segunda-feira, setembro 22, 2008

A palavra (1955), Carl Theodor Dreyer


A palavra, do diretor dinamarquês Carl Theodor Dreyer, é, antes de tudo, um filme sobre a linguagem, como o próprio nome indica. Essa palavra que é o que nos torna humanos, pela nossa capacidade de criar símbolos, essa palavra que parece querer tomar conta do mundo e desvendá-lo, essa palavra que pode trazer diversos desentendimentos.

O filme apresenta um homem, Johannes Borgen, que passa a acreditar que é Jesus de Nazaré depois de se debruçar sobre a obra do filósofo e teólogo dinamarquês Soren Kierkegaard, para angústia do seu pai, Merton Borgen, que desejava que o filho se dedicasse à vida religiosa, e via nele o talento para tal devido às suas feições que lembravam Jesus, como também a sua voz de profeta.
Algo que se cristaliza no filme é a rigidez dos valores religiosos das duas famílias presentes no filme, e ainda a violência provocada através das aspirações que uns familiares infligem sobre outros do mesmo sangue. Essa violência é produzida por Merton, o chefe da família, em dois momentos: quando ele impõe que Johannes seja pastor, e o filho termina por perder a razão, e quando Merton pede para sua nora Inger lhe dar um neto homem, e, por fim, o filho dela nasce homem, porém morto.

Entretanto, o que se revela muito forte no filme, mais do que relação entre diversas gerações, é a contradição entre razão e misticismo. Logo na primeira seqüência, Johannes sobe no monte junto à sua casa e esbraveja contra todos aqueles que não crêem que ele é o Filho de Deus. Durante o filme, em diversos momentos ele surge perambulando pelos cômodos da casa, proferindo palavras em tom bíblico: “Vocês crêem no Cristo morto, mas não crêem em mim”, brada. Assim como Jesus, que foi renegado por muitos daqueles que aguardavam a vinda do Salvador, Johannes também enfrenta a incredulidade dos crentes. A morte santifica – e Johannes vivo, de carne e osso, não convence os cristãos, que o chamam de louco.

Johannes perde a razão através da própria razão – ele assume a postura de um esquizofrênico pelo caminho da filosofia – irracionalidade e racionalidade se mostram aí como duas faces de uma mesma moeda. E o misticismo, o irracional, o religioso, e a razão e a ciência são apresentados como faces de uma mesma moeda no filme de Dreyer: tanto a ciência quanto a religião são vontades irrefreáveis de compreender a totalidade do universo, de encontrar finalmente a Verdade.

Destarte, com a mesma maestria de Umberto Eco no livro O nome da rosa, Dreyer tece uma reflexão sobre o eterno dilema dos homens diante da linguagem, a procura pela verdade, pela intersecção entre linguagem e realidade. Se na obra de Umberto Eco uma biblioteca medieval guarda às sete chaves os livros sagrados, a verdade escrita por Deus, e nela acontecem diversos assassinatos em virtude de um livro proibido, no filme de Dreyer a luta a respeito da Verdade acontece quando a fé de Merton vai de encontro à fé de Peter. Tanto Merton quanto Peter são cristãos, mas, mesmo guiados pela palavra do mesmo Deus, eles divergem, e Peter não permite que sua filha Anne se case com o filho de Merton, Anders, por eles serem de religiões diferentes.

O conflito entre Merton e Peter assume maiores proporções quando o primeiro vai à casa do segundo com o objetivo de pedir permissão para que seu filho Anders se case com Anne. Depois de eles se digladiarem ao tratar sobre a legitimidade de sua fé, Merton recebe um telefonema informando que sua nora Inger está adoentada em pleno trabalho de parto. Peter, tomado pelo ardor das discussões com Merton, afirma que tal fato era um castigo para guiar Merton no caminho do verdadeiro Deus.

A Morte, assim, aparece como um elemento que perturba os personagens na sua relação com o mundo. A Morte põe em cheque a fé e a existência. Para Wittgenstein, em seu Tratactus Logico-Philosophicus, caso compreendamos a eternidade como duração atemporal, “vive eternamente quem vive no presente”. Essa fala desloca o sentido de uma vida após a morte para negligenciar a continuidade do tempo e a própria morte. No filme, a Morte surge como representação do Místico, daquilo sobre o qual não podemos falar, e o que nos causa estupefação. Na noite em que Inger agoniza com as dores do parto, Johannes anuncia que ela morrerá, mas que ele se encarregará de ressuscitá-la.

Da mesma maneira que Jesus Cristo fez ao ressuscitar o falecido Lázaro, Johannes pretende provar que é Deus superando a Morte. Não obstante, ninguém acredita que ele fará tal milagre, exceto a pequena Mareen, uma das filhas de Inger, e Johannes, assim como Jesus, afirma que as criancinhas são maiores no reino dos céus.

Na cena em que ele fala à Mareen que sua mãe morrerá, como em outros diálogos do filme, Dreyer coloca a câmera de forma a auscultar os personagens rondando em torno deles. Nesta obra, o diretor opta pelos movimentos de câmera em lugar do jogo de campo/contracampo, como presente em outro filme seu, A paixão de Joana D’arc (1928), em que ele havia explorado o plongée e contre-plongée para contrapor o sentimento de superioridade dos inquisidores e a humilhação de Joana D’arc. Em A palavra, Dreyer pouco se utiliza do campo/contracampo e, em lugar desse recurso, usa travellings para apresentar diálogos entre os personagens. Através dos travellings, a câmera se movimenta como se estivesse à espreita – ela investiga a cena e se move junto com ela.

O filme faz ver o invisível, quando enfatiza o movimento das roupas no varal provocado pelo vento, e ressalta a passagem do tempo através do tic-tac do relógio da sala dos Borgen, barulho que fica ainda mais evidente nas seqüências em que os personagens se afligem na sala da casa da família diante da iminência da morte de Inger.
Após minutos de muita angústia dos familiares, o médico sai do quarto com ar de missão cumprida. O pastor chega à casa dos Borgen e há um momento em que ficam lado a lado o pastor e o médico, a religião e a ciência. O médico questiona sobre o que havia salvado Inger, se sua competência ou as orações de Merton, e este último elogia o poder da fé. O pastor, crédulo e incrédulo, parabeniza a atuação do médico e, sobre a existência de milagres, afirma: as leis naturais são leis de Deus, e Deus não contrariaria as suas próprias leis. O médico questiona:

– Mas e os milagres de Cristo?

– Os milagres de Jesus aconteceram em contextos particulares.

Não havia mais milagres. Não havia mais milagres por quê o homem agora tinha um novo deus, a ciência? A ciência assegura que há leis naturais. A filosofia chega a questionar essas leis aparentemente inquestionáveis. Segundo Wittgenstein em seu Tratactus, “que o sol nascerá amanhã não é uma certeza concreta, mas uma necessidade lógica”. O fato de o sol nascer todos os dias não infere que ele não possa simplesmente deixar de aparecer amanhã. Wittgenstein, dessa forma, aponta os limites da linguagem. Para o filósofo, o que está além da linguagem é o Místico. E a Morte é o elemento místico do filme. Johannes desafia as leis naturais.

Logo após a saída do médico, Johannes afirma que Inger está morta. Ele aponta para uma luz que adentra a sala. Anders explica que se tratava da luz do farol do carro do médico que estava partindo. Johannes se espanta e afirma que um determinado barulho era a morte chegando para Inger. Anders informa que, em verdade, era o carro do médico dando partida. Destarte, o encanto diante do mistério e o desencanto através de explicações racionais se contrapõem na cena. Por fim, Mikkel, o marido ateu de Inger, sai do quarto e dá a notícia da morte dela.

Após o falecimento de Inger, Johannes foge de casa. A sua morte traz a união entre Anne e Anders, pois Peter se arrepende de ter desejado o falecimento de Inger como forma de provar a Merton a verdade do seu Deus. Mais tarde, Johannes retorna para casa, justamente no velório de Inger.

Admirados com sua volta, seus familiares se mostram esperançosos de que ele esteja curado. No entanto, ele afirma que irá ressuscitar Inger. Johannes chegara logo após Merton dizer que o corpo de Inger será enterrado, para revolta de Mikkel, que grita “eu também amava o corpo dela!”. O corpo, esse lugar profano, impregnado de vida, ele é prova da existência.

Johannes, então, ressuscita Inger. Como o Deus que se fez corpo, que trouxe Lázaro de volta à vida, e que ressuscitou no terceiro dia após sua morte, Johannes também desafia a Morte e a transcende. Não seria a Morte o grande mistério da vida? Johannes ressuscita Inger através da palavra. É quando o filme aponta a palavra e a vontade de objetivação, o tornar-se realidade a partir da linguagem. Assim como o Deus que criou o mundo a partir das palavras - faça-se a luz- Johannes traz Inger de volta à vida através da palavra. Após levantar-se, Inger abraça seu marido e o beija ardentemente. O corpo em contato com outro corpo, o corpo como certeza da vida, a vida havia superado a morte.

O filme de Dreyer não termina por defender a fé contra a razão. O diretor antes faz um elogio ao Místico, àquilo sobre o que não podemos falar. Dreyer coloca em cheque o poder da linguagem, a pretensão do homem de conhecer e domar o mundo. Um "louco" prova a sua verdade aos incrédulos contra os quais havia bradado na cena inicial do filme. A história desafia as leis naturais – uma morta é ressuscitada! - e o espectador cai na estupefação diante daquilo que não consegue explicar.
Por Tatiana Hora

domingo, setembro 21, 2008

I can't live... if living is without you...


Por mais que um cara pareça muito apaixonado fazendo uma declaração de amor, eu não acreditaria se ele mostrasse o quanto me ama cantando uma música da Mariah Carey.

Oi, ele não é hetero.

Duas qualidades invejáveis numa pessoa

- Não falar quase nada da vida pessoal. Sabe aquela pessoa com quem você anda há séculos, e você de repente descobre por acaso que o pai dela morreu há dez anos? Pois é. Conversas sobre dominó, animais de estimação, cidades bonitas, essas coisas, tudo menos falar sobre o relacionamento com o namorado.

- Ser indiferente. Explico: existem pessoas que não opinam muito sobre os outros, simplesmente contam uma piada, dão bom dia, e seguem em frente. Elas têm umas poquíssimas pessoas guardadas no coração, e sobre as outras não têm muito a dizer além de um "para mim, nem fede, nem cheira". Acho ótimo.

sábado, setembro 20, 2008

Beleza. Então eu leio no jornal que vai rolar Beto Barbosa na Colosseo, e aquele velho esquema de boite de patricinha pá, oeee 200 primeiras mulheres entrada free oeee. Aproveito e chamo uma colega minha que estava aflita para torrar a fortuna que havia conquistado depois de dar aula a um pirralho (50 contos), e ela fica toda animadinha para ir comigo ao show brega no meio da high society.

Ok. Eu me empolgo toda, passo o dia inteiro ouvindo as músicas do meu ídolo de infância, aguento um monte de piadas do povo do msn (que viu o que eu estava ouvindo, e veio comentar "hahaha você tá ouvindo Beto Barbosa, Tati!!!"), enfim, eu me requebro na frente do espelho, ouço minha mãe dizer não-sei-quantas-mil-vezes "Ô Tatiana, eu não sabia que você era tão brega", canto "dance e balance e vem!" no banheiro, me arrumo toda e pá, e lá vamos nós, eu e minha amiguinha. Enfim, saí do meu universo de parque da Sementeira, all star, bandas de rock, shows da Plástico ou Coverama. Não por muito tempo.

Minha amiga e eu, duas fudidas, compramos um vinho Dom Bosco numa loja de conveniência, porque, afinal, o consumo dentro daquela boite devia ser caro pra caralho, e a gente não tem carro, e ainda ia ter que pagar uma porra de um taxi, etc e tal. Em suma, somos quebradas.

Depois de pegar muita pilha tomando vinho, enfim nos dirigimos à boite Colosseo. Não havia tanta gente assim na porta, era para haver muito mais, afinal, era O REI DA LAMBADA que ia dar um show naquela noite. Daí minha amiga teve uma brilhante constatação.

