mais absurda que eu fico de olhos esbugalhados admirada com a coisa incrível que aconteceu a você. Muitas vezes as pessoas testam minha ingenuidade contando casos absurdos. Depois riem diante de meu semblante crédulo.

Ao mesmo tempo em que eu acredito, eu duvido. Duvido na mesma proporção em que acredito. Posso crer no que você me diz, mas não confio em você. Espero qualquer atitude sua, até a mais mal caráter. Isso é muito estranho.

Acho que é uma forma de me defender da minha própria ingenuidade. No fim das contas, acho que acredito no que as pessoas me dizem porque minto pouco, então suponho que me dirão a verdade. Corrijo, a verdade não (de quem é a verdade?), penso que serão honestos comigo. O valor que mais prezo com certeza é a honestidade. Talvez porque a coisa que mais odeio no mundo é ser enganada, ser feita de trouxa. É algo que realmente me tira do sério. Por detestar ser tratada como uma tola, é que procuro não fazer os outros de bobos.

Às vezes as pessoas podem se assustar. Nem todo mundo quer saber de sinceridade. Não que eu imponha a minha sinceridade aos outros como se fosse a dona da verdade, como se dissesse "você precisa ouvir o que eu tenho a dizer!", mas é que a minha espontaneidade causa constrangimento. Repito: nem todo mundo quer saber de sinceridade. Tem gente que prefere ignorar o que se passa. Cada um com sua loucura. Há pessoas que preferem o segredo, o não dito. Eu gosto das coisas às claras. Mesmo que muitas vezes me falte clareza quando falo.

Sabe, penso que quem gosta de ser honesto teme ser enganado, e fantasia conhecer tudo, algo como o desejo de ser deus e estar à espreita. Quem prefere guardar segredo e também não saber sobre tudo, sente prazer pelas lacunas, pelas reticências, por aquilo que não é visto. O primeiro é um voyeur atrás da fechadura. O segundo está na cena e de olhos bem fechados.

quinta-feira, julho 31, 2008

Gael, ME AME!


Gente, eu passo muito mal vendo Má educação. Aquela cena em que ele pula na piscina (huuum), ou aquela em que ele tá fazendo flexões (huum)... Gaelzito é, sem dúvida, o homem mais gostoso de todas as galáxias.

Gael, um T bem grande pra você!!! BEIJOS.

quarta-feira, julho 30, 2008

Para reflexão

Não estude, faça "amiguinhos".

pense nisso.

Tender

Tender is the night
Lying by your side
Tender is the touch
Of someone that you love too much
Tender is the day

The demons go away
Lord I need to find
Someone who can heal my mind

Come on, Come on, Come on
Get through it
Come on, Come on, Come on
Love's the greatest thing
Come on, Come on, Come on

Get through it
Come on, Come on, Come on
Love's the greatest thing
That we have

I'm waiting for that feeling
I'm waiting for that feeling
Waiting for that feeling to come

Oh my baby
Oh my baby
Oh why
Oh my
Oh my baby

Oh my baby
Oh why
Oh my

Tender is the ghost
The ghost I love the most
Hiding from the sun
Waiting for the night to come
Tender is my heart

For screwing up my life
Lord I need to find
Someone who can heal my mind

Blur

terça-feira, julho 29, 2008

Porque eu não gosto de psicólogos

Em diversos momentos tive, assim como todos têm, crises existenciais fuderosíssimas. Daí me mandaram pro consultório de uma psicóloga. Pulando de uma pra outra, nunca houve uma que me agradasse. Por isso tenho essa antipatia toda por psicólogos. Explico.

Ninguém é pago pra ouvir coisas boas da sua vida. Quando você vai ao psicólogo, vai pra se lamentar. Então a lamentação se torna um exercício constante. Tipo, naquele dia da consulta você nem tá a fim de observar analiticamente os seus atos. Ah, queria mais era caminhar no parque ou algo do tipo, mas já que a consulta está marcada, então vamos lá! Aí você vai deitar no divã e comentar sobre como o dia está lindo? Não! Você vai até as profundezas do seu "eu" procurar as chaves que abram a sua cabeça desmiolada. A partir daí é tudo um inferno sem fim. É que nem uma psicóloga minha que contou que houve uma época em que ela ia ao analista cinco vezes por semana. Já pensou refletir sobre si mesmo cinco vezes por semana numa consulta? Certamente nessas horas ela não falava de coisas simples, nem conversava bobagem, nem se preocupava com o mundo mais do que consigo mesma. Talvez a gente só precise disso.

A primeira pergunta que uma psicóloga faz (só tive experiência com psicólogas) é sobre seu pai e sua mãe. Sabe por quê? Porque pra eles a culpa de todos as suas nóias, angústias e comportamentos obsessivos é dos seus pais. Se eles forem separados então, nossa! Você certamente é uma criança traumatizada no corpo de um adulto. Então vivemos numa sociedade cheia de gente infeliz, já que o divórcio é tão comum né?

Se a psicóloga diz uma coisa sobre o que você é, sente ou pensa, e você discorda, ela olha pra você com o ar da maior sabedoria do mundo. Claro, a verdade é que você não sabe a verdade sobre você, mas o psicólogo sabe. Ele conhece o seu inconsciente. Mas se o meu inconsciente não está ao meu alcance, então é o psicólogo que vai postular os dogmas sobre minha personalidade? Eles sabem de tudo, eles conhecem a mente humana!

No mais, eu não tenho paciência pra psicólogos. Muito dificilmente mandaria um filho meu pra um. Não ia querer ver ninguém chegar em casa me responsabilizando por todos os seus problemas. Essa mania de botar a culpa nos pais provoca em muita gente um comportamento muito infantil: eu sou assim assado por causa da minha mãe e do meu pai e pronto. Como se os pais também não tivessem o direito de ser pessoas com defeitos e virtudes como todo mundo!!! Também não pretendo ter consulta marcada com as lamúrias semanais. Nem muito menos desejo ouvir alguém dizer que conhece meu "inconsciente" mais que eu.

