Velho, hoje eu me peguei pensando no quanto é escroto botar dois guris pra cantar essa música.
Que cocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?
Que cocê foi fazer no mato?
Eu precisava cortar lenha, Genaro, meu bem
Eu precisava cortar lenha
Quem é que tava lá com você, Maria Chiquinha?
Quem é que tava lá com você?
Era filha de Sinhá dona, Genaro, meu bem
Era filha de Sinhá dona
Eu nunca vi mulher de culote, Maria Chiquinha
Eu nunca vi mulher de culote
Era a saia dela amarrada nas pernas, Genaro, meu bem
Era a saia dela amarrada nas pernas
Eu nunca vi mulher de bigode, Maria Chiquinha
Eu nunca vi mulher de bigode
Ela tava comendo jamelão, Genaro, meu bem
Ela tava comendo jamelão
No mês de setembro não dá jamelão, Maria Chiquinha
No mês de setembro não dá jamelão
Foi uns que deu fora do tempo, Genaro, meu bem
Foi uns que deu fora do tempo
Então vai buscar uns que eu quero ver, Maria Chiquinha
Então vai buscar uns que eu quero ver
Os passarinhos comeram tudo, Genaro, meu bem
Os passarinhos comeram tudo
ENTÃO EU VOU CORTAR SUA CABEÇA, Maria Chiquinha
Então eu vou te cortar a cabeça
QUE COCÊ VAI FAZER COM O RESTO, GENARO, MEU BEM?
Que cocê vai fazer com o resto?
O RESTO, PODE DEIXAR QUE EU APROVEITO!
terça-feira, julho 22, 2008
A fluidez do tempo
Eu quero encher o meu presente de presente
Eu quero esvaziá-lo de todo passado e todo futuro
- principalmente do passado, posto que o passado eu não devo deixar transbordar e inundar o meu presente -
E que o futuro represente
apenas uma vontade de continuar viva,
nada mais.
Desejo que o meu presente seja puro presente
Quem pertence ao passado, que fique no passado
Quem quiser voltar ao passado, que volte
Mas eu pretendo ficar aqui
e encher a minha vida, deixá-la repleta, toda feita de presente
Para que esse presente não deságue como um passado levado pela corrente de um outro presente mais adiante.
Eu quero esvaziá-lo de todo passado e todo futuro
- principalmente do passado, posto que o passado eu não devo deixar transbordar e inundar o meu presente -
E que o futuro represente
apenas uma vontade de continuar viva,
nada mais.
Desejo que o meu presente seja puro presente
Quem pertence ao passado, que fique no passado
Quem quiser voltar ao passado, que volte
Mas eu pretendo ficar aqui
e encher a minha vida, deixá-la repleta, toda feita de presente
Para que esse presente não deságue como um passado levado pela corrente de um outro presente mais adiante.
Ah, eu tenho isso e aquilo e aquilo outro. Eu sou a pessoa toda poderosa, eu sou alguém na noite. Uma hora você olha para pessoa e acha o máximo. Na outra, você pára e pensa: grande bosta.
Eu só quero saber o que faz eu ou você melhores do que aquele cara que tá catando lixo pra comer na rua. Nada!!!
Eu só quero saber o que faz eu ou você melhores do que aquele cara que tá catando lixo pra comer na rua. Nada!!!
Você de repente pode se encontrar diante de um problema moral. Há dois caminhos: um é aquele que você realmente deseja, o outro é o que te atrai de maneira inefável. O primeiro é racionalizado, pertence ao âmbito da convicção; o segundo perturba as suas bases sólidas, e te deixam no limiar entre a certeza e a incompreensão. Se em algum momento você escolhe o segundo ao invés daquilo que "você realmente deseja" é porque há algo de errado aí. É como deixar de ir para o aniversário da namorada por causa de uma mulher com quem você quer ficar naquele dia, e aquela parecia a grande oportunidade (sabendo que isso coloca em risco tudo o que vocês tiveram); em outra situação, é como você conhecer uma pessoa e ela te encantar muito mais do que aquela com quem você está (e isso num primeiro momento parecer apenas uma crise, até se tornar algo constante). Então está tudo certo, você acredita que gosta muito de uma pessoa, até que aparece outra que te chama a atenção para o que você não tinha percebido. É que às vezes ficamos contidos num mundinho, e se você olhar mais adiante, pode perceber que, na verdade, não estava gostando da pessoa, mas apenas não tinha olhado mais atentamente ao redor. Aquilo que você realmente deseja só é aquilo que você realmente deseja quando, no fim das contas, é a sua escolha. Caso fosse o que você queria de verdade, você auscultaria o que está ao seu redor e perceberia que o seu mundinho já é bem confortável. Se não foi o que você escolheu, é porque há algo de errado com o que você pensa que quer. Trata-se de um sintoma.