- Ô Tati, será que esse show é de graça mesmo?

- É sim po.

- Mas tem tão pouca gente...

- Ah velho, tá bom, vou perguntar ao carinha na porta.

Lá vou eu né...

- Ô moço, hoje o show é de graça né?

- De graça? Bem, eu não sei não. Deixa eu chamar o rapaz ali.

E eis que surge o rapaz, um cara bem grande e com cara de muito atarefado na noite.

- Moço, hoje o show é de graça né?

- Q! Não, hoje não tem isso não.

:S - E quanto é?

- 20.

COMO ASSIM? VINTE REAIS???? O pior é que o cara foi bem grosseiro, e respondeu como se minha colega e eu quiséssemos enganar o segurança dizendo que o show era de graça. Eu nem argumentei que tinha visto no jornal, e blá blá blá, mas fiquei muito puta da vida. Daí minha colega...

- Po Tati, não vamos embora agora, velho! Vai ficar muito na cara que a gente não vai entrar porque não quer pagar os vinte contos!

- O quê? E eu não tenho orgulho, não, minha filha. Não pago mesmo vinte contos por essa porra, e digo mais: nada de enrolar aqui pra disfarçar, e vamos embora logo porque já são onze e meia e o buzu só roda até meia-noite!

E assim termina a triste história de uma menina que esperava dançar lambada a noite inteira, e volta para casa antes da meia-noite, e aguenta gozação da mãe quando chega em casa. Como podem brincar desse jeito com o sonho de uma ex-criança de cinco anos?
Vou tentar não pensar nisso, mas, assim que te vi, eu sabia desde muito antes que você seria perfeito pra mim.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Balance no A, no B, no C, balance com BB


Ve-lho, hoje vai rolar Beto Barbosa, um dos maiores ícones da lambada, meu ídolo de infância, lá na boite de paty, a Colosseo.

Nada como realizar um sonho de infância, eu, que no AUGE dos meus cinco anos adorava o ritmo "adocica, meu amor, adocica... adocica, meu amor, a minha vidaaaa". Mas eu vou é BEM LINDA, foi mal aê galera cult. Eu não preciso que Caetano diga que Beto Barbosa é bom pra achar digno ir ao show dele (será que ele já disse isso? o.O). Enfim, BEIJOS.

Lições do dia a dia

Umas das melhores qualidades que um homem pode ter é não ter ex-namorada. Além de ficar deslumbrado com você, ele não tem conversinha de trauma nem qualquer antipática querendo aparecer às suas custas. 100 pontos.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Marcos

Um dia a cidade lhe pareceu muito desinteressante. As mesmas caras, as mesmas ruas, a cidade tomava a forma de um não-lugar. Cada baforada dos carros, cada horizonte que se estreitava à sua vista, cada dia em que preferia deitar-se a ver algo de novo... tudo isso era um sintoma de que deveria partir. Só se sentia bem perto do mar, pois o mar era a parte mais bela da cidade, e onde se sentia perdido dentro da própria casa.

O que mais o inquietava era a impressão de que já havia conhecido todas as mulheres que poderiam interessá-lo, que não eram muitas. Gostava da experiência, da aventura de encontrar uma nova pessoa na sua vida. O que para muitas mulheres significava a sua falta de comprometimento, para ele era a busca por saber um pouco mais sobre aquela alma e aquele corpo. Uma mulher caminhando na rua não era apenas uma mulher caminhando na rua - ela guardava muitos segredos e desventuras.

Agora andava pelos lugares e pensava, com um leve assomo de tédio, que as mulheres daquela cidade eram muito desinteressantes. Imaginava que seu grande amor não estaria ali, mas deveria se encontrar em alguma esquina desse mundo imenso. Porque, por mais que adorasse a efemeridade de alguns encontros, todas as mulheres com quem havia estado lhe suscitavam a vontade de que fosse ela a mulher com quem ele dividisse tudo o que ele era. Compartilharia uma rede, uma viagem para a Tailândia, compartilharia até a dor de um câncer, se fosse preciso. Ah! Mas não era Ela! Pois por mais que pudesse beijar todas as mulheres de uma festa, sabia que nenhuma delas diria o quanto gosta do pequeno sinal que ele tinha na maçã esquerda do rosto.

Então, se não havia mais ninguém interessante, estava na hora de viver uma aventura em outro lugar. E uma exigência sua era que esse outro lugar tivesse mar ou montanha. Pois o mar e a montanha lhe provocavam uma ascese.

Não acreditava no destino, e por isso tinha vontade de atravessar todos os espaços para lutar contra o acaso e construir um destino com as próprias mãos. Refletia sobre as contingências do mundo, e, a partir do que havia observado na sua mãe, que sempre se conteve diante da grandeza do mundo na pequenez da sua casa, ele desejava ampliar o seu universo e maximizar as possibilidades.

A vida era um jogo, ele tinha que ser um bom jogador. E o bom jogador é, acima de tudo, aquele que é ambicioso e arrisca. O mundo nunca tinha o mesmo tamanho de uma pessoa para outra. O mundo de cada um, pensava, tinha o tamanho inversamente proporcional ao do seu medo.

Cada palmeira na estrada
Tem uma moça recostada
Uma é minha namorada
E essa estrada vai dar no mar
Cada palma enluarada
Tem que estar quieta, parada
Qualquer canção, quase nada
Vai fazer o sol levantar
Vai fazer o dia nascer
Namorando a madrugada
Eu e minha namora - da
Vamos andando na estrada
Que vai dar no avarandado do amanhecer
No avarandado do amanhecer
No avarandado do amanhecer
Caetano Veloso

terça-feira, setembro 16, 2008

Andreza

Um belo dia, Andreza, de repente, foi embora. Eu sempre soube dos seus ímpetos de partir, tinha plena consciência de que ela estava distante. O que mais me angustiava nisso tudo era o fato de, sempre que ela fazia as malas, eu descobrir uma paixão irrefreável por ela. Cheirava o seu cheiro e beijava a sua boca em plena fronha no meu travesseiro, ao passo que, assim que ela retornava, o seu sabor me era amargo e o seu semblante era recoberto por uma névoa de tédio. Eu só queria Andreza quando ela não podia ser minha. Era um fato.

Mas o que me atraía em Andreza? Talvez a intensidade, a intuição em lugar de inteligência, a genialidade presente em sua falta de método. Às vezes me sentia pequeno perto dela. Pequeno não no sentido de inferior, mas como se ela fosse me abocanhar a qualquer momento, tamanha era a sua vivacidade.

O que falta em Andreza é o rigor de uma boa mãe e a segurança do conforto de um lar. Pois com ela, eu nunca me sentia em casa, mas num trailer ou pedindo carona na estrada. E aquilo me fazia querer viver com ela aventuras e mais aventuras, sem nunca embarcar de vez na sua viagem louca.

Ah, mas eu não quero perder Andreza de jeito nenhum! E todos os seus retornos, ao mesmo tempo em que me fazem desvalorizá-la por acabar me dando conta de que suas idas sempre terão voltas, eles enchem-me de tesão pela euforia compulsiva da briga e da reconciliação. Como um amante das aventuras, mas falso aventureiro contido pela rotina, eu me embriagava com Andreza e me extasiava com nossa novela mexicana. Acendo um charuto.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Eu sei que postar letra de música é coisa de guria, mas me identifiquei muito com essa música do Coldplay #)

Look at earth from outer space
Everyone must find a place
Give me time and give me space
Give me real, don't give me fake

Give me strength, reserve control
Give me heart and give me soul
Give time give us a kiss
Tell me your own politic

And open up your eyes
Open up your eyes

Give me one, 'cause one is best
In confusion, confidence
Give me peace of mind and trust
Don't forget the rest of us

Give me strength, reserve control
Give me heart and give me soul
Wounds that heal and cracks that fix
Tell me your own politic

And open up your eyes
Just open up your eyes

But give me love over, love over, love over this, I ...
And give me love over, love over, love over this, I ...

Laura

De uma forma ou de outra, eu sentia que poderia possuir Laura por inteiro. Tinha plena consciência que faltava-me apenas uma aproximação. Laura não tomaria o primeiro passo, não se arriscaria a tanto. Para ela tudo estava como estava e nada mais. Não havia incômodo algum em sua situação.

Suas palavras costumavam ser muito obtusas. Ela não queria deixar claro o que sentia ou pensava. Também escondia qualquer ciúme ou sinal de afeto. A verdade estava nas ações, então se não dissesse ou demonstrasse afeto, ele simplesmente não existiria.

Laura fazia-se de aventureira incorrigível. Todas as suas experiências mais sólidas com outras pessoas se mostravam vazias em seus relatos. Como se tudo não fosse nada além de um equívoco. Nas suas histórias havia, muito mais do que desabafos, uma maneira sutil de me afastar. Era como se me avisasse do meu futuro, caso quisesse um contato mais próximo. A dureza como observava a falha de outras pessoas era a mesma dureza como me prevenia de que jamais me amaria.

Eu não queria Laura. Nela eu via o projeto não realizado, tudo que poderia ser, mas não é. Até porque alguma coisa faltava em Laura. Meu sentimento por ela se mantinha suspenso, havia até alguma vontade de concretizá-lo. Entretanto, logo percebia que não era Laura quem eu queria, era o que Laura não almejava ser. Eu desejava o que Laura seria sem tanta hostilidade nas palavras, sem tanta frieza na postura, sem tanto fingir que não se importava.

Sentia-a se afastando de mim cada vez mais. Perdia-a aos poucos, e era uma pequena dor sempre que percebia um pouco dela dando adeus. Sabia que, muito provavelmente, poderia detê-la, mas faltava-me ânimo e coragem para impedi-la de ir embora. Lamentava a partida dela num impulso de ausência, num suspiro. Apenas a deixava partir, e não queria e nem me atreveria a conquistá-la. Ela era para mim uma ameaça.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Não dá mais pra ficar em Aracaju. Sei que essa cidade é muito pequena para o que eu quero.

Quero ir embora daqui o quanto antes.

quinta-feira, setembro 11, 2008

11 de setembro


Quando olhei a data de hoje, tomei um susto: né que é 11 de setembro? Então veio aquela velha pergunta: será que alguém vai realizar um ataque terrorista para celebrar a derrubada do World Trade Center?


Deve haver muita gente fazendo planos infalíveis para essa data. Ou não. Afinal, nessa época os EUA ficam armados até os dentes (ainda mais malucos do que de costume). Incrível como o espetáculo em volta da guerra mexe com a nossa cabeça. Quando penso em ataque terrorista, logo imagino algum mulçumano fantasiado de homem-bomba.

Do lado de cá, eu não comemoro o fato de o Brasil não viver em guerra, como faz minha avó. Seria redundante dizer que o Brasil vive suas guerras. Voltando ao assunto, lembro-me como hoje do meu 11 de setembro.

Não foi um dia que me trouxe comemorações ou lágrimas, apenas o olhar de "putz, para onde esse mundo vai ein?". Recordo o instante em que assisti pela televisão a visão espetacular do avião indo de encontro ao World Trade Center. Parecia coisa de filme, daqueles filmes que os americanos fazem porque vivem se cagando de medo de verem seu império ser demolido.

No dia seguinte, tive aula de história na escola. Meu professor, que vivia esbravejando sobre o quanto os EUA eram malditos na corrida para o Oeste e nas guerras no Oriente Médio, apareceu vestindo uma camisa com a imagem de uma das torres gêmeas sendo aniquilada por um avião, tendo logo abaixo da foto o seguinte dizer: "Isso é só o começo..."

Para mim, como disse antes, tal acontecimento não representa nem tristeza nem alegria. Só desapontamento. O ataque às torres gêmeas significa para mim, principalmente, uma grande bofetada nessa bobagem toda de pós-modernidade, de fim da geografia e fim da história, de soterramento das fronteiras espaço-temporais e blá blá blá.

Como se agora, porque pessoas de diferentes países podem conversar pelo ciberespaço, todo mundo fala a mesma língua, como se, porque tem coca-cola em qualquer lugar, as culturas serão unificadas. Daí, quando a gente vê um evento como esse do World Trade Center, percebemos que, se por um lado a globalização une, ela também desune, na medida em que provoca resistências ainda mais violentas de determinadas culturas que são dominadas por outras.

