Um amigo meu comentou um dia desse que mulher gosta mais é de se foder. Segundo ele, o cara nunca deve tratá-la tão bem assim, nem ser tão atencioso. Eu digo: quem muito malandro se acha, acaba corno!!!
É o seguinte, amiguinhos. Está certo que uma boa parte das mulheres não suporta homens grudentos, que ficam declamando poesias eternamente, ligando de madrugada, etc etc, mas pra tudo tem limite. Insegurança é algo muito importante em qualquer relacionamento, afinal, o medo de perder é o que sustenta o amor, no fim das contas. Mas se o cara pega pesado e simplesmente some, não dá carinho e atenção, como toda mulher precisa, além de outras cositas más, aí ele se ferra. Sem erro.
Tá aí uma coisa que já vi acontecer muito - homem tomar ponta por não comparecer. Mulher carente é um perigo, mon cher. Se ela tá lá sozinha e aparece um cara minimamente pegável, e o namorado querido dela não liga há três dias e não a come há um mês, ela não só agarra o indivíduo como ainda no dia seguinte olha pra cara do namorado rindo internamente. Agora, se o namorado é bonzinho, a história é outra. A não ser nos casos em que a mulher não presta mesmo, ela vai pensar que o namorado é um doce, bom de cama, atencioso e não merece aquilo.
Por isso que digo. É preciso ter cuidado ao ser grudento, e mais cuidado ainda ao ser um imbecil. Não tem corno mais ridículo do que o corno "esperto".
quarta-feira, janeiro 28, 2009
terça-feira, janeiro 27, 2009
Cinema, coisa de outro mundo
Desde a exibição pública de A chegada do trem à estação, dos irmãos Lumière, no Grand Café de Paris, o cinema foi visto como coisa do outro mundo. Dizem que os espectadores se assustaram diante da imagem do trem vindo em sua direção, imaginando que a qualquer momento ele ia atravessar a tela e invadir a sala. Ao mesmo tempo em que o cinema parece advir de uma espécie de universo paralelo, ele adentra nossas vidas assim como o trem do filme dos Lumière.
O cinema é coisa de outro mundo principalmente se estivermos falando de Terceiro Mundo, Brasil, menor estado do país. Aqui não temos o direito de fazer cinema. Filmes são para serem feitos em grandes estúdios, com máquinas de propaganda monstruosas, e para serem exibidos no lugar favorito das classes mais abastadas - o shopping.
Arte cara feita para quem pode pagar por ela. Se um filme não passa de uma ilusão elaborada diante de nossos olhos e projetada numa tela, ele se torna ainda mais distante se lembrarmos que as pessoas comuns podem compor música, escrever poesias, mas de maneira alguma realizar filmes. Os que fazem música e poesia podem morrer anônimos, mas pelo menos a eles foi reservado o direito de produzir sua arte. E o filme do realizador, que vive apenas na sua cabeça, é um filme?
Os filmes são feitos por deuses, não pelas pessoas comuns. Na tela, os deuses do star system reinam absolutos. São rostos de uma beleza acima dos mortais, e com semblantes onipresentes, vidas estampadas em capas de revista, seres humanos que se transmutaram em pura imagem - ícones que se desvencilharam de sua própria materialidade.
Esse cinema que é feito por estrelas, ele nos aparece como vindo de um universo paralelo também porque em grande parte ele é falado em outra língua. Ele tem a cara de outro lugar. E é inconcebível ele ser filmado com gente da gente, na rua da esquina e na nossa língua.
Dizem até que se uma obra audiovisual só em cinema se filmada em película. Um filme só é um filme se utiliza filme. O que é gravado em video não tem o direito de ser cinema, de ser chamado de filme. O cinema é confundido com rolos de filme.
Se já nos tempos do neo-realismo italiano, com o avanço técnico de equipamentos mais leves e menos caros, ousaram falar em sair dos estúdios e em realizar um cinema possível, o cinema ainda hoje não deixou de ser impossível. Mesmo com o video de celular, o cinema de verdade é aquele que tem Julia Roberts e passa no shopping. Quem sabe lá se um dia isso vai mudar.
O cinema é coisa de outro mundo principalmente se estivermos falando de Terceiro Mundo, Brasil, menor estado do país. Aqui não temos o direito de fazer cinema. Filmes são para serem feitos em grandes estúdios, com máquinas de propaganda monstruosas, e para serem exibidos no lugar favorito das classes mais abastadas - o shopping.
Arte cara feita para quem pode pagar por ela. Se um filme não passa de uma ilusão elaborada diante de nossos olhos e projetada numa tela, ele se torna ainda mais distante se lembrarmos que as pessoas comuns podem compor música, escrever poesias, mas de maneira alguma realizar filmes. Os que fazem música e poesia podem morrer anônimos, mas pelo menos a eles foi reservado o direito de produzir sua arte. E o filme do realizador, que vive apenas na sua cabeça, é um filme?
Os filmes são feitos por deuses, não pelas pessoas comuns. Na tela, os deuses do star system reinam absolutos. São rostos de uma beleza acima dos mortais, e com semblantes onipresentes, vidas estampadas em capas de revista, seres humanos que se transmutaram em pura imagem - ícones que se desvencilharam de sua própria materialidade.
Esse cinema que é feito por estrelas, ele nos aparece como vindo de um universo paralelo também porque em grande parte ele é falado em outra língua. Ele tem a cara de outro lugar. E é inconcebível ele ser filmado com gente da gente, na rua da esquina e na nossa língua.
Dizem até que se uma obra audiovisual só em cinema se filmada em película. Um filme só é um filme se utiliza filme. O que é gravado em video não tem o direito de ser cinema, de ser chamado de filme. O cinema é confundido com rolos de filme.
Se já nos tempos do neo-realismo italiano, com o avanço técnico de equipamentos mais leves e menos caros, ousaram falar em sair dos estúdios e em realizar um cinema possível, o cinema ainda hoje não deixou de ser impossível. Mesmo com o video de celular, o cinema de verdade é aquele que tem Julia Roberts e passa no shopping. Quem sabe lá se um dia isso vai mudar.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Odeio cinema
Quando eu digo que gosto muito de cinema, logo muita gente conclui que adoro ir ao cinema. Pode parecer meio óbvia essa dedução lógica, mas não é. Nesse sábado fui assistir a Repulsa ao sexo, do Polanski, à meia-noite em pleno Pré-Caju, e lembrei-me exatamente do porquê de eu quase nunca ir ao cinema.
