domingo, março 29, 2009

Michael Corleone sempre me liga


Hoje recebi uma mensagem muuuito estranha. Não conhecia o número, que tinha prefixo de Santa Catarina, e eu não conheço ninguém de lá, não que eu me lembre... Segue o texto:

Imagina se eu fosse da máfia? Dio Santo!

Só consegui imaginar que se tratava de alguém que sabe que sou fã da saga da família Corleone em O poderoso chefão, do Coppola. Ou algum bandido mesmo o.O

Sei que liguei pro tal número e um cara atendeu com aquele típico sotaque do sul do país. Perguntei quem era, ele fez a mesma pergunta. Eu falei que tinha recebido uma mensagem hoje, e ele só falou que devia ser engano, sem mais...

Se foi engano, haja coincidência! Daqui a pouco recebo mensagem de gente falando dos Beatles. Aí já é demais!

terça-feira, março 24, 2009

Corações sensíveis, corações fiéis
que culpam o amor leviano
Cessem suas queixas cruéis:
É um crime mudar?
Se o amor tem asas,
não é para voltear?

Citação de Le mariage de Figaro em La règle du jeu, de Jean Renoir. Esse texto me lembra algo que ocorreu recentemente. Claro que é segredo.

Love

Love is real, real is love
Love is feeling, feeling love
Love is wanting to be loved

Love is touch, touch is love
Love is reaching, reaching love
Love is asking to be loved

Love is you
You and me
Love is knowing
We can be

Love is free, free is love
Love is living, living love
Love is needing to be loved

John Lennon

domingo, março 15, 2009

House!


Minha mãe agora virou fãzona de um seriado americano, aquele do médico sarcástico House. Ela sempre adorou seriados envolvendo medicina, como também aqueles que trazem investigações sobre crimes bizarros. Esse em particular me chamou a atenção pelo fato de o cara ser muito, mas muito irônico, ter tiradas geniais, ser frio e calculista, e ainda conseguir fazer os diagnósticos mais difíceis.

Antes eu havia ouvido falar de House. Pessoas me disseram que ele era perverso, mas que mesmo assim, gostavam de ver o médico em ação. Quando assisti ao seriado, não vi nada de maldade nele. Muito pelo contrário. Está certo que assisti a poucos episódios, entretanto, pelo que pude ver, ele é muito mais dedicado ao trabalho do que váaarios médicos folgados de que minha mãe fala. Está certo que o que está em primeiro lugar para ele não é o paciente, mas o jogo que envolve descobrir o diagnóstico correto, todavia nunca vi o cara fazer nada anti-ético na função que cumpre.

Até disse uma vez que se fosse para escolher entre ser atendida por aqueles médicos que usam nariz de palhaço e contam piadinhas para o paciente ficar feliz ou House, eu escolheria House. É simples: eu DETESTO palhaços. Desde criança nunca gostei. Nas festas de aniversário corria dos palhaços que me davam vergonha alheia ao invés de me fazerem rir. São que nem as freiras que querem orar pelos doentes. Quem disse que todos os doentes querem orações? Ou palhaçadas?

Na hora da necessidade, eu ia era pedir pela ajuda de um bom médico!

E outra: adooooro o sarcasmo de House! ;)
CHEGA DE "BELEZA INTERIOR".

quinta-feira, março 12, 2009

Estava ontem assistindo ao documentário de João Moreira Salles, o Entreatos, com certeza um ótimo filme, quando me lembrei de um fato curioso: o cineasta em questão é filho do dono do Unibanco, assim como seu irmão, Walter Salles.

Certa vez, em uma aula eu afirmei que "assim é fácil ser cineasta". Acho que o professor não gostou muito da minha observação, talvez tenha interpretado como se eu estivesse subestimando a competência artística do João Moreira Salles, o que definitivamente não é o caso, mas a questão é que fazer cinema é um troço complicado e que envolve grana, mas muita grana. Às vezes reclamo do dinheiro que certos editais oferecem, e as pessoas falam como se eu fosse ficar milionária caso ganhasse um concurso desse. Parece que elas não têm a mínima dimensão do trabalho e do gasto que envolve um filme. Está certo que o João Moreira Salles, não fosse o cineasta que é, poderia fazer muita besteira com o dinheiro do Unibanco, todavia, o seu caminho até a realização é muito menos complicado do que qualquer outro pretenso realizador brasileiro.

Diante das adversidades, hoje em dia quando penso no que faria caso ganhasse na loto, entre outras coisas, eu certamente faria um filme. Um filme modesto, sem muitos gastos, um curta, que não se achasse a última peça de vanguarda, mas em que eu tivesse liberdade artística simplesmente pelo fato de ser a dona do dinheiro. É, cinema tem dessas coisas...

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Nunca tive um carnaval decente

Isso mesmo, amiguinhos. Nada de Olinda, terra oficial do carnaval de rua e da putaria generalizada, nem Rio de Janeiro, com seus carros alegóricos colossais e mulheres desavergonhadas. Não, nada disso.

A única vez que participei de uma festa de carnaval foi em 2007, quando fui a Neópolis. Cheguei lá toda animada, afinal, finalmente eu ia viver um carnaval de verdade! Doce ilusão...

Logo no primeiro dia, no momento em que eu estava me preparando para sair da casa onde eu e meus colegas ficamos hospedados, o amigo S. alertou-me de que não seria adequado pular no trio Zé Pereira usando óculos. Relutei e argumentei que eu sou ceguíssima, não enxergo bufulhas sem óculos, e não ia andar por aí tropençando nas pessoas em pleno carnaval.

Não demorou muito para que um filadaputa qualquer aleatório da vida jogasse com a maior força do mundo uma melequeira azulada bem na minha cara, e meus óculos foram lançados diretamente para a casa do caralho. Olhei para trás na esperança de pegar os meus óculos, e me deparei com uma multidão avassaladora me empurrando para frente (e possivelmente pisando nos meus queridos óculos).

Você não sabe o que é estar cega no carnaval. E no carnaval de Neópolis, onde jogam tudo que é melequeira na sua cara... ki-suco, café, farinha de trigo, etc etc etc. Eu simplesmente não tinha como me defender. Como era visível pela minha cara de perdida que eu estava vulnerável, então eu era um alvo e tanto. Eu era a pessoa que chegava à casa com mais sujeira no corpo.

Para completar, faltou água na casa. Ou seja, eu ficava toda melada e não havia onde tomar banho. Aí tinha que ir me lavar num chuveiro que ficava nos fundos da casa, que era aberto para o mato. Como se não bastasse, não muito distante do chuveiro havia um chiqueiro, pessoal, isso mesmo, um CHIQUEIRO, éeee, com porquinho e tudo. Nada contra os porquinhos, mas não me agrada a idéia de conviver com um. Mas isso não é tudo. Havia também um maldito moleque em tempos de "descoberta da sexualidade" que ficava o tempo todo querendo me ver tomando banho, e eu tinha que ficar ligada e dar aqueles berros SAI DAÍ, GURI.

Ainda não é tudo. Está certo que eu bebo sim, e estou vivendo, mas o pessoal daquela casa era bizarro. De manhã cedo me acordavam com umas cornetas dos infernos, e já iam me oferecendo uma latinha de Skol. No café da manhã, meu querido colega D. chegou ao cúmulo de colocar cerveja no cuscuz (quem não aguenta, come cuscuz com leite). Outro amiguinho simplesmente vomitava e, logo depois, abria uma latinha. Nessa brincadeira, com falta de água, houve momentos em que não havia uma gota de água sequer e eu tive de matar a sede tomando cerveja. O carnaval, que era para ter durado uma semana, acabou sendo de apenas dois dias, pois no terceiro pedi arrego e fui embora logo depois do almoço.

Esse ano me perguntaram se eu não queria ir para Neópolis. Eu disse O QUÊ, mas nem morta! Vou ficar por aqui mesmo, nerdando em Buracaju City.

Musicoterapia


É incrível: toda vez que escuto Beatles eu me sinto mais feliz. Uma vez meu professor de inglês pediu para a gente escrever uma redação sobre os 10 mandamentos para uma pessoa se sentir bem no dia-a-dia. Lembro que um dos meus mandamentos era Listen to The Beatles in the morning. O professor achou engraçado. Mas é verdade!
Sei lá, há bandas que a gente escuta uma época e depois deixa pra lá. Beatles não, Beatles é pra sempre!


segunda-feira, fevereiro 09, 2009


Não canso de plagiar no meu dia-a-dia kkkk

And now, if any of you son of bitches got anything else to say, NOW IS THE FUCKING TIME!

domingo, fevereiro 08, 2009

O que é isso, companheiro?


Um dos maiores problemas do cinema brasileiro é a vontade de ganhar o Oscar. Essa necessidade de obter o aval estrangeiro pode produzir pérolas como O que é isso, companheiro? (1997), do diretor Bruno Barreto. O filme relata o sequestro de um embaixador americano, Charles Elbrick, por um grupo de militantes comunistas em plena ditadura militar no Brasil. Charles termina por ser a figura mais carismática do filme: um democrata bonzinho, apaixonado pela esposa, que não fazia a mínima idéia de que representantes do governo dos Estados Unidos davam aulas de como torturar comunistas. O embaixador, segundo o que ele próprio afirma no filme, queria apenas ter relações diplomáticas com o Brasil.

O filme faz uma defesa de valores de liberdade, com todo aquele discurso choroso sobre democracia e etc, com pretensões de documento histórico, justamente como o júri do Oscar adora. É uma obra que exibe também a linguagem clássica de Hollywood - fica bem na fita ver como os brasileiros aprenderam a fazer filme do jeito deles, tanto é que o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Muito diferente da ousadia estética buscada pelo Cinema Novo, que teve como manifesto a Estética da Fome, lançada pelo cineasta Glauber Rocha. Se Bruno Barreto traz sua linguagem limpinha, exemplar do modelo do Cinema da Retomada, e representa os comunistas como malucos que se metiam num mundo violento, Glauber fazia um elogio à violência como manifestação libertadora dos oprimidos. Deus e o diabo na terra do sol é um marco no elogio à violência como revolta dos subordinados.

Bruno Barreto vai de encontro à essa violência, o que não consistiria um problema caso sua crítica não fosse tão rasa quanto um pires, e sua visão da realidade social um verdadeiro conto da carochinha. Logo no começo da obra, vemos o trabalho da direção de arte elaborar uma tiração de sarro com a tradição cinemanovista: no quarto dos jovens, que mais tarde irão se empenhar na luta pela revolução, encontra-se pendurado um pôster do filme Deus e o diabo na terra do sol, como também do mártir Che Guevara.

Ora, em que consiste a sacanagem do Bruno Barreto com os comunistas e também com uma tradição do cinema brasileiro? É que, por mais que o diretor tenha a pretensão de apresentar um filme não-ideológico, a visão de mundo impregnada na obra em questão coincide surpreendentemente com a de um dos personagens do filme. Quem? O torturador Henrique. É Henrique quem afirma que a grande maioria dos jovens comunistas era formada por meninos sonhadores e ingênuos manipulados por líderes iníquos que queriam tomar o poder.

Não é por acaso que os jovens comunistas são representados exatamente assim na obra - como meninos que vivem no mundo da lua, colocando o comunismo e o Cinema Novo, presentes em pôsteres no quarto dos comunistas, também como projetos nefelibatas. E também não é por acaso que o único personagem de fato autoritário e perverso da obra é o líder comunista Jonas, tratado como um manipulador pelo filme.