No mais, a globalização através dos meios de comunicação de massa nos proporciona essa experiência de assistir à guerra, de compartilhar o medo com o mundo todo, de ver imagens semelhantes, num universo em que a gente às vezes não sabe ao certo se está vendo o noticiário ou um filme.
Sobre a busca pela captura de Osama Bin Laden, a porta-voz da Casa Branca, Dona Perino, afirmou ontem:

- Há limitações humanas. Isso não é como nos filmes. Não temos super-poderes.




Big bang?


Fiquei sabendo de uma experiência que pretende comprovar a veracidade da teoria do Big Bang. Alguns estão apavorados com a possibilidade de se formar um buraco negro que dará fim ao planeta Terra devido à brincadeira dos cientistas com as tais partículas.

Engraçado o sensacionalismo que a imprensa adora fazer com os experimentos e as descobertas da ciência. Jornalistas praticamente fazem ficção científica em suas reportagens. Mas é claro: os homens se assustam com o poder da ciência e fazem questionamentos éticos que consistem basicamente em perguntar se, afinal, devemos ou não nos transformar em deuses.

De um lado os que acreditam na ciência, do outro os que têm fé em Deus. Duas crenças, e eu não defendo nenhuma. Para mim é uma grande bobagem essa história de que o homem é super poderoso, assim como não entendo porque deveria haver Deus se as coisas são o que são, e o mundo apenas está.

De uma forma ou de outra, não vejo nessa experiência uma grande ameaça. Afinal, dizem que se fôssemos sugados por um buraco negro não iríamos nem perceber, pois o mundo acabaria num piscar de olhos. Não vejo razão em temer algo que não traz sofrimento. Seria o fim e ponto final.

terça-feira, setembro 09, 2008

A mesma correspondência em dois tempos, presente e passado, de dentro e de fora, são duas correspondências.

Antes de ontem li e-mails de um antigo caso. Tantas coisas que passaram despercebidas por mim, agora se revelavam, para meu espanto. Não sei qual das duas perspectivas, a de dentro das emoções do prensente, ou a de fora, que contempla o passado distante através de um olhar racional, é a verdadeira.

Sei que uma coisa parece-me certa: lendo aquelas palavras no atual momento pude perceber fraquezas e inseguranças em quem antes sempre me pareceu tão impávido diante dos acontecimentos.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Durante a viagem de buzu eu pensava bastante sobre o quanto eu irei viajar bastanto arrumar um emprego com um mísero salário de jornalista que seja.

Com um mundo tão grande desse, eu vou ficar parada num lugar só? nAonde!

Jeito bocó de ser

Uma vez eu entrei na comunidade "Somos blasé". Era moderada, e adivinha o que aconteceu? Não fui aceita.

De fato. De onde diabos eu tirei a idéia de que sou blasé, minha gente??? Uma pessoa que quando ri, sempre aparece alguém pra dizer com espanto "mas o que foi isso??? que risada é essa, menina???"; um ser que vive fazendo piadinhas sem graça; alguém que passa a vida mangando de si mesma e dos outros...

Eu até queria ser misteriosa, uma mulher fatal, mas não consigo :(

domingo, setembro 07, 2008

Estive na última semana em Natal para apresentar um artigo no Intercom (e farrear um pouquinho, porque ninguém é de ferro hehehe). Daí, como pessoa observadora que sou, fiquei reparando na postura, nos hábitos desses seres estranhos que são os pesquisadores.

Algo que me chamou a atenção foi a diferença gritante entre as discussões realizadas no congresso de iniciação científica, o Intercom Júnior, e os debates nos núcleos de pesquisa, que abarcam de mestrandos pra cima.

Primeiramente, é incômoda a maneira como o núcleo de semiótica discute. Explico: a elite intelectual da PUC e da USP se reúne numa sala e fica falando um lero lero para só eles entenderem. Houve uma apresentação em que eu não entendia absolutamente nada do que a congressista falava, mas compreendia o texto dela, que estava em grande parte nos slides. Uma fala que seria para simplificar e sintetizar, só complicava. Depois de duas palestras seguidas em que eu entendia muito pouco do que os especialistas falavam, eu comecei a entender o porquê de a moça da organização, que pedia para assinar a lista de inscritos na porta da sala, ter olhado para mim bastante surpresa com o meu interesse em ver as discussões sobre semiótica.

- Olha, aqui é o núcleo de semiótica - disse como quem pergunta "mas você, assim tão novinha, realmente quer participar?".

Fui embora do núcleo. Eles, que são semioticistas, que se entendam. Talvez não por pedantismo ou coisa do tipo, mas porque realmente é muito difícil falar de conceitos tão complexos em apenas 20 minutos no máximo.

Em outros NPs as discussões foram bem compreensíveis, ao contrário do NP de Semiótica. Os NPs de Audiovisual e de Teoria da Comunicação trouxeram discussões bem interessantes. Agora, uma coisa os diversos NPs têm em comum: o fato de os pesquisadores se digladiarem no congresso.

Diferente do que ocorre no Intercom Júnior, onde os estudantes só intervêm para demonstrar interesse pelo trabalho do outro, os NPs são verdadeiros campos de luta. Não sei até que ponto certos debates são embates teóricos ou de egos. Sei que você chega lá e vê um doutor apresentar a sua tese em 15 minutos, e depois aparece não sei quem para dizer que o conceito que ele utilizou é "vago", ou Fulana falar sobre sua dissertação em andamento e Cicrano dizer que, ao contrário do que ela afirma, o cineasta X é realista e recomenda um livro tal. Aí depois a Fulana diz que se ele ler a edição tal de uma determinada revista de crítica de cinema, ele vai ver que o tal cineasta declarou em entrevista que está muito equivocado quem diz que ele é realista. E etc etc etc.

Apesar do embate de teorias (ou egos, quem sabe) ser meio hostil às vezes, é até divertido ver o povo debatendo. É que no Intercom Júnior muito pouca gente se interessa por discutir o que um estudante fala. Fica aquele olhar compreensivo, aquela coisa "mas que bonitinho o Fulaninho ali apresentando". Já no NP, se por um lado há muita vaidade intelectual, por outro há mais questionamento, mais crítica, e crítica, quando feita de maneira saudável, é uma coisa essencial em pesquisa. Mas, ao que parece, nos próximos anos o Intercom vai misturar os pesquisadores dos mais diversos níveis. Não sei se é uma boa. Vamos ver se os estudantes terão de exercitar mais o lado crítico e os especialistas sairão da torre de marfim, ou se os estudantes serão escrachados, ou as duas coisas.

segunda-feira, setembro 01, 2008


UFRN, se prepare, que eu tô chegando!!!

ieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!

sábado, agosto 30, 2008

Então eu vejo no MSN hoje: Michael Jackson jovem aos 50 anos.

JOVEM????

Para mim o cara é um doente, porque só uma pessoa muito doente mesmo para mudar de cor, só sendo bizarramente racista e imbecil. Eu vejo é um cara feio para caralho, cheio de plásticas, um boneco tosco. Um cara que era bonito que só faz uma merda dessa...

quinta-feira, agosto 28, 2008

Tenho coisa pra caramba explodindo na cabeça e mal consigo escrever. Às vezes escrevo aleatoriamente um monte de coisa, mas mesmo para isso preciso de um tanto de "linha de raciocínio", o que não consigo estabelecer agora. Sinto um impulso de falar, mas em seguida uma inquietação que me toma de forma abrupta, até finalmente estancar com certa violência na pausa. Como um silência suspenso em pleno carnaval. Como uma incompreensão tremenda, tão cheia de sensações. Idéias avulsas, obscuridade, falsa lucidez que se impõe sobre o que é inexplicável. Sou eu tentando domar os meus pensamentos - não os explicando - todavia tão somente os evitando.
O que poderia ser não é. Ponto final.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Aceite esta humilde porção de farofa...


Ontem eu me levantei indignada com o meu irmão que havia deixado a TV ligada quando, ao chegar diante da televisão com meu indicador pronto para desligá-la, eu me deparo com uma coisa linda de deus na TV. Ai meu deus, não bota uma homem lindo desse na minha frente que assusta!!!

Era Rodrigo Santoro. Fiquei besta com a maneira como o cara conversava. Ele era muito inteligente, de maneira aparentemente modesta. O cara falava sobre ioga, sobre os filmes em que atuou... tudo para ele parecia ser apaixonante. E quando recebia um elogio, logo tratava de fazer alguma brincadeira. "Olha só o peitoral dele"... comentou o apresentador..."Ah, mas como você pode ver tem até uns pêlos brancos aqui", replicou.

Sei que quando o Jô Soares (odiado e amado por muitos, como todo apresentador da Rede Globo, a la Faustão e Galvão Bueno), perguntou a ele sobre o que ele gostava de comer, ele deu uma resposta ton fofinha.

- Ah, eu como arroz integral, uma saladinha, um peixe, soja, gosto de ter uma alimentação saudável...

- Então você não come COMIDA né?

- Ah não, eu como muito doce, adoro um chocolate...

- E do que você sente falta quando tá longe?

- Farofa.

- Você gosta de que tipo de farofa?

- Todas. Eu amo farofa.

Daí o Jô Soares comentou sobre o quanto os olhos deles brilharam de forma tão intensa falando da farofa. Percebi.
Não seja por isso, que eu aprendo no Google a preparar TODOS os tipos de farofa.

Segura na mãe de Deus e vai!

Ontem foi o Dia D. E vovó me deu um amuleto da sorte. Era um terço. Entregou na minha mão, e apertou meus dedos com muita fé: segura na mão de Deus!

Tá certo que não acredito em deus, mas né que eu gosto dessa história de amuleto? Toda a energia que minha avó depositou naquele terço tinha uma poesia, algo que atribuía uma alma a uma coisa. Guardei no bolso e segui em frente.

domingo, agosto 24, 2008

Eu quero uma casa no campo...

Olha como meu querido "Fulano" é hippie... kkkk

Tati says:
às vezes dá vontade de morar no fim do mundo
Fulano says:
meu sonho é ter minha casa longe de tudo. Mesmo que isso custe mais gasolina
Fulano says:
prefiro pagar o preço pra ouvir os grilos, o barulho do mar, os pássaros pela manhã, poder enxergar o céu à noite
Tati says:
hum
Tati says:
não falo de me isolar das pessoas
Tati says:
mas do ambiente urbano
Fulano says:
ah sim
Fulano says:
isso eu nao sinto falta nenhuma mesmo
Fulano says:
tem um questinamento que eu faço desde criança
Fulano says:
e foi antes de escutar legião urbana, que hoje eu não gosto muito
Fulano says:
"por que não viver como índios?"
Fulano says:
hoje eu penso muito nisso
Fulano says:
será que o homem precisa de tudo que ele busca?
Fulano says:
tenho certeza que não precisa
Tati says:
pois é
Tati says:
mas que é difícil se afastar, isso é
Fulano says:
é.... somos criados nesses valores.
Fulano says:
infelizmente não é tão simples ignorar as regras do sistema
Fulano says:
a gente termina tendo que jogar o jogo.E quase sempre a gente acredita nele
Fulano says:
não vou negar que eu gostaria de um carrao, uma tv 42 polegadas no meu quarto com um ar condicionado split e colchão de mola, alguns ternos e vários tênis adidas de 600 reais, um de cada cor e modelo
Fulano says:
kkk
Fulano says:
mas é dispensável
Fulano says:
e eu seria feliz com muito menos, apenas sendo independente
Tati says:
kkkkkkkkkk
Tati says:
haja desapego viu
Fulano says:
:P

Gente maluca no orkut - parte III

Estou eu fuçando a comunidade do Itercom 2008, quando vejo um tópico: Telefone, MSN, etc... Pensei: eu non a-cre-di-to! C'est n'est pas possible!!!!

Era uma louca varrida informando a todo mundo que estaria marcando presença no congresso, que ia ficar no hotel X, e que o telefone dela era 95788452942, e o MSN era creuzamariadascruzes@hotmail.com. Gente! Quéquéissoooooooooooooooo!!!

