domingo, janeiro 20, 2008
Tem muita gente que não suporta o tal domingo. Dizem que é um dia sem graça, chato até. Mas ora, eu sou totalmente a favor do domingo. É com dedicação religiosa que aprecio esse dia, deitada na cama me espreguiçando, ouvindo música, vendo filme, lendo um bom livro. Domingo é o melhor dia pra ficar só, pra botar ordem na casa, pra organizar as idéias, pra apreciar arte, pra viver o tédio na sua forma plena. Que venham os domingos, sempre assim, aconchegantes, inspiradores e sonolentos.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Até tu, Brutus?

Fiquei chocada ao saber que Glauber Rocha, o famoso cineasta do cinema novo, tinha feito um filme encomendado por Sarney. Sim, o mesmo Glauber de grandes obras como Deus e o diabo na terra do sol e Terra em transe tinha feito um filme a pedido de Sarney! O professor do núcleo onde estudo audiovisual chegou a defender o filme Maranhão 66, onde Glauber apresenta como pano de fundo para um discurso de José Sarney no ano de 1966, a situação precária em que o estado do Maranhão se encontrava, o que evidenciava também a pobreza e a desigualdade social do resto do país.
- Vocês vejam que, mesmo num filme com tudo pra ser chapa branca, o Glauber aproveita pra fazer um cinema de contestação, que fala da realidade do povo brasileiro.
Uma aluna ficou indignada com o tal filme e ainda ironizou:
- Engraçado, ele falou mal de Limite, do Mario Peixoto, por considerá-lo um filminho burguês imitação dos filmes europeus que falavam de questões exitencialistas, mas ele vem e faz um filme desse que é igualzinho a qualquer propaganda política. O Sarney só faltou chorar.
É. Houve gente que disse que foi uma pena mesmo o Glauber ter morrido tão cedo, mas que, pensando bem, ele provavelmente bateu as botas a tempo, antes que virasse um capacho de homens influentes "de esquerda", ou qualquer Arnaldo Jabor da vida.
Eu, particularmente, não tenho a opinar sobre se Glauber deveria ou não ter morrido cedo, mas ora francamente, odiei o tal filme que ele fez sobre Sarney. Ninguém me venha com história de denúncia sobre a sociedade, ou de defesa de um político que na época tinha um discurso reformista. Na obra, nós vemos um povo sofrido que precisa de um herói, um salvador da pátria: Sarney. Em nenhum momento assistimos a cidadãos, a sujeito históricos, mas apenas vemos pobres coitados, ó vítimas da fome, que têm como luz no fim do túneo um político demagogo envolvido pela sua retórica de deidade terrena. A última cena do filme mostra, logo após apresentar doentes e crianças esfomeadas, a finalização do discurso de Sarney, seguida pela câmera que aponta para as milhares de pessoas que aplaudiam as palavras de uma espécie de Sassá Mutema (que só veio surgir nas telas da novela da Globo 23 anos depois).
Alguns fãs mais ingênuos comentam que o filme, na verdade, mostra a contradição entre as promessas dos políticos e a realidade em que vivemos. Mas ora, uma ironia como essa caberia caso se referisse a um homem que já estava no poder, e não a um homem que almejava chegar ao poder com propostas de mudanças radicais direcionadas ao bem dos mais pobres. O filme não termina por ser uma brincadeira de Glauber com a cara de seu cliente, mas é, sim, uma propaganda política como qualquer outra, agregadora de capital simbólico a um homem público como qualquer outra. Esse filme de revolucionário não tem é nada. Não passa de uma forma que o Glauber Rocha arranjou pra pagar as contas. E todos precisamos pagar nossas contas, não é verdade? Só não venha me dizer que está em nome da revolução.
sábado, janeiro 12, 2008
Apesar de ser uma pessoa muito cética, veja só, percebi que tenho um medo danado de gatos pretos. Pois é. Caminhando pelas ruas um dia desse, entrei em pânico ao ver um inócuo gatinho preto. Angústia maior ainda foi vê-lo miando e se contorcendo por entre meus pés. Pensei: fudeu, hoje vai ser um dia de má sorte. Xô gato, xô.
sábado, janeiro 05, 2008
Da escola do amorismo sintético
Foi motivo de indignação na escola o dia em que a professora pediu para escrevermos uma poesia. Eu me perguntava, mas diacho, como vou fazer uma poesia? Então perguntei a uma colega como se escrevia essas coisas poéticas.