Só que Bruno Barreto tenta aparecer bem na fita com um pretenso filme politicamente correto e isento de ideologias políticas, todavia, no fim das contas, terminou representando a realidade de acordo com um personagem torturador. A tortura não doeu tanto assim para os comunistas, segundo Bruno Barreto. Tanto é que, numa das cenas do filme, torturadores falam sobre um sargento que se casou com uma vítima que sentia gozo pela tortura. Sem dúvida deve ter sido extremamente prazeroso para muitas mulheres serem estupradas e receberem choques elétricos na vagina nos porões da ditadura.

Numa versão tola da idéia de Rousseau, segundo a qual "o homem é bom, mas o meio o corrompe", os indivíduos aparecem no filme todos como seres humanos bons, exceto o líder comunista Jonas. Os personagens são arrastados até a violência por uma força maior que eles. O filme estabelece laços afetivos entre os comunistas e seu refém, o embaixador, o que poderia constituir uma maneira complexa de tratar a realidade, sem o típico maniqueísmo vítima e algoz, porém termina retirando a discussão política em prol de uma parábola sobre homens levados à violência por forças estranhas. A luta contra as injustiças sociais ou a defesa do fascismo não se relaciona diretamente com as motivações dos personagens, pois os problemas sociais permanecem fora da diegese, Henrique pratica a tortura apenas porque é seu trabalho, e o embaixador sequer sabe sobre a relação dos EUA com a tortura no Brasil.

Os personagens pertencem a outro mundo, pois enquanto eles ficam metidos com discussões sobre a coletividade, as pessoas comuns tentam levar suas próprias vidas. A partir do momento em que os jovens comunistas escolhem a guerrilha, eles perdem suas identidades (são chamados por nomes falsos), e afastam-se da família e dos amigos. O filme os mostra como se estivessem cegos. Na cena em que eles vestem máscaras para esconderem seus rostos do olhar do refém, o embaixador, o plano destaca a imagem de uma tesoura cortando o pano para fazer buracos na região do capuz que ficaria sobre os olhos, numa referência clara à "cegueira" dos personagens comunistas.

Eles estão cegos desde a cena em que o amigo de César e Fernando, que decidiu levar sua própria vida fazendo teatro, sai de quadro e, num jogo de campo e contracampo, segue um outro mundo e um outro caminho, separando-se dos seus colegas. O filme poderia apontar uma crítica, já que em outro momento Fernando e o amigo ator se reencontram, e Fernando afirma que é melhor estar envolvido com suas lutas do que vivendo no faz de conta de uma peça de teatro.

Só que segundo O que é isso, companheiro? parecia haver dois Brasis nos tempos de chumbo: um das primeiras imagens que aparecem no filme, com fotografias documentais da praia de Copacabana ao som de Garota de Ipanema, como também o Brasil que surge ao final, com Maracanã lotado de torcedores eufóricos num jogo de futebol, e outro Brasil país dos militantes e torturadores se digladiando entre si, como se não houvesse em nenhum lugar um Brasil que passasse fome.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Sobre cinema e passado


Assisti hoje ao filme O sexto sentido (1999), do qual eu não havia gostado na época de seu lançamento nos cinemas, apesar de todo o estardalhaço que fizeram em torno do filme, mas que hoje descobri uma belíssima obra do M. Night Shyamalan. O que mais me chamou a atenção no filme dessa vez, no entanto, não foi o final surpreendente, e sim a sua temática e a maneira como elabora uma reflexão sobre o próprio cinema.

O psicólogo Malcom Crowe, que quer ajudar Cole, um garoto atormentado por visões de pessoas mortas, mesmo "problema" de outro paciente, Vincent, que chegou a adentrar na sua casa e lhe dar um tiro acusando-o de não tê-lo ajudado, só passa a acreditar no sexto sentido de Cole após ouvir uma fita com gravações de consultas com Vincent, quando este ainda era criança, e que continha a estranha voz de um homem que gritava em espanhol que não queria morrer. É através de um suporte tecnológico que Malcom obtém a confirmação da realidade das visões de Cole. Em outro momento, Cole mostra ao pai de uma menina, Kyra, que havia falecido, durante o velório dela, uma fita que ela havia lhe entregado para que ele desse ao pai dela. Tratava-se de uma gravação que a menina havia feito de uma brincadeira sua de teatro de bonecos, em que coincidentemente a mulher que tomava conta dela aparecia para lhe dar comida e o video mostrava-a contaminando a refeição da garota.

Essa fita de uma mensagem póstuma nos serve como uma reflexão sobre o próprio cinema. Ora, quem além de nós, espectadores, não vê em Cole apenas um garoto alucinado? Nós vemos o que ele vê, e o processo de identificação é construído de tal maneira que compartilhamos até do seu medo diante do sobrenatural, presenciamos as assustadoras aparições de fantasmas no seu quarto à noite, e encaramos os personagens que ignoram o seu dilema como cegos, ignorantes, negligentes até. Nós somos testemunhas oculares da realidade que Cole vicencia. Entretanto, no final o filme nos mostra que o cinema também pode nos pregar peças - que toda realidade é uma perspectiva, e que um ponto de vista pode ser enganador.

Outro ponto forte do filme, em minha opinião, é a maneira como ele fala sobre a relação do ser humano com o passado, o desejo de acertar as contas, seja pela culpa por uma falha cometida, ou seja pelo desejo de vingança. De uma forma ou de outra, todos somos como os mortos que perambulam pelas ruas diante dos olhos de Cole - temos esse impulso que nos conduz de volta ao passado, tornando o presente tão incerto, e, diante do mundo que insiste na mudança, vemos apenas aquilo que queremos ver, como Cole falou sobre os fantasmas (they see only what they want to see). A obra pode falar também sobre como as pessoas fazem projeções do passado em outras pessoas - a exemplo de um pai que quer que o seu filho seja o que ele não conseguiu ser, ou de alguém que quer ajudar uma pessoa da maneira como não ajudou outra. O filme também traz uma interessante visão a respeito da figura do psicólogo, aquele incubido de compreender profundamente a alma humana e desvendar o motivo de suas mais complexas angústias. Nesse filme, nós descobrimos que ele não é tão são e nem está tão distante assim das outras pessoas angustiadas que visitam o quarto de Cole à noite. Há uma inversão de papéis, e um menino tido como problemático termina por ficar num impasse entre os lugares de "paciente" e de "terapeuta", assim como o próprio psicólogo.

domingo, fevereiro 01, 2009

A religião do século XXI

Em mesa plena mesa de bar, o pessoal conversava sobre ateísmo. Um colega ateu, que tem uma capacidade olímpica para desenvolver teorias cretinas e piadas bestas, falou-nos sobre a fabulosa Religião dos Adoradores do Unicórnio Rosa Invisível. Isso mesmo, amiguinhos.

Tal religião consiste numa mescla de ciência e fé. Ora, por quê? Digamos que seus seguidores acreditam por meio da fé que trata-se de um unicórnio rosa, e, de acordo com a ciência, que ele é invisível, já que ninguém pode vê-lo.

E quem quiser que diga que essa religião é mentirosa!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Mulher gosta de apanhar

Um amigo meu comentou um dia desse que mulher gosta mais é de se foder. Segundo ele, o cara nunca deve tratá-la tão bem assim, nem ser tão atencioso. Eu digo: quem muito malandro se acha, acaba corno!!!

É o seguinte, amiguinhos. Está certo que uma boa parte das mulheres não suporta homens grudentos, que ficam declamando poesias eternamente, ligando de madrugada, etc etc, mas pra tudo tem limite. Insegurança é algo muito importante em qualquer relacionamento, afinal, o medo de perder é o que sustenta o amor, no fim das contas. Mas se o cara pega pesado e simplesmente some, não dá carinho e atenção, como toda mulher precisa, além de outras cositas más, aí ele se ferra. Sem erro.

Tá aí uma coisa que já vi acontecer muito - homem tomar ponta por não comparecer. Mulher carente é um perigo, mon cher. Se ela tá lá sozinha e aparece um cara minimamente pegável, e o namorado querido dela não liga há três dias e não a come há um mês, ela não só agarra o indivíduo como ainda no dia seguinte olha pra cara do namorado rindo internamente. Agora, se o namorado é bonzinho, a história é outra. A não ser nos casos em que a mulher não presta mesmo, ela vai pensar que o namorado é um doce, bom de cama, atencioso e não merece aquilo.

Por isso que digo. É preciso ter cuidado ao ser grudento, e mais cuidado ainda ao ser um imbecil. Não tem corno mais ridículo do que o corno "esperto".

terça-feira, janeiro 27, 2009

Cinema, coisa de outro mundo

Desde a exibição pública de A chegada do trem à estação, dos irmãos Lumière, no Grand Café de Paris, o cinema foi visto como coisa do outro mundo. Dizem que os espectadores se assustaram diante da imagem do trem vindo em sua direção, imaginando que a qualquer momento ele ia atravessar a tela e invadir a sala. Ao mesmo tempo em que o cinema parece advir de uma espécie de universo paralelo, ele adentra nossas vidas assim como o trem do filme dos Lumière.

O cinema é coisa de outro mundo principalmente se estivermos falando de Terceiro Mundo, Brasil, menor estado do país. Aqui não temos o direito de fazer cinema. Filmes são para serem feitos em grandes estúdios, com máquinas de propaganda monstruosas, e para serem exibidos no lugar favorito das classes mais abastadas - o shopping.

Arte cara feita para quem pode pagar por ela. Se um filme não passa de uma ilusão elaborada diante de nossos olhos e projetada numa tela, ele se torna ainda mais distante se lembrarmos que as pessoas comuns podem compor música, escrever poesias, mas de maneira alguma realizar filmes. Os que fazem música e poesia podem morrer anônimos, mas pelo menos a eles foi reservado o direito de produzir sua arte. E o filme do realizador, que vive apenas na sua cabeça, é um filme?

Os filmes são feitos por deuses, não pelas pessoas comuns. Na tela, os deuses do star system reinam absolutos. São rostos de uma beleza acima dos mortais, e com semblantes onipresentes, vidas estampadas em capas de revista, seres humanos que se transmutaram em pura imagem - ícones que se desvencilharam de sua própria materialidade.

Esse cinema que é feito por estrelas, ele nos aparece como vindo de um universo paralelo também porque em grande parte ele é falado em outra língua. Ele tem a cara de outro lugar. E é inconcebível ele ser filmado com gente da gente, na rua da esquina e na nossa língua.

Dizem até que se uma obra audiovisual só em cinema se filmada em película. Um filme só é um filme se utiliza filme. O que é gravado em video não tem o direito de ser cinema, de ser chamado de filme. O cinema é confundido com rolos de filme.

Se já nos tempos do neo-realismo italiano, com o avanço técnico de equipamentos mais leves e menos caros, ousaram falar em sair dos estúdios e em realizar um cinema possível, o cinema ainda hoje não deixou de ser impossível. Mesmo com o video de celular, o cinema de verdade é aquele que tem Julia Roberts e passa no shopping. Quem sabe lá se um dia isso vai mudar.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Odeio cinema

Quando eu digo que gosto muito de cinema, logo muita gente conclui que adoro ir ao cinema. Pode parecer meio óbvia essa dedução lógica, mas não é. Nesse sábado fui assistir a Repulsa ao sexo, do Polanski, à meia-noite em pleno Pré-Caju, e lembrei-me exatamente do porquê de eu quase nunca ir ao cinema.

Primeiro: o valor do ingresso.

Segundo: a qualidade dos filmes exibidos nas salas de cinema multiplex. Os mesmos blockbusters de sempre. Muito raro ver um filme como Repulsa ao sexo sendo exibido num multiplex.