*Medo* Daí eu pensei: a-RÁ! Se fudeu! Aposto que um monte de gente vai cair matando tirando sarro da guria. Tsc! Quem disse? O mundo tá cheio de retardado! Sei que outras pessoas apareceram dizendo que queriam BOMBAR na noite de Natal junto com a doida varrida, e ainda apresentaram seus números de telefone e e-mail do MSN. Só faltou o número de CPF.

Aí eu me pergunto: quanta gente carente no orkut néam? Ok, eu sou carente, acho que todo mundo é, mas tudo tem limite, pessoal!!! Beleza. A curiosidade bate e eu vou lá visitar o perfil da creuza. Né que no perfil dela constava, em caixa alta mesmo, PRIMEIRO LUGAR NO CONGRESSO TAL, e depois "vou para o Nordeste. Férias? Não!! Vou apresentar o trabalho sobre o não sei o quê do não sei o quê sei lá, e tal e coisa, e coisa e tal". kkkkk!!!

Apois. Eu tenho é medo de quem tem perfis tipo "Eu sou o máximo! Me add. Quero fazer novos amigos!!!!!".

sábado, agosto 23, 2008

Pouco a pouco, ele sentia que tudo o que eles tinham já não era mais nada. Muitos anos haviam se passado desde que ele olhara para ela pela primeira vez com paixão. O tempo consumia o que eles tinham, o tempo era susbtância maldita. Não havia como colocar as coisas todas de novo no seu devido lugar. Existiam mágoas demais, e há certos acontecimentos que tomam grandes proporções com as lembranças, pois o rancor perdura e maximiza as dores. Agora restava a grande dúvida: o que os levara até àquele estado não seria então uma maldita sociedade cheia de regras desprezíveis e sufocantes?

Resolveram ficar livres. Entretanto, nunca chegaram a uma conclusão certa sobre o significado da palavra liberdade. Apenas entendiam que havia muitas vontades reprimidadas em todo esse tempo e era preciso provar... fazia-se necessário quebrar todas as barreiras, questionar os próprios valores. Não há nada tão angustiante quanto questionar os próprios valores.

Estavam saindo com outras pessoas. Prometeram contar tudo um ao outro. Aos poucos foram percebendo que o desejo de saber sobre as aventuras do outro, essa espécie de voyeurismo masoquista, consistia num ciúme doentio. O pior ciúme é aquele em que a gente quer tomar conta da mente do outro, e em tantos casais monogâmicos havia algumas mentiras ou repressões, mas entre eles havia o elogio ao desejo e, principalmente, a invasão da privacidade espiritual do outro. Com quem você esteve ontem à noite?

De onde tiraram essa idéia de liberdade? Talvez porque ao observarem os seus pais viam pessoas enclausuradas em relacionamentos falidos. Não queriam de forma alguma chegar àquele ponto: jamais ir a um restaurante e pedir a comida como quem ignora a sentença para o inferno. Entretanto, a suposta liberdade não os impediu de ficarem cada vez mais distantes e frios.

Aos poucos foram percebendo que, não adianta, quando duas pessoas juntas não dão mais certo, não é o fato de essas duas pessoas se expandirem e conhecerem novas experiências, isso não significa de maneira alguma que elas ficarão bem. E na negação do ciúme, na liberdade concedida ao outro, quantas vezes entre eles não houve um estupro, um estupro emocional? Quantas vezes também não competiram entre si para ver quem era o grande conquistador ou conquistadora, ou quem estava mais seguro ou segura de si diante de uma situação tão instável e ameaçadora?

No fim de tudo, não haviam conhecido a liberdade. Talvez ela pudesse existir em toda forma de amar, seja em casais que têm outros amantes, seja naqueles em que os dois buscam a estabilidade de estarem apenas um para o outro. A liberdade não consistia em "poder fazer o que se quer". Até porque nem sempre o que queremos é o que realmente queremos. Talvez a liberdade estivesse no fato de amar o que se tinha, em ter estabilidade e alegria com uma determinada condição. E isso não haviam conhecido.
Posso estar equivocadamente exagerada, mas às vezes tenho a impressão de que a maioria dos jornalistas só sabe fazer LEADS (o primeiro parágrafo da notícia em que são respondidas as seis perguntinhas mágicas: quem, fez o quê, quando, onde, como e por quê) e PASSAGENS (aquele momento em que o repórter aparece na matéria de TV).
A coisa mais estranha que já vi no mundo dos relacionamentos amorosos é o tal do "descompasso no tempo". Está certo que em boa parte das relações uma hora uma das partes gosta mais, depois é a outra parte que está mais encantada. E assim a gente vai vivendo. Só que o que me assusta mesmo é o fato de alguém aparecer do nada dizendo que quer estar com você, e única e exclusivamente com você, e fala sobre o quanto foi estupidez não ter percebido o amor que tinha tempos antes.

Eu me pergunto: como é possível alguém amar uma pessoa e não se dar conta disso? E só perceber mais tarde? Tenho lá minhas dúvidas. Quem sabe esse alguém apenas não admite a dor da perda, ou quem sabe amava mesmo, mas não havia percebido que guardava esse sentimento simplesmente porque não tinha medo de perder seu objeto de desejo.

Talvez a raiz do amor se encontre no medo. O medo pode ser aquilo que leva o amor ao fim, posto que traz muitos desentendimentos, como também o medo pode ser um entrave para que o amor não chegue à superfície, nem jamais se manifeste. Não obstante, parece que sem medo de perder não há amor. O medo de que o outro vá embora é o que lhe atribui valor, é o que faz com que a gente tenha mais cuidado no que faz e diz, é o que nos torna menos egoístas.

E o tempo, o tempo é uma coisa muito louca. Os relógios não parecem ser os mesmos. Uma história que insiste no seu eterno retorno, outra que está para ser enterrada. Os fantasmas não cumpriram algo na vida, e ficam perambulando por aí, sem ter nenhum lugar.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Dois shows não aconteceram semana passada por causa da chuva.

Que cidade é essa? Que cidade é essa? Buracaju.

Gays, saiam do armário!

Minha gente, os gays ficam tão felizes, tão de bem com a vida, tão bem resolvidos quando resolvem assumir. Vi um dia desses um cara que conheço se tornando um "assumidíssimo", e o cara chega ficou com o semblante mais alegre, como quem tinha tirado um peso das costas.

Por isso que eu digo e repito: gays, saiam do armário!!! Não tenham medo, que os mais homofóbicos são os gays frustrados. Hoje é o dia, é dia de sair do armário!
Quando digo que não acredito em Deus, muitos afirmam: "ah, quero ver na hora da necessidade você não chamar por Deus". Chamo sim, questão de costume. Aliás, tenho enorme apreço por gírias religiosas, do tipo "minha nossa senhora!", "Jéeeeesus!", etc etc. Não há nada tão expressivo numa situação de risco como um "me fudi" ou "ai meu Deus!". Herege!!!

Dicionário - parte 1

Se há uma coisa que aprecio na vida é a tal da clareza conceitual. O mal uso das palavras, afinal, é o grande problema da ciência e dos relacionamentos humanos, meus caros. E há um conceito sobre o qual tenho uma visão particular: puta.

Puta: não se trata de uma mulher que gosta de sexo assim "como um homem", também não é a profissional do sexo. Em minha opinião, puta é aquela mulher que se insinua para o namorado da amiga, que dá em cima de um cara na frente da namorada dele, que fica pensando em qual roupa lhe cai melhor para ficar seminua (aquela mulher que vive em função de ser sexual e chamar a atenção dos homens), puta é aquela que fica enchendo o peito pra eles pularem do decote, que se insinua pro chefe, que "é legal, não tá dando mole", que fala gemendo, que não consegue se abaixar para pegar um lápis sem colocar a bunda para cima. Enfim, puta é uma mulher que tem como único objetivo na vida SER GOSTOSA.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Mesmo quando não gosto de uma pessoa, eu tento ser educada, minha gente. Dou boa noite, cumprimento na rua, faço até um pequeno favor, se pedir. Só que não tem jeito: ninguém tira de mim a "energia" que eu deixo no ar quando não vou com a cara de uma pessoa.

Devo soltar algum raiozinho maligno pelas pupilas. Sei que às vezes eu me concentro com o objetivo de sorrir DE VERDADE para alguém que não gosto, só por educação, mas, mesmo não vendo o meu próprio riso, eu sinto que ele está saindo muito falso. Penso: droga, não acredito!!! Tentei ser simpática...

Refleti sobre o assunto depois que um amigo contou que uma amiga sua comentou que achava que eu não ia com a cara dela. Ora, isso é um fato. Não trato mal a guria, mas não tem quem faça eu abrir um sorrisão ao vê-la, não tem esse que desperte em mim alguma empolgação ao encontrá-la na rua. Pois é, eu tentei, mas fazer o quê né?
Pior do que ser estúpido é se achar muito inteligente e engraçado sendo estúpido. Digo isso para todas as pessoas que nunca defendem nada e só fazem zombar de quem dá a cara a tapa. Elas ficam numa posição muito confortável, limitando-se aos sarcasmos "muito bem bolados", às tiradas "geniais". Repito: pior do que ser estúpido é se achar muito inteligente e engraçado sendo estúpido.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Eu e o ciberespaço

Muitos falam de uma tal de inclusão digital, de as pessoas terem livre acesso ao conhecimento e pá. Tá certo que eu uso a internet para muitas coisas legais, do tipo baixar filmes, músicas, artigos e tal. Mas minha gente, eu não faço nada que preste enquanto estou ON LINE. Navegar pelo New York Times? Ler livros do Domínio Público? Não, eu quero mais é saber se alguém me deixou um scrap ou ver vídeos engraçados no Youtube.

Cultura pra mim só IMPRESSA, em algum livro de corpo e traça bem longe do MSN.
Ninguém deveria ficar responsável pela felicidade de ninguém.
Algumas coisas não perdem a graça, mas ficam muito mais lúcidas.

domingo, agosto 17, 2008

Aprendendo a fazer certas coisas sozinha.

Muito orgulhosa de mim :D

sexta-feira, agosto 15, 2008

Quando eu era da sétima série, aos meus 13 anos, uma professora me chamou a atenção para uma profecia. Estava eu apresentando um trabalho de Física, utilizando a minha boa e velha técnica de concentrar minha atenção na parede ao fundo da sala para não sentir a presença de todas aquelas pessoas, quando, logo depois da apresentação do nosso grupo, ela falou:

- Essa menina vai ser professora! - disse apontando o indicador e os olhos azuis para mim. Lembro de já ter temido muito aqueles olhos azuis cheios de rigidez, cobranças e certezas.

Ela sabia, mais do que eu mesma, o que eu realmente queria. Desde pequena, divertia-me dando aulas para alunos invisíveis, escrevia n0 quadro, falava em voz alta como se houvesse pessoas a me ouvir sentadas nas cadeiras vazias ao meu redor.

Achava linda essa profissão. Contudo, outras pessoas não compreendiam o porquê de eu querer tanto ser professora. Afinal, professor ganha pouco e tem de aguentar alunos descompromissados. Quando, ainda no segundo ano, eu refletia sobre qual curso deveria escolher, minha mãe sempre sugeria que eu fizesse Direito, mesmo dizendo que eu escolhesse a profissão com a qual eu me sentisse feliz.

Certa vez, tive uma conversa com uma professora de Redação que morava no mesmo condomínio que eu. Contei a ela sobre minha intenção de cursar Letras Português. Ela tão logo se pôs a contestar minha decisão, disse que se tratava de uma carreira muito dura e que não trazia muito retorno. Ela, assim com minha mãe, me aconselhou a estudar Direito, pois era uma carreira muito compen$adora.

