- Mulher, eu queria sair com ele. O que eu digo?
- Diga isso, que quer sair.
- Mas eu não vou parecer muito fácil?
- Se ele pensar dessa forma, você não deveria querer alguém assim, não é verdade?
Na minha visão, homens machistas são completamente dispensáveis. Se eles forem embora, melhor. Também não preciso de gente masoquista: aqueles que só querem aquilo que não está ao seu alcance e perdem o interesse por quem os corresponde. Quando deixamos de nos aventurar por pessoas masoquistas é porque algo mudou: também não gostamos mais de sofrer.
Gente que perde muito tempo com cu doce deixa de aproveitar bastante coisa. Joguinho pra lá, joguinho de cá, só entretem quem não tem inteligência suficiente para perceber que tudo é muito mais simples do que parece. Está certo que, muitas vezes, não somos inteligentes nesses assuntos, mas vale o esforço clarividente.
Outra coisa que me chama atenção: para mim, uma pessoa que "chega junto", que seduz, transmite a imagem de segurança. Dá-me a impressão de que confia no seu taco e não irá morrer se tomar um fora. Já aqueles que se fazem de misteriosos e dão voltas demais me parecem ou pessoas confusas, ou cretinas, ou que vestem uma armadura para lidar com aqueles que estão ao seu redor. Em todos esses casos, profundamente desinteressantes.
quarta-feira, março 19, 2008
Quando viajo e estou no meio de um monte de gente, dou risadas gostosas, tiro onda, divirto-me muito. Mas de vez em quando me vem o instinto de ficar sozinha. Sempre preciso de momentos para estar só. Aprecio muito isso. Entretanto, as pessoas não entendem, e ficam perguntando como diabos uma pessoa que agora a pouco estava fazendo folia de repente foi se isolar num canto. Muitas vezes essa necessidade é confundida com tristeza repentina. Mas não é. A solidão não é triste: é apenas um encontro com o mundo.
terça-feira, março 18, 2008
terça-feira, março 11, 2008
domingo, março 09, 2008
Eu sempre escuto o capeta. Se tem dois caminhos pra seguir, eu sempre escolho o errado. Então tá muito na cara que se eu me meter ali eu vou me ferrar, mas eu tenho que testar, tenho que saber se vou me foder mesmo. Aí me meto nas piores confusões, e tudo isso com um feeling imenso. Não canso de quebar a cara.
sexta-feira, março 07, 2008
Madrigal
Meu amor é simples, Dora,
Como a água e o pão.
Como o céu refletido
Nas pupilas de um cão
José Paulo Paes
Como a água e o pão.
Como o céu refletido
Nas pupilas de um cão
José Paulo Paes
quinta-feira, março 06, 2008
Da série "me and the gay guys", bem, só me faltava essa! Então minha mãe resolve fazer não sei que tipo de escova e pintar as unhas, e gastar uma fortuna no cabeleireiro. Ao chegar na porta da residência dele, onde funcionava o seu salão, minha mãe conta que o tal cabeleireiro descobriu que era gay. Ele agora morava junto com um homem, depois de passar 10 anos casado com uma mulher. Eu só me perguntava como diabos alguém demora tanto pra descobrir que não gosta de uma coisa, e sim de outra!!! Até que o ajudante dele vem atender a porta e pede para esperarmos na sala de estar. O tal ajudante ficava gritando peeeeeeeeeeeeeeega, enquanto assistia a um vídeo de uma festa que acontece na Espanha. A festa consiste na diversão imbecil de um povo besta, em que um touro fica correndo atrás das pessoas na rua, enquanto é segurado por um monte de marmanjos através de uma imensa corda.
Após um bom tempo diante daquele espetáculo deplorável (sim, eu não como carne, e daí?), finalmente eis que me surge o dito cujo, o cabelereiro. Estranhamente ele me olha de cima a baixo com uma cara que, quando alguém faz pra mim, eu interpreto que essa pessoa quer me pegar.
- Não, Tatiana, isso é coisa da sua cabeça! Ele é gay, oras!
Não foi a primeira vez que isso me aconteceu. Nem a última. Então ele começou a bater papo com minha mãe e, conversa vai, conversa vem, ele vez ou outra olhava pra mim. Até que minha mãe resolveu me apresentar a ele.
- Sua filha é tão bonita! Ela é toda encorpada! E tem umas coxas grossas, né? A primeira coisa que reparei quando a vi foram as coxas!