Primeiro: o valor do ingresso.
Segundo: a qualidade dos filmes exibidos nas salas de cinema multiplex. Os mesmos blockbusters de sempre. Muito raro ver um filme como Repulsa ao sexo sendo exibido num multiplex.
E terceiro, e o mais importante, em se tratando de cinema eu sou COMPLETAMENTE anti-social. Pra mim cinema é pra estar com os olhos e os ouvidos totalmente dedicados ao filme. Em salas de cinema muitas pessoas parecem não entender isso.
Durante a exibição de Repulsa ao sexo não faltaram engraçadinhos com comentários brilhantes a exemplo de "essa é daquelas que gostam de apanhar" e "ela curte ser esTRUpada", falando da personagem principal do filme. Havia um cara que não cansava de mostrar todo a sua FLUÊNCIA da língua inglesa, e insistia em dizer "olha, ela disse I can't, I can't... agora ela falou I'm afraid, ela tá com medo de alguma coisa". E eu que achava ruim a tradução simultânea de Joe Feitosa e daqueles tradutores do Oscar tentando acompanhar as piadinhas sem graça dos famosos "estonteantes"(cerimônia chatíssima per si).
Agora me diga: se eu posso baixar filmes maravilhosos da internet e vê-los no mais completo silêncio, pra quê diabos eu vou assistir a Xuxa não sei o quê lá no cinema e ainda aguentar "críticos" na projeção do filme?
Primeiro: o valor do ingresso.
Segundo: a qualidade dos filmes exibidos nas salas de cinema multiplex. Os mesmos blockbusters de sempre. Muito raro ver um filme como Repulsa ao sexo sendo exibido num multiplex.
E terceiro, e o mais importante, em se tratando de cinema eu sou COMPLETAMENTE anti-social. Pra mim cinema é pra estar com os olhos e os ouvidos totalmente dedicados ao filme. Em salas de cinema muitas pessoas parecem não entender isso.
Durante a exibição de Repulsa ao sexo não faltaram engraçadinhos com comentários brilhantes a exemplo de "essa é daquelas que gostam de apanhar" e "ela curte ser esTRUpada", falando da personagem principal do filme. Havia um cara que não cansava de mostrar todo a sua FLUÊNCIA da língua inglesa, e insistia em dizer "olha, ela disse I can't, I can't... agora ela falou I'm afraid, ela tá com medo de alguma coisa". E eu que achava ruim a tradução simultânea de Joe Feitosa e daqueles tradutores do Oscar tentando acompanhar as piadinhas sem graça dos famosos "estonteantes"(cerimônia chatíssima per si).
Agora me diga: se eu posso baixar filmes maravilhosos da internet e vê-los no mais completo silêncio, pra quê diabos eu vou assistir a Xuxa não sei o quê lá no cinema e ainda aguentar "críticos" na projeção do filme?
Black and beck
Estávamos conversando sobre maconha e etc, quando o irmão de um amigo meu disse que não quer andar com pessoas que fumam maconha.
- Preconceituoso! - disse uma amiga que adora puxar um beck.
Não era bem isso. Nosso colega contou que, quando estava voltando de uma farra, deparou-se com três bacolejos. Em todos eles, os policiais revistaram apenas ele, que é negro. Sorte do seu amigo branquinho, que estava com dois baseados na cueca.
E há quem diga que não há racismo no Brasil...
- Preconceituoso! - disse uma amiga que adora puxar um beck.
Não era bem isso. Nosso colega contou que, quando estava voltando de uma farra, deparou-se com três bacolejos. Em todos eles, os policiais revistaram apenas ele, que é negro. Sorte do seu amigo branquinho, que estava com dois baseados na cueca.
E há quem diga que não há racismo no Brasil...
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Tristeza não tem fim, MSN sim
Eu tenho medo de pessoas felizes no msn. Juro. Aquele povo que tipo "luau do nana foi ótimoooo", "fim de semana maravilhoso com amigos dez", etc etc. Eu nunca vi gente de "feliz de verdade" sentindo a necessidade constante de provar pra todo mundo que está muito bem, obrigado (a). Há personas por aí que tomam pé na bunda, ficam acabadas, e colocam no msn, na maior cara de pau do universo, frases a la "sou praieiro, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o quê". Há também os cheios de dizeres místicos que querem compartilhar uma sabedoria de Dalai Lama com todos. Pra mim não passam de farsantes querendo aparecer pra todo mundo ou enviar um recado pra alguém em especial.
Quem diabos é Jun?
Há não muito tempo um tal de Jun está deixando comentários em posts daqui do blog. Pelo que fala, ele parece acompanhar não só o meu, como o blog de uma amiga minha há um certo tempo. Agora tanto eu quanto ela estamos numa "investigação" para desvendar quem diabos é Jun. Há alguns suspeitos, mas dois deles são descartados porque Jun citou uma letra de Smiths (e esses suspeitos não gostam da banda). Agora resta só um que poderia gostar de Adorno e Smiths.
Será que Jun é uma pessoa que conhece a gente de vista? Ou quem sabe ele nem sequer mora em Buracaju? Ele nos odeia? É um espião da CIA? E outra: com esse nick, pode até ser uma mulher.
Mistério...
Será que Jun é uma pessoa que conhece a gente de vista? Ou quem sabe ele nem sequer mora em Buracaju? Ele nos odeia? É um espião da CIA? E outra: com esse nick, pode até ser uma mulher.
Mistério...
terça-feira, janeiro 20, 2009
Pré-Caju
Vem aí a MAIOR prévia carnavalesca EVER, minha gente! Já comprei meu abadá, e vou beijar um, beijar dois, beijar três, e beijar mais uma vez!
No way!
Moro em Buracaju, mas nunca fui nem pretendo ir ao Pré-Caju. Não sei quantas pessoas nessa cidade nunca chegaram a se esbaldar na avenida. Mas devem ser poucas.