domingo, julho 27, 2008

Café quente. Tarde nebulosa. Vento frio. Fechar as janelas. Computador. Nada de muito interessante. A vida às vezes me enche de tédio. O tal do supremíssimo cansaço... Às vezes tenho vontade de escrever coisas avulsas. A verdade é que nessas horas não há um pensamento uno que possa conduzir as minhas palavras. Tenho a sensação de que sou covarde. Penso que sou muito corajosa. Sinto-me plenamente senhora das minhas faculdades mentais, pura racionalidade. Percebo que há um impulso violento de irracionalidade tentando me corromper. Tudo é um grande conflito. Um dia a gente amadurece e observa com mais parcimônia as coisas. Chego a assustar as pessoas com tamanha racionalidade. Não observo o mundo como quem é triste. Também não o faço como quem é feliz. Antes vejo as coisas de forma nua e crua, o que não quer dizer realista, mas com uma sensibilidade profana. Misturo-me ao que está ao meu redor. É uma espécie de cópula. Não entendo essa minha vontade de me converter em palavras. Sei que sou feita de palavras, mas com elas fabulo uma relação erótica. As palavras, mais do que expressão do meu pensamento, mais do que o que constitui o meu próprio pensamento, as palavras me dão tesão. Elas se revelam como um corpo que aos poucos vai sendo tomado por outro corpo. A verdade, o que é a verdade? A vontade.... um dia desses vi que a verdadeira viagem não está em descobrir novas paisagens, mas em ter novos olhos. Tenho a vista cansada. Não sei se quero ter novos olhos ou descobrir novas paisagens. E Deus? Onde está Deus? O que é o desejo? Se eu seguir o meu desejo eu serei por livre por seguir o meu desejo ou serei escrava do meu desejo? Qual o limite entre as duas coisas? Precisamos de alguma coisa em que acreditar? As estrelas são apenas estrelas. Eu não me tornarei uma estrela quando morrer. Respeito a morte. Vive eternamente quem vive o presente. Respeito a velhice. Respeito a candura do olhar cansado, a cadeira de balanço, os passos sonolentos. O que eu vou querer da vida depois daqui? Eu não preciso de outra vida. A vitória da vida sobre a morte não é a minha alma fitando o meu próprio cadáver, não é a minha alma renascendo em outro ventre logo em seguida, não é a minha alma passeando pelos campos verdejantes do céu. A vitória da vida sobre a morte, eu nem quero. Que a vida seja a vida, que a morte seja a morte. A vida, é só o que eu conheço. Mesmo que um dia a morte chegue até mim só terá havido a vida. A vida que pulsa nos prazeres, a vida que às vezes provoca um supremíssimo cansaço. Amo a vida como um amor correspondido. Ela amou primeiro a mim.

sexta-feira, julho 25, 2008

Don't cry for me UFS

Passando na frente do bar da Vera cheio de calouros bebendo à vontade eu relembrei os velhos tempos de universidade. Sim, estou dando meu adeus a ela e desde já recordo com saudade dos velhos tempos. Aquele ambiente decadente de universidade pública, aqueles jovens (olha a velha kkkk) cheios de ideais, aquele pessoal que fica jogando dama em Beto, aquele povo que fica de pernas pro ar lá no bambuzal, aquelas filas imensas do restaurante universitário, com seus estudantes famintos por um almoço nojento, aqueles casais se agarrando nos bancos entre as árvores balançando com o vento, aqueles maconheiros "viajando" no Departamento de Lombra, aquelas meninas que andam de salto fino na areia, aqueles estudantes de Engenharia gritando sobre vetores na biblioteca, aqueles casais escondidos nas cabines da biblioteca, aqueles funcionários mal humorados da biblioteca, aqueles cachorros sujinhos andando a muito custo, aqueles gatinhos passando por entre nossas pernas, aquela aula que dá sono, aquela aula que dá vontade de debater. Enfim, tudo isso vai ficando pra trás. Se eu sou nostálgica? Sou sim, mas se eu queria passar mais tempo lá? NO WAY!!!!

Arritmia

Estava estudando hoje, quando, de repente, senti meu coração querendo sair pela boca. Num primeiro momento, fiquei muito assustada. Nunca tinha sentido aquilo. Tunf tunf tunf. Tunf tunf tunf. Angustiei-me bastante, senti uma leve falta de ar, tontura, não conseguia me concentrar no livro que estava lendo. As letras copulavam entre si, dispersas diante de meus olhos.

Minha mãe disse que é a tal da arritmia. Ela tem isso. Providenciou tão logo um remédio. Depois de um tempo me contorcendo na cama, comecei a ter prazer com aquela sensação. Tunf tunf tunf.

Lembrei-me de que sempre achei muito bonito as pessoas que ficam com o coração explodindo, querendo tomar conta do corpo inteiro. Agora era eu que sentia o big bang dentro do meu peito.

quinta-feira, julho 24, 2008

(L)

Um dia desses meu irmão estava muito triste. Coisa rara, posto que meu irmão não é pessoa de ficar cabisbaixa nem de reclamar da vida. Mais tarde soube que ele estava de luto pela morte de um amor virtual. Naquela época achei aquilo muito estranho.

Era uma menina muito bonita. Alguém haveria deixado no seu perfil um lembrete de que ela havia morrido de acidente de carro. Meu irmão me mostrou uma série de fotos da menina que ele guardava no computador, e comentou, olhando para mim na espera de uma definitiva e verdadeira resposta:

- Ela era um fake, não?

Suponho que sim. As fotos eram muito bem trabalhadas, pareciam retiradas de alguma publicidade, coisa de modelo. Meu irmão confessou que adorava conversar com ela, que os dois se falavam todos os dias. Disse ainda que achava estranho o fato de uma mulher tão bonita ser tão carente. É, eu falei a ele que geralmente as mulheres e homens bonitos têm muitas pessoas ao seu redor e não reclamam por tanta atenção.

Mentira. Conheci gente muito bonita que passa horas conversando e tentando ser do jeito que se é. Outra colega se apaixonou por um espanhol. Eles se vêem todos os dias... pelas lentes da webcam.

Por quem você se apaixona quando seu amor é virtual? Conheço uma moça e um rapaz, os dois amigos virtuais meus, que viajaram quilômetros para finalmente se conhecerem. O relacionamento deles dura até hoje e a paixão é fulminante.

Voltando à pergunta, por quem você se apaixona, se você não conhece a pessoa? São imagens fugidias, que despertam a sua curiosidade, nunca se tornando um corpo. Uma imagem se soma à outra, e você constrói um corpo. Algumas características se repetem entre as diversas fotografias. E a personalidade? Há as comunidades, que apontam o gosto, alguns defeitos e até mesmo angústias. Diversas semelhanças... Existem os depoimentos, que são o que aquela pessoa é segundo o que seus amigos dizem... Os amigos podem ser profundos, ou quem sabe escrevem apenas qualquer baboseira. Depende.

Aí então tem gente que vende seus pertences para ir pra bem longe... Há pessoas, como um conhecido da minha mãe, que viajou de lá da Alemanha para o Brasil para encontrar o seu grande amor. Se esses amores dão certo? Dão tão certo e tão errado quanto qualquer outro. Mas, de certa forma, são bem mais apaixonantes.

quarta-feira, julho 23, 2008

quando irão finalmente inventar o teletransporte?
seria uma maravilha pra mim!!!!