Um comentário desse vindo de um hetero seria levado como uma ofensa pela minha mãe. Mas por ter vindo de um gay, foi recebido com gracinha e risinhos dela. Saí de lá encucada e discutindo com minha mãe como diabos alguém demora dez anos pra descobrir que não gosta de uma coisa. Será que gosta das duas coisas?
Após um bom tempo diante daquele espetáculo deplorável (sim, eu não como carne, e daí?), finalmente eis que me surge o dito cujo, o cabelereiro. Estranhamente ele me olha de cima a baixo com uma cara que, quando alguém faz pra mim, eu interpreto que essa pessoa quer me pegar.
- Não, Tatiana, isso é coisa da sua cabeça! Ele é gay, oras!
Não foi a primeira vez que isso me aconteceu. Nem a última. Então ele começou a bater papo com minha mãe e, conversa vai, conversa vem, ele vez ou outra olhava pra mim. Até que minha mãe resolveu me apresentar a ele.
- Sua filha é tão bonita! Ela é toda encorpada! E tem umas coxas grossas, né? A primeira coisa que reparei quando a vi foram as coxas!
Um comentário desse vindo de um hetero seria levado como uma ofensa pela minha mãe. Mas por ter vindo de um gay, foi recebido com gracinha e risinhos dela. Saí de lá encucada e discutindo com minha mãe como diabos alguém demora dez anos pra descobrir que não gosta de uma coisa. Será que gosta das duas coisas?
terça-feira, março 04, 2008
Quando o homem de bem resolve avacalhar
Algo que me atrai muito no cinema são aqueles protagonistas que avacalham, pois, como diria o bandido da luz vermelha em filme homônimo de Rogério Sganzerla, "quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha e se esculhamba!". Personagens como Capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura, em Tropa de Elite (2007), dirigido por José Padilha, Travis, incorporado por Robert de Niro em Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese e Brad Pitt na pele de Tyler Durden em Clube da Luta (1999), de David Fincher, são bons exemplos de indivíduos doentes que vivem numa sociedade igualmente doente e se afogam na mais completa merda.
Capitão Nascimento é um homem cansado de subir em favela pra caçar traficantes e tem uma conduta profissional deplorável, que inclui torturar mulheres e adolescentes. Já Tyler Durden, o alter ego do narrador representado por Edward Norton, cria um clube onde marmanjos trocam porradas para sublimar as frustrações do cotidiano. Em Taxi Driver, Travis é um ex-soldado da Guerra do Vietnã que vira taxista e trabalha de madrugada, sendo que a única paixão da sua vida é ver filmes pornôs.
Todos eles representam o "cidadão de bem", aquele homem que paga seus impostos e cumpre seus deveres diante do Estado, mas que, em determinado momento, ficam esquizofrênicos, violentos e no limiar entre o "homem de bem" e o sociapata. O próprio Capitão Nascimento se revolta contra esse Estado e coloca a bandeira do BOPE em cima da bandeira do Brasil, que vestia o caixão do falecido policial Neto. O ato simbólico atenta para o fato de vivermos num caos em que o Estado parece não apresentar soluções, já que esse caos é a cristalização de diversas injustiças inerentes ao modelo de sociedade em que vivemos. Capitão Nascimento nos lembra que a única instituição do Estado que vai até a favela é a polícia. Nascimento irrita-se com a incubência de uma missão mirabolante, a Operação Papa, e se encarrega de fazer "uma limpeza" na favela para garantir o sono do papa. Ou seja, a elite utiliza a violência física da instituição da polícia para vigiar e punir os mais pobres, algo de que já falava Foucault, que ironicamente é citado no filme. Capitão Nascimento é o fruto de uma sociedade tomada pela barbárie, onde palavras como justiça adiquirem um outro sentido - sentido esse cada vez mais afastado dos ditames da sociedade civilizada, e cada vez mais próximo da justiça com as próprias mãos.
Em Taxi Driver, Travis, ao mesmo tempo em que quer trabalhar junto com o senador candidato a presidente, realiza um atentado contra ele logo após o seu discurso em praça pública. Travis é o cara frustrado, que se sente o rei da cocada preta depois de adiquirir um monte de armas, paladino da justiça ao ver um assalto e atirar no bandido - negro, e que toma um surra, ainda desmaiado, do dono da loja, um branco. Ele se rebela contra o Estado na figura de Palatine, o candidato à presidência, o mesmo Estado que o enviou para a Guerra do Vietnã. Também se sente o juiz do mundo ao atirar em cafetões para salvar uma menina de 12 anos que era explorada sexualmente. Travis, assim como Capitão Nascimento, desiste do Estado e resolve aplicar a justiça com seus próprios métodos, práticas essas que não são modelos de conduta típicos de um herói.