Mas ora ora, por quê? É simples. Eu não sinto a MENOR vontade de agarrar um monte de filhinhos de papai que adoram deixar o som do carro a todo volume em posto de gasolina. E se eu tivesse um pênis, ele brocharia ao ver um abadá.
Fora que a música é péssima, e a pessoa tem que estar MUITO travada pra achar o máximo axé da Bahia. Ou seja, ir a uma festa pra beber pra esquecer que está numa festa. Não, obrigada.
Boa sorte pra quem curte essa desgraça!
No way!
Moro em Buracaju, mas nunca fui nem pretendo ir ao Pré-Caju. Não sei quantas pessoas nessa cidade nunca chegaram a se esbaldar na avenida. Mas devem ser poucas.
Mas ora ora, por quê? É simples. Eu não sinto a MENOR vontade de agarrar um monte de filhinhos de papai que adoram deixar o som do carro a todo volume em posto de gasolina. E se eu tivesse um pênis, ele brocharia ao ver um abadá.
Fora que a música é péssima, e a pessoa tem que estar MUITO travada pra achar o máximo axé da Bahia. Ou seja, ir a uma festa pra beber pra esquecer que está numa festa. Não, obrigada.
Boa sorte pra quem curte essa desgraça!
Um dia desses um colega comentou que eu me exponho demais no blog. Eu digo que engano todo mundo. Os poucos leitores que tenho (na verdade não sei quantos) ficam achando que estão total por dentro da minha vida, quando isso aqui não passa de ficção que brinca com a realidade. Eu minto na internet, e não é pouco.
Um amigo me perguntou se eu estava apaixonada há um tempo atrás, só porque eu estava escrevendo uns textos meio melosos. Apaixonada? I said no, no, no. Tudo farsa. É que às vezes sinto falta do meu lado sentimental, e só.
Em outra ocasião, certa pessoa achou que um texto meu do blog era uma mensagem pra ela. Nada a ver. Era sobre algo que aconteceu há anos atrás. E havia no meio mentira, muita mentira.
Ou alguém acha que eu ia relatar minha vida todinha assim num blog?
Pobres daqueles que levam a internet a sério.
Um amigo me perguntou se eu estava apaixonada há um tempo atrás, só porque eu estava escrevendo uns textos meio melosos. Apaixonada? I said no, no, no. Tudo farsa. É que às vezes sinto falta do meu lado sentimental, e só.
Em outra ocasião, certa pessoa achou que um texto meu do blog era uma mensagem pra ela. Nada a ver. Era sobre algo que aconteceu há anos atrás. E havia no meio mentira, muita mentira.
Ou alguém acha que eu ia relatar minha vida todinha assim num blog?
Pobres daqueles que levam a internet a sério.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Quedinhas eternas...
Não sei se você entende do que eu estou falando, mas as quedinhas eternas tratam-se daquelas pessoas com quem você namorou ou ficou que, por mais que o tempo passe e a distância persista, é só reencontrar aquele antigo caso pra bater a vontade. Essas quedinhas são motivos de ciúmes insanos de atuais... Afinal, fica muito na cara que você sente desejo pelo ex-affair. E não dá outra: basta um namoro acabar, e o destino trabalhar a favor de os dois se reencontrarem pela vida, que eles terminam ficando uma vez ou outra.
Coisa mal resolvida ou apenas vontade de relembrar os velhos tempos, essas quedinhas podem durar muitos e muitos anos. Namoro, casamento, tudo passa, mas as quedinhas permanecem. Atire a primeira pedra quem nunca teve a sua.
Coisa mal resolvida ou apenas vontade de relembrar os velhos tempos, essas quedinhas podem durar muitos e muitos anos. Namoro, casamento, tudo passa, mas as quedinhas permanecem. Atire a primeira pedra quem nunca teve a sua.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
domingo, janeiro 04, 2009
Noites de Amsterdã
A Holanda é o país da putaria e das drogas, certo? Lá todo mundo é muito "moderninho", as pessoas podem fumar maconha à vontade e até há uma lei que permite que elas trepem no parque. Não é bem assim. Ontem eu estava vendo aleatoriamente a GNT (nome de canal com o qual dá pra fazer trocadilhos escrotos, tipo GNT de GENITÁLIA), e estava passando lá um programa cujo nome, se não estou errada, era Noites de Amsterdã. Trata-se de uma atração em que dois policiais durões saem "botando ordem" na night da famosa capital holandesa.
No episódio em questão, tais policiais repreenderam um turista e uma prostituta que estava fazendo um blowjob nele num beco escuro. Pelo tom da conversa, os policiais ressaltavam sempre que ele era um turista (pessoa legal que vem gastar muita grana no seu país) e ela era a maldita vagabunda. Eu fiquei besta com a abordagem dos caras. Houve um momento em que ele perguntou "você é prostituta né?", e ela respondeu que não, aí o tira disse "mas vai se tornar uma! fazendo isso no meio da rua!".
Depois de ser extremamente agressivo, o policial vinha com um papo de protetor, deu todo um discurso de que ela não deveria fazer aquilo, e pras câmeras afirmava que pobres garotas vendiam o próprio corpo em troca de cocaína. De acordo com o programa de televisão, os policiais não acharam nenhuma prova contra o turista. Mas eu quero saber é porque um policial que se acha um missionário da moral e dos bons costumes berra com uma mulher e fala, na maior grosseria do mundo, que se ela não é uma puta vai virar um dia. E pior, um canal de TV acha isso tudo muito bonitinho.
No episódio em questão, tais policiais repreenderam um turista e uma prostituta que estava fazendo um blowjob nele num beco escuro. Pelo tom da conversa, os policiais ressaltavam sempre que ele era um turista (pessoa legal que vem gastar muita grana no seu país) e ela era a maldita vagabunda. Eu fiquei besta com a abordagem dos caras. Houve um momento em que ele perguntou "você é prostituta né?", e ela respondeu que não, aí o tira disse "mas vai se tornar uma! fazendo isso no meio da rua!".