No meio de tanta gente que me dizia para eu não ser professora, comecei a formular outras possibilidades. Entretanto, tudo me conduzia a ser professora: pensava em fazer Física, História, Ciências Sociais... No fim das contas, terminei por escolher Jornalismo, sem saber ao certo o motivo. Talvez porque Jornalismo parecia ser um curso muito abrangente, e eu queria estudar uma variedade de assuntos. Ah! Lembro de uma revista que uma colega minha me emprestou com informações sobre os mais diversos cursos, a exemplo de mercado de trabalho, universidades, matérias, e o Jornalismo me chamou a atenção por ser bastante diversificado, pois apresentava estudos que tocavam a Filosofia, a Sociologia, a Economia, a História, etc. Enfim, em Jornalismo a gente aprendia um pouco de tudo (em alguns casos, tudo de nada, como disse um professor certa vez).

Hoje em dia, às vésperas de concluir meu curso, sei que meu negócio mesmo é ser professora. Para tanto, pretendo seguir carreira acadêmica. Não que eu não goste da aventura da reportagem, de conversar com pessoas tão diferentes, de sair para a rua para tentar descobrir um pedaço do mundo. Isso tudo me atrai bastante. Entretanto, sei muito bem qual é o meu lugar. Posso vir a trabalhar como jornalista, mas minha paixão mesmo é a pesquisa e a sala de aula.

Um dia quero ser professorinha. Lembro com carinho do prenúncio da professora de Física, que, ao que parece, irá se cumprir. Estudar coisas incríveis, de que eu realmente goste, dar aula por pura paixão... mesmo às vezes lidando com algumas dificuldades estruturais e com a má vontade de alguns alunos, ou ainda tendo de superar minhas próprias limitações. O mais importante é fazer aquilo que eu gosto, porque, para mim, a vida sem paixão não faz sentido.

terça-feira, agosto 12, 2008

Sabe, tenho um lado bem superticioso. Apesar de não acreditar em Deus, nem na vida após a morte, nem em nada (kkkkk), eu observo os sinais ao meu redor. Esse sábado estava muito a fim de ir ao Coverama, mas, depois de tantas dificuldades, amigos desistindo, e etc, comecei a pensar se realmente valia a pena ir sozinha pra lá. Sabia que ia encontrar muita gente conhecida, contudo, todos aqueles acontecimentos me fizeram crer que se eu fosse ao show, algo de ruim aconteceria a mim naquela noite. Resolvi ficar em casa em pleno sábado batendo papo no msn, e depois vendo filme.

domingo, agosto 10, 2008

Mimimi eu sou sensível

Não sei, mas minha gente, eu não acredito em homem que tem comunidades no orkut do tipo "Sou sensível", "Os últimos românticos", "Românticos assumidos", "Homem que trai o pipi cai", etc etc etc. Não acho que um cara que seja REALMENTE fiel, romântico e sensível vai ficar entrando nessas comunidades idiotas. Na minha humilde opinião, isso é armada de cafajeste que quer mostrar pras gurias no orkut "meninas, vejam como sou fofinho". Pelo amor de todos os deuses! Não, os piores são aqueles que entram em comunidades do tipo "Não fico por ficar"(q!), "Eu pego e me apego". Alguém cai nessa conversa fiada? Eu já vi cada pecinha com comus dessa espécie... Prefiro não comentar.... Ai, traz meu chá Maratá bem quentinho!!!

sábado, agosto 09, 2008

A verdade é que...

quarta-feira, agosto 06, 2008

The thing

Então você pensa: eu quero uma "coisa" que seja assim-assim-assado. Daí você comenta com sua amiga, e, para sua surpresa, ela aponta para uma coisa assim-assim-assado situada bem embaixo do seu nariz. O espanto não é pouco: como não havia notado a existência dessa "coisa" logo ali? Eu estava cega? De repente "a coisa" se manifesta, dá um alô, e até uma cutucadinha no braço. E agora, minha gente, o que fazer com "a coisa"?

terça-feira, agosto 05, 2008

Oi?

OLa . tudo bem ? O meu nome e Ricardo e ja morei em Sergipe qdo criança . E gostaria de manter contato com pessoas dai . Se vc quiser manter contato comigo . me adiciona . Me descupe por entrar assim nasua pagina mas e que eu morro de saudades dai . Tchau .

Minha gente, o que é isso nesse orkut que só tem gente maluca?????

segunda-feira, agosto 04, 2008

Novamente, hoje fui abordada por fake no orkut. Um fake cujo nome era uma sigla muito esquisita, enviou um convite de "amizade virtual" com os seguintes dizeres: "oi, vc parece ser muito especial, add aí bjs".

É tanta gente doida nessa internet! o.O
É o seguinte: estou aflita atrás de uns filmes que vi há mil anos atrás. Quero fazer o download, mas não lembro dos nomes. Só sei que marcaram a minha infância. Será que alguém aí da rede mundial de computadores poderia me ajudar? Vamos aos filmes!

a) Tipo, é um filme que se passa em outro planeta, aí os habitantes de lá perpetuam a espécie de um jeito bem diferente do daqui. Recordo-me que um E.T. tem o filho no momento exato de sua morte. Isso mesmo! Eles têm um parto enquanto estão morrendo. Lembro que gostei muito desse filme. Eu era guria ainda.

b) Esse outro eu vi na TV a cabo há não tantos anos quanto o primeiro. Tipo, havia uma guria que adorava Elvis Presley, aliás, como toda boa fã, era perdidamente apaixonada pelo Elvis!!! E ela morava num lugar que ficava perto de um rio. E rola um clima com um guri quando ela tá tomando banho de rio. Não lembro se ela perde a virgindade ou não kkkk. De qualquer forma, houve um momento em que ela entrou em crise por conta disso, da virgindade. Essas coisas de mocinha e tals. Tá muito impreciso né? Sei que essa guria adorava tomar banho de rio e era louca pelo Elvis. Vai saber!
Precisava fazer uma homenagem a mim mesma no meu blog. É que hoje acordei às 7h da manhã. ÊeÊeÊ. Vidinha merda ficar com insônia e dormindo até tarde ¬¬. Tive a mesmíssima insônia de todos os dias, mas dessa vez não admiti esse negócio de dormir litros não. Vamos lá, garota, tomando as rédeas da sua vida! Amanhã vou andar de bicicleta. Hoje não dá, os livros em cima da mesa me chamam.

*

Sabe que música eu ouvi no táxi ontem? My heart will go on!!! Céus!! Isso me lembrou o tempo em que eu ficava ouvindo rádio no domingo à noite, aquele programa do Joooooooooooe Feitosa!!

*

Minha paciência com gente idiota tá muito limitada. Tolerância zero!

*

Tomei uma decisão: além de querer agora frequentar lugares estranhos, tipo a Live (q!), eu vou passear por cultos religiosos. Tipo ir ao centro espírita e tals. Já fui uma vez, interessante. Sou uma atéia que se sente bem com a energia da fé dos outros. Sério. Fico encantada quando as pessoas estão realmente concentradas naquilo que acreditam. Mas também morro de tédio quando vejo as pessoas dormindo em cultos.

*

Morro de curiosidade de visitar um manicômio. Lugarzinho tosco que inventaram né. Mas eu queria ver como é, se os loucos ficam andando no jardim vestido de branco e tals, falando "eu sou Napoleão!". E sou a pessoa sã, correto?

*

Do nada me deu vontade de cair no mar. Saudade da praia.

*

Saudade louca dos livros da infância. Tipo A ilha perdida, Descanse em paz, meu amor, Éramos seis (sim, o livro que deu origem à novela), O casebre do fantasma, putz!!!!

*

Bem, vou tomar café.

domingo, agosto 03, 2008

Admirador secreto

Enquete: "O que você acharia se um fake deixasse dois scraps dizendo que você é linda(o)?"...

Ieda: Eu teria medo. Deve ser um psicopata.

Ruan: Nem responderia. Deve ser feio.

Mariana: Eu me acharia.

Tiago: Ficaria lisonjeado.

Saulinho: Eu ia ficar feliz. Mas fake é coisa de gente feia :D

kkkkkkkkkkk

Responda você também! kkkkkkkk
Você já sonhou que sua avó tava fumando maconha?

q

Paixão per si

Devo dizer que estou apaixonada
Você me pergunta: mas por quem?

É uma paixão por alguém
Alguém sem substância
Essa paixão
Nem sei mesmo se existe
Ou se foi antes inventada
Provoca-me ânsia, deixa-me extasiada.

O que é criação
Não deixa de ser verdadeiro
Mas minha paixão não tem eixo
Trata-se de um sentimento sem centro
Um afeto sem objeto
Palavra perdida no verbo.

Apaixonar-se
Apaixonar-se... como pura parte integrante do verbo
Apaixonada per si

Ao fim,
Apercebo-me da minha inusitada condição
Meu amor, é que estou apaixonada pela própria paixão.

sábado, agosto 02, 2008

Eu tenho mania de acreditar naquilo que me contam. Isso é um fato. Você pode narrar a história mais absurda que eu fico de olhos esbugalhados admirada com a coisa incrível que aconteceu a você. Muitas vezes as pessoas testam minha ingenuidade contando casos absurdos. Depois riem diante de meu semblante crédulo.

Ao mesmo tempo em que eu acredito, eu duvido. Duvido na mesma proporção em que acredito. Posso crer no que você me diz, mas não confio em você. Espero qualquer atitude sua, até a mais mal caráter. Isso é muito estranho.

Acho que é uma forma de me defender da minha própria ingenuidade. No fim das contas, acho que acredito no que as pessoas me dizem porque minto pouco, então suponho que me dirão a verdade. Corrijo, a verdade não (de quem é a verdade?), penso que serão honestos comigo. O valor que mais prezo com certeza é a honestidade. Talvez porque a coisa que mais odeio no mundo é ser enganada, ser feita de trouxa. É algo que realmente me tira do sério. Por detestar ser tratada como uma tola, é que procuro não fazer os outros de bobos.

Às vezes as pessoas podem se assustar. Nem todo mundo quer saber de sinceridade. Não que eu imponha a minha sinceridade aos outros como se fosse a dona da verdade, como se dissesse "você precisa ouvir o que eu tenho a dizer!", mas é que a minha espontaneidade causa constrangimento. Repito: nem todo mundo quer saber de sinceridade. Tem gente que prefere ignorar o que se passa. Cada um com sua loucura. Há pessoas que preferem o segredo, o não dito. Eu gosto das coisas às claras. Mesmo que muitas vezes me falte clareza quando falo.

Sabe, penso que quem gosta de ser honesto teme ser enganado, e fantasia conhecer tudo, algo como o desejo de ser deus e estar à espreita. Quem prefere guardar segredo e também não saber sobre tudo, sente prazer pelas lacunas, pelas reticências, por aquilo que não é visto. O primeiro é um voyeur atrás da fechadura. O segundo está na cena e de olhos bem fechados.

quinta-feira, julho 31, 2008

Gael, ME AME!


Gente, eu passo muito mal vendo Má educação. Aquela cena em que ele pula na piscina (huuum), ou aquela em que ele tá fazendo flexões (huum)... Gaelzito é, sem dúvida, o homem mais gostoso de todas as galáxias.

Gael, um T bem grande pra você!!! BEIJOS.

quarta-feira, julho 30, 2008

Para reflexão

Não estude, faça "amiguinhos".

pense nisso.

Tender

Tender is the night
Lying by your side
Tender is the touch
Of someone that you love too much
Tender is the day

The demons go away
Lord I need to find
Someone who can heal my mind

Come on, Come on, Come on
Get through it
Come on, Come on, Come on
Love's the greatest thing
Come on, Come on, Come on

Get through it
Come on, Come on, Come on
Love's the greatest thing
That we have

I'm waiting for that feeling
I'm waiting for that feeling
Waiting for that feeling to come

Oh my baby
Oh my baby
Oh why
Oh my
Oh my baby

Oh my baby
Oh why
Oh my

Tender is the ghost
The ghost I love the most
Hiding from the sun
Waiting for the night to come
Tender is my heart

For screwing up my life
Lord I need to find
Someone who can heal my mind

Blur

terça-feira, julho 29, 2008

Porque eu não gosto de psicólogos

Em diversos momentos tive, assim como todos têm, crises existenciais fuderosíssimas. Daí me mandaram pro consultório de uma psicóloga. Pulando de uma pra outra, nunca houve uma que me agradasse. Por isso tenho essa antipatia toda por psicólogos. Explico.