The word

Say the word and you'll be free
Say the word and be like me
Say the word I'm thinking of
Have you heard the word is love?
It's so fine, It's sunshine
It's the word, love

In the beginning I misunderstood
But now I've got it, the word is good
Spread the word and you'll be free
Spread the word and be like me
Spread the word I'm thinking of
Have you heard the word is love?
It's so fine, It's sunshine
It's the word, love

Everywhere I go I hear it said
In the good and the bad books that I have read
Say the word and you'll be free
Say the word and be like me
Say the word I'm thinking of
Have you heard the word is love?
It's so fine, It's sunshine
It's the word, love

Now that I know what I feel must be right
I'm here to show everybody the light
Give the word a chance to say
That the word is just the way
It's the word I'm thinking of
And the only word is love
It's so fine, It's sunshine

It's the word, love

Lennon e McCartney

terça-feira, julho 22, 2008

Maria Chiquinha

Velho, hoje eu me peguei pensando no quanto é escroto botar dois guris pra cantar essa música.

Que cocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?
Que cocê foi fazer no mato?
Eu precisava cortar lenha, Genaro, meu bem
Eu precisava cortar lenha

Quem é que tava lá com você, Maria Chiquinha?
Quem é que tava lá com você?
Era filha de Sinhá dona, Genaro, meu bem
Era filha de Sinhá dona

Eu nunca vi mulher de culote, Maria Chiquinha
Eu nunca vi mulher de culote
Era a saia dela amarrada nas pernas, Genaro, meu bem
Era a saia dela amarrada nas pernas
Eu nunca vi mulher de bigode, Maria Chiquinha
Eu nunca vi mulher de bigode
Ela tava comendo jamelão, Genaro, meu bem
Ela tava comendo jamelão

No mês de setembro não dá jamelão, Maria Chiquinha
No mês de setembro não dá jamelão
Foi uns que deu fora do tempo, Genaro, meu bem
Foi uns que deu fora do tempo

Então vai buscar uns que eu quero ver, Maria Chiquinha
Então vai buscar uns que eu quero ver
Os passarinhos comeram tudo, Genaro, meu bem
Os passarinhos comeram tudo
ENTÃO EU VOU CORTAR SUA CABEÇA, Maria Chiquinha
Então eu vou te cortar a cabeça

QUE COCÊ VAI FAZER COM O RESTO, GENARO, MEU BEM?
Que cocê vai fazer com o resto?
O RESTO, PODE DEIXAR QUE EU APROVEITO!
E ninguém tem culpa se alguma outra coisa é mais interessante do que qualquer outra que você esteja fazendo.

Essa frase do meu colega... me identifico total.

A fluidez do tempo

Eu quero encher o meu presente de presente
Eu quero esvaziá-lo de todo passado e todo futuro
- principalmente do passado, posto que o passado eu não devo deixar transbordar e inundar o meu presente -
E que o futuro represente
apenas uma vontade de continuar viva,
nada mais.

Desejo que o meu presente seja puro presente
Quem pertence ao passado, que fique no passado
Quem quiser voltar ao passado, que volte
Mas eu pretendo ficar aqui
e encher a minha vida, deixá-la repleta, toda feita de presente
Para que esse presente não deságue como um passado levado pela corrente de um outro presente mais adiante.
Ah, eu tenho isso e aquilo e aquilo outro. Eu sou a pessoa toda poderosa, eu sou alguém na noite. Uma hora você olha para pessoa e acha o máximo. Na outra, você pára e pensa: grande bosta.

Eu só quero saber o que faz eu ou você melhores do que aquele cara que tá catando lixo pra comer na rua. Nada!!!
Vou fazer um teste: se eu passar algum tempo numa casinha no fim do mundo e gostar, não volto mais.
Você de repente pode se encontrar diante de um problema moral. Há dois caminhos: um é aquele que você realmente deseja, o outro é o que te atrai de maneira inefável. O primeiro é racionalizado, pertence ao âmbito da convicção; o segundo perturba as suas bases sólidas, e te deixam no limiar entre a certeza e a incompreensão. Se em algum momento você escolhe o segundo ao invés daquilo que "você realmente deseja" é porque há algo de errado aí. É como deixar de ir para o aniversário da namorada por causa de uma mulher com quem você quer ficar naquele dia, e aquela parecia a grande oportunidade (sabendo que isso coloca em risco tudo o que vocês tiveram); em outra situação, é como você conhecer uma pessoa e ela te encantar muito mais do que aquela com quem você está (e isso num primeiro momento parecer apenas uma crise, até se tornar algo constante). Então está tudo certo, você acredita que gosta muito de uma pessoa, até que aparece outra que te chama a atenção para o que você não tinha percebido. É que às vezes ficamos contidos num mundinho, e se você olhar mais adiante, pode perceber que, na verdade, não estava gostando da pessoa, mas apenas não tinha olhado mais atentamente ao redor. Aquilo que você realmente deseja só é aquilo que você realmente deseja quando, no fim das contas, é a sua escolha. Caso fosse o que você queria de verdade, você auscultaria o que está ao seu redor e perceberia que o seu mundinho já é bem confortável. Se não foi o que você escolheu, é porque há algo de errado com o que você pensa que quer. Trata-se de um sintoma.

segunda-feira, julho 21, 2008

Nossa! Finalmente as coisas estão ficando claras na minha cabeça! E bem na época da TPM!!
Tá vendo? Depois dizem que o inferno é a TPM. Que nada.
Alguns acontecimentos têm apontado para o seguinte: aquilo que é por demais bonito, que impressiona, certamente tem uma outra face da moeda que é o contrário da que está na primeira olhada. Por isso, tenho preferido, como poderia dizer: é como entre o formidavelmente belo e o simpático, ficar com o simpático.

domingo, julho 20, 2008

Uma hora você pára e pensa: não, eu não sou igual a todo mundo. Não é porque um monte de gente faz isso que vou fazer também. Às vezes você sente um tremor que tenta pôr por terra aquilo em que você acredita, porque oras, todo mundo faz isso, pra quê ser diferente? Pra ser boba? Pra se machucar? Mas não!! Você olha ao redor, presta bem atenção, e vê que, por mais que sejam poucas, existem pessoas que compartilham dessa sua convicção. E você percebe que não deve corromper o pouco que ainda resta de magia.

sexta-feira, julho 18, 2008

We never change

essa música do Coldplay grudou de vez na minha cabeça... e de certa forma eu a sinto.
tá bom, esse blog é uma agenda de guria :P
mais do que nunca eu posso dizer: essa aqui não é o meu lugar... preciso ir embora!

I wanna live life, never be cruel,
I wanna live life, be good to you.

I wanna fly, never come down,
And live my life,
And have friends around.

We never change, do we?
We never learn to leave,
So I wanna live in a wooden house,
I wanna live life, always be true,
I wanna live life, and be good to you,

I wanna fly, and never come down,
And I live my life, and have friends around.

We never chang do we? no, no,
We never learn to bleed,
So I wanna live in a wooden house,
Making more friends would be easy.

Oh I dont have a show to say,
Yes, and I sing every single day,
We never change do we? We never learn to leave.