- Tem uma poesia que é assim:
"Com A escrevo amor
Com P escrevo paixão
Com F escrevo Fulano
no fundo do meu coração". Aí é só você substituir pelo nome do menino que você gosta, e pronto, já é uma poesia.
Ah! Assim era fácil... Pois então, mas agora o meu novo questionamento era qual nome colocar. Eu tinha apenas 11 anos de vida e nenhum amor vivido. No máximo tinha começado a ter os primeiros sintomas de uma leve atração física por aquele menino da quarta série com quem eu vivia brigando, mas nada que me fizesse desenhar corações no caderno ou chorar ouvindo alguma música boba.
A solução era inventar algum amor. Coloquei o nome de um menino que não existia, e não recordo o nome agora. Depois entreguei a bendita poesia à professora. Não deu outra: foi bronca no dia seguinte.
- Teve gente, não vou citar nomes aqui, que colocou uma poesia assim:
Com A escrevo amor
Com P escrevo paixão
Com F escrevo Fulano
no fundo do meu coração
Morri de vergonha.
- Poesia não é cópia, poesia é criação. O que vocês estão fazendo não é poesia.
Ah meu Deus! Como é que eu ia escrever uma poesia? Depois de ler muitos poemas e poesias eu começei a imaginar o que escrever.
- Já sei. Eles usam essas palavras difíceis.
Prontamente peguei o dicionário e, para cada palavra que me vinha à mente, eu procurava um sinônimo pouquíssimo conhecido. Ao terminar a minha "obra de arte", lia com orgulho, e já me considerava uma futura grande poetisa que marcaria a história da literatura brasileira e sobre quem um dia alguém escreveria uma biografia.
Segui até a professora cheia de orgulho e satisfação.
- Que palavra é essa?- disse ela, numa mescla de desprezo e dúvida.
A professora me deu 6, o que achei uma grande injustiça. Achava- me até mais esperta do que a professora, já que ela não sabia o significado da palavra imersa na minha poesia tão complexa, sentia-me uma poetisa póstuma, incompreendida. Hoje sei muito bem que minha poesia era ruim de doer e não fazia muito sentido.
Um dia eu percebi que poesias não são feitas seguindo uma receita que nos orienta colocar os ingredientes amor e palavras difíceis. Dá até pra fazer poesia sobre fome e com palavras fáceis!
- Tem uma poesia que é assim:
"Com A escrevo amor
Com P escrevo paixão
Com F escrevo Fulano
no fundo do meu coração". Aí é só você substituir pelo nome do menino que você gosta, e pronto, já é uma poesia.
Ah! Assim era fácil... Pois então, mas agora o meu novo questionamento era qual nome colocar. Eu tinha apenas 11 anos de vida e nenhum amor vivido. No máximo tinha começado a ter os primeiros sintomas de uma leve atração física por aquele menino da quarta série com quem eu vivia brigando, mas nada que me fizesse desenhar corações no caderno ou chorar ouvindo alguma música boba.
A solução era inventar algum amor. Coloquei o nome de um menino que não existia, e não recordo o nome agora. Depois entreguei a bendita poesia à professora. Não deu outra: foi bronca no dia seguinte.
- Teve gente, não vou citar nomes aqui, que colocou uma poesia assim:
Com A escrevo amor
Com P escrevo paixão
Com F escrevo Fulano
no fundo do meu coração
Morri de vergonha.
- Poesia não é cópia, poesia é criação. O que vocês estão fazendo não é poesia.
Ah meu Deus! Como é que eu ia escrever uma poesia? Depois de ler muitos poemas e poesias eu começei a imaginar o que escrever.
- Já sei. Eles usam essas palavras difíceis.
Prontamente peguei o dicionário e, para cada palavra que me vinha à mente, eu procurava um sinônimo pouquíssimo conhecido. Ao terminar a minha "obra de arte", lia com orgulho, e já me considerava uma futura grande poetisa que marcaria a história da literatura brasileira e sobre quem um dia alguém escreveria uma biografia.
