sábado, dezembro 11, 2010

Vida nova

Estou começando a formar uma rede de relações sociais pela internet com pessoas que moram ou vão morar em BH e são da pós. Isso me deixa muito feliz, pois andava angustiada com essa história de ir de mala e cuia para uma cidade grande assim sozinha, ao deus dará. Começo a me acostumar com a ideia de que nos próximos anos serei uma pessoa mais solitária, porém rodeada de gente. Como assim? Eu vou estar longe da família, dos amigos íntimos de anos, distante de tudo o que eu considerava um porto seguro. Serei eu por mim mesma, enfrentando as adversidades da vida by myself. Mas vou entrar em contato com lugares, sotaques novos... Pessoas que vem e vão, gente com o mesmo destino de viver longe e sem saber ao certo indo pra onde. E penso que devo ser uma persona nova, uma nova personagem em outro capítulo da história da minha vida.. Devo criar minha própria fortaleza, não permitir que nenhuma vulnerabilidade seja alvo fácil de uma desconstrução. Acho que agora a minha vida vai a mil por hora. E isso me emociona, me deixa ansiosa e feliz também, pois adoro mudanças. E é por isso que estou na espera tic tac tic tac pela despedida!

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Porque o mundo "alternativo" me cansa - parte 1

Eu poderia citar inúmeros motivos pelos quais o universo "alternativo" me cansa e é por isso que cito este post como um capítulo de uma série, mas nem sei se vou dar prosseguimento. Bom, o fato é que há tempos eu falo mal do meio "alternativo". Pelos mais diversos motivos, e desta vez eu vou citar um: homens pseudo-feministas.

Como o pessoal "alternativo" é muito "libertário", o que não falta são homens que se dizem sensíveis ao ponto de compreender as preocupações femininas, que afirmam que mulher tem mais é que trepar com quem quiser, enfim, que acham um absurdo essa sociedade machista, opressora e blá blá blá. Ok.

Certa vez um amigo meu disse uma coisa muito certa: "não existe homem feminista. Há os machistas esclarecidos. Eu sou um machista esclarecido". Correto. E francamente, até hoje eu não encontrei um homem feminista mesmo. Então acho que está na hora de assumir o machismo ensinado desde pequenininho (inclusive pela própria mãe) para fazer uma auto-crítica, pois sem ter consciência e avaliar o próprio machismo, o cara se perde na sua auto-imagem bonitinha de feminista leitor de Virginia Woolf, e pensa que está abafando no feminismo, quando na verdade está tendo diversas atitudes machistas.

Não foram poucas as vezes em que eu vi homens que se intitulam feministas pronunciando barbaridades extremamente machistas. Como afirmar que uma garota que bebe faz por onde ser mal falada, ou que uma mulher é uma "qualquer" porque transou logo. Mas eles dizem isso e logo depois tocam violão ou falam de Simone Beauvoir.

Alguns dizem que é possível "ser uma mulher". Perdoem-me os pós-modernos, mas pra mim esse papo de identidades fluidas é balela. Tudo bem que identidade fixa é algo muito simplista, mas também ôba ôba não. Não venha você, "alternativo", dizer que sabe o que é ser mulher porque você não tem corpo de mulher, você não é olhado como uma mulher, você não foi educado como mulher. Você não sabe o que é ter sangue escorrendo por entre suas pernas todo mês, nem o que é alguém mandar você lavar os pratos porque você é mulher. Então esse papinho todo é ba-le-la.

Agora falando sério, tudo não passa de desculpa pra comer mulher. Nos mais diversos meios, os homens usam máscara para conquistar mulheres. E se nos shows de pagode eles usam uma corrente ridícula no pescoço, blusas que mostram os músculos enormes, no meio "alternativo" rola essa historinha do eu sou sensível e feminista.

Tudo uma grande farsa. São tão machistas ou mais que os pagodeiros. E tem o mesmo medo de ser corno, os mesmos ciúmes, as mesmas desconfianças diante de comportamentos femininos que consideram típicos de "puta".

É por isso que o meio "alternativo" me cansa. O povo se acha muito especial, mas é "tudo a mesma merda".