Ninguém é pago pra ouvir coisas boas da sua vida. Quando você vai ao psicólogo, vai pra se lamentar. Então a lamentação se torna um exercício constante. Tipo, naquele dia da consulta você nem tá a fim de observar analiticamente os seus atos. Ah, queria mais era caminhar no parque ou algo do tipo, mas já que a consulta está marcada, então vamos lá! Aí você vai deitar no divã e comentar sobre como o dia está lindo? Não! Você vai até as profundezas do seu "eu" procurar as chaves que abram a sua cabeça desmiolada. A partir daí é tudo um inferno sem fim. É que nem uma psicóloga minha que contou que houve uma época em que ela ia ao analista cinco vezes por semana. Já pensou refletir sobre si mesmo cinco vezes por semana numa consulta? Certamente nessas horas ela não falava de coisas simples, nem conversava bobagem, nem se preocupava com o mundo mais do que consigo mesma. Talvez a gente só precise disso.

A primeira pergunta que uma psicóloga faz (só tive experiência com psicólogas) é sobre seu pai e sua mãe. Sabe por quê? Porque pra eles a culpa de todos as suas nóias, angústias e comportamentos obsessivos é dos seus pais. Se eles forem separados então, nossa! Você certamente é uma criança traumatizada no corpo de um adulto. Então vivemos numa sociedade cheia de gente infeliz, já que o divórcio é tão comum né?

Se a psicóloga diz uma coisa sobre o que você é, sente ou pensa, e você discorda, ela olha pra você com o ar da maior sabedoria do mundo. Claro, a verdade é que você não sabe a verdade sobre você, mas o psicólogo sabe. Ele conhece o seu inconsciente. Mas se o meu inconsciente não está ao meu alcance, então é o psicólogo que vai postular os dogmas sobre minha personalidade? Eles sabem de tudo, eles conhecem a mente humana!

No mais, eu não tenho paciência pra psicólogos. Muito dificilmente mandaria um filho meu pra um. Não ia querer ver ninguém chegar em casa me responsabilizando por todos os seus problemas. Essa mania de botar a culpa nos pais provoca em muita gente um comportamento muito infantil: eu sou assim assado por causa da minha mãe e do meu pai e pronto. Como se os pais também não tivessem o direito de ser pessoas com defeitos e virtudes como todo mundo!!! Também não pretendo ter consulta marcada com as lamúrias semanais. Nem muito menos desejo ouvir alguém dizer que conhece meu "inconsciente" mais que eu.

domingo, julho 27, 2008

Café quente. Tarde nebulosa. Vento frio. Fechar as janelas. Computador. Nada de muito interessante. A vida às vezes me enche de tédio. O tal do supremíssimo cansaço... Às vezes tenho vontade de escrever coisas avulsas. A verdade é que nessas horas não há um pensamento uno que possa conduzir as minhas palavras. Tenho a sensação de que sou covarde. Penso que sou muito corajosa. Sinto-me plenamente senhora das minhas faculdades mentais, pura racionalidade. Percebo que há um impulso violento de irracionalidade tentando me corromper. Tudo é um grande conflito. Um dia a gente amadurece e observa com mais parcimônia as coisas. Chego a assustar as pessoas com tamanha racionalidade. Não observo o mundo como quem é triste. Também não o faço como quem é feliz. Antes vejo as coisas de forma nua e crua, o que não quer dizer realista, mas com uma sensibilidade profana. Misturo-me ao que está ao meu redor. É uma espécie de cópula. Não entendo essa minha vontade de me converter em palavras. Sei que sou feita de palavras, mas com elas fabulo uma relação erótica. As palavras, mais do que expressão do meu pensamento, mais do que o que constitui o meu próprio pensamento, as palavras me dão tesão. Elas se revelam como um corpo que aos poucos vai sendo tomado por outro corpo. A verdade, o que é a verdade? A vontade.... um dia desses vi que a verdadeira viagem não está em descobrir novas paisagens, mas em ter novos olhos. Tenho a vista cansada. Não sei se quero ter novos olhos ou descobrir novas paisagens. E Deus? Onde está Deus? O que é o desejo? Se eu seguir o meu desejo eu serei por livre por seguir o meu desejo ou serei escrava do meu desejo? Qual o limite entre as duas coisas? Precisamos de alguma coisa em que acreditar? As estrelas são apenas estrelas. Eu não me tornarei uma estrela quando morrer. Respeito a morte. Vive eternamente quem vive o presente. Respeito a velhice. Respeito a candura do olhar cansado, a cadeira de balanço, os passos sonolentos. O que eu vou querer da vida depois daqui? Eu não preciso de outra vida. A vitória da vida sobre a morte não é a minha alma fitando o meu próprio cadáver, não é a minha alma renascendo em outro ventre logo em seguida, não é a minha alma passeando pelos campos verdejantes do céu. A vitória da vida sobre a morte, eu nem quero. Que a vida seja a vida, que a morte seja a morte. A vida, é só o que eu conheço. Mesmo que um dia a morte chegue até mim só terá havido a vida. A vida que pulsa nos prazeres, a vida que às vezes provoca um supremíssimo cansaço. Amo a vida como um amor correspondido. Ela amou primeiro a mim.

sexta-feira, julho 25, 2008

Don't cry for me UFS

Passando na frente do bar da Vera cheio de calouros bebendo à vontade eu relembrei os velhos tempos de universidade. Sim, estou dando meu adeus a ela e desde já recordo com saudade dos velhos tempos. Aquele ambiente decadente de universidade pública, aqueles jovens (olha a velha kkkk) cheios de ideais, aquele pessoal que fica jogando dama em Beto, aquele povo que fica de pernas pro ar lá no bambuzal, aquelas filas imensas do restaurante universitário, com seus estudantes famintos por um almoço nojento, aqueles casais se agarrando nos bancos entre as árvores balançando com o vento, aqueles maconheiros "viajando" no Departamento de Lombra, aquelas meninas que andam de salto fino na areia, aqueles estudantes de Engenharia gritando sobre vetores na biblioteca, aqueles casais escondidos nas cabines da biblioteca, aqueles funcionários mal humorados da biblioteca, aqueles cachorros sujinhos andando a muito custo, aqueles gatinhos passando por entre nossas pernas, aquela aula que dá sono, aquela aula que dá vontade de debater. Enfim, tudo isso vai ficando pra trás. Se eu sou nostálgica? Sou sim, mas se eu queria passar mais tempo lá? NO WAY!!!!

Arritmia

Estava estudando hoje, quando, de repente, senti meu coração querendo sair pela boca. Num primeiro momento, fiquei muito assustada. Nunca tinha sentido aquilo. Tunf tunf tunf. Tunf tunf tunf. Angustiei-me bastante, senti uma leve falta de ar, tontura, não conseguia me concentrar no livro que estava lendo. As letras copulavam entre si, dispersas diante de meus olhos.

Minha mãe disse que é a tal da arritmia. Ela tem isso. Providenciou tão logo um remédio. Depois de um tempo me contorcendo na cama, comecei a ter prazer com aquela sensação. Tunf tunf tunf.

Lembrei-me de que sempre achei muito bonito as pessoas que ficam com o coração explodindo, querendo tomar conta do corpo inteiro. Agora era eu que sentia o big bang dentro do meu peito.

quinta-feira, julho 24, 2008

(L)

Um dia desses meu irmão estava muito triste. Coisa rara, posto que meu irmão não é pessoa de ficar cabisbaixa nem de reclamar da vida. Mais tarde soube que ele estava de luto pela morte de um amor virtual. Naquela época achei aquilo muito estranho.

Era uma menina muito bonita. Alguém haveria deixado no seu perfil um lembrete de que ela havia morrido de acidente de carro. Meu irmão me mostrou uma série de fotos da menina que ele guardava no computador, e comentou, olhando para mim na espera de uma definitiva e verdadeira resposta:

- Ela era um fake, não?

Suponho que sim. As fotos eram muito bem trabalhadas, pareciam retiradas de alguma publicidade, coisa de modelo. Meu irmão confessou que adorava conversar com ela, que os dois se falavam todos os dias. Disse ainda que achava estranho o fato de uma mulher tão bonita ser tão carente. É, eu falei a ele que geralmente as mulheres e homens bonitos têm muitas pessoas ao seu redor e não reclamam por tanta atenção.

Mentira. Conheci gente muito bonita que passa horas conversando e tentando ser do jeito que se é. Outra colega se apaixonou por um espanhol. Eles se vêem todos os dias... pelas lentes da webcam.

Por quem você se apaixona quando seu amor é virtual? Conheço uma moça e um rapaz, os dois amigos virtuais meus, que viajaram quilômetros para finalmente se conhecerem. O relacionamento deles dura até hoje e a paixão é fulminante.

Voltando à pergunta, por quem você se apaixona, se você não conhece a pessoa? São imagens fugidias, que despertam a sua curiosidade, nunca se tornando um corpo. Uma imagem se soma à outra, e você constrói um corpo. Algumas características se repetem entre as diversas fotografias. E a personalidade? Há as comunidades, que apontam o gosto, alguns defeitos e até mesmo angústias. Diversas semelhanças... Existem os depoimentos, que são o que aquela pessoa é segundo o que seus amigos dizem... Os amigos podem ser profundos, ou quem sabe escrevem apenas qualquer baboseira. Depende.

Aí então tem gente que vende seus pertences para ir pra bem longe... Há pessoas, como um conhecido da minha mãe, que viajou de lá da Alemanha para o Brasil para encontrar o seu grande amor. Se esses amores dão certo? Dão tão certo e tão errado quanto qualquer outro. Mas, de certa forma, são bem mais apaixonantes.

quarta-feira, julho 23, 2008

quando irão finalmente inventar o teletransporte?
seria uma maravilha pra mim!!!!

The word

Say the word and you'll be free
Say the word and be like me
Say the word I'm thinking of
Have you heard the word is love?
It's so fine, It's sunshine
It's the word, love

In the beginning I misunderstood
But now I've got it, the word is good
Spread the word and you'll be free
Spread the word and be like me
Spread the word I'm thinking of
Have you heard the word is love?
It's so fine, It's sunshine
It's the word, love

Everywhere I go I hear it said
In the good and the bad books that I have read
Say the word and you'll be free
Say the word and be like me
Say the word I'm thinking of
Have you heard the word is love?
It's so fine, It's sunshine
It's the word, love

Now that I know what I feel must be right
I'm here to show everybody the light
Give the word a chance to say
That the word is just the way
It's the word I'm thinking of
And the only word is love
It's so fine, It's sunshine

It's the word, love

Lennon e McCartney

terça-feira, julho 22, 2008

Maria Chiquinha

Velho, hoje eu me peguei pensando no quanto é escroto botar dois guris pra cantar essa música.

Que cocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?
Que cocê foi fazer no mato?
Eu precisava cortar lenha, Genaro, meu bem
Eu precisava cortar lenha

Quem é que tava lá com você, Maria Chiquinha?
Quem é que tava lá com você?
Era filha de Sinhá dona, Genaro, meu bem
Era filha de Sinhá dona

Eu nunca vi mulher de culote, Maria Chiquinha
Eu nunca vi mulher de culote
Era a saia dela amarrada nas pernas, Genaro, meu bem
Era a saia dela amarrada nas pernas
Eu nunca vi mulher de bigode, Maria Chiquinha
Eu nunca vi mulher de bigode
Ela tava comendo jamelão, Genaro, meu bem
Ela tava comendo jamelão

No mês de setembro não dá jamelão, Maria Chiquinha
No mês de setembro não dá jamelão
Foi uns que deu fora do tempo, Genaro, meu bem
Foi uns que deu fora do tempo

Então vai buscar uns que eu quero ver, Maria Chiquinha
Então vai buscar uns que eu quero ver
Os passarinhos comeram tudo, Genaro, meu bem
Os passarinhos comeram tudo
ENTÃO EU VOU CORTAR SUA CABEÇA, Maria Chiquinha
Então eu vou te cortar a cabeça

QUE COCÊ VAI FAZER COM O RESTO, GENARO, MEU BEM?
Que cocê vai fazer com o resto?
O RESTO, PODE DEIXAR QUE EU APROVEITO!
E ninguém tem culpa se alguma outra coisa é mais interessante do que qualquer outra que você esteja fazendo.