E terceiro, e o mais importante, em se tratando de cinema eu sou COMPLETAMENTE anti-social. Pra mim cinema é pra estar com os olhos e os ouvidos totalmente dedicados ao filme. Em salas de cinema muitas pessoas parecem não entender isso.

Durante a exibição de Repulsa ao sexo não faltaram engraçadinhos com comentários brilhantes a exemplo de "essa é daquelas que gostam de apanhar" e "ela curte ser esTRUpada", falando da personagem principal do filme. Havia um cara que não cansava de mostrar todo a sua FLUÊNCIA da língua inglesa, e insistia em dizer "olha, ela disse I can't, I can't... agora ela falou I'm afraid, ela tá com medo de alguma coisa". E eu que achava ruim a tradução simultânea de Joe Feitosa e daqueles tradutores do Oscar tentando acompanhar as piadinhas sem graça dos famosos "estonteantes"(cerimônia chatíssima per si).

Agora me diga: se eu posso baixar filmes maravilhosos da internet e vê-los no mais completo silêncio, pra quê diabos eu vou assistir a Xuxa não sei o quê lá no cinema e ainda aguentar "críticos" na projeção do filme?

Black and beck

Estávamos conversando sobre maconha e etc, quando o irmão de um amigo meu disse que não quer andar com pessoas que fumam maconha.

- Preconceituoso! - disse uma amiga que adora puxar um beck.

Não era bem isso. Nosso colega contou que, quando estava voltando de uma farra, deparou-se com três bacolejos. Em todos eles, os policiais revistaram apenas ele, que é negro. Sorte do seu amigo branquinho, que estava com dois baseados na cueca.

E há quem diga que não há racismo no Brasil...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Tristeza não tem fim, MSN sim

Eu tenho medo de pessoas felizes no msn. Juro. Aquele povo que tipo "luau do nana foi ótimoooo", "fim de semana maravilhoso com amigos dez", etc etc. Eu nunca vi gente de "feliz de verdade" sentindo a necessidade constante de provar pra todo mundo que está muito bem, obrigado (a). Há personas por aí que tomam pé na bunda, ficam acabadas, e colocam no msn, na maior cara de pau do universo, frases a la "sou praieiro, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o quê". Há também os cheios de dizeres místicos que querem compartilhar uma sabedoria de Dalai Lama com todos. Pra mim não passam de farsantes querendo aparecer pra todo mundo ou enviar um recado pra alguém em especial.

Quem diabos é Jun?

Há não muito tempo um tal de Jun está deixando comentários em posts daqui do blog. Pelo que fala, ele parece acompanhar não só o meu, como o blog de uma amiga minha há um certo tempo. Agora tanto eu quanto ela estamos numa "investigação" para desvendar quem diabos é Jun. Há alguns suspeitos, mas dois deles são descartados porque Jun citou uma letra de Smiths (e esses suspeitos não gostam da banda). Agora resta só um que poderia gostar de Adorno e Smiths.

Será que Jun é uma pessoa que conhece a gente de vista? Ou quem sabe ele nem sequer mora em Buracaju? Ele nos odeia? É um espião da CIA? E outra: com esse nick, pode até ser uma mulher.

Mistério...

terça-feira, janeiro 20, 2009

Pré-Caju

Vem aí a MAIOR prévia carnavalesca EVER, minha gente! Já comprei meu abadá, e vou beijar um, beijar dois, beijar três, e beijar mais uma vez!

No way!

Moro em Buracaju, mas nunca fui nem pretendo ir ao Pré-Caju. Não sei quantas pessoas nessa cidade nunca chegaram a se esbaldar na avenida. Mas devem ser poucas.

Mas ora ora, por quê? É simples. Eu não sinto a MENOR vontade de agarrar um monte de filhinhos de papai que adoram deixar o som do carro a todo volume em posto de gasolina. E se eu tivesse um pênis, ele brocharia ao ver um abadá.

Fora que a música é péssima, e a pessoa tem que estar MUITO travada pra achar o máximo axé da Bahia. Ou seja, ir a uma festa pra beber pra esquecer que está numa festa. Não, obrigada.

Boa sorte pra quem curte essa desgraça!
Um dia desses um colega comentou que eu me exponho demais no blog. Eu digo que engano todo mundo. Os poucos leitores que tenho (na verdade não sei quantos) ficam achando que estão total por dentro da minha vida, quando isso aqui não passa de ficção que brinca com a realidade. Eu minto na internet, e não é pouco.

Um amigo me perguntou se eu estava apaixonada há um tempo atrás, só porque eu estava escrevendo uns textos meio melosos. Apaixonada? I said no, no, no. Tudo farsa. É que às vezes sinto falta do meu lado sentimental, e só.

Em outra ocasião, certa pessoa achou que um texto meu do blog era uma mensagem pra ela. Nada a ver. Era sobre algo que aconteceu há anos atrás. E havia no meio mentira, muita mentira.

Ou alguém acha que eu ia relatar minha vida todinha assim num blog?

Pobres daqueles que levam a internet a sério.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Quedinhas eternas...

Não sei se você entende do que eu estou falando, mas as quedinhas eternas tratam-se daquelas pessoas com quem você namorou ou ficou que, por mais que o tempo passe e a distância persista, é só reencontrar aquele antigo caso pra bater a vontade. Essas quedinhas são motivos de ciúmes insanos de atuais... Afinal, fica muito na cara que você sente desejo pelo ex-affair. E não dá outra: basta um namoro acabar, e o destino trabalhar a favor de os dois se reencontrarem pela vida, que eles terminam ficando uma vez ou outra.

Coisa mal resolvida ou apenas vontade de relembrar os velhos tempos, essas quedinhas podem durar muitos e muitos anos. Namoro, casamento, tudo passa, mas as quedinhas permanecem. Atire a primeira pedra quem nunca teve a sua.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

O problema de uma história que não começa é que ela não acaba... se esvazia.

domingo, janeiro 04, 2009

Noites de Amsterdã

A Holanda é o país da putaria e das drogas, certo? Lá todo mundo é muito "moderninho", as pessoas podem fumar maconha à vontade e até há uma lei que permite que elas trepem no parque. Não é bem assim. Ontem eu estava vendo aleatoriamente a GNT (nome de canal com o qual dá pra fazer trocadilhos escrotos, tipo GNT de GENITÁLIA), e estava passando lá um programa cujo nome, se não estou errada, era Noites de Amsterdã. Trata-se de uma atração em que dois policiais durões saem "botando ordem" na night da famosa capital holandesa.

No episódio em questão, tais policiais repreenderam um turista e uma prostituta que estava fazendo um blowjob nele num beco escuro. Pelo tom da conversa, os policiais ressaltavam sempre que ele era um turista (pessoa legal que vem gastar muita grana no seu país) e ela era a maldita vagabunda. Eu fiquei besta com a abordagem dos caras. Houve um momento em que ele perguntou "você é prostituta né?", e ela respondeu que não, aí o tira disse "mas vai se tornar uma! fazendo isso no meio da rua!".

Depois de ser extremamente agressivo, o policial vinha com um papo de protetor, deu todo um discurso de que ela não deveria fazer aquilo, e pras câmeras afirmava que pobres garotas vendiam o próprio corpo em troca de cocaína. De acordo com o programa de televisão, os policiais não acharam nenhuma prova contra o turista. Mas eu quero saber é porque um policial que se acha um missionário da moral e dos bons costumes berra com uma mulher e fala, na maior grosseria do mundo, que se ela não é uma puta vai virar um dia. E pior, um canal de TV acha isso tudo muito bonitinho.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Do you know what it feels like for a girl?

Em plena virada de ano estava conversando com uns amigos à la plage, quando um colega meu soltou uma dessas frases "pára o mundo que eu quero descer!":

- Você se comporta como um homem!

Não, eu não coço o saco ou qualquer coisa que macho men idiotas fazem.

- Sabe o que é? É que você não se preocupa muito com o que vai dizer e é uma mulher de atitude.

Ah, certo, estou começando a entender...

- Você assusta os homens!

- E é?

- Claro! Pelo menos a mim sim! Não assusta a você também? - e ele virou-se na direção do outro homem que estava na roda, que preferiu permanecer neutro - Bom, assusta pelo menos a mim, que tive uma determinada criação e fui acostumado com mulheres assim sabe... daquele jeito... sabe como é! Você intimida... um homem que queira ficar com você tem medo de você.

Para minha surpresa, uma moça que eu acabara de conhecer se aproximou da roda e concordou com tudo o que meu colega disse. Segundo ela, era notável o que ele afirmou sobre minha pessoa "pela minha postura e meu jeito de falar".

- Eu acho que me fodo às vezes por causa disso...

- Você é inteligente, menina, lembre disso.

Quando me despedi dela, a garota novamente insistiu no que havia dito. Parecia haver notado em mim um certo incômodo pelo meu jeito de ser, e queria de alguma forma me dar uma força para eu continuar sendo eu mesma.

And so it is...

E o orkut me manda essa mensagem em pleno primeiro de janeiro de 2009:

Sorte de hoje: A pessoa que lê sua sorte desapareceu e nosso chefe está furioso.

Thanks!

terça-feira, dezembro 30, 2008

Então... Ultimamente ando TÃO sem paciência pra escrever nesse blog que... sei lá. Vai ver é o fim do ano que me deixa muito letárgica (sei que essa palavra é muito cheia de frescura, mas foi nela que pensei mesmo e é ela que expressa bem o que sinto).

Só posso dizer que o fim de 2008 tá muito louco, histórias demais de uma vez só (que são o avesso da minha letargia para lidar com tanta maluquice), e espero seguir todo o planejamento que fiz para 2009, até conseguir meus objetivos para 2010...

No mais, é tudo um mar de incertezas.

sábado, dezembro 27, 2008

Por que tinha de ser assim, meus deuses todos?

domingo, dezembro 14, 2008

Reencontro - parte 2

Sempre fui assim, intuitiva. Minha inteligência não funciona por meio da lógica, mas da sensibilidade. Reconheço o caminho porque tateio as ruas, e não porque as conheço de cor. É por isso que posso me perder com a mesma facilidade com que me acho. Afinal, às vezes tomo uma rua como outra, e sigo o caminho até me dar conta de que todas as esquinas que cruzei, e que eu achava que eram as certas, não passavam de pura fantasia. Preciso saber os nomes das ruas e os números das casas.

Dessa vez, a minha intuição me pregou uma estranha peça. Soube que Dimitri havia terminado seu namoro. O que parecia um entendimento equivocado de um conversa que tivemos, era a mais pura verdade. Ele estava desabafando comigo com palavras obtusas. Mas o que ele queria dizer com toda aquele papo de destino? E sobre as coisas em que depositamos nossas expectativas, mas que não duram para sempre? Ele queria dizer que o destino havia me colocado no meio do caminho dele? E que o seu relacionamento de anos já se arrastava demais, indo de encontro ao que ele entendia sobre amor e tempo?

Eu não sei! Agora eu sentia como se essa fosse a minha grande oportunidade e eu tivesse que jogar. Só que, quando pressionadas, as pessoas podem errar dizer o próprio nome num jogo que vale muito. E eu não tenho o sangue frio que os jogadores têm. Eu não conto as cartas. Eu sinto e sigo o jogo como se ele me conduzisse com vida própria.