Depois de ser extremamente agressivo, o policial vinha com um papo de protetor, deu todo um discurso de que ela não deveria fazer aquilo, e pras câmeras afirmava que pobres garotas vendiam o próprio corpo em troca de cocaína. De acordo com o programa de televisão, os policiais não acharam nenhuma prova contra o turista. Mas eu quero saber é porque um policial que se acha um missionário da moral e dos bons costumes berra com uma mulher e fala, na maior grosseria do mundo, que se ela não é uma puta vai virar um dia. E pior, um canal de TV acha isso tudo muito bonitinho.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
Do you know what it feels like for a girl?
Em plena virada de ano estava conversando com uns amigos à la plage, quando um colega meu soltou uma dessas frases "pára o mundo que eu quero descer!":
- Você se comporta como um homem!
Não, eu não coço o saco ou qualquer coisa que macho men idiotas fazem.
- Sabe o que é? É que você não se preocupa muito com o que vai dizer e é uma mulher de atitude.
Ah, certo, estou começando a entender...
- Você assusta os homens!
- E é?
- Claro! Pelo menos a mim sim! Não assusta a você também? - e ele virou-se na direção do outro homem que estava na roda, que preferiu permanecer neutro - Bom, assusta pelo menos a mim, que tive uma determinada criação e fui acostumado com mulheres assim sabe... daquele jeito... sabe como é! Você intimida... um homem que queira ficar com você tem medo de você.
Para minha surpresa, uma moça que eu acabara de conhecer se aproximou da roda e concordou com tudo o que meu colega disse. Segundo ela, era notável o que ele afirmou sobre minha pessoa "pela minha postura e meu jeito de falar".
- Eu acho que me fodo às vezes por causa disso...
- Você é inteligente, menina, lembre disso.
Quando me despedi dela, a garota novamente insistiu no que havia dito. Parecia haver notado em mim um certo incômodo pelo meu jeito de ser, e queria de alguma forma me dar uma força para eu continuar sendo eu mesma.
And so it is...
E o orkut me manda essa mensagem em pleno primeiro de janeiro de 2009:
Sorte de hoje: A pessoa que lê sua sorte desapareceu e nosso chefe está furioso.
Thanks!
- Você se comporta como um homem!
Não, eu não coço o saco ou qualquer coisa que macho men idiotas fazem.
- Sabe o que é? É que você não se preocupa muito com o que vai dizer e é uma mulher de atitude.
Ah, certo, estou começando a entender...
- Você assusta os homens!
- E é?
- Claro! Pelo menos a mim sim! Não assusta a você também? - e ele virou-se na direção do outro homem que estava na roda, que preferiu permanecer neutro - Bom, assusta pelo menos a mim, que tive uma determinada criação e fui acostumado com mulheres assim sabe... daquele jeito... sabe como é! Você intimida... um homem que queira ficar com você tem medo de você.
Para minha surpresa, uma moça que eu acabara de conhecer se aproximou da roda e concordou com tudo o que meu colega disse. Segundo ela, era notável o que ele afirmou sobre minha pessoa "pela minha postura e meu jeito de falar".
- Eu acho que me fodo às vezes por causa disso...
- Você é inteligente, menina, lembre disso.
Quando me despedi dela, a garota novamente insistiu no que havia dito. Parecia haver notado em mim um certo incômodo pelo meu jeito de ser, e queria de alguma forma me dar uma força para eu continuar sendo eu mesma.
And so it is...
E o orkut me manda essa mensagem em pleno primeiro de janeiro de 2009:
Sorte de hoje: A pessoa que lê sua sorte desapareceu e nosso chefe está furioso.
Thanks!
terça-feira, dezembro 30, 2008
Então... Ultimamente ando TÃO sem paciência pra escrever nesse blog que... sei lá. Vai ver é o fim do ano que me deixa muito letárgica (sei que essa palavra é muito cheia de frescura, mas foi nela que pensei mesmo e é ela que expressa bem o que sinto).
Só posso dizer que o fim de 2008 tá muito louco, histórias demais de uma vez só (que são o avesso da minha letargia para lidar com tanta maluquice), e espero seguir todo o planejamento que fiz para 2009, até conseguir meus objetivos para 2010...
No mais, é tudo um mar de incertezas.
Só posso dizer que o fim de 2008 tá muito louco, histórias demais de uma vez só (que são o avesso da minha letargia para lidar com tanta maluquice), e espero seguir todo o planejamento que fiz para 2009, até conseguir meus objetivos para 2010...
No mais, é tudo um mar de incertezas.
sábado, dezembro 27, 2008
domingo, dezembro 14, 2008
Reencontro - parte 2
Sempre fui assim, intuitiva. Minha inteligência não funciona por meio da lógica, mas da sensibilidade. Reconheço o caminho porque tateio as ruas, e não porque as conheço de cor. É por isso que posso me perder com a mesma facilidade com que me acho. Afinal, às vezes tomo uma rua como outra, e sigo o caminho até me dar conta de que todas as esquinas que cruzei, e que eu achava que eram as certas, não passavam de pura fantasia. Preciso saber os nomes das ruas e os números das casas.
Dessa vez, a minha intuição me pregou uma estranha peça. Soube que Dimitri havia terminado seu namoro. O que parecia um entendimento equivocado de um conversa que tivemos, era a mais pura verdade. Ele estava desabafando comigo com palavras obtusas. Mas o que ele queria dizer com toda aquele papo de destino? E sobre as coisas em que depositamos nossas expectativas, mas que não duram para sempre? Ele queria dizer que o destino havia me colocado no meio do caminho dele? E que o seu relacionamento de anos já se arrastava demais, indo de encontro ao que ele entendia sobre amor e tempo?
Eu não sei! Agora eu sentia como se essa fosse a minha grande oportunidade e eu tivesse que jogar. Só que, quando pressionadas, as pessoas podem errar dizer o próprio nome num jogo que vale muito. E eu não tenho o sangue frio que os jogadores têm. Eu não conto as cartas. Eu sinto e sigo o jogo como se ele me conduzisse com vida própria.