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Masculino, feminino

Ontem eu estava pensando numa coisa: os escritores que compuseram uma escrita que conquistou uma maior identificação da minha parte são homens. Foi aí que eu me perguntei: por quê, por mais que eu adore Florbela Espanca, ela não me causa o que Fernando Pessoa causa? Por quê Clarice Lispector nunca me afetou tanto quanto Caio Fernando Abreu? Foi aí que eu retornei à minha dúvida anterior: será que eu tenho uma mente masculina?

Várias pessoas me disseram que eu tenho uma mente masculina. Já houve até quem dissesse que penso como um homem gay. Não sei direito o que é isso, mas enfim. Vamos lá. A única escritora feminina que realmente conseguiu quebrar minhas estruturas foi Virginia Woolf. E só. E mesmo assim, entre Sra. Dalloway e Orlando, eu fico com o segundo, que fala sobre a experiência da transformação de um nobre em mulher, trazendo assim uma ambiguidade entre masculino e feminino. Ou talvez fosse preciso ir além da questão dos gêneros? Será que sou afeita a esta ambiguidade? Mas se os gêneros existem na cultura e nós estamos inseridos na cultura, é possível falar para além dos gêneros, ou de fora dessa cultura? Dúvida. E mesmo numa obra como Madame Bovary, Flaubert se aventura pelo universo feminino, mas esse livro carrega o olhar do homem. Não é Madame Bovary quem nos fala, mesmo que Flaubert diga: "Madame Bovary c'est moi".

Mas os escritores que conseguiram provocar uma identificação mais forte em mim foram Fernando Pessoa, com seu heterônimo Álvaro de Campos, e Caio Fernando Abreu. Em Álvaro de Campos eu encontrei uma espécie de alma gêmea, identificando-me com a sua busca pelas paisagens, vadiando pelos lugares, seu cansaço por sentir sensações extremas, o tédio profundo no choque com o mundo, a insônia, a ânsia, o sarcasmo... E meu poema favorito é Passagem das horas, um trecho:

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Já Caio Fernando Abreu eu conheci recentemente, e digamos que ele foi meu companheiro de longas madrugadas de angústia. Digamos que Morangos mofados era a tradução literária do que estava acontecendo na minha vida. E quando li Os dragões não conhecem o paraíso e Triângulo das águas eu percebi que eu não lia Caio, não entendia, não racionalizava, eu simplesmente embarcava na loucura junto com ele. Uma escrita confessional que me levava, me puxava, me arrancava com palavras cruas. Caio parece querer dizer assim: não são apenas palavras, não são apenas emoções, não é apenas linguagem, é carne! Escrita do corpo! Foi quando eu encontrei no silêncio do apartamento, na tela do computador meio difusa pela madrugada, alguém que compartilhava de coisas que vivi. Trecho de Natureza viva, do livro Morangos mofados:

Mas já não sou capaz de me calar, talvez dirás então, descontrolado e um pouco mais dramático, porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira. O outro te olhará com olhos vazios, não entendendo que teu ritmo acompanharia o desenrolar de uma paisagem interna absolutamente não verbalizável, desenhada traço a traço em cada minuto dos vários dias e tantas noites de todos aqueles meses anteriores, recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousaste definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia, interceptou o círculo do outro.
No silêncio que se faria, pensas, precisarás fazer alguma coisa como colocar um disco ou ensaiar um gesto, mas talvez não faças nada, pois ele continuará te olhando com seus olhos vazios no fundo dos quais procuras, mergulhador submarino, o indício mínimo de algum tesouro escondido para que possas voltar à tona com um sorriso nos lábios e as mãos repletas de pedras preciosas.

Quando leio palavras como as de Fernando Pessoa ou de Caio Fernando Abreu, eu sinto algo diferente do que ao ler escritoras femininas. Talvez tudo não passe de imaginação minha. Mas é como se neles a delicadeza tivesse alguma brutalidade que não vejo nas mulheres. Na verdade não sei direito verbalizar isso. Pra terminar sem conclusão nenhuma, só questionando, eu recorro a uma canção de Chico Buarque, que conseguiu com maestria se aproximar dos sentidos de uma mulher:

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Do que ela precisa

Precisava de um menino como ele...
Bonitinho
Facilmente dominado
Gentil
E que sabe o que faz!