Talvez essa de se deixar levar tenha algo a ver com impulsividade. Bons jogadores blefam ao invés de perderem as estribeiras. Calculam em lugar de agirem com ousadia. Não colocam o carro na frente dos bois. Eu sei o que eu deveria fazer. Teria que me aproximar pouco a pouco, afinal, eu não faço mais parte da vida dele. Não deveria ter a pretensão de tratá-lo como íntimo se assim não somos. Mesmo que eu confie nele, ele pode simplesmente não confiar em mim. Sou uma desconhecida. Pode achar que não vou fazer nada além de bagunçar a sua vida de novo. Talvez esteja confuso e precisando estar só depois do fim de um amor eterno. Quem sabe eu não deva fazer nada além de permanecer distante!

Agora que finalmente o reencontro parece ser possível, eu prefiro deixar essa história pra lá. Estou vendo coisa onde não existe. De volta ao cotidiano, novamente esquecerei dele na vida ordinária. Só não sei quando, afinal, deixarei de experimentar, ao vê-lo, aquela mesma sensação de que tive saudade durante todo esse tempo. E se eu, em verdade, não senti tanta falta dele assim, o infinito da ausência naquele momento me fez ver que a saudade tanto pode ser pequena todo dia, quanto grande de uma vez só. Não é que eu seja uma apaixonada saudosa. É que por ele sinto saudade, e não paixão - é de amor ao passado que às vezes eu vivo.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Como vocês podem perceber, esse blog está entregue às traças. Ultimamente essa história de cinema está me consumindo MUITO. É chegar em casa e capotar na cama. Hoje nem fui dormir porque tô ansiosa pensando na filmagem de amanhã. É, pela primeira vez na história de minha saga pessoal, eu vou dirigir (junto com meu coleguinha de classe). Pois é, tô aqui me preparando pra maratona de 12h de trabalho ininterrupto de amanhã. Só me lembro da Angelina Jolie numa entrevista (maravilhas da programação inútil da Tv a cabo que minha mãe mandou instalar) dizendo que "o set de filmagem às vezes funciona tão bem que até parece um paraíso". Q!

Esse povinho de Hollywood é falso né?

Set é o lugar mais cheio de gente pirada, nervosa, e com todo mundo na luta contra a lei de murphy e sempre contando os minutos pro prazo final da gravação.

Pois eu, dona Jolie, eu estou indo direto para o inferno!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




A-do-ro!

quinta-feira, novembro 20, 2008

Reencontro

Como é que a gente faz para voltar no tempo?

O tempo é o grande desafio da vida, não é? Havia planejado sair num determinado horário para chegar à entrevista pontualmente. Entretanto, isso não foi possível graças ao trânsito infernal da cidade e ao péssimo sistema de transporte público.

O calor da cidade era opressivo. Às vezes eu sentia como se minha mente ficasse ainda mais inquieta por causa desse clima. Logo no instante em que eu pedi para a moça dois cigarros, conferi se o ônibus ia aparecer, e, de fato, lá vinha meu ônibus, e, enquanto isso, a mulher olhava para as moedas e estendia a mão para mim devolvendo-as dizendo que o preço do cigarro havia aumentado. Deixei o cigarro, remédio contra o tempo, e corri até o ônibus. Só que as portas estavam fechadas. Aguardei a partida do carro. Ele se foi sem ao menos levar um passageiro.

Valia a pena esperar o próximo ônibus? O fiscal disse que outro ônibus só saria dali a vinte minutos. Não queria perder uma vaga por causa da passagem das horas. Calculei se tinha dinheiro suficiente para o táxi. Ainda restavam sete reais do dinheiro do ingresso que havia comprado há pouco no teatro próximo ao terminal. Acenei para o táxi. Ele não parou. Um homem parou o carro me oferecendo carona. Preferi esperar um outro táxi.

Eu não tirava o olho do relógio. No momento em que eu achava que não ia dar para seguir em frente com a partida, encontrei uma nota de dez na carteira, como uma bênção vinda dos céus.

Fiz a entrevista e depois sentei numa área de vivência para passar o tempo. Eu tinha um compromisso, e não ia voltar para casa, pois depois teria que regressar novamente, e aquele trânsito infernal.

Então eu passo pela frente de uma porta e vejo de relance quem eu penso que seria um rapaz com quem eu havia tido um breve envolvimento há um tempo atrás. Sentei-me. Acendi um cigarro que tinha comprado no terminal após o alarme falso do ônibus que acabou indo sem nenhum passageiro. Tomei água. Não, não era ele, eu devo estar vendo coisas, tenho essa mania de ver rostos de pessoas conhecidas em gente desconhecida.

- Como é seu nome?

- Dimitri.

- Dimitri o quê?

Nem esperei para ouvir o sobrenome. Quantos Dimitris havia naquela cidade? Segui até a recepção.

- Oi Dimitri, tudo bem?

- Oi Luiza, tudo bem!

Sentei-me novamente e voltei aos meus livros. Não consegui parar de pensar nele um segundo sequer. As palavras estavam numa escrita morta, soltas e sem significado, rabiscos diante de meus olhos analfabetos de tanta ansiedade. Quando ele voltasse, ia pedir para ele ficar ali um pouco comigo. Mas como eu ia fazer isso? Tá, eu ia dizer, oi senta aqui, vamos conversar. Não, não. Como vai? Quanto tempo!

Naqueles dez minutos se passaram lembranças avulsas que duraram algumas horas. Ele me pareceu um tanto nervoso ao me cumprimentar. Eu não conseguia agir naturalmente com ele. Quando ele saiu da sala, atentei para seu passo arrastado, seu impasse para chegar mais perto de mim. Ele não queria ir embora, pelo menos não naquela hora. Pedi para ele sentar para a gente conversar. Fazia tanto tempo!

Não o encontrava, sequer pensava nele, ou mesmo lembrava, mas reencontrá-lo sempre mexeu comigo, com as coisas mal resolvidas que eu tinha. Ficava envergonhada ao vê-lo na rua.

- Sabia que eu tenho vergonha quando te vejo?

- Ué, por quê?

- Você deve me achar uma louca!

- Não acho não.

- Acha sim. Ai meu deus, eu era tão tola naquela época!

Um dia aquele homem com jeito de menino esteve apaixonado por mim. Não fazia muito tempo desde que eu havia me afastado de um rapaz com quem eu não havia tido uma história – e talvez esse fosse o motivo de uma tristeza não ter se instalado em mim, afinal, não houve uma história. Olhei para ele e, por um momento, lembrei de todos os homens que havia conhecido desde então. Onde ele estava esse tempo todo? Eu sabia. E tinha plena consciência de que ele não podia ser meu.

Durante a minha espera, conversamos por horas e horas. Ele reclamou que estava com fome, e foi aí que percebi que ele havia deixado de passar em casa antes da aula, só para nesse intervalo passar um tempo junto comigo. E quando me vi falando como se ele nunca tivesse ficado longe de mim, conclui que eu confiava nele, mesmo que a gente nunca tenha sido amigos ou amantes por muito tempo. Apesar da brevidade das nossas aproximações, houve momentos em que ele se mostrou mais companheiro do que amigos de anos. Em volta dele havia uma áurea, uma energia boa que eu gostava de sentir. Eu precisava de um bocado daquela energia por perto. Poucas pessoas tinham o semblante tão puro quanto o dele.

Houve um instante em que o azul dos seus olhos vibraram. Queria tocá-lo, queria beijá-lo. Mas me segurei, eu precisava manter o controle. Conversamos como bons amigos, mas eu imaginava, mesmo que me faltasse um espelho, que algo na linguagem do meu corpo, da minha voz, revelava mais do que eu permitiria. Lembrei das mensagens dele, da lembrança que ele deixou na portaria do prédio. Como pude?

Ele encostou-se preguiçoso na cadeira. Eu me estendi sobre a cadeira com os pés em outra para descansar. Quando os dois estavam absortos no nosso mundo, como se estivéssemos num parque olhando pro céu, ele me fez uma confissão. Foi uma confidência sem nomes, sem fatos concretos. Ele apenas me falou de uma aflição. Eu nunca imaginei vê-lo angustiado.

- Sabe, tem uma coisa me remoendo. Faz alguns dias já. Hoje isso está mais forte. Estou assim o dia inteiro. Sabe quando você sente um frio na barriga?

- Do que você tá falando?

- É algo mal resolvido. Um conflito que se estende. Sabe, quando você não espera que uma coisa vai dar nisso, mas acaba acontecendo.

- E você se decepciona porque depositou suas expectativas naquilo.

- É, é isso.

- Mas eu fico assim quando estou esperando algo ou quando esse algo já aconteceu.

- Os dois. Já aconteceu e eu estou esperando no que isso vai dar.

Qual era o conflito dele? Com o quê ele havia se decepcionado? Um leve prazer tomou conta de mim, desses prazeres egoístas que não devemos sentir. É que eu queria muito acreditar que o relacionamento que ele levava há anos já não dava mais certo. Eu não o esperei durante todo esse tempo, mas sempre que o reencontrava algo me dizia que a gente ainda iria ficar juntos, seja de maneira efêmera, ou seja por muitos anos. Eu só não sabia como.

Ele se despediu dando um tchauzinho tímido, e eu não tive coragem de ter algum contato físico com ele, de abraçá-lo antes que ele fosse embora, mesmo que quisesse tê-lo só um pouquinho mais perto. Então ele relutou em partir. Esperava que eu tivesse tomado a grande decisão do dia – abraçá-lo. Ele veio no meio do nada -além de nós- me dar um abraço e um beijo no rosto. Eu não sabia quando ia revê-lo. Senti uma leve pontada no coração.

No nosso papo, ele havia falado em energia. Ele, ao contrário de mim, acreditava em alguma força que fazia as coisas acontecerem. Eu, que na nossa conversa defendi que vivemos a deriva, agarrava-me agora à crença de que o destino o havia colocado no meu caminho naquele dia. Por mais que eu não me lembrasse dele no cotidiano, assim que o avistava era como se eu sentisse saudade durante todo esse tempo.

terça-feira, novembro 18, 2008

A Mulher de Branco


Quando criança, eu morria de medo da Mulher de Branco, da novela Tieta. Assim que ela surgia iluminando a noite misteriosa do agreste, eu corria para o meu quarto, o que provocava muitos risos entre meus familiares. Aquela coisa "ô, criança tem cada uma né?". Não foram poucas as vezes em que meu tio vestiu um lençol branco e saiu correndo atrás de mim para me assustar. Mesmo desconfiando de que era ele, eu fugia, porque, na dúvida, podia ser a Mulher de Branco né!

Até que no final da novela, eu, criança ingênua, descobri que a Mulher de Branco não passava de uma viúva tarada que saía pela noite vestida de fantasma atrás de um homem que pudesse "tirar o seu atraso". Era Perpétua, aquela senhora pudica, que estava sempre usando roupas pretas, coitada, não conseguia esquecer o falecido marido - chegando ao ponto de guardar a coisa que ela mais gostava nele numa caixa (não vou dizer que coisa era, crianças).

Só posso dizer que foi uma decepção tremenda: tipo, oi, o que tenho eu a ver com uma velha tarada que assedia sexualmente homens? E eu achando que a Mulher de Branco era um fantasma que matava os moradores da pequena Santana do Agreste. Tudo bem, era tudo uma piada e eu não entendi. Achei que qualquer coisa com lençol branco envolvia terror.


Rappel muito louco

Tenho estudado algo sobre violência urbana e cinema brasileiro, etc. E visto e revisto alguns filmes nesse sentido.