So, I wanna live life in a wooden house,
Making more friends would be easy,
I wanna live where the sun comes out.

quinta-feira, julho 17, 2008

domingo, julho 06, 2008

A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros na vida.

Vinicius de Moraes
Estou precisando de algumas certezas. Falta solidez em valores e emoções. Às vezes dá vontade de ser medieval, e ter crenças muito sólidas, coisas pelas quais eu morreria se preciso. Mas não. Tudo muito incerto, muitas perguntas, e quando pareço chegar à resposta, surge-me um novo questionamento que soterra definitivamente qualquer manto de certeza. No fim de tudo, uma vontade de ficar invisível, de sumir e não dar notícia pra ninguém.

sexta-feira, julho 04, 2008

A gente ama as pessoas, mas não percebe isso no dia-a-dia. Claro, porque seria um saco estar com uma pessoa que o tempo inteiro fica babando seu ovo. Só que às vezes é tão gostoso quando assim, do nada, eu olho pra alguém de quem gosto muito e sinto uma aura em volta do seu semblante. Daí a vontade bate muito forte, e eu digo: te amo! Ou até me esqueço de dizer "te amo", fico apenas pensando no quanto aquela pessoa é importante pra mim. Senti isso hoje olhando pra minha mãe ao telefone e, em outro momento, quando conversava sobre banalidades com meu irmão. O "te amo" não saiu, mas aquela sensação me arrebatou.
Depois que um professor disse que eu deveria ir para fora do país ou para o sudeste se quisesse fazer um bom mestrado em cinema, quando eu planejava ficar o mair perto possível da família, bateu uma dor no peito. Pensei muito nisso hoje, e já senti saudade. Por mais que haja desentendimentos, e que às vezes eu tenha vontade de sumir, é certo que nenhum lugar é mais aconchegante do que a minha casa, e sinto também que a minha família (entenda, minha mãe e meus eternos pequenos irmãos) tem o amor mais verdadeiro do mundo.

quinta-feira, julho 03, 2008

Cansaço...

Meu irmão costuma dizer que Fernando Pessoa era doido. Diz que o poeta tinha três personalidades: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Doido ou não, sei que sinto como se eu fosse uma reencarnação de Álvaro de Campos. Não é brincadeira - sempre vejo a mim mesma falando através de Álvaro de Campos. Quando eu morrer, podem colocar na minha lápide: íssima, íssima, íssima...

O que há

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

quarta-feira, julho 02, 2008

Dizem por aí que quem ama várias pessoas, na verdade não ama nenhuma.
I don't know why I feel so tongue-tied

Don't get any big ideas they not gonna happen

now that you found it, it's gone
now that you feel it, you don't

Just as the drinks arrive
Just as they play your favourite song

Blink your eyes, one for yes, two for no

In a deep deep sleep of the innocent
I am born again

In my mind and nailed into my heels.
All the time killing what I feel.
And everything I touch
All wrapped up in cotton wool
All wrapped up and sugar coated
turns to stone.
And everything I touch

what are we coming to?
what are we gonna do?

Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high...high...

This is the place
Sit down, you're safe now

If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
Certos modos e feições da minha vida quotidiana — representados no meu ser constante
por desejos, repugnâncias, preocupações — sumiam-se de mim como embuscados da ronda, apagavam-se nas sombras até se não perceber o que eram, e eu atingia um estado
de distância íntima em que se me tornava difícil lembrar-me de ontem, ou conhecer como meu o ser que em mim está vivo todos os dias. As minhas emoções de constantemente, os meus hábitos regularmente irregulares, as minhas falas com outros, as minhas adaptações à constituição social do mundo — tudo isto me parecia coisas lidas algures, páginas inertes de uma biografia impressa, pormenores de um romance qualquer, naqueles capítulos intervalares que lemos
pensando em outra coisa, e o fio da narrativa se esbambeia até cobriar pelo chão.

Fernando Pessoa em Livro do desasossego.

Crime perfeito

Quando olhou pra mim e vi um riso contido, e as maçãs do seu rosto enrubrecidas, percebi que havia notado o meu encantamento. Era demais pra disfarçar. A sua postura paternal, a adultez mesmo nas brincadeiras mais banais, ele se esquivava. Tenho idade para ser seu pai. Teria me feito quando ainda criança - repliquei.

Porém, o rosto sobre a mão, o semblante magnetizado a observar precisamente os meus movimentos, que vi quando de repente me virei na sua direção, mostravam-me uma prova do crime. Mas o crime não aconteceu.

quinta-feira, junho 26, 2008

Apaixonante

Quando ele disse:
você é apaixonante
fiquei mais impressionada
do que se falasse
"estou apaixonado"
ou "eu te amo".

É que parecia que apaixonante era uma qualidade impregnada em minha substância - qualidade que reluz e se espalha pelos ares.
Eu era apaixonante - condição da minha existência.
Muito mais do que "eu estou apaixonado"- expressão de um estado de alma - que, como todos os estados, resvala no tempo.

quarta-feira, junho 25, 2008

Wait for me

Please don't ask me why
That, true as the sky
Everyone is born to die
So take your time
But don't take mine
Lose yourself but don't lose your mind

Somewhere out there inbetween the moon and the sea
I'll be waiting for you my dear
So wait for me

You can't regret what you forget
If only you could forget it...
But it takes time
Plenty of wine
The weight of the world there in your eyes

Nothing could never come to you unless you try try try
You find yourself in trouble if you cannot tell a lie
It's easy as pie

Somewhere out there inbetween the moon and the sea
I'll be waiting for you my dear
So wait and see
Somewhere out there inbetween the moon and the sea
I'll be waiting for you my dear
So wait for me

Sean Lennon

terça-feira, junho 24, 2008

E quem sou eu? Alguém que em certas horas se reveste de bravura e que não se intimida, outrora alguém racional, que prefere pensar duas vezes. Uma covarde, meus caros, uma covarde! Covarde até nas horas de maior ousadia, quando acreditava estar na luta por uma coisa, mas me encontrava, em verdade, na fuga de outra.
Para não correr o risco de ser enganada pela minha própria interpretação, termino por me abster numa falsa ausência de opinião.

segunda-feira, junho 23, 2008

A defesa que é inércia.
A cautela que é a ausência de uma história.

domingo, junho 22, 2008

Aconteceu hoje de eu achar que poderia arriscar algo porque, entre os dois finais que previa, nenhum era tão trágico. Nada poderia dar muito errado, então eu deveria tentar. Só que eu não tive a sagacidade suficiente pra perceber que as contigências do mundo não estão ao alcance do jogo de possibilidades da minha lógica. Então eu fui lá, arrisquei... e tudo terminou da maneira da letra c)... e eu só havia cogitado as letras a) e b).