Talvez essa de se deixar levar tenha algo a ver com impulsividade. Bons jogadores blefam ao invés de perderem as estribeiras. Calculam em lugar de agirem com ousadia. Não colocam o carro na frente dos bois. Eu sei o que eu deveria fazer. Teria que me aproximar pouco a pouco, afinal, eu não faço mais parte da vida dele. Não deveria ter a pretensão de tratá-lo como íntimo se assim não somos. Mesmo que eu confie nele, ele pode simplesmente não confiar em mim. Sou uma desconhecida. Pode achar que não vou fazer nada além de bagunçar a sua vida de novo. Talvez esteja confuso e precisando estar só depois do fim de um amor eterno. Quem sabe eu não deva fazer nada além de permanecer distante!
Agora que finalmente o reencontro parece ser possível, eu prefiro deixar essa história pra lá. Estou vendo coisa onde não existe. De volta ao cotidiano, novamente esquecerei dele na vida ordinária. Só não sei quando, afinal, deixarei de experimentar, ao vê-lo, aquela mesma sensação de que tive saudade durante todo esse tempo. E se eu, em verdade, não senti tanta falta dele assim, o infinito da ausência naquele momento me fez ver que a saudade tanto pode ser pequena todo dia, quanto grande de uma vez só. Não é que eu seja uma apaixonada saudosa. É que por ele sinto saudade, e não paixão - é de amor ao passado que às vezes eu vivo.
Dessa vez, a minha intuição me pregou uma estranha peça. Soube que Dimitri havia terminado seu namoro. O que parecia um entendimento equivocado de um conversa que tivemos, era a mais pura verdade. Ele estava desabafando comigo com palavras obtusas. Mas o que ele queria dizer com toda aquele papo de destino? E sobre as coisas em que depositamos nossas expectativas, mas que não duram para sempre? Ele queria dizer que o destino havia me colocado no meio do caminho dele? E que o seu relacionamento de anos já se arrastava demais, indo de encontro ao que ele entendia sobre amor e tempo?
Eu não sei! Agora eu sentia como se essa fosse a minha grande oportunidade e eu tivesse que jogar. Só que, quando pressionadas, as pessoas podem errar dizer o próprio nome num jogo que vale muito. E eu não tenho o sangue frio que os jogadores têm. Eu não conto as cartas. Eu sinto e sigo o jogo como se ele me conduzisse com vida própria.
Talvez essa de se deixar levar tenha algo a ver com impulsividade. Bons jogadores blefam ao invés de perderem as estribeiras. Calculam em lugar de agirem com ousadia. Não colocam o carro na frente dos bois. Eu sei o que eu deveria fazer. Teria que me aproximar pouco a pouco, afinal, eu não faço mais parte da vida dele. Não deveria ter a pretensão de tratá-lo como íntimo se assim não somos. Mesmo que eu confie nele, ele pode simplesmente não confiar em mim. Sou uma desconhecida. Pode achar que não vou fazer nada além de bagunçar a sua vida de novo. Talvez esteja confuso e precisando estar só depois do fim de um amor eterno. Quem sabe eu não deva fazer nada além de permanecer distante!
Agora que finalmente o reencontro parece ser possível, eu prefiro deixar essa história pra lá. Estou vendo coisa onde não existe. De volta ao cotidiano, novamente esquecerei dele na vida ordinária. Só não sei quando, afinal, deixarei de experimentar, ao vê-lo, aquela mesma sensação de que tive saudade durante todo esse tempo. E se eu, em verdade, não senti tanta falta dele assim, o infinito da ausência naquele momento me fez ver que a saudade tanto pode ser pequena todo dia, quanto grande de uma vez só. Não é que eu seja uma apaixonada saudosa. É que por ele sinto saudade, e não paixão - é de amor ao passado que às vezes eu vivo.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Como vocês podem perceber, esse blog está entregue às traças. Ultimamente essa história de cinema está me consumindo MUITO. É chegar em casa e capotar na cama. Hoje nem fui dormir porque tô ansiosa pensando na filmagem de amanhã. É, pela primeira vez na história de minha saga pessoal, eu vou dirigir (junto com meu coleguinha de classe). Pois é, tô aqui me preparando pra maratona de 12h de trabalho ininterrupto de amanhã. Só me lembro da Angelina Jolie numa entrevista (maravilhas da programação inútil da Tv a cabo que minha mãe mandou instalar) dizendo que "o set de filmagem às vezes funciona tão bem que até parece um paraíso". Q!
Esse povinho de Hollywood é falso né?
Set é o lugar mais cheio de gente pirada, nervosa, e com todo mundo na luta contra a lei de murphy e sempre contando os minutos pro prazo final da gravação.
Pois eu, dona Jolie, eu estou indo direto para o inferno!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A-do-ro!
Esse povinho de Hollywood é falso né?
Set é o lugar mais cheio de gente pirada, nervosa, e com todo mundo na luta contra a lei de murphy e sempre contando os minutos pro prazo final da gravação.
Pois eu, dona Jolie, eu estou indo direto para o inferno!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A-do-ro!
quinta-feira, novembro 20, 2008
Reencontro
Como é que a gente faz para voltar no tempo?
O tempo é o grande desafio da vida, não é? Havia planejado sair num determinado horário para chegar à entrevista pontualmente. Entretanto, isso não foi possível graças ao trânsito infernal da cidade e ao péssimo sistema de transporte público.
O calor da cidade era opressivo. Às vezes eu sentia como se minha mente ficasse ainda mais inquieta por causa desse clima. Logo no instante em que eu pedi para a moça dois cigarros, conferi se o ônibus ia aparecer, e, de fato, lá vinha meu ônibus, e, enquanto isso, a mulher olhava para as moedas e estendia a mão para mim devolvendo-as dizendo que o preço do cigarro havia aumentado. Deixei o cigarro, remédio contra o tempo, e corri até o ônibus. Só que as portas estavam fechadas. Aguardei a partida do carro. Ele se foi sem ao menos levar um passageiro.
Valia a pena esperar o próximo ônibus? O fiscal disse que outro ônibus só saria dali a vinte minutos. Não queria perder uma vaga por causa da passagem das horas. Calculei se tinha dinheiro suficiente para o táxi. Ainda restavam sete reais do dinheiro do ingresso que havia comprado há pouco no teatro próximo ao terminal. Acenei para o táxi. Ele não parou. Um homem parou o carro me oferecendo carona. Preferi esperar um outro táxi.