Resultado: Peguei no sono e sonhei que via, da janela do meu quarto, o Capitão Nascimento escalar a parede do meu prédio, com a mesma feição angustiada que ele tinha em uma cena em que ele faz rappel em Tropa de Elite.

domingo, novembro 16, 2008

Versus

Eu queria desejar a paz ao mundo
mas tenho de admitir que
enquanto escrevo essa poesia
em algum lugar
alguém sofre uma punição
alguma injustiça é cometida
alguém tem que se calar
e a dor que mais dói é a dor a que a gente se acostuma
- a tudo nessa vida, a gente se acostuma -
só que agora essa dor me incomoda
e seguro no peito
um sentimento de que "não tem mais jeito"
só resta a mim viver
levar a vida como der
em alguns momentos esquecer
e em outros desejar a paz no mundo
a paz anula o conflito
mas anular o conflito terminaria em anular as duas partes
- é o fim?-

e esses que falam em inferno e fim do mundo
quero saber se eles desenham o inferno parecido com isso aqui
e o término de tudo
um ritual coletivo de morte

eu que luto com a minha própria sorte
já me despeço do mundo
como quem é só mais uma
-não, eu não fiz nenhuma revolução-

nunca quis ser uma mártir
apenas quero um pouco de paz
mas a paz é a anulação do conflito
e anular o conflito é anular as duas partes

afinal
mais com mais dá mais
menos com menos dá mais
agora,
mais com menos...

dá menos.

sábado, novembro 15, 2008

Antitrama

Tenho um amigo que conheci há algum tempo, mas que hoje em dia nosso contato é possível apenas através do mundo virtual. Não sabemos se um dia iremos nos reencontrar pessoalmente. Não que nossas conversas sejam impessoais. O que me chama atenção nesse amigo é o fato de que o contato que tivemos cara a cara foi muito breve, todavia estamos sempre nos entendendo de alguma forma. Só que sobre ele eu nada sei além de suas sensações. Isso mesmo, sensações.

É que ele não me conta histórias com início, meio e fim, não narra fatos mais concretos de sua vida. Seus relatos são cheios de incertezas, de vácuos de informação. Acostumei-me a isso. Se ele está confuso, eu sei como ele está confuso, mas não o porquê. Também conheço mais sua visão de mundo do que sua vida.

Às vezes converso com ele sobre as minhas impressões. Sinto que ele compartilha comigo algumas delas, e me entende mais do que a maioria das pessoas com quem convivo. Somos íntimos, mas também desconhecidos. A nossa relação é muito mais intimista do que narrativa. Nossas conversas são como aqueles filmes que preferem falar de sensações ao invés de fatos.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Fiquei muito muito triste hoje.





















Velho, como assim que não tem o emoticon do capeta no novo messenger? Que porcaria é essa de Messenger Beta? Eu curtia tanto usar o emoticon do capeta! Po, isso deve ser reivindicação dos crentes ¬¬

Nesse mundo as pessoas adoram se juntar pra reclamar do que não vale a pena, vide abaixo-assinado por finais de novela.

Sorriso

Um sorriso mudou o meu dia
E esse dia mudou minha vida.
O sorriso me encheu de alegria
Mesmo vindo de uma desconhecida.

Foi tão forte, seguro e bonito...
Foi presente de Deus ou do acaso.
Acalmou o coração que era aflito
E me deu força pra mais um passo.

É provável que não mais a veja...
Não dará pra mostrar gratidão.
Mas desejo onde quer que ela esteja
Que lhe afaguem com amor o coração.

Foi depois desse dia sublime,
Do sorriso que a mim trouxe paz,
Duma estranha mudar meu destino
Que aprendi a sorrir muito mais.

Ícaro Olavo - o melhor amigo do mundo!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Tô a fim de fazer uma revolução!

:D:D:D

;)

Doce infância

Um colega meu do curso de Cinema (ele leu esse blog uma vez, não sei se chegará a ver isso aqui) disse que estudou numa escola com educação do tempo da pedra: a professora chegava ao cúmulo de colocá-lo de joelhos em cima do milho. Detalhe: o nome da escola era Doce Infância. Tipo, doce o quê? oi?

Agora entendi o fato de ele ter concordado comigo na aula de Direção. Após o professor dizer que uma professora de um determinado roteiro estava "malvada demais", ele afirmou que "isso existe sim".

Essa história do meu colega dá um filme. Assim como a da minha professora querida que não me deixou sair da aula para fazer xixi (como alguém faz isso com uma criança do Jardim de infância?) , e eu acabei mijando nas calças ali mesmo. Garooooooooota! ;)

Esses adultos ficam com essa mania de "humanizar" tudo. Pra criança é mais fácil: ou tem aquele amor maternal ou não passa de uma maldita opressora.

PS: A história do meu colega parece conversa de pescador.

A canção tocou na hora "errada"

Há momentos em que uma pessoa fala meio mundo de besteira para moi, e nessas horas eu só penso o quanto seria belo e verdadeiro se eu apenas fizesse o seguinte gesto: respirar fundo e soltar um pum.

Sim, meus caros, um pum! Desculpem-me os leitores que esperam de mim uma dama (não devem ter lido muitos posts), mas quão estupenda seria a mais autêntica manifestação da minha irreverência diante de tamanha imbecilidade humana!

Meu pum soaria malandro, daqueles puns altos e sem fedor, uma resposta em flatulências ao que não merece os ouvidos - só uma mangação vinda do cu.
Fiz uma promessa. Antes de deletar a porcaria do meu orkut, imaginei quais possíveis utilidades ele teria em minha vida. Tá, eu tenho enorme apego por gente que sequer conheço pessoalmente, masss... essas pessoas (que não são muitas) estão no meu msn, hehe. Então quaaase apaguei meu orkut... Aí foi que eu atribui uma utilidade àquela coisa. O orkut seria o instrumento para que eu conseguisse concretizar um determinado objetivo... Dei poucos dias para que isso ocorra, caso não, deletarei aquela joça. Aguardem cenas dos próximos capítulos.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Je suis très chiq

- Você não é nada burguesa - disse certa vez uma colega minha cujo sobrenome é Rochs.

Realmente, eu não sou nada burguesa. Há algo de plebéia em minha essência.

Lembro-me que, quando criança, eu adorava ir aos cafundós do sertão de Sergipe para visitar minha avó. Lá ela me deixava comer com as mãos, algo que minha mãe jamais permitiria. Eu dançava nos forrós pé-de-serra da vida, me enfiava no mato, e chegava ao cúmulo de correr atrás dos sapinhos.

Além de gostar do sertão, eu costumava dormir num cubículo onde a empregada doméstica morava, lá no Bairro América. Era um lar de apenas um cômodo, e o banheiro se situava num corredor, e era dividido com os demais moradores do lugar.

Não é que eu visse a pobreza como algo glamouroso, ou quisesse ser muito pobre, mas nunca tive muitas frescuras. Prova disso foi minha passagem pela aldeia hippie - pouquíssimas pessoas que conheço não pediriam arrego num local sem energia elétrica e água encanada. Só que eu me diverti a beça, e, caso haja outra oportunidade, estarei lá.

Comigo a diversão não precisa custar caro. Às vezes saio de casa com alguns trocados no bolso e garanto que posso até curtir mais do que certas pessoas que gastam 60 reais numa noite. Também não tenho frescuras de andar de ônibus, e mimimi. Eu sou uma "pobre" bem resolvida. Eu vou de ônibus mesmo e não tenho problema com isso. A noite é uma criança e quero mais é curtir!

Para completar a minha atitude "nada burguesa", eu não sei me equilibrar numa porcaria de um salto. Às vezes tento usar aquela joça, mas o desconforto é tão grande, e a dificuldade de se locomover também, que não tem essa de posh girl - ao chegar à festa de formatura de uma amiga fui logo tirando as sandálias para aproveitar os embalos de sábado à noite com os pés livres, leves e soltos. Sem perder o glamour, claro.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Injeção na testa

Eu costumava dizer que "de graça, topo até injeção na testa". Acho que foi por isso que aceitei o convite da minha tia para viajar à praia do Conde, na Bahia, com tudo pago por ela. Está certo que as intenções dela foram boas (eu não pagaria 180 reais por más intenções), mas há um conflito gritante entre o que eu penso sobre diversão e o que ela imagina que isso seja.

Tudo começou quando, ainda no ônibus, o líder da excursão se mostrou quando falou ao microfone e, em seguida, percebi que aquele era um grupo da igreja do Grageru ao ver o microfone ser entregue nas mãos do padre Raimundo. Lembro muito bem daquele padre, ele foi responsável por um trauma de infância.

Todo santo ano novo, minha avó me obrigava a passar a virada numa missa dele, e recordo que o tal padre (espero sinceramente que ele não leia esse blog) além de cantar MUITO mal, GOSTAVA de cantar, e demorava HORAS discursando. A frase da minha avó, que fingia amar o discurso dele enquanto dava capengadas na cabeça como quem quer dormir, cai como uma luva neste momento: no discurso de um padre, nos primeiros 10 minutos quem fala é Deus. Após meia hora, quem fala é o homem. Depois de uma hora, quem tagarela é o diabo, que afasta o fiel da igreja. -Amém-

Quando o padre começou a discursar no ônibus, eu fiquei ansiosíssima torcendo para que ele não ficasse rezando uma missa ali mesmo. Sorte a nossa que ele só proferiu algumas poucas palavras desejando boa viagem a todos, e rezou um pai nosso e uma ave maria.

Está bem. Ajeito a cadeira para me deitar, na esperança de dormir durante toda a viagem, afinal, havia acordado muito cedo e dormido apenas três horas. Daí que ligam o bendito DVD. Quem inventou o uso de DVDs em ônibus? Quem disse que isso é legal? Num ônibus existem diversas pessoas com diversos gostos - digo, ou será que eu era a única ali que não estava nem um pouco a fim de ouvir o Belo numa telona cantando com o Padre Marcelo para uma multidão?

Isso mesmo: o BELO. Mal pude acreditar. Ao ver o padre Marcelo num show olhando com cara de santidade para o telão com a imagem do cantor Belo, eu fiz instantaneamente a seguinte observação: O BELO NÃO É TRAFICANTE? Ok. Pára o mundo que eu quero descer! Quase solto esse comentário aos ouvidos de uma católica que estava ao meu lado, até ver que ela estava adorando o showzinho do Belo. Aí o padre Marcelo disse para não sei quantas milhares de pessoas do espetáculo: Meus queridos, quem gosta do Belo? Então batam palmas para o Belo!

Como se não bastasse o Belo, depois vieram os cantores sertanejos Daniel e Leonardo. E ainda teve Paulo Ricardo cantando Deus é dez num ritmo que só me fazia crer que ele havia feito uma versão religiosa para Olhar 43.

Chegando ao hotel, os companheiros de excursão viraram pessoas normais - ou seja, pediram cerveja e mandaram o garçon aumentar o som. E, claro, reclamaram que a cerveja estava quente. Só que existe um limite na minha cabecinha com relação a aceitar a normalidade da minha tia. Explico. Havia um brinquedo lá chamado tirolesa, que consiste num banquinho em que a pessoa se senta para então colocar as mãos numa barra fixada a uma corda, e em seguida a pessoa desce a toda velocidade a alguns metros de altura sobre um rio. Pois então. Meu primo (de uns 13 anos), filho da tia em questão, decidiu brincar na tirolesa, mas não estava acertando subir no banquinho de madeira. Toquem os tambores para o comentário da minha tia.

- Filho, senta nesse pau direito! - e depois solta uma gaitada.