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Love is suicide

A cada dia que passa, eu me convenço mais e mais de que, não importa o que se convencionou chamar de paixão ou amor, o Billy Corgan, com sua voz rasgada, estava certo na música Bodies.

Love is suciiiiiiiide

Acho que vou tatuar isso. É, amiguinhos, o amor é suicídio. Amar é uma coisa arriscada pra cacete. Tem doido que se joga numa dessa. E não adianta tentar deixar bonitinho, achando que pode ser algo racional e maduro, nem dizer que não existe recorrendo à filosofia ou às suas experiências frustradas.

O amor dói ao mesmo tempo que consola. Em algum momento você vai chorar, você não vai entender o que porra está acontecendo, você vai querer aprender a arte da telepatia, você vai sentir tanto desejo que vai doer. E vai também experimentar o abandono num abraço duradouro, deitados sobre uma cama, enrolados em lençóis e noias, ou dividindo risos e histórias de uma vida inteira.

E aí eu recorro ao Billy Corgan de novo, com outra música linda do Smashing Pumpkins, Shame:

Love is good and love is kind
Love is drunk and love is blind
Love is good and love is mine
Love is drunk all the time

O amor é bom, é generoso, mas é bêbado o tempo todo! Falando em bêbado, lembrei da Amy Winehouse. Ela também está certíssima quando canta com a voz cortante:

Love is a losing game...

É, o amor é mesmo um jogo de azar. Aí depois ela canta aquele verso que usa uma expressão de jogo de pôker, quando sua mão no jogo tem tudo pra perder, mas isso vai depender da sua sorte ou mesmo do seu feeling pra coisa: Love is a losing hand.

Cada um com suas apostas...

Os catadores e a catadora (2000), Agnès Varda


Em Os catadores e a catadora, Agnès Varda consegue aliar debate sobre problemas sociais a uma reflexão estética sobre a arte cinematográfica, o que finda por deixar de lado um esteticismo abstrato e separado da vida cotidiana, como também segue para além da dicotomia forma e conteúdo.

Neste documentário, Agnès Varda vai em busca das pessoas que se dedicam a catar vestígios: sejam aqueles que coletam os restos da colheita no campo, sejam os mendigos que vasculham latas de lixo. E, nesse processo, a cineasta faz uma viagem sensível, afirmando-se como uma catadora - de imagens, de poesia, de afetos.

Tanto os catadores quanto a cineasta se posicionam num lugar situado na periferia do capitalismo. O que está no centro da discussão neste filme é justamente o que Alvin Toffler denominou sociedade do descartável, e, esteticamente falando, sociedade do espetáculo formulada por Guy Debord e estetização da vida cotidiana como propõe adversamente a Debord o teórico Michel Maffesoli.

O conceito de sociedade do descartável conclui que na contemporaneidade a economia capitalista é caracterizada por uma alta efemeridade, criando produtos para durarem cada vez menos tempo, para serem consumidos instantaneamente e por fim descartados. Toffler conclui que esta sociedade produz uma quantidade monumental de lixo, e o desperdício prevalece na esteira da desigualdade social. David Harvey vai além em Condição pós-moderna e formula que esse modo de lidar com as coisas promove alterações na própria subjetividade - estaríamos lidando com relações humanas, valores, ideologias também descartáveis. E não seria assim também na estética de filmes criados para serem consumidos e descartados?

Ora, se os catadores estão atrás da renovação, do aproveitamento daquilo que foi descartado pela sociedade, Agnès Varda procura pela imagem poética que igualmente se encontra em decadência nos tempos caracterizados pelo consumo excessivo de imagens. O filósofo Guy Debord postula que a imagem seria o fim último da acumulação capitalista ocorrida no decorrer da história - o capitalismo não produz apenas mercadorias, mas também e talvez o mais importante, imagens (como aquelas da publicidade). Numa opinião adversa à de Debord, Maffesoli não vê a estetização da realidade como um processo de alienação (alienação essa que se dá através da sacralização das mercadorias através da imagem), todavia crê na apropriação pelos indivíduos da cultura midiática constituindo as suas formas de sociabilidade (a exemplo das tribos urbanas que partilham apreciação em comum de determinados produtos midiáticos).