sábado, junho 21, 2008

Operação São João

Tati says:
vei
Guilherme says:
opa
Tati says:
vc já ligou pra polícia pra pedir pra desligarem o som?
Guilherme says:
e ai criatura
Tati says:
kkkkkkkkkk
Guilherme says:
rpaZ
Guilherme says:
heheh
Guilherme says:
já tive vontade
Guilherme says:
mas nunca o fiz
Guilherme says:
qual é a treta?
Tati says:
eu to aqui em casa
Tati says:
e no prédio vizinho
Tati says:
tá a maior badalação
Tati says:
faz séeeeculos
Tati says:
e já é qse 1h da manhã
Tati says:
me atrapalhou de estudar
Tati says:
de ver filme
Tati says:
e agora eu quero dormir e n posso
Tati says:
por causa de uns filhos da puta
Tati says:
q deviam ´estar no forró caju
Tati says:
porra
Tati says:
vai se fuder
Tati says:
tem q inventar festa em prédio!!
Tati says:
eu quero ligar pra polícia
Tati says:
eu sei q é coisa de véia ranzinza
Tati says:
mas eu quero ligar
Tati says:
oq vc acha?
Guilherme says:
hum
Guilherme says:
rpaz
Guilherme says:
deixe-me ver
Guilherme says:
qual a música q eles tão escutando?
Tati says:
velho
Tati says:
a música n é ruim n
Tati says:
mas é q vc n sabe
Tati says:
é q n tá altinho n
Tati says:
n tá som de fundo n
Tati says:
q vc esquece qnd encosta a cabeça no travesseiro
Tati says:
tá alto pra caralho
Tati says:
bizarro
Guilherme says:
porra
Tati says:
parece q é o forró caju aqui vizinho
Guilherme says:
alguém já pediu pra eles baixarem o som:
Guilherme says:
?
Tati says:
sei lá
Tati says:
o problema é q n tem ninguém em casa nessa época
Tati says:
aí ninguém tá nem aí né
Guilherme says:
mas eles tão escutando rock?
Tati says:
kkkkkkkkkkk
Tati says:
é uma banda maldita
Tati says:
de pé de serra
Tati says:
eles tão tocando agora
Guilherme says:
homi
Tati says:
aquela música
Tati says:
por isso eu vou na casa dela aiai
Guilherme says:
chame a polícia!!!
Tati says:
falar do meu amor pra ela
Guilherme says:
aff
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
ai ai
Guilherme says:
aí vc liga pra polícia aiai
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
e ela vai bater aí aiai
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
e todo mundo vai se fuder aiai
Guilherme says:
hehehe
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
eu quero jogar uma bomba nessa porra de desse prédio
Tati says:
morram todos
Tati says:
malditos
Tati says:
¬¬
Guilherme says:
uheauehuae
Guilherme says:
filhos da puta
Guilherme says:
dê um grito da janela
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
vou aloprar ne
Guilherme says:
BAIXA ESSA PORRA MAGOTE DE FILHO DA PUTA
Tati says:
aí eles aumentam o som
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
e vc chama o comando de operações especiais da polícia militar truculenta de sergipe
Guilherme says:
heheh
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
capitão nascimento
Tati says:
operação são joão
Guilherme says:
com duas festas na cidade não creio que atendam uma ocorrência de som alto
Guilherme says:
hehehe
Guilherme says:
até pq tem várias ruas com aqueles forrózinho de vizinhança
Tati says:
meu fio
Tati says:
tá bizarro
Tati says:
porra
Tati says:
eu n saí de casa
Tati says:
devia ter saído
Tati says:
q merda
Guilherme says:
dessa maneira
Guilherme says:
acho mais perspicaz vc dar um grito pela janela
Guilherme says:
hehehe
Tati says:
eles n vao ouvir n
Guilherme says:
porra
Guilherme says:
então desça e saia correndo pelada
Guilherme says:
e insultando-os
Guilherme says:
MALDITOS PORCOS!
Guilherme says:
perceberão com toda certeza
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
gracinha
Guilherme says:
hehehe
Tati says:
eita caralho
Tati says:
eu acabei de ouvir sirene
Tati says:
HAHAHAHAHAHA
Tati says:
nem chamei
Tati says:
HAHAHAHAHAHA
Guilherme says:
uhaeuhaeuaehuae
Guilherme says:
eita porra
Guilherme says:
e ai?
Tati says:
porra
Tati says:
eles tão tocando ainda
Tati says:
vamos aguardar
Guilherme says:
acho q enquanto a gente conversava algum véio chato foi mais rápido
Tati says:
sei n
Tati says:
=/

sexta-feira, junho 20, 2008

Na moral, se alguma pessoa querida minha morresse, eu não iria colocar *LUTO* no msn e no orkut.

Minha gente, pra quê isso???

Que coisa de péssimo gosto! Eu ein. Creeeeedo.
Às vezes tenho a impressão de que minha irracionalidade foi domada pela racionalidade intransigente de um professor em banca para avaliação de tese de doutorado.
Engraçado a arrogância com que encaro certas atitudes e comento com aquela velha frase:

- Isso é coisa de meninas ingênuas, de adolescentes.

Virei tia ok.
Engraçado perceber que certas coisas que lhe evocavam deslumbre e mistério, agora despertam nada mais que um bocejo.
Essas novas tecnologias... Sabe, queria, às vezes, poder estar offline. Igualzinho ao que acontece no msn. Chegar a um lugar, auscultar aqueles que lá se encontram, só ficar online, de repente, caso que me agradem, ou então ficaria invisível offline. Gostaria também de deixar alguém falando sozinho quando bem entendesse: era só ir fazer outra coisa, ver um vídeo no youtube. E se me deparasse com um chato, bloqueava logo o contato, e ele surgiria, bem na minha frentre, todo pintado com uma listra vermelha vertical e um círculo ao redor do seu corpo - caladinho, caladinho. Quando não quisesse estar em algum lugar, era só colocar "ausente", e então poderia me retirar e não falar com quem não quisesse, sempre com a justificativa de que, na verdade, eu não havia respondido porque não estava lá. Queria excluir da minha vida quem não me agradasse com apenas um click. Seria tudo tão fácil, que terminaria sendo entediante. Onde está a beleza das frustrações do cotiano? Que se faz do ato impagável de virar pra um bêbado chato dando cantadas nojentas pra você e pra sua amiga em pleno bar na sexta-feira, e dizer: Quem é você na noite?
Alguns acontecimentos trazem grandes revelações.

Há coisas que é preciso testar para saber.

No fim de tudo, tenho medo dessas supostas "grandes revelações".

domingo, junho 15, 2008

Mulheres que não gostam de mulheres

Existem mulheres que não gostam de mulheres - não falo aqui das heterosexuais, mas sim daquelas mulheres que simplesmente "odeiam" todas as outras.