Só que esses anti-heróis muitas vezes são confundidos com verdadeiros heróis. O que significa, talvez, que vivemos num mundo repleto de sociopatas em potencial. Afinal, os "homens de bem" estão em toda parte bravejando que os direitos humanos foram feitos para bandidos - e muitas vezes defendendo uma regressão ao código de Hamurabi. Exemplo disso são comunidades no orkut como Capitão Nascimento para presidente, Verdades de Capitão Nascimento e Discípulos de Capitão Nascimento, todas com milhares de pessoas. O filme se tornou uma verdadeira febre e faz pensar sobre a responsabilidade de um diretor sobre o discurso presente numa obra cinematográfica - que, nesse caso, apresenta os fatos sob a perspectiva de um policial truculento. O fato lembra o celebrado Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick. O filme apresentava o protagonista Alex, que depois de cometer diversas atrocidades, é condenado e exposto a punições atrozes amparadas pelo aparelho estatal. O dilema de Alex e o de Capitão Nascimento ou Travis é o mesmo: o dilema entre a violência individual e a violência institucionalizada, só que Alex, ao contrário de Nascimento e Travis, não se considerava nem pretendia ser um herói. O próprio Kubrick chegou a impedir a exibição de Laranja Mecânica na época, após ficar estarrecido ao saber que grupos de jovens imitavam as atitudes do bando liderado por Alex no filme.
O também violento Tyler Durden trocava porrada com outros marmanjos no Clube da Luta, um lugar onde eles deixavam sua civilidade de lado e brigavam, numa espécie de ritual catártico longe dos ditames da sociedade - ritual tão catártico quanto aquele apresentado em De Olhos Bem Fechados (1999), dirigido por Stanley Kubrick, só que o primeiro é dedicado ao instinto de morte, à agressividade, e o segundo ao instinto de Eros, ou à exacerbação da libido reprimida pelo moralismo. O personagem de Edward Norton faz, igualmente, o tipo "cidadão de bem", que vive para trabalhar e consumir, até entrar em pânico ao ter todas as coisas perdidas num incêndio em seu apartamento. Tyler Durden, seu alter-ego e líder do Clube da Luta, a representação em carne e osso da esquizofrenia de um "homem de bem", faz um verdadeiro manifesto contra a sociedade de consumo: "As coisas que você possui acabam te possuindo.Você só é realmente livre após perder tudo. Pois aí nao terá o que perder, e, enfim, estará livre". Assim como ocorreu com Laranja Mecânica, um psicopata também encontrou a expressão de sua mente doentia em Clube da Luta - ao ponto de entrar numa sala de projeção desferindo tiros contra a platéia, que achou que os tiros vinham da tela e não do mundo real. O criminoso era, assim como nossos protagonistas, um homem de bem: um médico.
Durden, Nascimento, Travis, todos eles eram homens que se encaixavam plenamente no que seria um homem respeitável na sociedade, todos eram conservadores, "homens de bem", até que começam a avacalhar. E os espectadores ficam que nem aqueles que estavam na sessão de Clube da Luta onde soaram os tiros - no limiar entre realidade e ficção, na esquizofrenia da sociedade do espetáculo. Os adoradores de Capitão Nascimento nos mostram que há muitos Travis entre nós.
Capitão Nascimento é um homem cansado de subir em favela pra caçar traficantes e tem uma conduta profissional deplorável, que inclui torturar mulheres e adolescentes. Já Tyler Durden, o alter ego do narrador representado por Edward Norton, cria um clube onde marmanjos trocam porradas para sublimar as frustrações do cotidiano. Em Taxi Driver, Travis é um ex-soldado da Guerra do Vietnã que vira taxista e trabalha de madrugada, sendo que a única paixão da sua vida é ver filmes pornôs.
Todos eles representam o "cidadão de bem", aquele homem que paga seus impostos e cumpre seus deveres diante do Estado, mas que, em determinado momento, ficam esquizofrênicos, violentos e no limiar entre o "homem de bem" e o sociapata. O próprio Capitão Nascimento se revolta contra esse Estado e coloca a bandeira do BOPE em cima da bandeira do Brasil, que vestia o caixão do falecido policial Neto. O ato simbólico atenta para o fato de vivermos num caos em que o Estado parece não apresentar soluções, já que esse caos é a cristalização de diversas injustiças inerentes ao modelo de sociedade em que vivemos. Capitão Nascimento nos lembra que a única instituição do Estado que vai até a favela é a polícia. Nascimento irrita-se com a incubência de uma missão mirabolante, a Operação Papa, e se encarrega de fazer "uma limpeza" na favela para garantir o sono do papa. Ou seja, a elite utiliza a violência física da instituição da polícia para vigiar e punir os mais pobres, algo de que já falava Foucault, que ironicamente é citado no filme. Capitão Nascimento é o fruto de uma sociedade tomada pela barbárie, onde palavras como justiça adiquirem um outro sentido - sentido esse cada vez mais afastado dos ditames da sociedade civilizada, e cada vez mais próximo da justiça com as próprias mãos.