segunda-feira, julho 21, 2008
Alguns acontecimentos têm apontado para o seguinte: aquilo que é por demais bonito, que impressiona, certamente tem uma outra face da moeda que é o contrário da que está na primeira olhada. Por isso, tenho preferido, como poderia dizer: é como entre o formidavelmente belo e o simpático, ficar com o simpático.
domingo, julho 20, 2008
Uma hora você pára e pensa: não, eu não sou igual a todo mundo. Não é porque um monte de gente faz isso que vou fazer também. Às vezes você sente um tremor que tenta pôr por terra aquilo em que você acredita, porque oras, todo mundo faz isso, pra quê ser diferente? Pra ser boba? Pra se machucar? Mas não!! Você olha ao redor, presta bem atenção, e vê que, por mais que sejam poucas, existem pessoas que compartilham dessa sua convicção. E você percebe que não deve corromper o pouco que ainda resta de magia.
sexta-feira, julho 18, 2008
We never change
essa música do Coldplay grudou de vez na minha cabeça... e de certa forma eu a sinto.
tá bom, esse blog é uma agenda de guria :P
mais do que nunca eu posso dizer: essa aqui não é o meu lugar... preciso ir embora!
I wanna live life, never be cruel,
I wanna live life, be good to you.
I wanna fly, never come down,
And live my life,
And have friends around.
We never change, do we?
We never learn to leave,
So I wanna live in a wooden house,
I wanna live life, always be true,
I wanna live life, and be good to you,
I wanna fly, and never come down,
And I live my life, and have friends around.
We never chang do we? no, no,
We never learn to bleed,
So I wanna live in a wooden house,
Making more friends would be easy.
Oh I dont have a show to say,
Yes, and I sing every single day,
We never change do we? We never learn to leave.
So, I wanna live life in a wooden house,
Making more friends would be easy,
I wanna live where the sun comes out.
tá bom, esse blog é uma agenda de guria :P
mais do que nunca eu posso dizer: essa aqui não é o meu lugar... preciso ir embora!
I wanna live life, never be cruel,
I wanna live life, be good to you.
I wanna fly, never come down,
And live my life,
And have friends around.
We never change, do we?
We never learn to leave,
So I wanna live in a wooden house,
I wanna live life, always be true,
I wanna live life, and be good to you,
I wanna fly, and never come down,
And I live my life, and have friends around.
We never chang do we? no, no,
We never learn to bleed,
So I wanna live in a wooden house,
Making more friends would be easy.
Oh I dont have a show to say,
Yes, and I sing every single day,
We never change do we? We never learn to leave.
So, I wanna live life in a wooden house,
Making more friends would be easy,
I wanna live where the sun comes out.
quinta-feira, julho 17, 2008
domingo, julho 06, 2008
Estou precisando de algumas certezas. Falta solidez em valores e emoções. Às vezes dá vontade de ser medieval, e ter crenças muito sólidas, coisas pelas quais eu morreria se preciso. Mas não. Tudo muito incerto, muitas perguntas, e quando pareço chegar à resposta, surge-me um novo questionamento que soterra definitivamente qualquer manto de certeza. No fim de tudo, uma vontade de ficar invisível, de sumir e não dar notícia pra ninguém.
sexta-feira, julho 04, 2008
A gente ama as pessoas, mas não percebe isso no dia-a-dia. Claro, porque seria um saco estar com uma pessoa que o tempo inteiro fica babando seu ovo. Só que às vezes é tão gostoso quando assim, do nada, eu olho pra alguém de quem gosto muito e sinto uma aura em volta do seu semblante. Daí a vontade bate muito forte, e eu digo: te amo! Ou até me esqueço de dizer "te amo", fico apenas pensando no quanto aquela pessoa é importante pra mim. Senti isso hoje olhando pra minha mãe ao telefone e, em outro momento, quando conversava sobre banalidades com meu irmão. O "te amo" não saiu, mas aquela sensação me arrebatou.