Atenção para o meu semblante de "q!". Para completar, a católica fervorosa que estava ao meu lado diz "É pra aprender desde pequeno né?", e dá boas risadas em uníssono com minha tia, o que comprovava aos meus olhos pasmos que minha tia não havia dito "senta nesse pau direito!" por inocência.

Na volta, alguns passageiros proferiram um "woo-hoo" ao ouvir soar no ônibus uma cantora que cantava algo como Quem for mulher bate no litro, quem for mulher levante o litro e dá uma golada. Essa cena era pura contradição para mim, que a montava na minha mente junto ao piti que minha tia deu por eu ter tomado caipirinha.

- Caipirinha? Quem foi que tomou isso? Isso faz mal!

- Faz é bem, minha senhora - interveio o recepcionista.

E olha que nem dei bafón, ao contrário de certos senhores que estavam lá, mas enfim... Não demorou muito para a oposição (da mesma religião) tirar o DVD da banda que falava do tal litro e substitui-lo por um video de uma missa do Padre Zezinho - que era até melhor do que aquela música horrível de banda de forró eletrônico.

Agora que já estou em casa só penso que nunca mais tomarei um gole de álcool na frente de familiares, nem nunca mais quero ouvir piadas da minha tia. Talvez sejamos todos conservadores, cada um a seu modo. Ela não quer me ver tomando caipirinha, e eu não quero ouvir suas piadinhas. Saldo positivo: pelo menos estive numa praia linda e deserta, e me banhei numa lagoa de águas gostosas e azuladas.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Falei agora a pouco a uma amiga que gosto de fingir que tenho determinada coisa - não vou dizer o que é aqui no blog. Daí quando eu abri a janela do msn foi um tapa na cara virtual a frase dela. Algo como "você poderia ter essa coisa, ao invés de fingir que tem", o que associei instantaneamente ao que ela tinha falado antes, tipo "o que você ainda está fazendo nessa situação?".

terça-feira, novembro 04, 2008

Quem quiser que me critique

Certa vez, numa aula nos primeiros períodos da universidade, as pessoas discutiam sobre crítica de cinema. A maioria absoluta defendia que a crítica é uma prática completamente inútil. O crítico, como manda o senso comum, não passa de um criador frustrado. O próprio Truffaut chegou a afirmar isso em 1955, na revista Arts. Só que não demorou muito para o crítico Truffaut realizar filmes memoráveis, como Fahrenheit 459, Quem atirou no pianista?, Jules e Jim, Os incompreendidos, entre outros.

Além de criador frustrado, o crítico pode ser acusado de cabeçudo demais, teórico que vive no mundo das nuvens refletindo sobre coisas que não levam a lugar algum. Daí que a gente tem aqueles bons e velhos exemplos de críticos como André Bazin, fundador da revista Cahiers du Cinéma, a maior revista de crítica de cinema do mundo, e aqui no Brasil temos o Paulo Emílio Salles Gomes, que contribui e muito para a formação de uma cultura cinematográfica brasileira. Eles não realizaram filmes, entretanto, não foram poucos os cineastas que se inspiraram neles - dá-lhe Nouvelle Vague na França e Cinema Novo no Brasil.

Mas por que o crítico tem uma imagem tão negativa? Arrisco uma resposta: há pouquíssimos críticos que valham a nomenclatura que lhes é auferida. A maioria dos "críticos" é formada por pseudo-críticos. Vamos a alguns dos procedimentos desse tipo de crítica.

Antes de tudo, a fama que o crítico tem de ser uma pessoa ranzinza advém dos pseudo-críticos. Eles acham O MÁXIMO sair desferindo os mais duros impropérios contra os filmes alheios. Por isso que certa vez o crítico Jairo Ferreira fez questão de esclarecer em um texto seu - "não estou sendo irônico nem maldoso, estou sendo crítico". Para Jairo, sarcasmo barato é uma coisa e a crítica é outra, o que não funciona tendo em vista a maioria dos críticos. O sarcasmo é uma forma de argumentação bastante atraente às vezes, entretanto, os idiotas se utilizam dele a esmo. Não gostou do filme? Então lá vem uma enxurrada de piadinhas que não se baseiam em nada além do pretenso humor "inteligente" do pseudo-crítico, e que têm como critério apenas o "gosto" ou "não gosto".

Na hora de elogiar, os pseudo-críticos são mais imbecis ainda. Eles não se sentem seguros o suficiente para exaltar um filme - afinal, pega mal pra caramba dizer que tal obra é um dos melhores filmes do ano, e depois conferir a opinião da galera da crítica e ver que está todo mundo metendo o sarrafo - então o pseudo-crítico dá um saque nos textos do pessoal primeiro, e seguindo a levada dos críticos renomados reproduz a opinião deles, ou até mesmo algumas palavras. Como se não bastasse, na hora de elogiar o filme não faltam análises vagas, repletas de adjetivos - já disse que adjetivo é a principal arma dos estúpidos? Então o cara não sabe porríssima nenhuma do que está falando e entope o texto de observações brilhantes como "a fotografia é belíssima", "a atuação é bastante convincente" ou "a trilha sonora é tocante". Tais opiniões só evidenciam uma coisa: o quanto o pseudo-crítico não sabe sobre estética do cinema e fica rodopiando em adjetivos que não falam coisa com coisa.

Agora, se "os críticos" têm essa má fama, a gente sabe muito bem de onde ela vem. Então muita gente fala que a crítica é inútil e que prefere ver o filme sem influência de ninguém. Só acho que a função da crítica não é dizer a verdade, mas tão somente prolongar o debate, e assim o filme dura mais do que aquele tempo que passamos na sala de projeção. Acredito que a crítica não serve para "ensinar" a interpretação mais aprofundada do filme, todavia nos chama atenção para certos aspectos, e nós até podemos ir além das palavras do crítico a partir do incentivo da discussão e, destarte, indentificarmos outros tantos aspectos numa obra cheia de possibilidades.

Vou contar até sete...

Depois de contar a um amigo o fato de ter me decepcionado com determinada pessoa, assim que ele se pôs, como sempre faz, a defender a tal pessoa, sua namorada fez uma intervenção inusitada.

- Cuidado com o que você defende.

Essa frase sintetizava em poucas palavras a indignação que ela tinha por ele costumar ser tão complacente com aqueles que se encontram no banco dos réus. Não faz muito tempo desde que uma amiga dele desabafou sobre algumas atitudes impensadas do seu noivo, e ele ressaltou, entre outros pontos, quantas coisas eles viveram juntos, coisas que não são para jogar fora assim do nada. Não deu outra: logo depois o noivo dela aprontou de novo.

Destarte, diferente de outras ocasiões, dessa vez meu caro amigo proferiu uma frase que me pareceu deveras sensata.

- Se uma pessoa lhe faz mal uma vez, a culpa é dela. Se duas, a culpada é você.

Ora ora, veja só! Mas é claro! Essa frase um tanto quanto anti-cristã ensina algo que tem todo sentido seja em relacionamentos amorosos ou com amizades também. Acredito que não se trata de se tornar uma pessoa rancorosa, não obstante significa entender que quando uma pessoa comete uma falha grave com você é hora de você deixá-la se foder. As pessoas cometem erros na vida, é fato. Entretanto, se essa pessoa errou comigo, eu não tenho a obrigação de aceitá-la ainda. Ela pode seguir em frente e ver a merda que fez. Parece que quando perdoamos certas atitudes, as pessoas perdem o respeito e se sentem no direito de fazerem o que bem entendem. Há relações que ficam completamente esvaziadas, sem confiança e repletas de mágoas que só fazem atravancar a nossa vida.

Por isso que, se quando eu era uma boa cristã eu defendia que devemos perdoar "setenta vezes sete", e, depois de um tapa, "oferecer a outra face", hoje acredito que devo contar até sete para a pessoa sumir da minha frente e, após "baterem na minha face", devo fazer a egípcia.

sábado, outubro 25, 2008

Somos tão jooovens, tão joooveeeens...

Bem, tomei café demais hoje à noite, tá foda conseguir dormir, então resolvi escrever pro blog, numa espécie de monólogo besta pra me distrair.

Hoje vi um filme que tinha uma adolescente em crise. De cara, o filme mostrava umas cenas de um povo de preto, fazendo cara de "muito doido", enquanto rolava aquele rock paulêra. Minha antipatia foi inevitável. Sabe por quê? Porque eu odeio adolescentes. Isso é um fato.

O pior é que a pirralha em questão fugiu de casa e foi se juntar a um grupinho de maloqueiros que se achavam os alternativos, mas não passavam de imbecis alienados. Irritação profunda. Sabe, eu tenho nojinho daqueles pirralhos que andam com trocentos piercings na cara pra "chocar a sociedade". Aqueles guris punks que batem ponto no shopping. Sabe aquele tipo de gente que adora Rage Against e acha que é mendigo em plena praça de alimentação do shopping? Pois é!

Enfim, mas pior do que os adolescentes é tudo aquilo dedicado a eles. Seja campanha anti-drogas (não tô dizendo pra todo mundo virar Amy Winehouse, mas é que não suporto aqueles professores de Redação que só pedem pros guris escreverem sobre o POLÊMICO tema das drogas), seja papinho de que mainha tem que explicar o que é sexo e como se coloca camisinha (alguém descobriu o que é sexo ou como se coloca a camisinha pela mãe? ou já sabia bem antes hãm?), seja filmes com garotas de torcida, jogadores de baseball e meninos feios de óculos... É por aí, toda essa coisa Malhação, Capricho e MTV. Mas será que o problema são os adolescentes de hoje em dia? Essa coisa toda "pós-moderna" ou sei lá o quê?! Sei não...

Adolescentes são tão insuportáveis que Jesus Cristo abafou essa parte da história pra não se queimar. Não tá na bíblia, pode conferir.

*Sobre a minha adolescência, prefiro não comentar...*

sexta-feira, outubro 24, 2008

Ah, eu posso até estar pensando com uns drinks a mais, mas... Isso pode parecer clichê! Mas que seja! Sabe, isso em outros momentos poderia me soar como um clichê, uma cantada barata, mas agora... Sei lá... É como se todas as cantadas vagabundas fossem de verdade. Eu penso: nunca senti isso por ninguém. O que é isso: Está certo que me apaixonei por algumas pessoas, amei outras... Só que eu nunca olhei pra alguém e tive a porra da certeza de que sempre admiriaria essa pessoa. Não sei se você vai entender, é meio complicado. Olho pra várias pessoas e vejos pessoas normais. Daí olho pra você e vejo alguém por quem eu seria capaz de passar a minha vida toda, mas ouça bem, eu disse A VIDA TODA apaixonada. Eu NUNCA senti isso por seu ninguém. Para mim é plenamente lógico e possível eu para sempre te amar, cara. É que você é a porra do meu tipo cagado e cuspido. O seu olhar... eu nunca vi coisa me deixar mais inquieta, mexer mais com minha alma, do que seu olhar... Você vira de lado, você se esbarra em alguma coisa- todo desastrado do jeito que você é- você mexe sua boca, tudo é muito bonito e atraente pra mim, exatamente do jeito que você é, eu te quero. E não adianta. Todos os caras parecem caras ordinários perto de você. Isso é amor platônico, mas eu casaria você... putz, essa sua energia muito boa...Esse seu sotaque tão gostoso... Esse seu jeito... Sabe o que é admirar alguém por essas coisas? Pois então: eu te admiro não por você ser o mais alguma coisa, mas porque você se preocupa, você balança o pezinho e é um charme, você usa sempre o mesmo tênis, o seu "porra", "meu" são as coisas mais lindas, a forma como você segura o queixo e olha de soslaio pra pensar "será, cara?"... você, sei lá. você é muito lindo, porra!