De todo modo, se os catadores coletam o que é desperdiçado pela sociedade do descartável, Agnès Varda cata imagens que ainda almejam preservar a poesia num universo marcado pela imagem que tem valor mercadológico acima de qualquer outro. E para isso ela assume uma estética amparada num equipamento bastante precário, posicionando-se à margem da produção cinematográfica das grandes produções milionárias. Assim, Varda parece querer ativar o nosso olhar para esta imagem que nos exige a contemplação: dispõe no último plano um quadro em que o movimento acontece no instante, em que o tempo se confunde com a imagem.

domingo, dezembro 05, 2010

Blasé

Descobri uma coisa muito engraçada hoje. Tem gente que finge que eu sou invisível, faz de conta que eu não existo, e bota toda uma banca de blasé pro meu lado. "Sou um ser misterioso e inatingível". E eu acreditava que era verdade, que ora bolas, não devo ter significado merda nenhuma pra essa pessoa - alguém que já entrou em contato tão íntimo comigo.

Mas aí eu tenho uma surpresa. Tudo não passa de uma grande fucking farsa. Essa pessoa se lembra de mim sim, e mais: busca meus rastros, informações sobre mim, tem interesse quanto à minha pessoa. E eu, que achava que nunca havia estado num cantinho da sua memória, me sinto agora viva na mente dele.

Não que ele me ame ou coisa parecida. Nem eu o amo. Nem que nós iremos ter qualquer coisa mais. Mas é importante para mim e me deixa feliz agora saber que ele me viu, que ele me vê... Mesmo que ele finja, que ele tenha ressentimento, ou até mesmo um certo desprezo por mim.

Meu caro, é de você mesmo que eu estou falando. Sim, isto é uma direta. Faça como eu: minta.

Change your heart, look around you...

Quem sou eu

Nesta semana, eu tive uma surpresa ao abrir meu orkut. Lá estava uma frase no meu perfil que eu não lembrava de ter escrito.

Quem sou eu: eu tenho o direito de ser assim.

Não lembro quando coloquei esta frase. Devia estar lá há tempos. Provavelmente cheguei em casa ébria, com minha mania de entrar no msn, twitter, orkut, e a escrevi. E só depois, quando resolvi fazer uma modificação no perfil, eu a encontrei.

Apesar de não tê-la escrito de modo racional, eu cá muito concordo com ela. E esses dizeres me trouxeram paz, e me proporcionaram um instante em que deixei de lado a minha culpa, minha tão grande culpa, ou qualquer auto-elogio e orgulho do meu modo de ser.

Eu tenho o direito de ser assim. Apenas isso.

Realidade e fantasia

Certa vez eu critiquei minha mãe por estar assistindo a uma novela. Ao que ela me respondeu:

- Deixa eu ver minha novela em paz. Eu já aguento um monte de coisa ruim o dia todo, quando chego em casa quero mais é descansar.

Foi aí que eu pensei: que direito tinha eu de falar aquilo? Nenhum. Comentei o episódio com dois amigos ontem à noite, e então, entre doses de vinho, meu amigo disse assim:

- Mas é isso mesmo. Quem tá na realidade precisa de um pouco de fantasia.

E eu respondi:

- O mundo funciona assim: realidade para quem vive na fantasia, e fantasia para quem vive na realidade.

Falei em termos bem simplistas, deixando pra lá toda a discussão sobre o real, a fantasia e as relações entre eles. E me lembrei do semblante de minha mãe assistindo a uma cena bastante evasiva de novela: os olhos brilhando com tanta ingenuidade, olhos esses que eu nunca vi nela em qualquer ocasião da realidade.

sábado, dezembro 04, 2010

I am the highway



Tá aí uma banda que eu gosto pra caralho: Audioslave. E não, não é por achar o vocalista, Chris Cornell, um gato kkkk. Mas é porque eu considero uma banda que consegue trazer o peso do bom e velho rock and roll (mesclando vários tipos de rock) com letras muito bem elaboradas. Porque francamente, se tem uma coisa que falta no mundo do rock em inglês são boas letras. Boa música tem de sobra, mas letras? Difícil achar. E essa música em especial fala muito sobre meu atual momento...