Essa frase do meu colega... me identifico total.

A fluidez do tempo

Eu quero encher o meu presente de presente
Eu quero esvaziá-lo de todo passado e todo futuro
- principalmente do passado, posto que o passado eu não devo deixar transbordar e inundar o meu presente -
E que o futuro represente
apenas uma vontade de continuar viva,
nada mais.

Desejo que o meu presente seja puro presente
Quem pertence ao passado, que fique no passado
Quem quiser voltar ao passado, que volte
Mas eu pretendo ficar aqui
e encher a minha vida, deixá-la repleta, toda feita de presente
Para que esse presente não deságue como um passado levado pela corrente de um outro presente mais adiante.
Ah, eu tenho isso e aquilo e aquilo outro. Eu sou a pessoa toda poderosa, eu sou alguém na noite. Uma hora você olha para pessoa e acha o máximo. Na outra, você pára e pensa: grande bosta.

Eu só quero saber o que faz eu ou você melhores do que aquele cara que tá catando lixo pra comer na rua. Nada!!!
Vou fazer um teste: se eu passar algum tempo numa casinha no fim do mundo e gostar, não volto mais.
Você de repente pode se encontrar diante de um problema moral. Há dois caminhos: um é aquele que você realmente deseja, o outro é o que te atrai de maneira inefável. O primeiro é racionalizado, pertence ao âmbito da convicção; o segundo perturba as suas bases sólidas, e te deixam no limiar entre a certeza e a incompreensão. Se em algum momento você escolhe o segundo ao invés daquilo que "você realmente deseja" é porque há algo de errado aí. É como deixar de ir para o aniversário da namorada por causa de uma mulher com quem você quer ficar naquele dia, e aquela parecia a grande oportunidade (sabendo que isso coloca em risco tudo o que vocês tiveram); em outra situação, é como você conhecer uma pessoa e ela te encantar muito mais do que aquela com quem você está (e isso num primeiro momento parecer apenas uma crise, até se tornar algo constante). Então está tudo certo, você acredita que gosta muito de uma pessoa, até que aparece outra que te chama a atenção para o que você não tinha percebido. É que às vezes ficamos contidos num mundinho, e se você olhar mais adiante, pode perceber que, na verdade, não estava gostando da pessoa, mas apenas não tinha olhado mais atentamente ao redor. Aquilo que você realmente deseja só é aquilo que você realmente deseja quando, no fim das contas, é a sua escolha. Caso fosse o que você queria de verdade, você auscultaria o que está ao seu redor e perceberia que o seu mundinho já é bem confortável. Se não foi o que você escolheu, é porque há algo de errado com o que você pensa que quer. Trata-se de um sintoma.

segunda-feira, julho 21, 2008

Nossa! Finalmente as coisas estão ficando claras na minha cabeça! E bem na época da TPM!!
Tá vendo? Depois dizem que o inferno é a TPM. Que nada.
Alguns acontecimentos têm apontado para o seguinte: aquilo que é por demais bonito, que impressiona, certamente tem uma outra face da moeda que é o contrário da que está na primeira olhada. Por isso, tenho preferido, como poderia dizer: é como entre o formidavelmente belo e o simpático, ficar com o simpático.

domingo, julho 20, 2008

Uma hora você pára e pensa: não, eu não sou igual a todo mundo. Não é porque um monte de gente faz isso que vou fazer também. Às vezes você sente um tremor que tenta pôr por terra aquilo em que você acredita, porque oras, todo mundo faz isso, pra quê ser diferente? Pra ser boba? Pra se machucar? Mas não!! Você olha ao redor, presta bem atenção, e vê que, por mais que sejam poucas, existem pessoas que compartilham dessa sua convicção. E você percebe que não deve corromper o pouco que ainda resta de magia.

sexta-feira, julho 18, 2008

We never change

essa música do Coldplay grudou de vez na minha cabeça... e de certa forma eu a sinto.
tá bom, esse blog é uma agenda de guria :P
mais do que nunca eu posso dizer: essa aqui não é o meu lugar... preciso ir embora!

I wanna live life, never be cruel,
I wanna live life, be good to you.

I wanna fly, never come down,
And live my life,
And have friends around.

We never change, do we?
We never learn to leave,
So I wanna live in a wooden house,
I wanna live life, always be true,
I wanna live life, and be good to you,

I wanna fly, and never come down,
And I live my life, and have friends around.

We never chang do we? no, no,
We never learn to bleed,
So I wanna live in a wooden house,
Making more friends would be easy.

Oh I dont have a show to say,
Yes, and I sing every single day,
We never change do we? We never learn to leave.

So, I wanna live life in a wooden house,
Making more friends would be easy,
I wanna live where the sun comes out.

quinta-feira, julho 17, 2008

domingo, julho 06, 2008

A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros na vida.

Vinicius de Moraes
Estou precisando de algumas certezas. Falta solidez em valores e emoções. Às vezes dá vontade de ser medieval, e ter crenças muito sólidas, coisas pelas quais eu morreria se preciso. Mas não. Tudo muito incerto, muitas perguntas, e quando pareço chegar à resposta, surge-me um novo questionamento que soterra definitivamente qualquer manto de certeza. No fim de tudo, uma vontade de ficar invisível, de sumir e não dar notícia pra ninguém.

sexta-feira, julho 04, 2008

A gente ama as pessoas, mas não percebe isso no dia-a-dia. Claro, porque seria um saco estar com uma pessoa que o tempo inteiro fica babando seu ovo. Só que às vezes é tão gostoso quando assim, do nada, eu olho pra alguém de quem gosto muito e sinto uma aura em volta do seu semblante. Daí a vontade bate muito forte, e eu digo: te amo! Ou até me esqueço de dizer "te amo", fico apenas pensando no quanto aquela pessoa é importante pra mim. Senti isso hoje olhando pra minha mãe ao telefone e, em outro momento, quando conversava sobre banalidades com meu irmão. O "te amo" não saiu, mas aquela sensação me arrebatou.
Depois que um professor disse que eu deveria ir para fora do país ou para o sudeste se quisesse fazer um bom mestrado em cinema, quando eu planejava ficar o mair perto possível da família, bateu uma dor no peito. Pensei muito nisso hoje, e já senti saudade. Por mais que haja desentendimentos, e que às vezes eu tenha vontade de sumir, é certo que nenhum lugar é mais aconchegante do que a minha casa, e sinto também que a minha família (entenda, minha mãe e meus eternos pequenos irmãos) tem o amor mais verdadeiro do mundo.

quinta-feira, julho 03, 2008

Cansaço...

Meu irmão costuma dizer que Fernando Pessoa era doido. Diz que o poeta tinha três personalidades: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Doido ou não, sei que sinto como se eu fosse uma reencarnação de Álvaro de Campos. Não é brincadeira - sempre vejo a mim mesma falando através de Álvaro de Campos. Quando eu morrer, podem colocar na minha lápide: íssima, íssima, íssima...

O que há

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

quarta-feira, julho 02, 2008

Dizem por aí que quem ama várias pessoas, na verdade não ama nenhuma.
I don't know why I feel so tongue-tied

Don't get any big ideas they not gonna happen

now that you found it, it's gone
now that you feel it, you don't

Just as the drinks arrive
Just as they play your favourite song

Blink your eyes, one for yes, two for no

In a deep deep sleep of the innocent
I am born again

In my mind and nailed into my heels.
All the time killing what I feel.
And everything I touch
All wrapped up in cotton wool
All wrapped up and sugar coated
turns to stone.
And everything I touch

what are we coming to?
what are we gonna do?

Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high...high...

This is the place
Sit down, you're safe now

If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
Certos modos e feições da minha vida quotidiana — representados no meu ser constante
por desejos, repugnâncias, preocupações — sumiam-se de mim como embuscados da ronda, apagavam-se nas sombras até se não perceber o que eram, e eu atingia um estado
de distância íntima em que se me tornava difícil lembrar-me de ontem, ou conhecer como meu o ser que em mim está vivo todos os dias. As minhas emoções de constantemente, os meus hábitos regularmente irregulares, as minhas falas com outros, as minhas adaptações à constituição social do mundo — tudo isto me parecia coisas lidas algures, páginas inertes de uma biografia impressa, pormenores de um romance qualquer, naqueles capítulos intervalares que lemos
pensando em outra coisa, e o fio da narrativa se esbambeia até cobriar pelo chão.

Fernando Pessoa em Livro do desasossego.

Crime perfeito

Quando olhou pra mim e vi um riso contido, e as maçãs do seu rosto enrubrecidas, percebi que havia notado o meu encantamento. Era demais pra disfarçar. A sua postura paternal, a adultez mesmo nas brincadeiras mais banais, ele se esquivava. Tenho idade para ser seu pai. Teria me feito quando ainda criança - repliquei.

Porém, o rosto sobre a mão, o semblante magnetizado a observar precisamente os meus movimentos, que vi quando de repente me virei na sua direção, mostravam-me uma prova do crime. Mas o crime não aconteceu.

quinta-feira, junho 26, 2008

Apaixonante

Quando ele disse:
você é apaixonante
fiquei mais impressionada
do que se falasse
"estou apaixonado"
ou "eu te amo".

É que parecia que apaixonante era uma qualidade impregnada em minha substância - qualidade que reluz e se espalha pelos ares.
Eu era apaixonante - condição da minha existência.
Muito mais do que "eu estou apaixonado"- expressão de um estado de alma - que, como todos os estados, resvala no tempo.

quarta-feira, junho 25, 2008

Wait for me

Please don't ask me why
That, true as the sky
Everyone is born to die
So take your time
But don't take mine
Lose yourself but don't lose your mind

Somewhere out there inbetween the moon and the sea
I'll be waiting for you my dear
So wait for me

You can't regret what you forget
If only you could forget it...
But it takes time
Plenty of wine
The weight of the world there in your eyes

Nothing could never come to you unless you try try try
You find yourself in trouble if you cannot tell a lie
It's easy as pie

Somewhere out there inbetween the moon and the sea
I'll be waiting for you my dear
So wait and see
Somewhere out there inbetween the moon and the sea
I'll be waiting for you my dear
So wait for me

Sean Lennon

terça-feira, junho 24, 2008

E quem sou eu? Alguém que em certas horas se reveste de bravura e que não se intimida, outrora alguém racional, que prefere pensar duas vezes. Uma covarde, meus caros, uma covarde! Covarde até nas horas de maior ousadia, quando acreditava estar na luta por uma coisa, mas me encontrava, em verdade, na fuga de outra.
Para não correr o risco de ser enganada pela minha própria interpretação, termino por me abster numa falsa ausência de opinião.

segunda-feira, junho 23, 2008

A defesa que é inércia.
A cautela que é a ausência de uma história.

domingo, junho 22, 2008

Aconteceu hoje de eu achar que poderia arriscar algo porque, entre os dois finais que previa, nenhum era tão trágico. Nada poderia dar muito errado, então eu deveria tentar. Só que eu não tive a sagacidade suficiente pra perceber que as contigências do mundo não estão ao alcance do jogo de possibilidades da minha lógica. Então eu fui lá, arrisquei... e tudo terminou da maneira da letra c)... e eu só havia cogitado as letras a) e b).