quarta-feira, outubro 22, 2008

Então ele posiciona as mãos de modo a formar um quadro através do qual ele me observa por trás de uma câmera imaginária. Situa-me no centro desse quadro. Dirige o olhar fixamente para os meus olhos, como uma espécie de voyeur contemplativo. É alguém que me espia, que está à espreita. O jogo entre o olhar do voyeur e aquele que está sendo observado, o objeto que se torna consciente da sua condição. Todo o lirismo da sedução e do desejo tendo como foco o olhar... Ao fim, tudo se torna pura imagem, e o olhar se confunde num ponto sem extensão entre o observador e o observado. O personagem que olha diretamente para a câmera. O espectador através da câmera. Cópula visual entre o que é visto e o sujeito do olhar, invertendo seus papéis ao infinito. Meus olhos resistem, eles perdem o foco, mesmo mantendo-se na mesma direção. Percebo que ele havia deslocado brevemente o olhar, para depois regressar a mim, mas seus olhos, assim como os meus, haviam perdido o foco. Nossos olhos, então, se separam, e eu sinto a quebra de um encanto; parecia que um filme havia terminado, e tinham acendido as luzes do cinema - cinema de nós dois. Os outros teriam notado aquele jogo de olhares? O jogo havia realmente acontecido?
Quando pequena, assisti a algumas novelas. Certamente, entre as cenas que mais me atraíam, estavam aquelas clássicas de mulheres a beira de um ataque de nervos jogando vasos na parede ou pratos no chão. Eu sempre sonhei em ter pratos disponíveis aqui em casa com o objetivo de atirá-los no chão, um a um, só para aliviar as tensões. Deve ser uma puta de uma terapia.

sábado, outubro 18, 2008

Ontem, quando estava na cozinha procurando alguma gororoba para jantar, encontrei um pacote de pães de forma contendo apenas algumas poucas unidades, então percebi que alguém havia rejeitado o primeiro pão e colocado depois de outro pão, e aí outra pessoa veio e fez a mesma coisa, e assim sucessivamente. O primeiro, igual ao último pão de forma, como vocês devem saber, é aquele menorzinho, chochinho, sem graça. Por isso tanta gente deixa pra lá.

O mesmo acontece com o primeiro biscoito. Quando as pessoas abrem o pacote com aquela fitinha vermelha que facilita o trabalho (ou não), geralmente a primeira bolacha fica lá na pequena parte acima da fitinha, esquecida, até um tanto quebrada. Pois quando eu abro o pacote, vou direto até o primeiro biscoito, repartido, vilipendiado, incompreendido e descartado, e o como enfim!

Daí que ontem comentei que todo mundo despreza o primeiro e o último pão de forma, assim como a primeira bolacha do pacote, mas eu não, eu gosto deles! Então meu irmão soltou essa pérola, enquanto eu passava margarina no primeiro pão de forma:

- É que você gosta de coisas rejeitadas.

Será?

PS: Preciso enfatizar aqui que a falta do acento circunflexo no pão de forma me incomoda profundamente, posto que me parece pão de forma, como boa forma, e não pão de fÔrma!

sexta-feira, outubro 17, 2008

I feel my luck could change

Uma coincidência muito estranha aconteceu. Um ano depois, dez anos depois. O que está por trás dessa magia dos números 1 e 10? Outubro, o mês. O passado parece entrar num eterno retorno... mas as narrativas são sempre distintas... e isso tudo, aonde é que vai dar?
Antigamente, quando alguém vinha jogar na minha cara os meus defeitos, eu me retraía toda e ficava triste e surpresa diante daquelas características que, na maioria das vezes, eu nem tinha reparado em mim. Hoje sinto que estou bem mais feliz com meus defeitos. Eles não me fazem sentir culpada, nem pior do que os outros. Sabe por quê? Porque agora estou mais segura das minhas virtudes. O dedo na cara não desmonta o que eu sou, mas tão somente apontam para o que eu já conheço e aprendi a lidar. Passei também a me divertir com minhas próprias mancadas, a mangar do tombo, com a classe e irreverência de quem aprende com os erros e não faz questão nenhuma de ser perfeita.
Descobri uma atividade muito legal: cozinhar. Isso mesmo. A vida toda eu sempre deixei queimar, coloquei sal demais, essas coisas. Hoje em dia encaro cozinhar como uma atividade catártica, e fico muito feliz quando faço uma comidinha de que as pessoas gostam.

Cozinhar exige cuidado, você tem que cortar os vegetais assim assado; requer atenção, pois você deve reparar direitinho para ver se está no ponto; cozinhar exige método também, pois os ingredientes precisam ser refogados numa ordem X; tudo também tem que ser feito com a maior delicadeza... é necessário ser preciso, sim, tudo na medida certa e com dedicação aos mínimos detalhes, porque são os mínimos detalhes que fazem a diferença entre duas tortas realizadas a partir da mesma receita. E tem que ter amor também. Aquela comida feita às pressas, com má vontade, de qualquer jeito, com certeza não terá o sabor daquela feita com carinho, atenção, cuidado, precisão e método.

Cozinhar é uma arte, meus caros.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Para Luiza

Oi...

Então, acho que houve um grande mal entendido entre a gente. Não sabia que o que eu disse ia te deixar tão magoada. Você falou como se eu quisesse lhe fazer algum mal, e disse que eu estava usando o que sabia sobre sua pessoa contra você. Quero que saiba que não foi essa minha intenção.

A verdade, Luiza, é que eu venho tentado me reaproximar de você, mas você sempre me afasta com tanta hostilidade. Não importa o que você vai achar do que estou dizendo, quais intenções vai atribuir a mim, todavia eu quero mesmo é falar que não sou seu inimigo e nem quero ser. Eu só não entendo muito bem essa sua mania de se auto-destruir, de se denegrir, você precisa se proteger de si mesma.

Não sei que demônios te afligem. Não sou nenhum deus pairando acima dos homens para te julgar. Só enfatizo aqui que não te vejo como uma estúpida, tola ou coisa parecida. Apenas, repito, não compreendo essa sua insegurança - ela é para mim um deslocamento. É uma coisa descabida em você, ela não era para estar aí. Você tem qualidades que ainda não descobriu, qualidades essas que me fazem te admirar pelo que você é.

Só acho que você precisa de mais coragem e força para lutar, pois reconheço em você um grande potencial, uma grande mulher. Não tente se esconder de mim, por favor. Digo, quem sou eu para lhe dizer o que deve fazer?

Fica bem, Luiza.

PS: desculpe por qualquer palavra insensata. Nem revisei o texto.
Ah, essa saudade que eu sinto
me afoga o peito sem razão
Se eu voltar pra você
vai ser porque eu não consegui te esquecer
mas juro que também não terei conseguido esquecer
meus motivos, e então
eu lhe digo
que de novo partirei
sem ter arrumado as malas
como quem vai embora, mas não tem casa - fugitiva
e para não voltar ao falso começo - onde não há saída
começo com ares de meio e incômodo de fim
resta assim a cada um de nós, a parte
ser nada além de apenas uma parte.

segunda-feira, outubro 13, 2008


O Brasil é o único país do mundo onde puta goza , cafetão sente ciúme , traficante é viciado e pobre é de direita.


Grande Tim Maia. Grande mesmo!

domingo, outubro 12, 2008

Filosofia de boteco

Em certos contextos, pensar demais faz mal à inteligência.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Vamos ver quem tem a vida mais fácil!

Canso de ouvir por aí dizerem que vida de mulher é muito fácil - afirmam categoricamente que é só chegar. Frisam que para a mulher bonita então, nossa, todo fim de semana haverá não sei quantos homens querendo sair com ela. Já os homens, coitados... Eles têm TANTO trabalho para conseguir qualquer coisa. Pobrezinhos. Agora vamos aos fatos.

Corrijam-me se eu estiver enganada, ou avisem-me caso eu seja lésbica, mas definitivamente existem MUITO mais mulheres bonitas do que homens bonitos. Não sei se isso ocorre devido ao efeito dos tratamentos de beleza... Mas o fato é que quando eu chego a uma festa, vejo trocentas mulheres bonitas e emperequetadas, e só uns pouquíssimos caras bonitos.

Começa daí né. Depois vem aquela lenga lenga segundo a qual homem é quem pega mulher, e mulher pega quem quiser, e só faz aguardar. RÁ-RÁ-RÁ! Até parece! Meus caros, é a mulher quem pega o homem, na grande maioria das vezes, e o faz acreditar que foi ele o grande conquistador da história. Homem é tão maria mole que não dá tiro no escuro nem a pau - a auto-estima dele vai até o fundo do poço depois de um fora, e mulher nenhuma vale isso tudo.

Aí já viu: a mulher tem que ir ao ataque, digo, demonstrar interesse para o garanhão se aproximar. Junte a isso o fato de ela estar no meio de não sei quantas mulheres bonitas. Nesse contexto, homem não precisa ser tão bonito, legal e inteligente para fazer o MAIOR sucesso. Basta ele ser "ajeitadinho", conversador e enrolar um pouco sobre diversos assuntos, para o cara ser desejado por muitas. Eu digo muitas MESMO. E se ele tiver carro então... as feministas que me desculpem (odeio machismo, mas me declarar feminista seria meio "cansativo", explico em outro post), não obstante, a observação empírica me fez concluir que a grande maioria das mulheres se interessa mais quando o cara tem carro.

Outra coisa: homem raramente baba ovo de mulher, faz isso quando está apaixonado ou quando quer comer alguma menina com juízo de 15 anos (ou que ele supõe que tenha juízo de 15 anos), já mulher... É uma rasgação de seda só. Mimimi pra cá, mimimi pra lá, mensagem, scrap, blá blá blá.

Por fim, recordo do comentário de uma amiga que diz que seu namorado bonitón, porém que nunca foi pegador, não tem noção da quantidade de mulheres com quem ele poderia ficar. Lembro também de uma prima que namorava um bonitón, e foram inúmeras as vezes em que ele veio me cumprimentar e, logo depois, alguma colega minha soltava um "quem é esse? bonitinho ele viu! e parece ser tão gente fina!", e daí eu tinha que cortar com um repetitivo "é namorado da minha prima, hehe". Então a gente percebe que mulher é um bicho besta, e que não é preciso fazer muito esforço para ser um cara desejado por muitas.

Homem não precisa ser muita coisa pra fazer sucesso: basta ser ajeitadinho. Possa crer que um cara bonitinho já arranca não sei quantos comentários entre miguxas quando passa. Quando um cara - não precisa ser muita coisa não, basta ser razoável - chega a um show, ele tem muitas, mas muitas possibilidades de ação, sendo apenas educadinho e um pouco esperto.

Em se tratando de feios, dizem as más línguas que a natureza não oferece refúgio. Pois eu vos digo que bastam algumas horinhas de academia para o feio virar "o fortinho", "gostosinho", mimimi. E tenho dito!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Back to black


Não consigo parar de ouvir a Amy Winehouse. Ao procurar informações sobre a cantora, só encontrei notícias referentes aos seus vícios e bafóns homéricos, claro. A celebridade mais escandalosa de toda a história da indústria cultural, a menina dos olhos dos paparazzi, a favorita do tablóide The Sun.
O mais extraordinário nisso tudo é a forma como Amy Winehouse é a própria encarnação do espetáculo: ela fala sobre seus vícios nas suas canções, e diz que não vai para uma clínica de reabilitação (They tried to make me go to rehab, but I said no, no, no!), conta que dormiu com ex (há boatos de que ela recorreu ao ex enquanto o marido estava na prisão), e ainda avisa: I told you, I was trouble, you know that I'm no good... Ela entoa que espera seu grande amor sair da cadeia no cover de Valerie, feito em dueto com Mark Ronson. Ela se deita no chão da cozinha, em um clipe, segurando um copo de whisky, sua bebida favorita, representando um porre de dor de cotovelo.