Depois que um professor disse que eu deveria ir para fora do país ou para o sudeste se quisesse fazer um bom mestrado em cinema, quando eu planejava ficar o mair perto possível da família, bateu uma dor no peito. Pensei muito nisso hoje, e já senti saudade. Por mais que haja desentendimentos, e que às vezes eu tenha vontade de sumir, é certo que nenhum lugar é mais aconchegante do que a minha casa, e sinto também que a minha família (entenda, minha mãe e meus eternos pequenos irmãos) tem o amor mais verdadeiro do mundo.
quinta-feira, julho 03, 2008
Cansaço...
Meu irmão costuma dizer que Fernando Pessoa era doido. Diz que o poeta tinha três personalidades: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Doido ou não, sei que sinto como se eu fosse uma reencarnação de Álvaro de Campos. Não é brincadeira - sempre vejo a mim mesma falando através de Álvaro de Campos. Quando eu morrer, podem colocar na minha lápide: íssima, íssima, íssima...
O que há
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
O que há
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
quarta-feira, julho 02, 2008
I don't know why I feel so tongue-tied
Don't get any big ideas they not gonna happen
now that you found it, it's gone
now that you feel it, you don't
Just as the drinks arrive
Just as they play your favourite song
Blink your eyes, one for yes, two for no
In a deep deep sleep of the innocent
I am born again
In my mind and nailed into my heels.
All the time killing what I feel.
And everything I touch
All wrapped up in cotton wool
All wrapped up and sugar coated
turns to stone.
And everything I touch
what are we coming to?
what are we gonna do?
Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high...high...
This is the place
Sit down, you're safe now
If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
Don't get any big ideas they not gonna happen
now that you found it, it's gone
now that you feel it, you don't
Just as the drinks arrive
Just as they play your favourite song
Blink your eyes, one for yes, two for no
In a deep deep sleep of the innocent
I am born again
In my mind and nailed into my heels.
All the time killing what I feel.
And everything I touch
All wrapped up in cotton wool
All wrapped up and sugar coated
turns to stone.
And everything I touch
what are we coming to?
what are we gonna do?
Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high...high...
This is the place
Sit down, you're safe now
If you try the best you can
If you try the best you can
The best you can is good enough
Certos modos e feições da minha vida quotidiana — representados no meu ser constante
por desejos, repugnâncias, preocupações — sumiam-se de mim como embuscados da ronda, apagavam-se nas sombras até se não perceber o que eram, e eu atingia um estado
de distância íntima em que se me tornava difícil lembrar-me de ontem, ou conhecer como meu o ser que em mim está vivo todos os dias. As minhas emoções de constantemente, os meus hábitos regularmente irregulares, as minhas falas com outros, as minhas adaptações à constituição social do mundo — tudo isto me parecia coisas lidas algures, páginas inertes de uma biografia impressa, pormenores de um romance qualquer, naqueles capítulos intervalares que lemos
pensando em outra coisa, e o fio da narrativa se esbambeia até cobriar pelo chão.
Fernando Pessoa em Livro do desasossego.
por desejos, repugnâncias, preocupações — sumiam-se de mim como embuscados da ronda, apagavam-se nas sombras até se não perceber o que eram, e eu atingia um estado
de distância íntima em que se me tornava difícil lembrar-me de ontem, ou conhecer como meu o ser que em mim está vivo todos os dias. As minhas emoções de constantemente, os meus hábitos regularmente irregulares, as minhas falas com outros, as minhas adaptações à constituição social do mundo — tudo isto me parecia coisas lidas algures, páginas inertes de uma biografia impressa, pormenores de um romance qualquer, naqueles capítulos intervalares que lemos
pensando em outra coisa, e o fio da narrativa se esbambeia até cobriar pelo chão.
Fernando Pessoa em Livro do desasossego.
Crime perfeito
Quando olhou pra mim e vi um riso contido, e as maçãs do seu rosto enrubrecidas, percebi que havia notado o meu encantamento. Era demais pra disfarçar. A sua postura paternal, a adultez mesmo nas brincadeiras mais banais, ele se esquivava. Tenho idade para ser seu pai. Teria me feito quando ainda criança - repliquei.
Porém, o rosto sobre a mão, o semblante magnetizado a observar precisamente os meus movimentos, que vi quando de repente me virei na sua direção, mostravam-me uma prova do crime. Mas o crime não aconteceu.
Porém, o rosto sobre a mão, o semblante magnetizado a observar precisamente os meus movimentos, que vi quando de repente me virei na sua direção, mostravam-me uma prova do crime. Mas o crime não aconteceu.
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