Há mulheres que, diante de outras mulheres, agem com desdém, enchem o peito para desferir ironias, sarcasmos, reparam sempre no que há de pior nas outras pessoas do mesmo sexo. Essas mulheres que odeiam mulheres, por outro lado, adoram os homens. Muito mais do que uma mulher que gosta da desenvoltura dos tipos do sexo masculino, elas os bajulam, tratam-lhe com todo o carinho e polidez inversos à má educação e soberba com que recebem as pessoas do mesmo gênero.

Essa espécie de mulher encara todas as outras mulheres como concorrentes: assim como o capitalista selvagem que contrata inspetores para vasculharem e prejudicarem a vida de outras empresas, elas invadem o corpo e a vida de outras mulheres com seus olhos de víbora. Se tiverem a oportunidade de exercer poder sobre outras mulheres, elas exercerão com a mão de ferro - uma humilhação ou outra fará parte do dia-a-dia.

A grande inimiga da mulher que odeia mulher é a mulher bonita. O grande sonho delas era ser a única mulher atraente da face da terra, e não há insulto maior do que ver os homens auscultando essas mulheres bonitas. As feias para elas são até mais agradáveis - não representam grande ameaça. Ah, mas se uma feia tem um namorado bonito, logo se transmutam em bonitas aos seus olhos. Uma bonita inteligente merece morrer. Uma feia inteligente é um incômodo. As ricas, por mais irritantes que sejam para elas, são sempre um caminho, na "amizade", para a ascensão social. Suas amigas são, quando não ricas, não tão bonitas.

Já os homens, ah, os homens são para elas verdadeiras preciosidades. Sejam eles feios ou bonitos, o importante é que eles são homens, e, portanto, elas devem conquistar a admiração e o desejo deles, mesmo que por alguns elas não nutram mais do que desprezo. Essas mulheres se derretem todas, falam com a voz mais doce e o sorriso cheio de candura para os homens bonitos, e são para eles, acima de tudo, eroticamente delicadas. Com os feios elas não deixam de ser amáveis, posto que necessitam dos seus galanteios.

Entre vários exemplos de mulheres que odeiam mulheres, lembro de uma em particular que foi minha professora na faculdade. Todos comentavam a forma áspera como ela abordava as alunas, para as quais ela sempre tinha uma ordem ou uma piada sarcástica, enquanto os alunos eram recebidos por ela de maneira afetuosa e com os olhos chamejantes - brilho esse que tão logo se revertia em faíscas de ojeriza quando ela encarava uma mulher. Já formulei teses sobre esse comportamento - será que elas foram vilipendiadas por mães que tinham inveja de sua juventude e sua beleza, enquanto recebiam o carinho do pai adorável, e, dessa forma, encarnaram a figura da mulher víbora, imitando suas mães? Ah, deixa pra lá que esse negócio de psicologia barata não está com nada. De qualquer modo, todas elas são muito divertidas.

segunda-feira, junho 09, 2008

Depois de 12h de trabalho, muitos desentendimentos, muita discussão, alguns imprevistos, a pressão do tempo que passa, e a dificuldade pra fazer coisas que na tela se passam em minutos, a gente vê que cinema não é coisa nada fácil, meu bem. Tem que ter muita raça. Ainda mais aqui no Brasil. Entretanto, posso dizer que me surpreendi comigo mesma. Mostrei a mim mesma que sou mais corajosa do que esperava, mais persistente do que temia, e até mais forte do que considerava ser. Isso faz eu me orgulhar de mim e da equipe, independentemente do resultado de uma primeira experiência.

quinta-feira, junho 05, 2008

Sempre que sento numa cadeira do ônibus, eu rezo aos deuses todos para que nenhum ancião, ou mulher grávida e etc apareça na minha frente. Eu dou o lugar, mas, não vou mentir, é com muita má vontade. Hoje eu tive que fazer isso, infelizmente, mesmo segurando um monte de livros. Então eu dou o lugar a um velhinho e, logo depois, o rapaz que estava sentado ao lado dele teve de se levantar para uma mulher com uma linda menina nos braços vir a se sentar.

Vez por outra eu olhava pra baixo com o objetivo de fiscalizar a minha bolsa. Desde que roubaram meu celular no ônibus eu fiquei bem mais cuidadosa. Então terminava observando também o senhor e a moça com a linda menina de vestido verde no colo. O velhinho começou a mexer no braço da menina e balbuciar alguma coisa boba que se fala para criança.

Logo tomei um susto. Como assim essa mulher deixa esse cara tocar na filha dela???? Com tanto velho tarado por aí!!!! Ah, mas se fosse filha minha eu não permitia um negócio desse não!!! Aí eu me dei conta do quanto eu seria neurótica se fosse mãe.

Primeiro: se eu parisse, não ia querer saber de uma ruma de gente dentro do quarto pegando no meu bebê. Não, detesto esse negócio de "ô, deixe eu segurar, que coisa mais linda!". Que coisa mais linda um caralho, e se você derruba meu bebê! No way!!! "Ah, deixe eu dar um beijinho". Vá dar beijo na sua mãe, não venha passar suas bactérias pro meu bebê!!!!

Não é que eu seria uma mãe que não deixa a filha sair pra lugar nenhum. Claro que não! Queria mais é que ela curtisse mesmo!! Tive muita liberdade ué. Só que eu não gosto da idéia de as pessoas ficarem de mão em mão com um bebê, e se derrubassem a criança? E outra: sou neurótica com negócio de pedofilia e de guris que batem em outros guris na escola.

Fora que eu sou uma irmã briguenta, tomo as dores, imagine como mãe! Uma vez eu vi um guri maldito empurrando meu irmão do balanço pra tomar o lugar dele. Fui pra cima.

- Qual é a sua, guri??? Não mexa com meu irmão!!!!!!

- Se você fizer alguma coisa comigo, eu vou contar pra minha mãe...

- Vá, conte, que eu bato em você e bato nela!!!

Hehe. Ok. Eu não agredi o menino fisicamente... mas que ele tomou um susto legal, ah sim.

Quem se habilita?
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

quarta-feira, junho 04, 2008

Lição da vida

Para reflexão:

Água mole, em pedra dura, tanto bate até que fura.

terça-feira, maio 27, 2008

Quando vi a comunidade no orkut "Pânico de semi-conhecidos", eu me identifiquei de cara. Putz, eu fico nervosa quando vejo pessoas que conheço mais ou menos, com quem não faço a mínima idéia sobre qual assunto conversar. É horrível dar aquele tchauzinho modesto, sem muita emoção, porque não há intimidade, sem falar muita coisa, para não parecer que tá fazendo a íntima. Eu posso ir com a cara da pessoa como for, mas ô situaçãozinha desconfortável que é viu.

É um olhar para baixo que eu nasci tendo...

Costumo falar que sou uma apaixonada por aquilo que é simples. Crônicas como as de Vinicius de Moraes, contos como os de Dalton Trevisan, poemas como os de Paulo Leminski são evidentes: eles mostram mais do que dizem propriamente. Os filmes de Eric Rohmer apresentam a banalidade de forma bela, porque a banalidade em Rohmer tem uma beleza própria - ela aguça nossos sentidos para a beleza do cotidiano e a poesia que foge ao nosso olhar.