Amy Winehouse canta sobre sua própria vida para todo mundo ouvir... Ela não é só uma cantora: é um personagem de carne e osso. E parece que a sua grande glória será morrer jovem, o que ela demonstra pelo seu instinto irrefreável de auto-destruição. Tal paixão pela morte levou mulheres depressivas e de vozes poderosas, a exemplo de Billie Holiday e Janis Joplin, ídolos de Amy Winehouse, ao falecimento por overdose. Só que ela está tão entregue ao vício, em uma sociedade em que as imagens se multiplicam cada vez mais, quando a rapidez das informações permite uma cobertura detalhada de escândalo a escândalo, que sua partida não teria nenhum glamour: as imagens não são de uma cantora eternizada pela sacralidade da morte na juventude, mas sim fotografias de uma mulher decadente e desesperada. Seria isso tudo um grande show?

quarta-feira, outubro 08, 2008

- Eu gosto de Cinema.

- Sim, e você vai ser o quê, uma estrela????!!

- Não, meu sonho não é ser atriz de novela da Globo :)

- Então você quer fazer o quê?

- Filmes.

- HAHAHAHA. Mas aqui no Brasil?????

- =/
Como sonhadora incorrigível, tudo que não é amor sempre me pareceu muito pouco!
Aplica-se em mim
Como dor sutil de injeção de sangue
Um tédio agudo
Que me suga
Como sanguessugas
dispersas sobre minha carne
O gosto de viver a vida
E torna-me vampiro dos dias

Não sei se quero mais
Não vejo nenhuma saída
O desespero
Como um assomo do começo
Da partida

Não tenho dinheiro
Não há como ir a lugar algum
Preciso de emprego
Onde não haverá ideais
Só o senso pragmático
E o salário para as coisas banais

O que eu quero não cabe nesse lugar
Talvez nem seja do ofício dos homens
O que eu quero me consome
Como se eu não quisesse nada além de sonhar
Como se todas as minhas forças
E todos os meus pensamentos
Convergissem na intersecção
da realidade de todos os amores vãos

domingo, outubro 05, 2008

Orkut nas eleições

vc ainda não tem vereador. Aracaju precisa de um vereador com uma trajetória de vida marcada pela luta a favor das diferenças,um parlarmentar que viva a discrimenção e tenha coragem de combatê-la sem ódio; um legitimo defensor do respeito às diferenças. FULANO XXXXX

Boca de urna pelo orkut pode?

Café filosófico no MSN

Tati diz: as pessoas raramente sacaneiam as outras na cara de pau
[kLeBeR] diz: aham
Tati diz: geralmente elas botam um monte de explicações, ou desculpas, ou coisas veladas
[kLeBeR] diz: Isso se chama sociedade
[kLeBeR] diz: kkkkkkkk
Tati diz: éeeeeeeeeeeeeee
Tati diz: que é pra depois dizerem que não tinham más intenções
[kLeBeR] diz: issoooooooooo

sexta-feira, outubro 03, 2008

Estava conversando sobre as tais das pessoas "difíceis". Ouvi um pedido de conselho sobre telefonar ou não. Disse que devia.

- Ah, mulher, mas ele vai achar que eu tô na dele.

Respondo: e daí? Sim, e daí? Desde quando o fato de uma mulher não ligar para o cara, não demonstrar interesse, indica que ela é a bam bam bam? O mesmo para os homens.

Por trás dessa "gostosura" toda, desse cu doce, lenga lenga, existe muitas vezes uma BAITA de uma insegurança. É assim: eu não quero me dar mal nessa história, portanto, sou a pessoa difícil. E quantas vezes os mais seguros acreditam no próprio taco e investem sem medo de ser feliz?

Não foram poucas as pessoas "fáceis" que eu vi se dando bem, não mesmo. Homens que, num primeiro momento, diziam "eu não vou gostar de você, cuidado, eu sou maaaaaau", de repente apareciam babando pela guria "fácil", que corre atrás sem orgulho nenhum - só bastante auto-estima. Mulheres que faziam o cara de gato e sapato, depois se encantaram pelo bonzinho que dá atenção, amor e dengo dengo.

Gente que faz cu doce é que nem pudim da Casa Alemã: por mais que a gente queira comer, acaba enjoando e jogando o resto no lixo.

Aula da saudade

Segunda-feira eu fui à aula da saudade de uma grande amiga minha. Nunca tinha visto uma, e dessa vez houve certa insistência por parte dela em me fazer ir. Era também para eu ter uma aula da saudade, mas o fato é que esse semestre eu fui a única pessoa a se formar em Jornalismo, e seria impensável um evento desse só para mim, como também não quis colocar nome em placa, nem irei à colação de grau no Emes, aderindo àquela boa e velha colação no DAA. Dispenso todos esses rituais de passagem sem nenhum problema, enquanto algumas pessoas estranham bastante as minhas escolhas, como se eu não fosse uma pessoa “normal”. Muitos podem até imaginar que eu não gostei da universidade, mas a verdade é que eu gosto tanto que pretendo passar a vida inteira vinculada à academia.

Bom, mas voltemos à aula da saudade. Eu achei muito bacana meeesmo. Principalmente porque a turma em questão era muito unida, com alunos que eu acompanhei de perto e vi que eram companheiros de guerra em festas de arromba, congressos e movimento estudantil. No mais, adoro nostalgia, e essa aula tinha um clima propriamente nostálgico, claro, e as pessoas pareciam ter saudade de tudo: desde as crises com relação ao curso até as piadas de alunos e professores em plena sala de aula, como se tudo aquilo fizesse parte de um processo de amadurecimento. Algumas falas me pareceram melosas e forçadas como discurso de padre em casamento, enquanto outros eram sinceros agradecimentos a tudo o que a vida pode oferecer, e terminavam às vezes com uma lágrima tentando se esconder no cantinho do olho.

Lá na aula, os ex-alunos responderam a algumas perguntas sobre a universidade feitas pelas duas professoras mais queridas da Biologia. Agora vou responder a essas questões aqui, numa espécie aula da saudade particular kkk.

Qual foi a pior refeição feita no Resun?

Nossa, pergunta difícil essa, porque foram muitas. Eu detestava a comida daquele lugar, e chegou um momento em que realmente não dava para comer mais lá, quando parei de comer carne. Enfim, havia várias refeições que, assim que eu via no cardápio do dia, eu simplesmente dava as costas e ia comer em outro lugar, do tipo fígado, rabada e carne de porco, alimentos que eu não consumia nem na minha casa, imagina no Resun! Mas a pior refeição mesmo para mim foi uma que eu sequer fiz. Quando eu peguei o prato e vi que o salpicão de frango (uma das poucas refeições do Resun que eu gostava) tinha acabado, e o cara botou no meu prato uma porra de uma dobradinha...

Gente do céu, o que era aquilo?! Era muito, mas muito feio mesmo! Eu estava morrendo de fome, mas não consegui comer um pedacinho sequer de tanto nojo que eu tive. E eu nunca tinha comido dobradinha na vida. Lembrei também, assim que ergui o garfo para comer aquela porcaria de dobradinha do Resun, que um colega meu teve uma diarréia fuderosíssima num congresso em Salvador por causa de uma dobradinha que ele comeu na casa da sua avó. Fiquei imaginando então o que aconteceria comigo se eu comesse uma dobradinha do RESUN! Baixei o garfo, é óbvio! Jesus, apague a luz!

Qual foi o melhor congresso?

O melhor congresso em termos científicos para mim foi o Intercom em Natal, mas digamos que os eventos em que curti a “vibe” mesmo nem eram de Comunicação Social, mas foram uns encontros de História e Biologia que ocorreram aqui na UFS em 2005.

Qual foi a melhor festa?

As melhores, eu diria, aconteceram na república onde mora um pessoal da Biologia e uns agregados. Mas essas festas eram mais bacanas em outros tempos, ultimamente o povo só faz jogar truco! O pessoal tá ficando velho :~~

Quem foi sua grande companheira de UFS?

Ah, sem dúvida foi Ieda, minha amiga com quem divido assuntos nerds, noias, confidências, e um pouquinho de veneno também.

É isso... agora sabe qual é a coisa mais apaixonante daquela universidade? O ambiente decadente de universidade pública! O mato! Deitar nos banquinhos pra pegar o vento gostoso de junto das árvores logo depois do almoço! Ah, delícia! Bom, agora é só esperar a minha EMOCIONANTE colação de grau no DAA.

terça-feira, setembro 30, 2008

Se tem uma coisa que gosto num homem é um sorriso bonito. Gosto de dois tipos de sorriso num homem: os que têm o sorriso mais malicioso e fazem uma cara de sapeca, como também dos que parecem meninos bobos, que riem timidamente. Mas ô coisa marlinda é um homem com sorriso bonito!

domingo, setembro 28, 2008

You know I'm no good

I cheated myself
Like I knew I would
I told you I was troubled
You know that I'm no good

sexta-feira, setembro 26, 2008

Tédio com um T bem grande pra você

Voltei a ouvir Legião por esses dias. Lembrei de mim pequenina na casa de algum amigo da minha tia, quando ela ainda era adolescente, era fanática por Renato Russo, e andava com uns caras cabeludos e tatuados. Recordo que gostava muito das capas dos álbuns da Legião. Só que eu não gostava da Legião. Achei muito estranho o chororô da minha prima no dia do falecimento de Renato Russo, e até comentei que lamentava muito mais a morte dos Mamonas, para indignação da minha prima. Hoje em dia gosto de Legião, e ainda curto Mamonas sim! Comecei a ouvir a banda tarde, quando Legião tinha virado ou artigo de colecionador ou música nostálgica cantada por bandinhas pop em boites de patricinhas. Essa semana bateu a saudade.

And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going
*
E hoje em dia
Como é que se diz "eu te amo"?
*
Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui
*
Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...

E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance

Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos...

Vamos sair!Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos
Estão procurando emprego...
Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Vamos lá, tudo bem!
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia

Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas
Possam se encontrar...
*
Moramos na cidade, também o presidente
E todos vão fingindo viver decentemente
Só que eu não pretendo ser tão decadente não

Tédio com um T bem grande pra você

Andar a pé na chuva, às vezes eu me amarro
Não tenho gasolina, também não tenho carro
Também não tenho nada de interessante pra fazer

Tédio com um T bem grande pra você

Se eu não faço nada, não fico satisfeito
Eu durmo o dia inteiro e aí não é direito
Porque quando escurece, só estou a fim de aprontar
Tédio com um T bem grande pra você

quinta-feira, setembro 25, 2008

Malditas eleições

Como é que permitem essas porcarias de carros de som de políticos espalhando idiotices pelas ruas? Ô negócio insuportável!!! Minha melhor amiga disse que a gatinha dela corre quando passa o carro de som... e por falar nessa minha amiga, várias são as vezes em que a gente tem que interromper a conversa graças a esses carros malditos. E é um tal de Deixa o homem trabalhar, e depois Não trabalha porque não quer, óooi, vige! Pelo amor de deus, proíbam isso!!!

Peçam voto baixo, cidadão não é surdo!