Eu não tirava o olho do relógio. No momento em que eu achava que não ia dar para seguir em frente com a partida, encontrei uma nota de dez na carteira, como uma bênção vinda dos céus.
Fiz a entrevista e depois sentei numa área de vivência para passar o tempo. Eu tinha um compromisso, e não ia voltar para casa, pois depois teria que regressar novamente, e aquele trânsito infernal.
Então eu passo pela frente de uma porta e vejo de relance quem eu penso que seria um rapaz com quem eu havia tido um breve envolvimento há um tempo atrás. Sentei-me. Acendi um cigarro que tinha comprado no terminal após o alarme falso do ônibus que acabou indo sem nenhum passageiro. Tomei água. Não, não era ele, eu devo estar vendo coisas, tenho essa mania de ver rostos de pessoas conhecidas em gente desconhecida.
- Como é seu nome?
- Dimitri.
- Dimitri o quê?
Nem esperei para ouvir o sobrenome. Quantos Dimitris havia naquela cidade? Segui até a recepção.
- Oi Dimitri, tudo bem?
- Oi Luiza, tudo bem!
Sentei-me novamente e voltei aos meus livros. Não consegui parar de pensar nele um segundo sequer. As palavras estavam numa escrita morta, soltas e sem significado, rabiscos diante de meus olhos analfabetos de tanta ansiedade. Quando ele voltasse, ia pedir para ele ficar ali um pouco comigo. Mas como eu ia fazer isso? Tá, eu ia dizer, oi senta aqui, vamos conversar. Não, não. Como vai? Quanto tempo!
Naqueles dez minutos se passaram lembranças avulsas que duraram algumas horas. Ele me pareceu um tanto nervoso ao me cumprimentar. Eu não conseguia agir naturalmente com ele. Quando ele saiu da sala, atentei para seu passo arrastado, seu impasse para chegar mais perto de mim. Ele não queria ir embora, pelo menos não naquela hora. Pedi para ele sentar para a gente conversar. Fazia tanto tempo!
Não o encontrava, sequer pensava nele, ou mesmo lembrava, mas reencontrá-lo sempre mexeu comigo, com as coisas mal resolvidas que eu tinha. Ficava envergonhada ao vê-lo na rua.
- Sabia que eu tenho vergonha quando te vejo?
- Ué, por quê?
- Você deve me achar uma louca!
- Não acho não.
- Acha sim. Ai meu deus, eu era tão tola naquela época!
Um dia aquele homem com jeito de menino esteve apaixonado por mim. Não fazia muito tempo desde que eu havia me afastado de um rapaz com quem eu não havia tido uma história – e talvez esse fosse o motivo de uma tristeza não ter se instalado em mim, afinal, não houve uma história. Olhei para ele e, por um momento, lembrei de todos os homens que havia conhecido desde então. Onde ele estava esse tempo todo? Eu sabia. E tinha plena consciência de que ele não podia ser meu.
Durante a minha espera, conversamos por horas e horas. Ele reclamou que estava com fome, e foi aí que percebi que ele havia deixado de passar em casa antes da aula, só para nesse intervalo passar um tempo junto comigo. E quando me vi falando como se ele nunca tivesse ficado longe de mim, conclui que eu confiava nele, mesmo que a gente nunca tenha sido amigos ou amantes por muito tempo. Apesar da brevidade das nossas aproximações, houve momentos em que ele se mostrou mais companheiro do que amigos de anos. Em volta dele havia uma áurea, uma energia boa que eu gostava de sentir. Eu precisava de um bocado daquela energia por perto. Poucas pessoas tinham o semblante tão puro quanto o dele.
Houve um instante em que o azul dos seus olhos vibraram. Queria tocá-lo, queria beijá-lo. Mas me segurei, eu precisava manter o controle. Conversamos como bons amigos, mas eu imaginava, mesmo que me faltasse um espelho, que algo na linguagem do meu corpo, da minha voz, revelava mais do que eu permitiria. Lembrei das mensagens dele, da lembrança que ele deixou na portaria do prédio. Como pude?
Ele encostou-se preguiçoso na cadeira. Eu me estendi sobre a cadeira com os pés em outra para descansar. Quando os dois estavam absortos no nosso mundo, como se estivéssemos num parque olhando pro céu, ele me fez uma confissão. Foi uma confidência sem nomes, sem fatos concretos. Ele apenas me falou de uma aflição. Eu nunca imaginei vê-lo angustiado.
- Sabe, tem uma coisa me remoendo. Faz alguns dias já. Hoje isso está mais forte. Estou assim o dia inteiro. Sabe quando você sente um frio na barriga?
- Do que você tá falando?
- É algo mal resolvido. Um conflito que se estende. Sabe, quando você não espera que uma coisa vai dar nisso, mas acaba acontecendo.
- E você se decepciona porque depositou suas expectativas naquilo.
- É, é isso.
- Mas eu fico assim quando estou esperando algo ou quando esse algo já aconteceu.
- Os dois. Já aconteceu e eu estou esperando no que isso vai dar.
Qual era o conflito dele? Com o quê ele havia se decepcionado? Um leve prazer tomou conta de mim, desses prazeres egoístas que não devemos sentir. É que eu queria muito acreditar que o relacionamento que ele levava há anos já não dava mais certo. Eu não o esperei durante todo esse tempo, mas sempre que o reencontrava algo me dizia que a gente ainda iria ficar juntos, seja de maneira efêmera, ou seja por muitos anos. Eu só não sabia como.
Ele se despediu dando um tchauzinho tímido, e eu não tive coragem de ter algum contato físico com ele, de abraçá-lo antes que ele fosse embora, mesmo que quisesse tê-lo só um pouquinho mais perto. Então ele relutou em partir. Esperava que eu tivesse tomado a grande decisão do dia – abraçá-lo. Ele veio no meio do nada -além de nós- me dar um abraço e um beijo no rosto. Eu não sabia quando ia revê-lo. Senti uma leve pontada no coração.