Em Taxi Driver, Travis, ao mesmo tempo em que quer trabalhar junto com o senador candidato a presidente, realiza um atentado contra ele logo após o seu discurso em praça pública. Travis é o cara frustrado, que se sente o rei da cocada preta depois de adiquirir um monte de armas, paladino da justiça ao ver um assalto e atirar no bandido - negro, e que toma um surra, ainda desmaiado, do dono da loja, um branco. Ele se rebela contra o Estado na figura de Palatine, o candidato à presidência, o mesmo Estado que o enviou para a Guerra do Vietnã. Também se sente o juiz do mundo ao atirar em cafetões para salvar uma menina de 12 anos que era explorada sexualmente. Travis, assim como Capitão Nascimento, desiste do Estado e resolve aplicar a justiça com seus próprios métodos, práticas essas que não são modelos de conduta típicos de um herói.
Só que esses anti-heróis muitas vezes são confundidos com verdadeiros heróis. O que significa, talvez, que vivemos num mundo repleto de sociopatas em potencial. Afinal, os "homens de bem" estão em toda parte bravejando que os direitos humanos foram feitos para bandidos - e muitas vezes defendendo uma regressão ao código de Hamurabi. Exemplo disso são comunidades no orkut como Capitão Nascimento para presidente, Verdades de Capitão Nascimento e Discípulos de Capitão Nascimento, todas com milhares de pessoas. O filme se tornou uma verdadeira febre e faz pensar sobre a responsabilidade de um diretor sobre o discurso presente numa obra cinematográfica - que, nesse caso, apresenta os fatos sob a perspectiva de um policial truculento. O fato lembra o celebrado Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick. O filme apresentava o protagonista Alex, que depois de cometer diversas atrocidades, é condenado e exposto a punições atrozes amparadas pelo aparelho estatal. O dilema de Alex e o de Capitão Nascimento ou Travis é o mesmo: o dilema entre a violência individual e a violência institucionalizada, só que Alex, ao contrário de Nascimento e Travis, não se considerava nem pretendia ser um herói. O próprio Kubrick chegou a impedir a exibição de Laranja Mecânica na época, após ficar estarrecido ao saber que grupos de jovens imitavam as atitudes do bando liderado por Alex no filme.
O também violento Tyler Durden trocava porrada com outros marmanjos no Clube da Luta, um lugar onde eles deixavam sua civilidade de lado e brigavam, numa espécie de ritual catártico longe dos ditames da sociedade - ritual tão catártico quanto aquele apresentado em De Olhos Bem Fechados (1999), dirigido por Stanley Kubrick, só que o primeiro é dedicado ao instinto de morte, à agressividade, e o segundo ao instinto de Eros, ou à exacerbação da libido reprimida pelo moralismo. O personagem de Edward Norton faz, igualmente, o tipo "cidadão de bem", que vive para trabalhar e consumir, até entrar em pânico ao ter todas as coisas perdidas num incêndio em seu apartamento. Tyler Durden, seu alter-ego e líder do Clube da Luta, a representação em carne e osso da esquizofrenia de um "homem de bem", faz um verdadeiro manifesto contra a sociedade de consumo: "As coisas que você possui acabam te possuindo.Você só é realmente livre após perder tudo. Pois aí nao terá o que perder, e, enfim, estará livre". Assim como ocorreu com Laranja Mecânica, um psicopata também encontrou a expressão de sua mente doentia em Clube da Luta - ao ponto de entrar numa sala de projeção desferindo tiros contra a platéia, que achou que os tiros vinham da tela e não do mundo real. O criminoso era, assim como nossos protagonistas, um homem de bem: um médico.