Não filmes de grandes acontecimentos ou temas solenes - mas filmes que poderiam ter acontecido nas ruas da cidade, como Ladrões de Bicicleta, de Vittorio de Sica. Não poemas repletos de palavras ausentes dos nossos jogos de linguagem do dia-a-dia. Assim como Manuel Bandeira, eu quero o lirismo dos loucos, o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados, pois não quero mais saber do lirismo que não é libertação. Pois entendo o que Manoel de Barros disse, e as pessoas parecidas de abandono me comovem tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.

Esses artistas do ordinário evocam a alma das coisas. Qualquer toque, adeus, cumprimento, palavra adiquire uma vida poética. Para eles, não é necessário ir muito além da ilusão, do espetáculo, pois a realidade já oferece o substrato da poesia. O que não quer dizer que eles pretendam alcançar o real numa pretensa objetividade - antes tocam a realidade, sentem-na, e fazem-na se roçar na nossa pele.

Ao entrar em contato com a beleza proporcionada por esses artistas, percebo que a vida em si já é uma grande fantasia, que vivemos inventando o cotidiano. Quero inventar, porque tudo que não invento é falso, já dizia Manoel de Barros. Tudo o que não é imaginação não faz sentido - da janela eu invento as imagens que ganham alma diante do olhar poético.

Tudo que não invento é falso porque as palavras protocoladas, o verso burocrático ou o relato jornalísitico comum não me servem - não pretendo encontrar o último sentido, não desejo encerrar o processo de significação em alguma verdade postulada numa bíblia dos acontecimentos. Também renego o espetáculo que nos provoca evasão - não almejo fugir da realidade, mas poetizá-la, com toda a força que o verbo poetizar tem. Quero inventar, e posso inventar com a dor da criança que passa fome na frente da padaria, com a contemplação da vizinha idosa que fuma um cigarro de manhã cedo, com a felicidade do rapaz que sorriu ao receber uma carta entregue pelas mãos cansadas do porteiro do condomínio.

segunda-feira, maio 26, 2008

A lucidez perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano- já me aconteceu antes.

Pois sei que - em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

Clarice Lispector

quarta-feira, maio 21, 2008

É de lei: toda vez que perguntam "do que você gostou mais? do filme ou do livro?", a resposta é "do livro". As pessoas enchem o peito e deliciam a boca dizendo que adoraram, acharam fantástico, sem comparação o livro, e que o filme não chega nem aos pés do texto literário que o inspirou. Já me fizeram essa pergunta várias vezes, e eu sempre tive meio que preguiça de responder, pois isso poderia incorrer numa interminável discussão, o que às vezes me causa fadiga, como diria Jaiminho, mas a questão é: "Um filme e um livro - bem, são duas linguagens, duas formas de narrar bem diferentes".

Pelo fato de serem duas linguagens completamente diferentes, na minha perspectiva, podemos falar de boas versões para o cinema ou versões problemáticas, mas nunca tratar sobre o que é melhor, o filme ou o livro. A questão aqui não é apedrejar quem gosta mais de literatura do que de cinema, ou maldizer quem teve bom senso ao reconhecer um filme péssimo numa adaptação de obra literária para o cinema. O problema de que estou falando está inserido num outro contexto: o cinema ainda é visto como arte menor, como mero entretenimento, enquanto os livros guardam em suas páginas toda a sabedoria do universo; ou o mundo dos livros é um reino em que a imaginação pode viajar à vontade, já o cinema é o lugar da assimilação fácil e evasiva das imagens e uma prisão aos desígnios da criatividade do espectador.

Ainda acho que a gente pode criar - e muito - vendo filmes. Penso que é possível exercitar a imaginação e a reflexão assistindo a (certas) obras cinematográficas tanto quanto diante de um livro que nos desafia. Ambos serão arte, na minha opinião, quando nos fizerem criar junto com a obra, e não se mostrarem um produto descartável e ilusório - assim como aqueles produtos que vemos reluzirem nas vitrines.

segunda-feira, maio 19, 2008

Fumar um cigarro na varanda é uma atitude de contemplação

A fumaça dos carros da noite solitária se confunde

Eu me pergunto onde está tudo o que vivi,

agora é tudo vão

porque o que eu lembro não parece o que tive

às vezes acho que são lembranças falsas

projetadas como um filme

são imagens fugidias, dispersas, ambíguas

Nada permanece nessa vida e eu nem fico triste

Que pelo menos sentisse!

domingo, maio 18, 2008

A gente vive ouvindo assobio dos homens na obra, dos caras que passam de carro ou bicicleta. Mas houve uma vez em que a forma de o cara me abordar foi deveras engraçada. Estava caminhando na rua da antiga casa da minh avó, quando passo por um grupos de rapazes, e um deles tocava violão. Ele me chama, e eu finjo que não escuto. Então ele muda abruptamente a canção...

Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás
Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Ele podia ser o malandro que for, mas tenho de admitir que gostei. E tocava violão muito bem, diga-se de passagem!

terça-feira, maio 13, 2008

Tenho sonhado sempre com uma pessoa nada a ver. É estranho pra caramba. Noite sim, noite não, eu sonho com essa pessoa. Não que esse alguém nunca tenha significado nada pra mim, pelo contrário. Entretanto, não há nenhum motivo evidente que me leve a sonhar com a tal pessoa. Na verdade, pensando melhor, talvez eu deva avaliar com mais calma o que esses sonhos querem dizer.

segunda-feira, maio 05, 2008

Bote uma coisa na sua cabeça: quando você tá querendo construir alguma coisa, aparecem três vezes mais pessoas pra te atrapalhar do que pra te ajudar. Nadando contra a corrente...

sábado, maio 03, 2008

O tremor e esse estranho impulso,
que sinto ao te ver passar no acaso pela rua em curso
enquanto estou ao lado do meu amor
esse tremor é espasmo que me torna descrente
e me faz pensar que você,
caminhando até sumir diante dos meus olhos no horizonte do mundo,
ah, você, quem sabe, é o meu amor latente...

sexta-feira, maio 02, 2008

Você faz Comunicação... hum... deve ser comunicativa...

Eu sou do Jornalismo, porém anti-social. O que mais exijem das pessoas dessa área é que elas sejam "comunicativas". E eu com essa minha cara de poucos amigos. Na verdade tenho muitos colegas, conheço bastante gente, entretanto, é comum algumas pessoas dizerem que, num primeiro momento, acharam-me muito arredia, calada, tímida, para depois descobrirem uma moça brincalhona, festeira, palhaça mesmo.

Dizem que sou antipática, metida. Afirmam que tenho aquele ar blasé que se eleva com indiferença diante dos meros mortais. Mas a minha distância é sim uma timidez, um recato perante o desconhecido, um cuidado na aproximação. Antes prefiro sentir o ambiente para saber onde estou pisando.