Segui até a professora cheia de orgulho e satisfação.
- Que palavra é essa?- disse ela, numa mescla de desprezo e dúvida.
A professora me deu 6, o que achei uma grande injustiça. Achava- me até mais esperta do que a professora, já que ela não sabia o significado da palavra imersa na minha poesia tão complexa, sentia-me uma poetisa póstuma, incompreendida. Hoje sei muito bem que minha poesia era ruim de doer e não fazia muito sentido.
Um dia eu percebi que poesias não são feitas seguindo uma receita que nos orienta colocar os ingredientes amor e palavras difíceis. Dá até pra fazer poesia sobre fome e com palavras fáceis!
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Ieda diz:
por falar em viadinho, pop n é nome de cachorro gay?
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
eita ieda
Tati diz:
sei lá
Ieda diz:
é o nome do cachorro da avó de matheus
Ieda diz:
e é um poodle
Ieda diz:
e o da minha tia
Ieda diz:
q é lalinho
Ieda diz:
o nome de guerra
Ieda diz:
mas o nome verdadeiro é lion
Ieda diz:
é um leão com uma bola rosa
Ieda diz:
e colorida
Ieda diz:
p brincar
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
tadinho ieda
Tati diz:
eu ja vi um cachorro gay
Tati diz:
comendo outro
Tati diz:
o povo ficou admirado
Tati diz:
não queria deixar
Ieda diz:
onde?
Tati diz:
na fazenda da amiga da minha mãe
Ieda diz:
os cachorros de david são assim
Tati diz:
tá vendo
Ieda diz:
ahh
Tati diz:
o povo é homofóbico
Ieda diz:
mikinho é doido p comer rabito
Tati diz:
se fosse cachorro e cachorra iam achar bonito
Ieda diz:
miquinho é pequeno
Ieda diz:
e rabito é grande
Ieda diz:
com ctz
Ieda diz:
e miquinho começa c as preliminares
Ieda diz:
o lambendo
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
caralho
Tati diz:
lambendo o cu ne?
Tati diz:
velho
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
a gente ta foda hj
Ieda diz:
n
Ieda diz:
o rosto e vai descendo
Ieda diz:
tá msm
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
por falar em viadinho, pop n é nome de cachorro gay?
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
eita ieda
Tati diz:
sei lá
Ieda diz:
é o nome do cachorro da avó de matheus
Ieda diz:
e é um poodle
Ieda diz:
e o da minha tia
Ieda diz:
q é lalinho
Ieda diz:
o nome de guerra
Ieda diz:
mas o nome verdadeiro é lion
Ieda diz:
é um leão com uma bola rosa
Ieda diz:
e colorida
Ieda diz:
p brincar
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
tadinho ieda
Tati diz:
eu ja vi um cachorro gay
Tati diz:
comendo outro
Tati diz:
o povo ficou admirado
Tati diz:
não queria deixar
Ieda diz:
onde?
Tati diz:
na fazenda da amiga da minha mãe
Ieda diz:
os cachorros de david são assim
Tati diz:
tá vendo
Ieda diz:
ahh
Tati diz:
o povo é homofóbico
Ieda diz:
mikinho é doido p comer rabito
Tati diz:
se fosse cachorro e cachorra iam achar bonito
Ieda diz:
miquinho é pequeno
Ieda diz:
e rabito é grande
Ieda diz:
com ctz
Ieda diz:
e miquinho começa c as preliminares
Ieda diz:
o lambendo
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
caralho
Tati diz:
lambendo o cu ne?
Tati diz:
velho
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Tati diz:
a gente ta foda hj
Ieda diz:
n
Ieda diz:
o rosto e vai descendo
Ieda diz:
tá msm
Tati diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Tem músicas das quais a gente não gosta numa primeira escutada
Aí então a gente ouve de novo
e ela se incorpora e toma forma na nossa alma
Mas para percebê-la era preciso estar com os sentidos dispostos
Porque senão seria apenas mais uma canção
que a gente não guarda no coração, não lembra na madrugada
que fica, com toda sua beleza e graça, cantarolando sozinha no ar
cantando até se acabar
porque ninguém a pôs de novo pra tocar.