Dá até vontade de aprender a dirigir só pra sair por aí com um carro sozinha pela estrada sem fim, de óculos escuros pra dar um charme a mais kkkk, e ouvindo Audioslave! ;)

Pearls and swine bereft of me
Long and weary my road has been
I was lost in the cities
Alone in the hills
No sorrow or pity
for leaving
I feel

I am not your rolling wheels
I am the highway
I am not your carpet ride
I am the sky

Friends and liars
don't wait for me
Cause I'll get on
all by myself

I put millions of miles
Under my heels
And still too close to you
I feel

I am not your rolling wheels
I am the highway
I am not your carpet ride
I am the sky
I am not your blowing wind
I am the lightining
I am not your autumn moon
I am the night
The night

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Meu pequenino

Meu pequenino estava na praça do condomínio
sentado, sozinho
de oclinhos
gordinho
lendo...

Meu pequenino encontra na praça do condomínio a sua liberdade
é a rua onde pode passear
sem precisar de ninguém que tome conta
e ele fica grande, que nem gente grande!

Mas meu pequenino sozinho não queria estar
lendo Harry Potter...
olha para as outras crianças no balanço
correndo, brincando,
disfarça...

Meu pequenino não fala de abstrações
mas de ações, coisas, lugares
não fala com verbo conjugado,
mas no infinitivo
ou mesmo substantivo:
"Eu amor você"

Meu pequenino não sabe dizer
"estou sofrendo muito"
mas ele diz
"triste eu sim"
ou seus olhos se desmancham em lágrimas
"eu escola não hoje por favor não gosta"

E meu pequenino não diz
"tenho medo da solidão"
mas tão somente escreve
"Sozinho".

E assim, sentado na praça, com o livro aberto em mãos
Ele deve estar lendo alguma história
escrita por alguém que usa o verbo conjugado
e que ele lê com o verbo no infinitivo
assim como quando ele vê TV sem áudio
e faz seus próprios barulhinhos.

Isn't amazing?


Hoje quando fui tocar violão, eu me encuquei: que música tocar? Pensei, pensei diante da tela do computador com o site de cifras aberto na minha frente. Hummm. Aerosmith! Cryin'! E comecei:

There was a time
when I was so broken-hearted

love wasn't much of a friend of mine.


Estava atrás de uma banda nova pra ouvir. Ultimamente só estava ouvindo as mesmas músicas.

E não é que eu estou descobrindo uma banda que já ouvia há tempos aleatoriamente por aí e nunca tinha pensando em fazer o download das músicas deles? Muito bom!

Aquela voz rasgada do James Tyler, adoooro! ;)

I kept the right ones out
And let the wrong ones in
Had an angel of mercy to see me through all my sins

There were times in my life
When I was goin' insane
Tryin' to walk through
The pain

When I lost my grip
And I hit the floor
Yeah, I thought I could leave, but couldn't get out the door

I was so sick and tired
Of livin' a lie
I was wishin' that I
Would die

It's amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It's amazing
When the moment arrives that you know you'll be alright
It's amazing
And I'm sayin' a prayer for the desperate hearts tonight

That one last shot's a permanent vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life's a journey not a destination
And I just can't tell just what tomorrow brings

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn't listen to all that righteous talk

I was out on the street
Just tryin' to survive
Scratchin' to stay alive

It's amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It's amazing
When the moment arrives that you know you'll be alright
It's amazing
And I'm sayin' a prayer for the desperate hearts tonight

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Ah, look at all the lonely people


All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Nesta madrugada estava com essa música na cabeça. É Eleanor rigby, dos Beatles. Mais especificamente esses versos...

E aí eu me perguntei: de onde eu vim? pertenço a qual lugar?

Ah, olhe para as pessoas solitárias...

Imagem: Paris, Texas (1984), de Wim Wenders

E Deus?


(...) o grande anjo de braço erguido, mármore frio segurando a espada reluzente de chuva, a igreja recortada contra o céu, nenhuma estrela, uma vontade de benzer-se pedindo proteção, afasta de mim, Deus, mas Deus tinha morrido em Auschwitz, talvez no Vietnã, fazia tempo.