No nosso papo, ele havia falado em energia. Ele, ao contrário de mim, acreditava em alguma força que fazia as coisas acontecerem. Eu, que na nossa conversa defendi que vivemos a deriva, agarrava-me agora à crença de que o destino o havia colocado no meu caminho naquele dia. Por mais que eu não me lembrasse dele no cotidiano, assim que o avistava era como se eu sentisse saudade durante todo esse tempo.
O tempo é o grande desafio da vida, não é? Havia planejado sair num determinado horário para chegar à entrevista pontualmente. Entretanto, isso não foi possível graças ao trânsito infernal da cidade e ao péssimo sistema de transporte público.
O calor da cidade era opressivo. Às vezes eu sentia como se minha mente ficasse ainda mais inquieta por causa desse clima. Logo no instante em que eu pedi para a moça dois cigarros, conferi se o ônibus ia aparecer, e, de fato, lá vinha meu ônibus, e, enquanto isso, a mulher olhava para as moedas e estendia a mão para mim devolvendo-as dizendo que o preço do cigarro havia aumentado. Deixei o cigarro, remédio contra o tempo, e corri até o ônibus. Só que as portas estavam fechadas. Aguardei a partida do carro. Ele se foi sem ao menos levar um passageiro.
Valia a pena esperar o próximo ônibus? O fiscal disse que outro ônibus só saria dali a vinte minutos. Não queria perder uma vaga por causa da passagem das horas. Calculei se tinha dinheiro suficiente para o táxi. Ainda restavam sete reais do dinheiro do ingresso que havia comprado há pouco no teatro próximo ao terminal. Acenei para o táxi. Ele não parou. Um homem parou o carro me oferecendo carona. Preferi esperar um outro táxi.
Eu não tirava o olho do relógio. No momento em que eu achava que não ia dar para seguir em frente com a partida, encontrei uma nota de dez na carteira, como uma bênção vinda dos céus.
Fiz a entrevista e depois sentei numa área de vivência para passar o tempo. Eu tinha um compromisso, e não ia voltar para casa, pois depois teria que regressar novamente, e aquele trânsito infernal.
Então eu passo pela frente de uma porta e vejo de relance quem eu penso que seria um rapaz com quem eu havia tido um breve envolvimento há um tempo atrás. Sentei-me. Acendi um cigarro que tinha comprado no terminal após o alarme falso do ônibus que acabou indo sem nenhum passageiro. Tomei água. Não, não era ele, eu devo estar vendo coisas, tenho essa mania de ver rostos de pessoas conhecidas em gente desconhecida.
- Como é seu nome?
- Dimitri.
- Dimitri o quê?
Nem esperei para ouvir o sobrenome. Quantos Dimitris havia naquela cidade? Segui até a recepção.
- Oi Dimitri, tudo bem?
- Oi Luiza, tudo bem!
Sentei-me novamente e voltei aos meus livros. Não consegui parar de pensar nele um segundo sequer. As palavras estavam numa escrita morta, soltas e sem significado, rabiscos diante de meus olhos analfabetos de tanta ansiedade. Quando ele voltasse, ia pedir para ele ficar ali um pouco comigo. Mas como eu ia fazer isso? Tá, eu ia dizer, oi senta aqui, vamos conversar. Não, não. Como vai? Quanto tempo!
Naqueles dez minutos se passaram lembranças avulsas que duraram algumas horas. Ele me pareceu um tanto nervoso ao me cumprimentar. Eu não conseguia agir naturalmente com ele. Quando ele saiu da sala, atentei para seu passo arrastado, seu impasse para chegar mais perto de mim. Ele não queria ir embora, pelo menos não naquela hora. Pedi para ele sentar para a gente conversar. Fazia tanto tempo!
Não o encontrava, sequer pensava nele, ou mesmo lembrava, mas reencontrá-lo sempre mexeu comigo, com as coisas mal resolvidas que eu tinha. Ficava envergonhada ao vê-lo na rua.
- Sabia que eu tenho vergonha quando te vejo?
- Ué, por quê?
- Você deve me achar uma louca!
- Não acho não.
- Acha sim. Ai meu deus, eu era tão tola naquela época!
Um dia aquele homem com jeito de menino esteve apaixonado por mim. Não fazia muito tempo desde que eu havia me afastado de um rapaz com quem eu não havia tido uma história – e talvez esse fosse o motivo de uma tristeza não ter se instalado em mim, afinal, não houve uma história. Olhei para ele e, por um momento, lembrei de todos os homens que havia conhecido desde então. Onde ele estava esse tempo todo? Eu sabia. E tinha plena consciência de que ele não podia ser meu.
Durante a minha espera, conversamos por horas e horas. Ele reclamou que estava com fome, e foi aí que percebi que ele havia deixado de passar em casa antes da aula, só para nesse intervalo passar um tempo junto comigo. E quando me vi falando como se ele nunca tivesse ficado longe de mim, conclui que eu confiava nele, mesmo que a gente nunca tenha sido amigos ou amantes por muito tempo. Apesar da brevidade das nossas aproximações, houve momentos em que ele se mostrou mais companheiro do que amigos de anos. Em volta dele havia uma áurea, uma energia boa que eu gostava de sentir. Eu precisava de um bocado daquela energia por perto. Poucas pessoas tinham o semblante tão puro quanto o dele.
Houve um instante em que o azul dos seus olhos vibraram. Queria tocá-lo, queria beijá-lo. Mas me segurei, eu precisava manter o controle. Conversamos como bons amigos, mas eu imaginava, mesmo que me faltasse um espelho, que algo na linguagem do meu corpo, da minha voz, revelava mais do que eu permitiria. Lembrei das mensagens dele, da lembrança que ele deixou na portaria do prédio. Como pude?
Ele encostou-se preguiçoso na cadeira. Eu me estendi sobre a cadeira com os pés em outra para descansar. Quando os dois estavam absortos no nosso mundo, como se estivéssemos num parque olhando pro céu, ele me fez uma confissão. Foi uma confidência sem nomes, sem fatos concretos. Ele apenas me falou de uma aflição. Eu nunca imaginei vê-lo angustiado.
- Sabe, tem uma coisa me remoendo. Faz alguns dias já. Hoje isso está mais forte. Estou assim o dia inteiro. Sabe quando você sente um frio na barriga?