Aí então a gente ouve de novo
e ela se incorpora e toma forma na nossa alma
Mas para percebê-la era preciso estar com os sentidos dispostos
Porque senão seria apenas mais uma canção
que a gente não guarda no coração, não lembra na madrugada
que fica, com toda sua beleza e graça, cantarolando sozinha no ar
cantando até se acabar
porque ninguém a pôs de novo pra tocar.
Às vezes pego os anseios do futuro
e os sinto como se fossem recordações
é um tal convencimento das ilusões
que me faz tomar premonições por antigos acontecimentos
Nunca vi maior fingimento
Fazer do desejo que nunca aconteceu
Um retrato na estante
Mas, não são anseios, lembranças e sonhos
coisas semelhantes?
e os sinto como se fossem recordações
é um tal convencimento das ilusões
que me faz tomar premonições por antigos acontecimentos
Nunca vi maior fingimento
Fazer do desejo que nunca aconteceu
Um retrato na estante
Mas, não são anseios, lembranças e sonhos
coisas semelhantes?
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Sobre as coisas que eu não considero importantes
Eu não considero o natal importante. Nem colação de grau. E tive que ouvir boas broncas nessa semana por não dar a mínima pra esses dois eventos. Foram broncas das boas, que me fizeram rever algumas das minhas convicções.
Está certo. Eu admito. Deixei de gostar do natal desde que aprendi essas coisas sobre a celebração do consumismo na adolescência através das bandas de rock. É verdade, eu virei ateísta desde que me deparei com a tal da dúvida que move todos os debates filosóficos na faculdade. E, no meu caso, a dúvida levou ao ateísmo. Daí eu não me emociono mais ao ver um presépio, eu passei a odiar ouvir Simone cantando uma versão brasileira Herbert Richards de "What a wonderful world", eu não sinto vontade de dizer Feliz Natal, etc etc etc...
Agora vamos à colação de grau. Eita negocinho sem graça dos infernos. Eu fui ver a colação de uma amiga, mas pense na zuada, naquela ruma de gente gritando, e apitando, e o calor, a falta de cadeiras pra sentar... PUTA QUE PARIU ODIEI EIN. Também já vendi rifas pra festinha de formatura, e odiei igualmente encher o saco dos outros pra vender rifa de DVD, MP4, a porra... E PIOR, passar a manhã inteira debaixo do sol numa feira de roupas usadas!!! Resultado: desisti dessas celebrações de formandos... Pra colação de grau não vou nunca mais, nem pra minha! E acabei não indo para a de outra aminha minha que colou grau recentemente.
Bem, mas, como havia dito anteriormente, eu tive que rever isso tudo. Está certo que o natal não é importante pra mim, mas e se minha mãe quer que eu esteja com ela nesta data? E se ela quiser que eu vá à missa com ela? Fazer o quê? E a minha amiga, que fez a colação e eu não compareci, passou uma hora me dando sermão porque não fui. Só quando vi os olhos dela cheios de lágrimas, que não chegaram a sair, é que me dei conta do quanto aquilo era importante pra ela. "Eu passei dois anos planejando tudo isso", disse, indignada.
É, se era importante o natal pra minha mãe e a colação de grau pra minha amiga, eu também deveria dar a devida importância em respeito a elas. Lembrei-me de quando eu me apresentei no colégio na quadrilha... Recordo que chorei porque queria muito que ela estivesse lá, mas ela não considerava importante...
Está certo. Eu admito. Deixei de gostar do natal desde que aprendi essas coisas sobre a celebração do consumismo na adolescência através das bandas de rock. É verdade, eu virei ateísta desde que me deparei com a tal da dúvida que move todos os debates filosóficos na faculdade. E, no meu caso, a dúvida levou ao ateísmo. Daí eu não me emociono mais ao ver um presépio, eu passei a odiar ouvir Simone cantando uma versão brasileira Herbert Richards de "What a wonderful world", eu não sinto vontade de dizer Feliz Natal, etc etc etc...