sábado, junho 21, 2008

Operação São João

Tati says:
vei
Guilherme says:
opa
Tati says:
vc já ligou pra polícia pra pedir pra desligarem o som?
Guilherme says:
e ai criatura
Tati says:
kkkkkkkkkk
Guilherme says:
rpaZ
Guilherme says:
heheh
Guilherme says:
já tive vontade
Guilherme says:
mas nunca o fiz
Guilherme says:
qual é a treta?
Tati says:
eu to aqui em casa
Tati says:
e no prédio vizinho
Tati says:
tá a maior badalação
Tati says:
faz séeeeculos
Tati says:
e já é qse 1h da manhã
Tati says:
me atrapalhou de estudar
Tati says:
de ver filme
Tati says:
e agora eu quero dormir e n posso
Tati says:
por causa de uns filhos da puta
Tati says:
q deviam ´estar no forró caju
Tati says:
porra
Tati says:
vai se fuder
Tati says:
tem q inventar festa em prédio!!
Tati says:
eu quero ligar pra polícia
Tati says:
eu sei q é coisa de véia ranzinza
Tati says:
mas eu quero ligar
Tati says:
oq vc acha?
Guilherme says:
hum
Guilherme says:
rpaz
Guilherme says:
deixe-me ver
Guilherme says:
qual a música q eles tão escutando?
Tati says:
velho
Tati says:
a música n é ruim n
Tati says:
mas é q vc n sabe
Tati says:
é q n tá altinho n
Tati says:
n tá som de fundo n
Tati says:
q vc esquece qnd encosta a cabeça no travesseiro
Tati says:
tá alto pra caralho
Tati says:
bizarro
Guilherme says:
porra
Tati says:
parece q é o forró caju aqui vizinho
Guilherme says:
alguém já pediu pra eles baixarem o som:
Guilherme says:
?
Tati says:
sei lá
Tati says:
o problema é q n tem ninguém em casa nessa época
Tati says:
aí ninguém tá nem aí né
Guilherme says:
mas eles tão escutando rock?
Tati says:
kkkkkkkkkkk
Tati says:
é uma banda maldita
Tati says:
de pé de serra
Tati says:
eles tão tocando agora
Guilherme says:
homi
Tati says:
aquela música
Tati says:
por isso eu vou na casa dela aiai
Guilherme says:
chame a polícia!!!
Tati says:
falar do meu amor pra ela
Guilherme says:
aff
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
ai ai
Guilherme says:
aí vc liga pra polícia aiai
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
e ela vai bater aí aiai
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
e todo mundo vai se fuder aiai
Guilherme says:
hehehe
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
eu quero jogar uma bomba nessa porra de desse prédio
Tati says:
morram todos
Tati says:
malditos
Tati says:
¬¬
Guilherme says:
uheauehuae
Guilherme says:
filhos da puta
Guilherme says:
dê um grito da janela
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
vou aloprar ne
Guilherme says:
BAIXA ESSA PORRA MAGOTE DE FILHO DA PUTA
Tati says:
aí eles aumentam o som
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Guilherme says:
e vc chama o comando de operações especiais da polícia militar truculenta de sergipe
Guilherme says:
heheh
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
capitão nascimento
Tati says:
operação são joão
Guilherme says:
com duas festas na cidade não creio que atendam uma ocorrência de som alto
Guilherme says:
hehehe
Guilherme says:
até pq tem várias ruas com aqueles forrózinho de vizinhança
Tati says:
meu fio
Tati says:
tá bizarro
Tati says:
porra
Tati says:
eu n saí de casa
Tati says:
devia ter saído
Tati says:
q merda
Guilherme says:
dessa maneira
Guilherme says:
acho mais perspicaz vc dar um grito pela janela
Guilherme says:
hehehe
Tati says:
eles n vao ouvir n
Guilherme says:
porra
Guilherme says:
então desça e saia correndo pelada
Guilherme says:
e insultando-os
Guilherme says:
MALDITOS PORCOS!
Guilherme says:
perceberão com toda certeza
Tati says:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati says:
gracinha
Guilherme says:
hehehe
Tati says:
eita caralho
Tati says:
eu acabei de ouvir sirene
Tati says:
HAHAHAHAHAHA
Tati says:
nem chamei
Tati says:
HAHAHAHAHAHA
Guilherme says:
uhaeuhaeuaehuae
Guilherme says:
eita porra
Guilherme says:
e ai?
Tati says:
porra
Tati says:
eles tão tocando ainda
Tati says:
vamos aguardar
Guilherme says:
acho q enquanto a gente conversava algum véio chato foi mais rápido
Tati says:
sei n
Tati says:
=/

sexta-feira, junho 20, 2008

Na moral, se alguma pessoa querida minha morresse, eu não iria colocar *LUTO* no msn e no orkut.

Minha gente, pra quê isso???

Que coisa de péssimo gosto! Eu ein. Creeeeedo.
Às vezes tenho a impressão de que minha irracionalidade foi domada pela racionalidade intransigente de um professor em banca para avaliação de tese de doutorado.
Engraçado a arrogância com que encaro certas atitudes e comento com aquela velha frase:

- Isso é coisa de meninas ingênuas, de adolescentes.

Virei tia ok.
Engraçado perceber que certas coisas que lhe evocavam deslumbre e mistério, agora despertam nada mais que um bocejo.
Essas novas tecnologias... Sabe, queria, às vezes, poder estar offline. Igualzinho ao que acontece no msn. Chegar a um lugar, auscultar aqueles que lá se encontram, só ficar online, de repente, caso que me agradem, ou então ficaria invisível offline. Gostaria também de deixar alguém falando sozinho quando bem entendesse: era só ir fazer outra coisa, ver um vídeo no youtube. E se me deparasse com um chato, bloqueava logo o contato, e ele surgiria, bem na minha frentre, todo pintado com uma listra vermelha vertical e um círculo ao redor do seu corpo - caladinho, caladinho. Quando não quisesse estar em algum lugar, era só colocar "ausente", e então poderia me retirar e não falar com quem não quisesse, sempre com a justificativa de que, na verdade, eu não havia respondido porque não estava lá. Queria excluir da minha vida quem não me agradasse com apenas um click. Seria tudo tão fácil, que terminaria sendo entediante. Onde está a beleza das frustrações do cotiano? Que se faz do ato impagável de virar pra um bêbado chato dando cantadas nojentas pra você e pra sua amiga em pleno bar na sexta-feira, e dizer: Quem é você na noite?
Alguns acontecimentos trazem grandes revelações.

Há coisas que é preciso testar para saber.

No fim de tudo, tenho medo dessas supostas "grandes revelações".

domingo, junho 15, 2008

Mulheres que não gostam de mulheres

Existem mulheres que não gostam de mulheres - não falo aqui das heterosexuais, mas sim daquelas mulheres que simplesmente "odeiam" todas as outras.

Há mulheres que, diante de outras mulheres, agem com desdém, enchem o peito para desferir ironias, sarcasmos, reparam sempre no que há de pior nas outras pessoas do mesmo sexo. Essas mulheres que odeiam mulheres, por outro lado, adoram os homens. Muito mais do que uma mulher que gosta da desenvoltura dos tipos do sexo masculino, elas os bajulam, tratam-lhe com todo o carinho e polidez inversos à má educação e soberba com que recebem as pessoas do mesmo gênero.

Essa espécie de mulher encara todas as outras mulheres como concorrentes: assim como o capitalista selvagem que contrata inspetores para vasculharem e prejudicarem a vida de outras empresas, elas invadem o corpo e a vida de outras mulheres com seus olhos de víbora. Se tiverem a oportunidade de exercer poder sobre outras mulheres, elas exercerão com a mão de ferro - uma humilhação ou outra fará parte do dia-a-dia.

A grande inimiga da mulher que odeia mulher é a mulher bonita. O grande sonho delas era ser a única mulher atraente da face da terra, e não há insulto maior do que ver os homens auscultando essas mulheres bonitas. As feias para elas são até mais agradáveis - não representam grande ameaça. Ah, mas se uma feia tem um namorado bonito, logo se transmutam em bonitas aos seus olhos. Uma bonita inteligente merece morrer. Uma feia inteligente é um incômodo. As ricas, por mais irritantes que sejam para elas, são sempre um caminho, na "amizade", para a ascensão social. Suas amigas são, quando não ricas, não tão bonitas.

Já os homens, ah, os homens são para elas verdadeiras preciosidades. Sejam eles feios ou bonitos, o importante é que eles são homens, e, portanto, elas devem conquistar a admiração e o desejo deles, mesmo que por alguns elas não nutram mais do que desprezo. Essas mulheres se derretem todas, falam com a voz mais doce e o sorriso cheio de candura para os homens bonitos, e são para eles, acima de tudo, eroticamente delicadas. Com os feios elas não deixam de ser amáveis, posto que necessitam dos seus galanteios.

Entre vários exemplos de mulheres que odeiam mulheres, lembro de uma em particular que foi minha professora na faculdade. Todos comentavam a forma áspera como ela abordava as alunas, para as quais ela sempre tinha uma ordem ou uma piada sarcástica, enquanto os alunos eram recebidos por ela de maneira afetuosa e com os olhos chamejantes - brilho esse que tão logo se revertia em faíscas de ojeriza quando ela encarava uma mulher. Já formulei teses sobre esse comportamento - será que elas foram vilipendiadas por mães que tinham inveja de sua juventude e sua beleza, enquanto recebiam o carinho do pai adorável, e, dessa forma, encarnaram a figura da mulher víbora, imitando suas mães? Ah, deixa pra lá que esse negócio de psicologia barata não está com nada. De qualquer modo, todas elas são muito divertidas.

segunda-feira, junho 09, 2008

Depois de 12h de trabalho, muitos desentendimentos, muita discussão, alguns imprevistos, a pressão do tempo que passa, e a dificuldade pra fazer coisas que na tela se passam em minutos, a gente vê que cinema não é coisa nada fácil, meu bem. Tem que ter muita raça. Ainda mais aqui no Brasil. Entretanto, posso dizer que me surpreendi comigo mesma. Mostrei a mim mesma que sou mais corajosa do que esperava, mais persistente do que temia, e até mais forte do que considerava ser. Isso faz eu me orgulhar de mim e da equipe, independentemente do resultado de uma primeira experiência.

quinta-feira, junho 05, 2008

Sempre que sento numa cadeira do ônibus, eu rezo aos deuses todos para que nenhum ancião, ou mulher grávida e etc apareça na minha frente. Eu dou o lugar, mas, não vou mentir, é com muita má vontade. Hoje eu tive que fazer isso, infelizmente, mesmo segurando um monte de livros. Então eu dou o lugar a um velhinho e, logo depois, o rapaz que estava sentado ao lado dele teve de se levantar para uma mulher com uma linda menina nos braços vir a se sentar.

Vez por outra eu olhava pra baixo com o objetivo de fiscalizar a minha bolsa. Desde que roubaram meu celular no ônibus eu fiquei bem mais cuidadosa. Então terminava observando também o senhor e a moça com a linda menina de vestido verde no colo. O velhinho começou a mexer no braço da menina e balbuciar alguma coisa boba que se fala para criança.

Logo tomei um susto. Como assim essa mulher deixa esse cara tocar na filha dela???? Com tanto velho tarado por aí!!!! Ah, mas se fosse filha minha eu não permitia um negócio desse não!!! Aí eu me dei conta do quanto eu seria neurótica se fosse mãe.

Primeiro: se eu parisse, não ia querer saber de uma ruma de gente dentro do quarto pegando no meu bebê. Não, detesto esse negócio de "ô, deixe eu segurar, que coisa mais linda!". Que coisa mais linda um caralho, e se você derruba meu bebê! No way!!! "Ah, deixe eu dar um beijinho". Vá dar beijo na sua mãe, não venha passar suas bactérias pro meu bebê!!!!

Não é que eu seria uma mãe que não deixa a filha sair pra lugar nenhum. Claro que não! Queria mais é que ela curtisse mesmo!! Tive muita liberdade ué. Só que eu não gosto da idéia de as pessoas ficarem de mão em mão com um bebê, e se derrubassem a criança? E outra: sou neurótica com negócio de pedofilia e de guris que batem em outros guris na escola.

Fora que eu sou uma irmã briguenta, tomo as dores, imagine como mãe! Uma vez eu vi um guri maldito empurrando meu irmão do balanço pra tomar o lugar dele. Fui pra cima.

- Qual é a sua, guri??? Não mexa com meu irmão!!!!!!

- Se você fizer alguma coisa comigo, eu vou contar pra minha mãe...

- Vá, conte, que eu bato em você e bato nela!!!

Hehe. Ok. Eu não agredi o menino fisicamente... mas que ele tomou um susto legal, ah sim.

Quem se habilita?
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

quarta-feira, junho 04, 2008

Lição da vida

Para reflexão:

Água mole, em pedra dura, tanto bate até que fura.