Durden, Nascimento, Travis, todos eles eram homens que se encaixavam plenamente no que seria um homem respeitável na sociedade, todos eram conservadores, "homens de bem", até que começam a avacalhar. E os espectadores ficam que nem aqueles que estavam na sessão de Clube da Luta onde soaram os tiros - no limiar entre realidade e ficção, na esquizofrenia da sociedade do espetáculo. Os adoradores de Capitão Nascimento nos mostram que há muitos Travis entre nós.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Eu não consigo discutir com pessoas "de esquerda". É o mesmo que debater com crentes que batem na minha porta com uma bíblia debaixo do braço. Se um evangélico, ao saber que não acredito em Deus, esbravejaria "você vai arder no fogo do inferno!", alguém "de esquerda", numa discussão qualquer, seguiria pela falta de argumentação consistente e pela fala autoritária também. Experimente discordar de alguém "de esquerda", e aguarde as exclamações. Logo a pessoa "de esquerda" dirá:
- Você é um(a) reacionário(a)!!!!!
- Você é um(a) reacionário(a)!!!!!
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Engraçado como Hollywood mexe com a cabeça das pessoas. Quando eu era mais nova, sempre que via algum filme na TV a cabo falado em francês, espanhol, alemão, ou algum idioma que eu não reconhecesse, simplesmente mudava de canal. O mero fato de a língua falada não ser o inglês já me incomodava e, de alguma forma, era para mim um indicativo de que aquele seria um filme chato.
Hoje eu observo os cartazes do cinema localizado no shopping que deu nome ao bairro, Bairro Jardins, assim como o shopping Jardins. Eu vejo que aquela região virou um prolongamento do shopping, tanto que chegou a receber o seu nome. O que chamam cinema são as salas multiplex, e Hollywood parece ser o próprio cinema. E a minha cidade "Jardins" lembra uma Hollywood de Sergipe, em pleno Nordeste brasileiro.
Hoje eu observo os cartazes do cinema localizado no shopping que deu nome ao bairro, Bairro Jardins, assim como o shopping Jardins. Eu vejo que aquela região virou um prolongamento do shopping, tanto que chegou a receber o seu nome. O que chamam cinema são as salas multiplex, e Hollywood parece ser o próprio cinema. E a minha cidade "Jardins" lembra uma Hollywood de Sergipe, em pleno Nordeste brasileiro.
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Ela faz cinema
Música do Chico Buarque que alguém dedicou pra mim.
Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz
Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que deus ela jura
Que tem coração
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim
Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz
Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que deus ela jura
Que tem coração
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim
domingo, fevereiro 24, 2008
A cara amiga Wenna é quem melhor compreende a minha personalidade. Peço encarecidamente que ela se encarregue, se possível, de falar sobre mim no meu enterro. Ninguém além dela conseguiria dizer coisas tão brilhantes a meu respeito como as seguintes geniais observações:
- "Você vive com a cabeça nas nuvens e com os pés no chão. Não sei como consegue fazer isso".
- "Tati, você não vale um ponto no BomClube!!!!"
- "Você vive com a cabeça nas nuvens e com os pés no chão. Não sei como consegue fazer isso".
- "Tati, você não vale um ponto no BomClube!!!!"
Inconsciente capitalista
Nossa mente nos prega cada peça! Eu, que sempre digo que não preciso de muito dinheiro, graças a deus, e não me importa, honey... Que só preciso de uma casa onde eu possa guardar meus amigos, meus discos e livros e filmes e nada mais... Veja só a ironia: sonhei que minha mãe havia herdado uma casa com cômodos transpassados por uma luz de tom acobreado, com sofás gigantes e macios, com piscina e vistas para o mar. Ao acordar, o susto:
- Por todos os deuses, será que no fundo no fundo eu queria ser rica?
- Por todos os deuses, será que no fundo no fundo eu queria ser rica?
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
terça-feira, fevereiro 19, 2008
As loucuras das pessoas apaixonadas só são realmente compreensíveis aos olhos daqueles que estão também apaixonados. Constatei isso ao ver que eu, pessoa que já morreu de amores o suficiente para ter sete vidas, não entendi direito a dor de uma amiga, a aflição da outra, a dedicação extrema de outra ainda ao seu amor. Eu reconhecia aquele sentimento, mas havia uma certa distância, é verdade. As coisas não faziam tanto sentido, e as soluções bem mais fáceis, as respostas óbvias, tudo muito na cara. Mas as pessoas não conseguem ver além do absurdo que é amar, e ficam presas numa armadilha da linguagem. Elas fazem teses absolutas e complexas sobre um simples olhar ou fala, e cometem o mesmo erro até o erro aprender que só o erro tem vez, como dizia Leminski. Enfim, as pessoas apaixonadas tornam-se mais analíticas, porém, mais estúpidas, e ficam mais sensíveis, não obstante, incapazes de perceber o mundo à sua volta.
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