Além do que eu não sou afeita a puxar papo forçado. Conversas sobre o tempo me irritam. Ser super simpática com quem mal conheço também. Prefiro que os papos surjam assim, sem mais. Como quando você derruba o lápis no chão e vê o nome da escola onde estudou na quinta série, e então pergunta se o dono do lápis também estudou lá, e quando, e se gostava, e comenta que havia um parque muito legal com um balanço, e que um guri maldito te derrubou e te deixou com marcas roxas.

Gosto assim. Entretanto, o tempo e a experiência têm me provado que devo mudar esse meu jeito, essa minha mania de ficar na minha. Às vezes as pessoas querem que você tome alguma atitude no sentido de procurar conhecê-las. De certa forma, elas querem se sentir importantes e saber que você tem algum interesse nelas. Senão pensam que são chatas, que você não quer amizade com elas, ou ainda que você não as considera dignas de sua atenção.

segunda-feira, abril 21, 2008

Tenho imensa dificuldade de me conhecer o suficiente pra saber quando devo interromper o curso das coisas... Isso me faz partir antes da hora para me questionar depois sobre o que não vivi, ou então fazer as malas e bater a porta com força.
Às vezes é divertido se meter numa coisa impossível. Aliás, mais do que impossível, algo que não faz o menor sentido. A gente se livra do peso entediante do real e parte para o mundo da fantasia.

Nada de muito emocionante, nada de novo no front, vivendo uma aventura pra me distrair...

terça-feira, abril 08, 2008

Eu, como boa amante dos domingos aconchegantes, inspiradores e sonolentos, não pude deixar de adorar este poema do Drummond!! Ah, que triste, mas hoje ainda é quarta-feita!!!

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.


Eu não perdôo as aspas

É incrível como um mero sinal de pontuação pode ser utilizado como instrumento da falta de caráter e do uso indiscriminado das palavras. Condeno veementemente as malditas aspas. Esse aparente inócuo sinal de pontuação pode sim ser visto em alguns dos meus escritos, mas sua profunda iniquidade me chama atenção nos diversos textos que leio por aí.

As aspas encerram os laços de significação. Elas são por si só cínicas. Existe em meus dizeres um recorrente cinismo quando as escrevo... O que me chateia, em verdade, é a utilização delas como se representassem alguma verdade. Aspas são para apontar a reprodução de um pronunciamento, ou não dizem nada, ou são impregnadas de ironia, no meu ponto de vista. Não obstante, não são raros os casos em que alguns usam as sarcásticas aspas como forma de revestir de sobriedade qualquer argumento ou vocábulo enfático, ou mesmo cruel. Dessa forma, as aspas transmutam em polidez e racionalidade o que é deveras irracional e de mal gosto.

Explico: o cara vem e defende um conjunto de idéias estapafúrdias, e entre elas podemos ver as benditas aspas. É como dizer, "esses adolescentes nos semáforos são todos 'criminosos'". O emprego das aspas aí serve só para o autor da frase não se passar por reacionário, e então ele usa aspas em volta da palavra criminoso com o objetivo de ressarcir o peso que ela de fato tem. Destarte, pretende cristalizar sobre si a imagem do homem com consciência social, que não quis chamar o guri de criminoso. O menino, nas palavras dele, não deixou de sê-lo, só que agora é um criminoso entre aspas. Assim como em muitos escritos constam gays , mulheres, negros, pobres, todos entre aspas.

Lembro que o professor disse que o termo minoria merece aspas, por se tratar de um termo nativo, ou seja, que pertence à fala do cotidiano e não é um conceito sociológico propriamente dito. Estava certo o professor ao desconsiderar esse termo tão ridículo que fala sobre o sexo dos anjos. "Minoria" não explica nada sobre nossa sociedade, pois quem são as "minorias"? As mulheres são uma "minoria"? Numa tentativa tola de conceituação, poderíamos deflagrar o seguinte significado: "minorias" são formadas por todos aqueles que são vestidos com aspas. Afinal, esses usuários das aspas estão querendo enganar a quem?

segunda-feira, abril 07, 2008

Quando Olívia deixou de ser mulher

Quando me olhei no espelho e me vi sem os seios, senti que não era mais mulher. No ônibus, o homem absorto no decote da moça lembra-me do desejo que por mim ninguém terá. Não que eu não queira ir à praia ouvir o barulho fluente das ondas, caminhar pela areia macia catando conchas até ver o sol se pôr. Não que não deseje mais os homens que se entretem no jogo de futebol. Não que tenha deixado de adorar um bom copo de cerveja gelada em contraste com o calor do sol e sua luz fustigante, nem tenha perdido o gosto por me distrair a descascar os amendoins um por um. Entretanto, agora tenho vergonha deste meu corpo, não ousaria vestir uma roupa de banho, para desfilar como as moças bonitas que se estendem na areia mais para tomar olhares do que para tomar sol. O meu sutiã guarda um seio falso, devo ficar bem na roupa. Mal sabe o homem que me convidou para sair à noite, que não tenho mais o seio que me fazia mulher. Por isso lhe respondo com um não. Antes a dor de negar a vontade de estar com aquele rapaz, do que a humilhação de vê-lo desapontado a vestir o meu seio, e me entregar as minhas roupas, e chamar o taxi, para então se despedir com um beijo na testa como prova de polidez. Passo horas diante do espelho a chorar pela feminilidade perdida. Nos outdoors, as moças, tão formosas em sua quase nudez, invadem meu olhos repletas de feminilidade na passagem da rua enevoada de carros. Mulher no seu corpo, corpo de mulher, o que mais uma mulher deseja em si e observa nas outras é o corpo. Nunca mais um homem vai querer conhecer o sabor deles, nunca mais terei o prazer do toque no meu peito. Não sou mais mulher, nem sou também um homem, apenas alguém de quem arrancaram uma parte. Sou uma sobrevivente, a morte passou por perto. Que interessa ser uma sobrevivente?

sábado, abril 05, 2008

A posse

Hoje minha cadela ganhou um novo osso. Kika agora leva a vida a patrulhar o bendito, e rosnou quando passei por ela como se eu fosse por acaso levá-lo comigo. Kika acha que o mundo inteiro deseja o osso e conspira para tê-lo. Acredita que a qualquer hora ela o perderá, e que qualquer movimento meu seja para capturá-lo. Mesmo que eu só o tenha notado após perceber a sua raiva quando me viu passar por perto. Agora os dias dela giram em torno do seu querido osso: se ela está distante e ouve os passos de alguém se dirigindo para onde ele está, ela logo corre e o segura forte por entre os dentes para salvaguardá-lo. Até eu jogar um pequeno pedaço de pão na varanda, e ela seguir depressa, esquecendo-se de o osso consigo levar.