Agora vamos à colação de grau. Eita negocinho sem graça dos infernos. Eu fui ver a colação de uma amiga, mas pense na zuada, naquela ruma de gente gritando, e apitando, e o calor, a falta de cadeiras pra sentar... PUTA QUE PARIU ODIEI EIN. Também já vendi rifas pra festinha de formatura, e odiei igualmente encher o saco dos outros pra vender rifa de DVD, MP4, a porra... E PIOR, passar a manhã inteira debaixo do sol numa feira de roupas usadas!!! Resultado: desisti dessas celebrações de formandos... Pra colação de grau não vou nunca mais, nem pra minha! E acabei não indo para a de outra aminha minha que colou grau recentemente.
Bem, mas, como havia dito anteriormente, eu tive que rever isso tudo. Está certo que o natal não é importante pra mim, mas e se minha mãe quer que eu esteja com ela nesta data? E se ela quiser que eu vá à missa com ela? Fazer o quê? E a minha amiga, que fez a colação e eu não compareci, passou uma hora me dando sermão porque não fui. Só quando vi os olhos dela cheios de lágrimas, que não chegaram a sair, é que me dei conta do quanto aquilo era importante pra ela. "Eu passei dois anos planejando tudo isso", disse, indignada.
É, se era importante o natal pra minha mãe e a colação de grau pra minha amiga, eu também deveria dar a devida importância em respeito a elas. Lembrei-me de quando eu me apresentei no colégio na quadrilha... Recordo que chorei porque queria muito que ela estivesse lá, mas ela não considerava importante...
terça-feira, dezembro 11, 2007
Tal mãe, tal filha
Para a minha mãe eu gostaria de dedicar todos os sonhos que ela não realizou em si mesma
e realizou em mim
Mãe, obrigada por tudo
Desculpa se às suas expectativas todas,
Eu não atendi
Pelo que eu não fiz, me perdoa como se perdoa a si mesma
E por tudo que fiz,
Viva como se pertencesse a ti.
e realizou em mim
Mãe, obrigada por tudo
Desculpa se às suas expectativas todas,
Eu não atendi
Pelo que eu não fiz, me perdoa como se perdoa a si mesma
E por tudo que fiz,
Viva como se pertencesse a ti.
terça-feira, dezembro 04, 2007
Não adianta. Eu tenho a leve impressão de que a gente sabe, desde o primeiro encontro, se vai se apaixonar por alguém. Não que a gente se apaixone assim, de cara, mas é aquele lance de "alguma coisa acontece no meu coração..." Há alguma forma de encantamento, uma vontade de estar junto, uma admiração repentina... E se isso não ocorrer desde a primeira vez, não ocorrerá nunca mais. Podem até passar juntos meses, anos, mas nunca será como a paixão que toma a gente por inteiro.
E de cara é possível perceber, assim, que este será só mais um caso... É interessante aproveitar os casos na sua autêntica forma. Apreciar a aventura que o amor romântico não oferece: conhecer novas pessoas, mesmo que superficialmente, encanta. Não superficialmente no sentido pejorativo da palavra, mas entenda que trata-se de se deleitar com os pequenos gestos do outro que logo irá partir, ou você irá partir, entenda que é tudo pela efemeridade. E a efemeridade nada tem de inferior à "eternidade" prometida no amor romântico. A efemeridade é apenas a falta de promessas. Há também beleza nisso, pois há beleza até naquilo que não se tornou uma grande paixão. E é uma beleza simples, às vezes até nem permanece na memória.
Dá pra saber que eu nunca vou me apaixonar por você. Dá pra saber que eu nunca ia me apaixonar por você. Dá pra saber que eu ia me apaixonar por você.
Dá pra saber, mas, no fim de tudo, aquilo que não se tornou amor, o que não doeu nem trouxe tanta felicidade, o que não mereceu uma música, um porre no bar, uma declaração no meio da praça, o que não dá nem saudade, tem a sua própria beleza. A beleza do que, na vida, não teve muita importância. E boa parte da vida é feita do que não tem tanta importância.