- Do que você tá falando?
- É algo mal resolvido. Um conflito que se estende. Sabe, quando você não espera que uma coisa vai dar nisso, mas acaba acontecendo.
- E você se decepciona porque depositou suas expectativas naquilo.
- É, é isso.
- Mas eu fico assim quando estou esperando algo ou quando esse algo já aconteceu.
- Os dois. Já aconteceu e eu estou esperando no que isso vai dar.
Qual era o conflito dele? Com o quê ele havia se decepcionado? Um leve prazer tomou conta de mim, desses prazeres egoístas que não devemos sentir. É que eu queria muito acreditar que o relacionamento que ele levava há anos já não dava mais certo. Eu não o esperei durante todo esse tempo, mas sempre que o reencontrava algo me dizia que a gente ainda iria ficar juntos, seja de maneira efêmera, ou seja por muitos anos. Eu só não sabia como.
Ele se despediu dando um tchauzinho tímido, e eu não tive coragem de ter algum contato físico com ele, de abraçá-lo antes que ele fosse embora, mesmo que quisesse tê-lo só um pouquinho mais perto. Então ele relutou em partir. Esperava que eu tivesse tomado a grande decisão do dia – abraçá-lo. Ele veio no meio do nada -além de nós- me dar um abraço e um beijo no rosto. Eu não sabia quando ia revê-lo. Senti uma leve pontada no coração.
No nosso papo, ele havia falado em energia. Ele, ao contrário de mim, acreditava em alguma força que fazia as coisas acontecerem. Eu, que na nossa conversa defendi que vivemos a deriva, agarrava-me agora à crença de que o destino o havia colocado no meu caminho naquele dia. Por mais que eu não me lembrasse dele no cotidiano, assim que o avistava era como se eu sentisse saudade durante todo esse tempo.
terça-feira, novembro 18, 2008
A Mulher de Branco

Quando criança, eu morria de medo da Mulher de Branco, da novela Tieta. Assim que ela surgia iluminando a noite misteriosa do agreste, eu corria para o meu quarto, o que provocava muitos risos entre meus familiares. Aquela coisa "ô, criança tem cada uma né?". Não foram poucas as vezes em que meu tio vestiu um lençol branco e saiu correndo atrás de mim para me assustar. Mesmo desconfiando de que era ele, eu fugia, porque, na dúvida, podia ser a Mulher de Branco né!
Até que no final da novela, eu, criança ingênua, descobri que a Mulher de Branco não passava de uma viúva tarada que saía pela noite vestida de fantasma atrás de um homem que pudesse "tirar o seu atraso". Era Perpétua, aquela senhora pudica, que estava sempre usando roupas pretas, coitada, não conseguia esquecer o falecido marido - chegando ao ponto de guardar a coisa que ela mais gostava nele numa caixa (não vou dizer que coisa era, crianças).
Só posso dizer que foi uma decepção tremenda: tipo, oi, o que tenho eu a ver com uma velha tarada que assedia sexualmente homens? E eu achando que a Mulher de Branco era um fantasma que matava os moradores da pequena Santana do Agreste. Tudo bem, era tudo uma piada e eu não entendi. Achei que qualquer coisa com lençol branco envolvia terror.
Rappel muito louco
Tenho estudado algo sobre violência urbana e cinema brasileiro, etc. E visto e revisto alguns filmes nesse sentido.
Resultado: Peguei no sono e sonhei que via, da janela do meu quarto, o Capitão Nascimento escalar a parede do meu prédio, com a mesma feição angustiada que ele tinha em uma cena em que ele faz rappel em Tropa de Elite.
Resultado: Peguei no sono e sonhei que via, da janela do meu quarto, o Capitão Nascimento escalar a parede do meu prédio, com a mesma feição angustiada que ele tinha em uma cena em que ele faz rappel em Tropa de Elite.
domingo, novembro 16, 2008
Versus
Eu queria desejar a paz ao mundo
mas tenho de admitir que
enquanto escrevo essa poesia
em algum lugar
alguém sofre uma punição
alguma injustiça é cometida
alguém tem que se calar
e a dor que mais dói é a dor a que a gente se acostuma
- a tudo nessa vida, a gente se acostuma -
só que agora essa dor me incomoda
e seguro no peito
um sentimento de que "não tem mais jeito"
só resta a mim viver
levar a vida como der
em alguns momentos esquecer
e em outros desejar a paz no mundo
a paz anula o conflito
mas anular o conflito terminaria em anular as duas partes
- é o fim?-
e esses que falam em inferno e fim do mundo
quero saber se eles desenham o inferno parecido com isso aqui
e o término de tudo
um ritual coletivo de morte
eu que luto com a minha própria sorte
já me despeço do mundo
como quem é só mais uma
-não, eu não fiz nenhuma revolução-
nunca quis ser uma mártir
apenas quero um pouco de paz
mas a paz é a anulação do conflito
e anular o conflito é anular as duas partes
afinal
mais com mais dá mais
menos com menos dá mais
agora,
mais com menos...
dá menos.
mas tenho de admitir que
enquanto escrevo essa poesia
em algum lugar
alguém sofre uma punição
alguma injustiça é cometida
alguém tem que se calar
e a dor que mais dói é a dor a que a gente se acostuma
- a tudo nessa vida, a gente se acostuma -
só que agora essa dor me incomoda
e seguro no peito
um sentimento de que "não tem mais jeito"
só resta a mim viver
levar a vida como der
em alguns momentos esquecer
e em outros desejar a paz no mundo
a paz anula o conflito
mas anular o conflito terminaria em anular as duas partes
- é o fim?-
e esses que falam em inferno e fim do mundo
quero saber se eles desenham o inferno parecido com isso aqui
e o término de tudo
um ritual coletivo de morte
eu que luto com a minha própria sorte
já me despeço do mundo
como quem é só mais uma
-não, eu não fiz nenhuma revolução-
nunca quis ser uma mártir
apenas quero um pouco de paz
mas a paz é a anulação do conflito
e anular o conflito é anular as duas partes
afinal
mais com mais dá mais
menos com menos dá mais
agora,
mais com menos...
dá menos.
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