Trecho da novela Pela noite, do livro Triângulo das águas, de Caio Fernando Abreu.

Imagem: Nuit et brouillard (1955), Alain Resnais

Le fils (2002), Luc e Jean-Pierre Dardenne


O que eu considero mais impressionante no cinema dos irmãos Dardenne é o completo domínio do roteiro - o desenvolvimento do conflito de seus personagens traz toda a contradição humana e se conduz a fios inextrincáveis. A excelente elaboração do roteiro se dá também em virtude da construção dos personagens a partir de gestos demasiado simbólicos. E uma constante no cinema dos Dardenne é o fato de o clímax apresentar uma dolorosa revelação aos seus personagens e a conclusão da trama representar uma ascese deles.

Tomemos um exemplo: nesta madrugada assisti a Le fils (2002), que narra a história de um homem que resolve ensinar a arte da carpintaria ao rapaz que, com apenas 11 anos de idade, estrangulou o seu filho durante um assalto. Temos neste filme uma fórmula inversa a outro filme dos Dardenne, L'enfant. Pois L'enfant fala de um pai ausente que decide abandonar o seu bebê vendendo-o num momento de aperto financeiro, enquanto Le fils aborda a vida de um pai desamparado com a morte do filho, e que busca no seu assassino um novo filho.

E a encenação proposta pelos Dardenne chega à excelência através dos detalhes, dos tais gestos simbólicos. Olivier, o pai que perdeu o filho, pergunta para o rapaz que matou a criança, Francis, o que ele havia feito para permanecer preso durante cinco anos. Nesse momento, os dois estão jogando totó. E durante o jogo é possível observar a agressividade que remonta ao rancor que Olivier carrega de Francis, mas também vemos a infantilidade do assassino.

Após Olivier revelar que era pai do menino que Francis havia matado, o garoto corre com medo de Olivier. A perseguição termina com Olivier sentado em cima de Francis e com as mãos sobre o seu pescoço - numa clara referência à morte do filho de Olivier, por estrangulamento. Mais parece que as relações humanas são perpassadas por imagens carregadas de passado e por ações que se repetem.

Além do domínio de roteiro pelos Dardenne, os atores que interpretam Olivier e Francis agraciam a narrativa com uma atuação maravilhosa. O ator que representa Olivier, Olivier Gourmet, estava impecável, trazendo a solidão no semblante austero de bom pai. E Morgan Marine, que interpretou Francis, apresenta gestos sutis de uma agressividade infantil que cede a uma igual solidão profunda - o que une Francis e Olivier.

E será que Olivier acredita que tem uma missão divina ao cuidar de Francis? Afinal, não é a toa que ele é carpinteiro, assim como José, que ensinou a Jesus Cristo, filho de Deus e não seu, a arte da carpintaria.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Saudades de Pernambuco




Essa foto minha com a bandeira de Pernambuco na verdade foi tirada em Alagoas kkkkkk.

A outra foi no carnaval de Olinda. "Olinda inteira vai descer ladeira...". Aliás, saudade dessa galera gente boa que estava comigo (tive sorte de conhecer uma galerona massa no carnaval). Principalmente saudade desse baiano anjinho de camisa quadriculada.

"Pernambuco embaixo dos pés e minha mente na imensidão..."

Saudades de Alagoas


Eu podia chamar este post também de "saudades de Bárbara". Essa foto é de um dia lindo que a gente passou juntas num paraíso chamado praia do Francês. A gente se divertiu muuuuito!!! :D Né, nega?

O viajante



Eu sempre que parti, fiquei nas gares
Olhando, triste, para mim...

Mario Quintana
Apontamentos de história sobrenatural

Imagem: O céu de Suely, de Karim Aïnouz.

.


Decisão

Perguntei a um amigo hoje se eu estava tomando decisões drásticas na minha vida:

- Você está passando por uma nova fase - disse ele.

Ele falou como se dissesse "não adianta reprimir isso, você está mudando mesmo e nesse processo algumas coisas ficam pra trás". E é verdade. Eu estou passando por uma nova fase.