E de cara é possível perceber, assim, que este será só mais um caso... É interessante aproveitar os casos na sua autêntica forma. Apreciar a aventura que o amor romântico não oferece: conhecer novas pessoas, mesmo que superficialmente, encanta. Não superficialmente no sentido pejorativo da palavra, mas entenda que trata-se de se deleitar com os pequenos gestos do outro que logo irá partir, ou você irá partir, entenda que é tudo pela efemeridade. E a efemeridade nada tem de inferior à "eternidade" prometida no amor romântico. A efemeridade é apenas a falta de promessas. Há também beleza nisso, pois há beleza até naquilo que não se tornou uma grande paixão. E é uma beleza simples, às vezes até nem permanece na memória.
Dá pra saber que eu nunca vou me apaixonar por você. Dá pra saber que eu nunca ia me apaixonar por você. Dá pra saber que eu ia me apaixonar por você.
Dá pra saber, mas, no fim de tudo, aquilo que não se tornou amor, o que não doeu nem trouxe tanta felicidade, o que não mereceu uma música, um porre no bar, uma declaração no meio da praça, o que não dá nem saudade, tem a sua própria beleza. A beleza do que, na vida, não teve muita importância. E boa parte da vida é feita do que não tem tanta importância.
terça-feira, novembro 27, 2007
Aprendo mais com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar pra baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para ser menor, para o
Insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma barata - cresce de importância para o meu olho.
Ainda não entendi porque herdei esse olhar para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão- antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.
Manoel de Barros
É um olhar pra baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para ser menor, para o
Insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma barata - cresce de importância para o meu olho.
Ainda não entendi porque herdei esse olhar para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão- antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.
Manoel de Barros
segunda-feira, novembro 26, 2007

Câmeras fográficas, repórter maquiada se preparando pra ser filmada, mais jornalistas do que público. Tudo isso pra assistir a uma exposição de xilogravuras financiada pelo Programa BNB de Cultura, e apoiada pela Secretaria de Cultura do Estado. Tratavam-se de xilogravuras feitas por crianças e adolescentes de escolas públicas residentes em pequenos municípios de Sergipe. Os meninos e meninas estavam lá para presenciar a exposição, que mais parecia palco para personalidades "importantes" desfilarem a sua enorme estima pelas autênticas manifestações culturais do povo brasileiro. As paredes da biblioteca que abrigava a exposição estavam repletas de xilogravuras produzidas por crianças e adolescentes que aprederam em alguns poucos meses as técnicas milenares da xilogravura mescladas à tradição da literatura de cordel.
Eu estava lá para escrever uma matéria de assessoria de imprensa, e tinha a impressão de que já tinha visto cenas parecidas em outros lugares: mais jornalistas, mais grandes personalidades do que público em si, do que gente que foi ali só pra dar uma passada. Observava os fotógrafos tentando disfarçar nas imagens que ali havia pouquíssima gente. E eu tinha que fazer o meu papel de repórter, então dirigi-me a um pirralho pra lhe perguntar sobre sua xilogravura.
- E aí, o que você quis retratar nesse desenho?
- Moça, na verdade eu queria fazer um retrato da minha mãe, só que não deixaram. Disseram que era pra fazer alguma coisa de cultura popular.
Eu estava lá para escrever uma matéria de assessoria de imprensa, e tinha a impressão de que já tinha visto cenas parecidas em outros lugares: mais jornalistas, mais grandes personalidades do que público em si, do que gente que foi ali só pra dar uma passada. Observava os fotógrafos tentando disfarçar nas imagens que ali havia pouquíssima gente. E eu tinha que fazer o meu papel de repórter, então dirigi-me a um pirralho pra lhe perguntar sobre sua xilogravura.
- E aí, o que você quis retratar nesse desenho?
- Moça, na verdade eu queria fazer um retrato da minha mãe, só que não deixaram. Disseram que era pra fazer alguma coisa de cultura popular.
domingo, novembro 25, 2007
Na solidão reconheço a minha imagem no espelho
E me beijo e me beijo
Como quem se apaixona por si mesma
Mas não é por mim essa paixão
É, sim, pela própria solidão
Pela ausência de estar toda para o mundo
Pela indecência de poder ser tudo o que há
E muito mais
Eu quero estar só
Para poder ser tudo ao mesmo tempo
Eu quero estar só
Distante dos cartórios, dos livros assinados
Das dívidas eternas
Das falsas promessas
Porque só consigo prometer a mim mesma
O que nunca vou cumprir
Que talvez agora eu esteja aqui
Um dia ali
E confesso que só quero o que não me mantém aqui ou ali
Promiscuidade dos lugares, dos sentidos, das emoções
Promiscuidade por sons, toques, cheiros, sensações
Em mim tudo o que permanece
É ânsia, somente ânsia
Nada além da ânsia
- Nem sequer as lembranças.
Decerto que as lembranças em mim nada são além do vagar pelo tempo devido a tanta ânsia.
Esta mesma ânsia que, quando estou aqui, me faz querer ir a outro lugar
Esta mesma ânsia que me faz partir sempre com o desejo de voltar
E a minha grande aventura, a minha eterna vontade
É ser para sempre
toda ânsia e saudade.
- Sou toda ânsia e saudade.
E me beijo e me beijo
Como quem se apaixona por si mesma
Mas não é por mim essa paixão
É, sim, pela própria solidão
Pela ausência de estar toda para o mundo
Pela indecência de poder ser tudo o que há
E muito mais
Eu quero estar só
Para poder ser tudo ao mesmo tempo
Eu quero estar só
Distante dos cartórios, dos livros assinados
Das dívidas eternas
Das falsas promessas
Porque só consigo prometer a mim mesma
O que nunca vou cumprir
Que talvez agora eu esteja aqui
Um dia ali
E confesso que só quero o que não me mantém aqui ou ali
Promiscuidade dos lugares, dos sentidos, das emoções
Promiscuidade por sons, toques, cheiros, sensações
Em mim tudo o que permanece
É ânsia, somente ânsia
Nada além da ânsia
- Nem sequer as lembranças.
Decerto que as lembranças em mim nada são além do vagar pelo tempo devido a tanta ânsia.
Esta mesma ânsia que, quando estou aqui, me faz querer ir a outro lugar
Esta mesma ânsia que me faz partir sempre com o desejo de voltar
E a minha grande aventura, a minha eterna vontade
É ser para sempre
toda ânsia e saudade.
- Sou toda ânsia e saudade.
sexta-feira, novembro 09, 2007
Surpresas musicais

Surpresa número 1- Quando meu irmão, menino fanático por Radiohead por influência minha, veio me dizer que a banda tinha lançado CD novo, e que esse CD poderia ser adquirido por preço determinado pelo consumidor através do site do Radiohead, eu só pensei numa coisa: legal. Isso, legal, apenas. Na verdade, eu achava que o CD seria um albunzinho mais ou menos, nada comparado a um OK Computer da vida. Ora ora, na minha crença bandas boas vão ficando cada vez mais fraquinhas com o passar do tempo, e seu destino é ou terminar por intriga dos músicos ego-inflados, ou acabar porque o vocalista morreu de overdose, para então essas tão maravilhosas bandas ficarem na nossa memória como algo sagrado.
Esse não parece ser o caso do Radiohead. Esse é uma grupo que fica melhor a cada dia que passa. Escuto o som dos caras desde meus 16 anos, e já estou com 22, e mesmo assim eles não têm uma obra falida ou que perdeu a graça. Muito pelo contrário, esse novo álbum, o In Rainbows, me soa como o melhor CD que o Radiohead já fez. As músicas têm muito, mas MUITO feeling, e parecem ter sido feitas numa convulsão de idéias de seus autores. São músicas intensas, bastante intensas, tanto nas letras quanto nos arranjos, e há uma confluência entre essas duas intensidades.
Só digo uma coisa: por mim o Radiohead ficava assim, lançando álbuns novos sempre melhores até eu ficar bem velhinha.
Surpresa número 2- A primeira vez que ouvi falar do Sean Lennin foi na MTV, e sei que foi algo como "ele coloca elementos de bossa nova nas músicas, ele é fã do Tom Jobim". É isso. Pra mim ele era só o filho do John Lennon. Tá, ele era o filho do John Lennon que gostava de música brasileira. Pronto. No mais, não passava do filho de alguém famoso, que nem Sandy e Júnior, que nem Vanessa Camargo, que nem Maria Rita. E eu tenho um preconceito SERÍSSIMO contra filhos de famosos. Porque pra mim eles não passam de filhos de famosos, ou, pra ser mais exata, impostores.

Mas aí eu tava hoje ouvindo rádio, que eu tinha deixado de ouvir há muito tempo, mas agora retomei o costume por estar trabalhando na Fundação Aperipê, que abarca rádios Aperipê AM e FM, além da Aperipê TV. Pois bem, então eu estava ouvindo a Aperipê FM, e no programa Especial das 10, que traz parte da discografia de um único artista durante todo o programa, o homenageado de hoje era Sean Lennon. Depois de já ter ouvido uma música, e gostado muito por sinal, é que soube que o artista era o bendito filho de John Lennon. Ainda bem, porque senão eu simplesmente teria desligado o rádio e ido dormir ou fazer qualquer outra coisa que não fosse ouvir um suposto impostor. Mas o cara é muito mais do que o filho de John Lennon, ele é bom mesmo, sim. Até estou no momento baixando alguns álbuns dele.
Foi bom porque aprendi: nunca subestime o talento de filhos de artistas famosos. Quem sabe né?
quinta-feira, novembro 08, 2007
Toda religião é uma forma cretina de explicar o mundo
Toda paixão é uma forma cretina de admirar
e admirar é tomar distância das coisas do mundo
Mas eu preciso de admiração
eu preciso de uma religião
um ofício, uma arte, um alguém
algo que me dê paixão
Eu quero trabalhar
na mais nova e grande idéia
Eu quero participar
da insurreição de quem vive na miséria
Eu quero a revolução
Toda revolução é envolvida por paixão
E toda paixão é uma revolução
dos sentidos
Mas o que sinto é uma grande vazio
incorporado
esse vazio incorporado na forma de tédio
- e ó tédio na forma de verbo-
Eu olho para as ruas e vejo que é tudo sempre igual
Eu olho para as caras e não vejo nada de especial
Meu grande amor não está por aí
A canção que ouço não é a canção que eu fiz
O ônibus do trabalho não viaja para onde eu quero ir
O céu está enevoado e deus eu nunca vi
Todos os deuses morreram
e essa é a minha perdição
Para viver é preciso ter deuses
-mas foi pelos deuses que eu sempre vivi!-
Pois quando eu disse: deus está morto
eu matei foi a mim.
Toda paixão é uma forma cretina de admirar
e admirar é tomar distância das coisas do mundo
Mas eu preciso de admiração
eu preciso de uma religião
um ofício, uma arte, um alguém
algo que me dê paixão
Eu quero trabalhar
na mais nova e grande idéia
Eu quero participar
da insurreição de quem vive na miséria
Eu quero a revolução
Toda revolução é envolvida por paixão
E toda paixão é uma revolução
dos sentidos
Mas o que sinto é uma grande vazio
incorporado
esse vazio incorporado na forma de tédio
- e ó tédio na forma de verbo-
Eu olho para as ruas e vejo que é tudo sempre igual
Eu olho para as caras e não vejo nada de especial
Meu grande amor não está por aí
A canção que ouço não é a canção que eu fiz
O ônibus do trabalho não viaja para onde eu quero ir
O céu está enevoado e deus eu nunca vi
Todos os deuses morreram
e essa é a minha perdição
Para viver é preciso ter deuses
-mas foi pelos deuses que eu sempre vivi!-
Pois quando eu disse: deus está morto
eu matei foi a mim.
domingo, novembro 04, 2007
Coisas que tenho de fazer antes de morrer...
- Ir a um show do Radiohead.
- Conhecer a França.
- Visitar um templo budista.
- Subir uma montanha.
- Pular de pára-quedas.
- Viajar de trem pela Europa. Tomar um café quentinho e observar pela janela do trem a bela vegetação e sentindo frio.
- Andar de barco nas ruas de Veneza.
- Passar um ano numa aldeia hippie.
- Conhecer a França.
- Visitar um templo budista.
- Subir uma montanha.
- Pular de pára-quedas.
- Viajar de trem pela Europa. Tomar um café quentinho e observar pela janela do trem a bela vegetação e sentindo frio.
- Andar de barco nas ruas de Veneza.
- Passar um ano numa aldeia hippie.
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